{"id":47446,"date":"2023-03-09T18:12:00","date_gmt":"2023-03-09T21:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=47446"},"modified":"2023-07-19T18:46:37","modified_gmt":"2023-07-19T21:46:37","slug":"inclusao-e-justica-indigena-na-capital-amazonense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/inclusao-e-justica-indigena-na-capital-amazonense\/","title":{"rendered":"Inclus\u00e3o e justi\u00e7a ind\u00edgena na capital amazonense"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comida, \u00e9 identidade\u201d: cozinha solid\u00e1ria no Parque das Tribos, em Manaus, luta para fortalecer a cultura dos povos origin\u00e1rios<\/h4>\n\n<p><em>Renata Nitta<br>Tradu\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 Ribeiro e Melissa Harkin<\/em><\/p>\n\n<p>Mesmo em face de situa\u00e7\u00f5es desafiadoras, pessoas de todo o mundo est\u00e3o se unindo para construir um futuro melhor para suas comunidades e para si mesmas. Suas experi\u00eancias n\u00e3o chegam \u00e0s manchetes, mas oferecem algumas<a href=\"https:\/\/sites.google.com\/greenpeace.org\/alternative-futures-allies\/home\"> ideias<\/a> sobre como a humanidade pode viver em um mundo moderno e contrabalan\u00e7ar o sistema capitalista neoliberal. Essas solu\u00e7\u00f5es \u2014 muitas provenientes da maioria global \u2014 podem nos ajudar a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/story\/56644\/what-could-a-better-world-look-like-in-10-years\/\">reimaginar<\/a> um<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/act\/alternative-futures\/\"> futuro alternativo<\/a> onde combatemos as desigualdades e <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/greenpeace.org\/alternative-futures-allies\/home\">distribu\u00edmos o poder de forma igualit\u00e1ria<\/a> para que todos possam viver uma vida saud\u00e1vel e digna.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/GXCRm4iIMwx_nU2nK_glyfqrKqbWHDyPuioHNMqX-1u7p4pOVWUHE7hevMjTRjNcT919T8bM9_CV3X2Pdf03shTi5R3LFU0Qs2l9oRzzdSVfy4pnRZGpkqciUiBkcJuPg7fYAVVRrd6ai8f2KNAFrNM\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Renata Peixe-Boi, da cozinha solid\u00e1ria Boca da Mata, com a cacica Lutana Kokama \u00a9 Rodrigo Duarte<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>No encontro das \u00e1guas do Rio Negro com o Solim\u00f5es para formar o Amazonas, localiza-se Manaus, capital do Amazonas, conhecida pelas condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias das <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/cities\/2019\/jul\/23\/the-jungle-metropolis-how-sprawling-manaus-is-eating-into-the-amazon\">favelas em r\u00e1pido crescimento<\/a> e que carecem de infraestrutura b\u00e1sica. \u00c9 no primeiro bairro ind\u00edgena de Manaus, o <a href=\"https:\/\/racismoambiental.net.br\/2022\/02\/21\/parque-das-tribos-mulheres-indigenas-lideram-resgate\/\">Parque das Tribos<\/a>, fundado em 2014 em um terreno abandonado e lar de cerca de 750 fam\u00edlias de mais de 30 grupos \u00e9tnicos, que as pessoas est\u00e3o conectando as gera\u00e7\u00f5es mais jovens com suas ra\u00edzes para ajudar a combater a aliena\u00e7\u00e3o que sentem no mundo moderno.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A pandemia da covid-19 atingiu em cheio a comunidade, que sofreu com a alta taxa de mortalidade e a morte de l\u00edderes tradicionais. Em todo o Brasil, a pandemia provocou uma crise de fome que ainda perdura, com cerca de 33 milh\u00f5es de pessoas em todo o pa\u00eds em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar \u2014 um problema que o governo ainda n\u00e3o conseguiu resolver. Apesar desses desafios, a comunidade do Parque das Tribos trabalha para o bem coletivo.<\/p>\n\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comida; estamos falando de identidade<\/strong><\/p>\n\n<p>Renata Peixe-Boi, do grupo ind\u00edgena Mura, fundou a cozinha solid\u00e1ria Boca da Mata, que oferece refei\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis e equilibradas. Ela ressalta que os alimentos frescos n\u00e3o s\u00e3o financeiramente acess\u00edveis. Muitos moradores da comunidade consomem mais alimentos ultraprocessados, normalmente por causa de insufici\u00eancia de renda e da falta de disponibilidade de alimentos frescos ou de condi\u00e7\u00f5es para mant\u00ea-los frescos.<\/p>\n\n<p>Entretanto, comida fresca n\u00e3o significa apenas uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel; trata-se de uma afirma\u00e7\u00e3o da identidade ind\u00edgena. \u201cPara pessoas imersas nessa cultura, \u00e9 muito diferente se voc\u00ea comer, por exemplo, mandioca que foi colhida no dia anterior\u201d, disse Renata. \u201cPara os povos ind\u00edgenas, isso carrega um simbolismo, uma lembran\u00e7a muito forte que remete ao campo.\u201d Parte das mandiocas e de outros alimentos s\u00e3o cultivados em pequenos terrenos dentro da comunidade, mas a maioria dos produtos frescos \u00e9 recebida de doadores.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/bbte73BmashdXLcQlyC_-WTSxrboBX_DlR3P5IX3n3r5Ulqs4pA2jjMsp43faGISyEfjsg0MSp_FUD_8m0UeKo69_Rvlkukmw8XCmrLpz1L22A57GrMA-0Khdv5ird9-fYVGoqc4tB3LqJSPtlCf8vE\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mulheres preparando refei\u00e7\u00f5es para a comunidade \u00a9 Rodrigo Duarte<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>As mulheres ind\u00edgenas em cen\u00e1rios urbanos do Brasil, como o Parque das Tribos, s\u00e3o muitas vezes migrantes econ\u00f4micas que deixaram seus lares tradicionais. Esses padr\u00f5es de migra\u00e7\u00e3o para a cidade s\u00e3o extremamente comuns e, muitas vezes, resultam da busca por trabalho, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outras infraestruturas. No entanto, a maioria das mulheres que migram para as cidades para trabalhar como empregadas dom\u00e9sticas recebe sal\u00e1rios muito baixos e enfrenta diversas situa\u00e7\u00f5es de racismo, humilha\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e viol\u00eancia.<\/p>\n\n<p>Consequentemente, a cozinha tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o pol\u00edtico de empoderamento, onde as mulheres que vivem na cidade podem trocar ideias e aprender umas com as outras, como mulheres ind\u00edgenas de diferentes grupos e realidades, al\u00e9m de praticar ou reaprender suas l\u00ednguas tradicionais (e depois ensin\u00e1-las aos seus filhos). Trata-se de um lugar que oferece \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens a oportunidade de se reconectarem com sua cultura ind\u00edgena, principalmente por meio da l\u00edngua e de experi\u00eancias comunit\u00e1rias compartilhadas com membros de seu grupo \u00e9tnico e outros grupos, al\u00e9m de aprenderem sobre a possibilidade de ter uma profiss\u00e3o.<\/p>\n\n<p>\u201cOs jovens s\u00e3o filhos dessas mulheres que, em sua maioria, deixaram seus territ\u00f3rios quando ainda eram novas e nunca mais voltaram\u201d, explicou Renata. \u201cA cidade n\u00e3o oferece uma possibilidade de haver essas trocas.&#8221;<\/p>\n\n<p><strong>La\u00e7os e ra\u00edzes nos protegem<\/strong><\/p>\n\n<p>Al\u00e9m da cozinha, o Parque das Tribos tamb\u00e9m conta com diversas outras iniciativas que buscam afirmar e valorizar a cultura ind\u00edgena no cen\u00e1rio urbano. Claudia Bar\u00e9 \u00e9 uma professora ind\u00edgena que est\u00e1 trabalhando para criar uma escola ind\u00edgena especializada na comunidade, onde as crian\u00e7as possam aprender sobre suas ra\u00edzes e tradi\u00e7\u00f5es. Como o Parque das Tribos est\u00e1 localizado na periferia, que \u00e9 dominada pelo crime de uma das metr\u00f3poles mais violentas e com maior \u00edndice de desigualdade do Brasil, crian\u00e7as e jovens est\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0 coer\u00e7\u00e3o do crime.<\/p>\n\n<p>\u201cH\u00e1 crian\u00e7as que n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 escola e acabam ficando \u00e0 merc\u00ea (do crime). A gente sabe que quando a crian\u00e7a est\u00e1 na rua, pessoas de m\u00e1 \u00edndole as levam para o caminho errado [\u2026] das drogas, da bebida\u201d, explicou Claudia.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/88zmars_E-nhS2kxT2fvE-mHaSvQYjc5_rWtcyoz9vPAeJSSiKxLqCkptGTBptreVGKGjnfSJox0QgLYWbamnywoafvk2oYo7WFNkks4TJOvdN9LZBbUAdEbxRsoDAfywyZz4f8-BliQhw-TE18AsM8\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Claudia Bar\u00e9 na Escola Ind\u00edgena Wakenai Anumarehit \u00a9 Claudia Bar\u00e9<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>A escola tamb\u00e9m serve de ferramenta para os jovens ind\u00edgenas formarem suas identidades. Essas afirma\u00e7\u00f5es permitem que eles superem o racismo e o preconceito que inevitavelmente sofrem.<\/p>\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 algo que vai deixar de existir, mas voc\u00ea tem que ensinar as crian\u00e7as, as mulheres, os jovens e os pr\u00f3prios ind\u00edgenas a se defenderem e a superarem esse preconceito.\u201d<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/DFCoJUP37i7Hi6MAMxi_tnhTNDNCR3BNZyysC9j9rSNq6BhBUUKTJguJVKbjM9P__HQRW3Tv0wE2JyntKlB02kt6zBINS82z6y6UjIl3E7b01JT2mOiUbwybZdc2OvmWIWnYMXL9FbK9uQ84E1t-x34\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Moradores recebendo alimentos org\u00e2nicos durante a pandemia da covid-19 \u00a9 Rodrigo Duarte<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O Parque das Tribos sofre os mesmos problemas estruturais das comunidades urbanas informais de baixa renda em toda a Am\u00e9rica Latina e no hemisf\u00e9rio sul: pobreza extrema; falta de saneamento b\u00e1sico; e acesso prec\u00e1rio \u00e0 moradia, educa\u00e7\u00e3o, emprego e oportunidades de lazer.<\/p>\n\n<p>Para Renata Peixe-Boi, da cozinha solid\u00e1ria Boca da Mata, o Parque das Tribos est\u00e1 na vanguarda da identidade ind\u00edgena no contexto urbano. \u201cAtualmente existem muitas for\u00e7as que j\u00e1 expulsaram as pessoas de seus territ\u00f3rios\u201d, explicou. \u201cE hoje temos o Parque das Tribos. \u00c9 uma realidade e \u00e9 muito afirmativa.\u201d <\/p>\n\n<p>Essas mulheres inspiradoras do Parque das Tribos est\u00e3o nos mostrando o que pode ser alcan\u00e7ado quando priorizamos o bem-estar de todos, principalmente das mulheres, das crian\u00e7as e dos jovens, em vez do lucro. Pensando nas gera\u00e7\u00f5es futuras, elas deram in\u00edcio a uma mudan\u00e7a transformacional em sua comunidade, empoderando mulheres e comunidades ind\u00edgenas que est\u00e3o lutando pelo importante princ\u00edpio da <strong>inclus\u00e3o, justi\u00e7a e diversidade<\/strong>. <\/p>\n\n<p>Como as conquistas da <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/story\/58461\/the-true-meaning-of-economy-the-art-of-taking-care-of-our-common-home\/\">Rede ASA<\/a>, podemos nos inspirar nesse \u201cpluralismo de baixo para cima\u201d para criar mais solu\u00e7\u00f5es e construir um caminho para um futuro limpo, verde e justo para nossos filhos, medindo o progresso com base no bem-estar coletivo, e n\u00e3o nos lucros.<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center has-yellow-background-color has-background\">Fa\u00e7a parte tamb\u00e9m dessa solu\u00e7\u00e3o!<strong> Participe do <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/manifesto-pela-agroecologia\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/manifesto-pela-agroecologia\/\" target=\"_blank\">Manifesto pela Agroecologia. <\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comida, \u00e9 identidade\u201d: cozinha solid\u00e1ria no Parque das Tribos, em Manaus, luta para fortalecer a cultura dos povos origin\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":47451,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[18],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-47446","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-greenpeace","tag-agroecologia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47446","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47446"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47446\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":47449,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47446\/revisions\/47449"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47446"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=47446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}