{"id":49723,"date":"2023-10-11T18:24:47","date_gmt":"2023-10-11T21:24:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=49723"},"modified":"2023-10-11T18:25:25","modified_gmt":"2023-10-11T21:25:25","slug":"queimadas-no-amazonas-batem-recorde-para-o-mes-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/queimadas-no-amazonas-batem-recorde-para-o-mes-de-outubro\/","title":{"rendered":"Queimadas no Amazonas batem recorde para o m\u00eas de outubro"},"content":{"rendered":"\n<p>Em apenas dez dias, o estado do Amazonas atingiu a m\u00e1xima hist\u00f3rica de 2.684 focos de calor, enquanto todo o m\u00eas de outubro do ano passado registrou 1.503&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-49724\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/10\/fbb35c14-mari2733.jpg 1181w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fuma\u00e7a das queimadas encobre a Ponte&nbsp;Jornalista Phelippe Daou, sobre o Rio Negro, em Manaus (AM). (\u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace)<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicados nesta ter\u00e7a-feira (10), o estado do Amazonas atingiu 2.684 focos de calor na Amaz\u00f4nia em apenas dez dias. O n\u00famero registrado nesse curto per\u00edodo j\u00e1 supera a m\u00e1xima registrada em toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica para o m\u00eas de outubro no estado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>At\u00e9 o momento, os munic\u00edpios de L\u00e1brea (344 focos de calor), Boca do Acre (263), ambos no sul do estado, e Novo Aripuan\u00e3 (245) lideram o n\u00famero de queimadas na Amaz\u00f4nia representando 32% do total de inc\u00eandios no estado. Como efeito imediato do crime, muitas cidades do estado e suas popula\u00e7\u00f5es v\u00eam <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/fumaca-de-queimadas-faz-mal-a-saude\/\">sufocando com a fuma\u00e7a<\/a> das queimadas h\u00e1 mais de dois meses. Na manh\u00e3 desta quarta-feira (11) a qualidade do ar da capital Manaus foi considerada pelo painel&nbsp; <a href=\"https:\/\/waqi.info\/#\/c\/1.92\/37.266\/1z\">World\u2019s Air Polution<\/a> <a href=\"https:\/\/www.acritica.com\/amazonia\/coberta-por-fumaca-manaus-amanhece-como-segunda-pior-qualidade-do-ar-do-mundo-1.320437\">como a segunda pior do mundo.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o enfrentada pelo estado hoje \u00e9 resultado da combina\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de fatores. Este ano, o ver\u00e3o amaz\u00f4nico, quando o clima mais seco favorece a a\u00e7\u00e3o de criminosos para o desmatamento e as queimadas, foi potencializado pelo fen\u00f4meno clim\u00e1tico El Ni\u00f1o, causado pelo aumento das temperaturas do oceano Pac\u00edfico, e por <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/2024-podera-ser-o-ano-mais-quente-da-historia-e-hora-de-agir\/\">um clima ainda mais quente que o normal.<\/a> Se n\u00e3o bastasse tudo isso, a falta de a\u00e7\u00f5es estruturantes por parte do governo do estado contribuiu para o aumento das queimadas na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>&#8220;A seca na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 causando impactos severos na vida e sa\u00fade das comunidades locais e na biodiversidade. Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o dos alertas de desmatamento em 48% nos primeiros nove meses do ano na Amaz\u00f4nia e da redu\u00e7\u00e3o de 64% no Amazonas, estamos longe de reverter a l\u00f3gica da destrui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o\u201d, afirma Tha\u00eds Bannwart, da campanha de Amaz\u00f4nia do Greenpeace.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cPara al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es emergenciais, cruciais neste momento, precisamos que o governador Wilson Lima avance em a\u00e7\u00f5es e programas que induzam a uma nova l\u00f3gica econ\u00f4mica que concilie a floresta em p\u00e9 com gera\u00e7\u00e3o de renda para os moradores do interior, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios tradicionais, a regulariza\u00e7\u00e3o ambiental e o amplo apoio \u00e0s a\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos criminosos que destroem a Amaz\u00f4nia, algo que o governador n\u00e3o fez em seu primeiro mandato\u201d, completa.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Escalada da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>De acordo com dados do sistema Prodes, do Inpe, em 2018 o Amazonas ocupava a 4\u00ba posi\u00e7\u00e3o entre os estados que mais desmatavam na Amaz\u00f4nia. Isso come\u00e7ou a mudar em 2019, primeiro ano da dobradinha Wilson Lima (UNI\u00c3O)\/Bolsonaro, quando o estado passou para a 3\u00ba posi\u00e7\u00e3o e, em 2021, o Amazonas superou definitivamente o Mato Grosso (que ocupou por muitos anos o segundo lugar) e passou a ser o 2\u00ba estado que mais desmata no bioma, posi\u00e7\u00e3o que ocupa at\u00e9 hoje.&nbsp;<\/p>\n\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a gest\u00e3o estadual, reeleita, foi reafirmando seu compromisso com o legado antiambiental dos \u00faltimos quatro anos,<a href=\"https:\/\/www.defesacivil.am.gov.br\/operacao-estiagem-2023-wilson-lima-pede-a-alckmin-e-ministros-destravamento-da-br-319-para-tirar-o-estado-do-isolamento\/\"> e chegou a utilizar politicamente a estiagem extrema que penaliza a popula\u00e7\u00e3o para tentar avan\u00e7ar na marra com o controverso projeto de asfaltamento da BR-319<\/a>, que liga o arco do desmatamento, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/uma-nova-e-arriscada-fronteira-do-desmatamento-na-amazonia\/\">e uma das fronteiras mais ativas e ferozes do desmatamento no momento<\/a>, ao cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Projeto que segue travado,<a href=\"https:\/\/www.oc.eco.br\/licenca-para-br-319-ignora-recomendacoes-do-proprio-ibama\/\"> pois os governos interessados se negam a cumprir as recomenda\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o de riscos e as consultas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es afetadas.&nbsp;&nbsp;<\/a><\/p>\n\n<p>Inclusive, \u00e9 justamente na \u00e1rea de influ\u00eancia da rodovia, no sul do Amazonas, que se concentram os maiores \u00edndices de desmatamento do estado. Em 2020, cerca de 21.600 hectares de florestas foram desmatados na regi\u00e3o da BR-319, em 2021 subiu para 45.300 hectares, mais que o dobro do ano anterior, e em 2022 alcan\u00e7ou o total de 48.000 hectares, segundo dados do Inpe.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/08\/4283185e-gp0stx902_web_size.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-48107\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/08\/4283185e-gp0stx902_web_size.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/08\/4283185e-gp0stx902_web_size-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/08\/4283185e-gp0stx902_web_size-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/08\/4283185e-gp0stx902_web_size-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Queimada registrada munic\u00edpio de Canutama, Amazonas, em sobrevoo realizado pelo Greenpeace em agosto de 2023. (\u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace)<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Uma nota t\u00e9cnica publicada pelo Observat\u00f3rio da BR-319, em julho deste ano (<a href=\"https:\/\/observatoriobr319.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Nota-Tecnica-OBR-319-n04-Julho-2023-parte02-v5.pdf\">Abertura e expans\u00e3o de ramais em quatro munic\u00edpios sob influ\u00eancia da rodovia BR-319<\/a>), mostra que a extens\u00e3o de ramais irregulares abertos a partir da rodovia em quatro munic\u00edpios do sul do Amazonas (Canutama, Humait\u00e1, Manicor\u00e9 e Tapau\u00e1) j\u00e1 \u00e9 seis vezes maior que a pr\u00f3pria BR. Outra nota t\u00e9cnica publicada recentemente pela organiza\u00e7\u00e3o aponta que dos 5.092 quil\u00f4metros (km) de ramais abertos nesses munic\u00edpios, 55% est\u00e3o concentrados em Florestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas (FPND).&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Para a engenheira florestal Tayane Carvalho, autora da segunda nota, os ativos ambientais presentes nas FPND do sul do Amazonas s\u00e3o um grande atrativo para grileiros e desmatadores. \u201cEsse elemento atrativo vem fazendo com que muitos infratores ambientais migrem para essa regi\u00e3o visando a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira, o desmatamento e a posterior introdu\u00e7\u00e3o de gado e grilagem terras, processos de ilegalidade que s\u00e3o facilitados pela abertura de ramais\u201d, afirma. \u00c9 um prato cheio para a destrui\u00e7\u00e3o, e sem que o poder p\u00fablico aja para evitar isso.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Carta aos governadores<\/strong><\/p>\n\n<p>Em agosto deste ano o Greenpeace Brasil publicou uma carta aberta aos governadores dos nove estados amaz\u00f4nicos que comp\u00f5em o Cons\u00f3rcio Amaz\u00f4nia Legal: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins, pedindo a ado\u00e7\u00e3o de medidas urgentes para zerar o desmatamento at\u00e9 2030, como a valida\u00e7\u00e3o de todos os Cadastros Ambientais Rurais (CAR) da regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cEsse aumento dos focos de calor no Amazonas \u00e9 o agravamento do incentivo por parte do governo estadual na destrui\u00e7\u00e3o das florestas. N\u00e3o adianta o governador Wilson Lima decretar emerg\u00eancia devido \u00e0s secas que afetam a popula\u00e7\u00e3o e a biodiversidade, se a sua pol\u00edtica defende a <a href=\"https:\/\/amazoniareal.com.br\/lideres-mura-sao-contra-potassio\/\">minera\u00e7\u00e3o em territ\u00f3rio ind\u00edgena<\/a>, e <a href=\"https:\/\/conservadoramazonas.com.br\/governador-wilson-lima-defende-pecuaristas-do-amazonas-apos-acoes-do-ibama\/\">se coloca ao lado de pecuaristas punidos pelo IBAMA no sul do estado<\/a>\u201d, finaliza Thais.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/chega-de-fogo-na-amazonia\/\">Assine a Carta Pelo Futuro <\/a><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em apenas dez dias, o estado do Amazonas atingiu a m\u00e1xima hist\u00f3rica de 2.684 focos de calor, enquanto todo o m\u00eas de outubro do ano passado registrou 1.503\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":49724,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[46],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-49723","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","tag-desmatamento","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49723","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49723"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49723\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49726,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49723\/revisions\/49726"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49724"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49723"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49723"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49723"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=49723"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}