{"id":50298,"date":"2023-11-23T20:26:19","date_gmt":"2023-11-23T23:26:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=50298"},"modified":"2023-11-24T11:46:53","modified_gmt":"2023-11-24T14:46:53","slug":"consciencia-e-saber-que-nossos-passos-vem-de-longe-e-que-futuros-sao-possiveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/consciencia-e-saber-que-nossos-passos-vem-de-longe-e-que-futuros-sao-possiveis\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia \u00e9 saber que nossos passos v\u00eam de longe e que futuros s\u00e3o poss\u00edveis"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-plain is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" style=\"font-size:16px\">\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8220;<em>Brasil, meu nego<br>Deixa eu te contar<br>A hist\u00f3ria que a hist\u00f3ria n\u00e3o conta<br>O avesso do mesmo lugar<br>Na luta \u00e9 que a gente se encontra<br><br>Brasil, meu dengo<br>A Mangueira chegou<br>Com versos que o livro apagou<br>Desde 1500<br>Tem mais invas\u00e3o do que descobrimento<br>Tem sangue retinto pisado<br>Atr\u00e1s do her\u00f3i emoldurado<br>Mulheres, tamoios, mulatos<br>Eu quero um pa\u00eds que n\u00e3o est\u00e1 no retrato<\/em><em>&#8220;<\/em><\/p>\n<cite><em><strong>Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira &#8211; Hist\u00f3ria para Ninar Gente Grande<\/strong><\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n<p>Nesta segunda-feira, dia 20 de novembro, foi o Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra. Dia da morte de Zumbi dos Palmares, um dos l\u00edderes do Quilombo dos Palmares e maior refer\u00eancia da luta do povo negro brasileiro por liberdade. Luta que continua flamejante naqueles e naquelas que lutam pela igualdade de direitos e pelo combate incessante \u00e0s desigualdades no pa\u00eds. Faz-se necess\u00e1rio negritar que as desigualdades sociais latentes e pungentes no Brasil s\u00e3o, antes de tudo, desigualdades raciais, fruto de um doloroso processo de explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e genoc\u00eddio. Apenas o Brasil recebeu cerca de 4,9 milh\u00f5es de africanos escravizados, sem contar aqueles que morreram no caminho e que fazem do Oceano Atl\u00e2ntico o maior cemit\u00e9rio do mundo. Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.slavevoyages.org\/\">Banco de Dados do Tr\u00e1fico de Escravos Transatl\u00e2ntico<\/a>. Para efeito comparativo, os EUA receberam 389 mil negros africanos escravizados e o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Infelizmente, nossa hist\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda a partir destes lugares. A hist\u00f3ria de 56% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, que \u00e9 composta por pessoas negras (pretas e pardas), mas tamb\u00e9m a hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" style=\"font-size:16px\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>&#8220;Eu classifico S\u00e3o Paulo assim: O Pal\u00e1cio \u00e9 a sala de visita. A Prefeitura \u00e9 a sala de jantar e a cidade \u00e9 o jardim. E a favela \u00e9 o quintal onde jogam os lixos<\/em>.&#8221;<\/p>\n<cite><strong>Carolina Maria de Jesus<\/strong><\/cite><\/blockquote>\n\n<p><br>As formas de vida e as configura\u00e7\u00f5es socioespaciais se transformaram a partir das desigualdades, e s\u00e3o essas desigualdades que delimitam e zoneiam os espa\u00e7os urbanos, que criam abismos dentro de um mesmo plano diretor e o que separam as \u00e1reas nobres, saneadas, urbanizadas das periferias, dos aglomerados sub-humanos, da exposi\u00e7\u00e3o ao risco da falta de moradia, sa\u00fade e que conta com a presen\u00e7a constante do bra\u00e7o armado do Estado. O 14 de maio de 1888, dia seguinte \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o, criou formalmente sem tetos, sem terras e desempregados. O Estado Brasileiro decidiu indenizar aqueles e aquelas que constru\u00edram riquezas a partir da explora\u00e7\u00e3o e da m\u00e3o de obra escravizada de negros e negras. E as pessoas que agora eram ex-escravizadas mas que ficaram sem qualquer garantia? Marginalizados e sem acesso, at\u00e9 hoje, ao m\u00ednimo, ao b\u00e1sico e ao fundamental.<\/p>\n\n<p>Lutar por Justi\u00e7a Clim\u00e1tica \u00e9 lutar pelo fim das desigualdades, pela garantia do direito constitucional \u00e0 vida e ao bem-viver. Mas \u00e9 entender que isso se d\u00e1 a partir da luta por justi\u00e7a racial e pelo combate ao racismo ambiental, justamente por entender que um lugar bom, digno, seguro e justo para as pessoas negras \u00e9 um territ\u00f3rio bom n\u00e3o s\u00f3 para a maioria da popula\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 um lugar bom para todas, todos e todes.&nbsp;<\/p>\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desejar um mundo melhor para todas as pessoas sem pensar que \u00e9 preciso garantir o direito \u00e0 moradia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 seguran\u00e7a integral, \u00e0 mobilidade urbana, ao trabalho e renda, \u00e0 sa\u00fade, o direito \u00e0 cultura, ao lazer, e ao meio ambiente.<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\" style=\"font-size:16px\">\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>&#8220;Art. 225. Todos t\u00eam direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial \u00e0 sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder P\u00fablico e \u00e0 coletividade o dever de defend\u00ea-lo e preserv\u00e1-lo para as presentes e futuras gera\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/em> <\/p>\n<cite><strong>Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong><\/cite><\/blockquote>\n\n<p>Zumbi, Dandara, Aqualtune, Ganga Zumba e tantos outros negros e negras que constru\u00edram Palmares j\u00e1 viviam, \u00e0 epoca, um futuro alternativo, de prote\u00e7\u00e3o, acolhimento, cuidado e seguran\u00e7a para aqueles que sofreram todo tipo de viol\u00eancia. Os quilombos e os terreiros at\u00e9 hoje s\u00e3o um espa\u00e7o de prote\u00e7\u00e3o e pertencimento a partir da conex\u00e3o e luta pelo territ\u00f3rio. Plantar, colher, cuidar, e coletivizar a vida. Assim como os povos ind\u00edgenas, o povo negro det\u00e9m tecnologias sociais para enfrentar a crise clim\u00e1tica. Pessoas que nasceram, cresceram e que querem permanecer no seu territ\u00f3rio s\u00e3o as melhores pessoas para encontrarem solu\u00e7\u00f5es e caminhos para uma adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E \u00e9 nessa perspectiva que esperamos seguir: coletivizando e fortalecendo as lutas daqueles e daquelas que vieram antes de n\u00f3s e que j\u00e1 fazem a defesa de seus territ\u00f3rios e da vida do seu povo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Seguiremos os caminhos da luta de Carmem Silva, Sarah Marques, M\u00f4nica Oliveira, Sueli Carneiro, Neneide Lima, Giv\u00e2nia Maria da Silva, M\u00e3e Meninazinha de Oxum, Jurema Werneck, Nilma Bentes, Inaldete Pinheiro, Joice Paix\u00e3o, Luiza Cavalcante, Bianca Santana, Nilma Lino Gomes, Z\u00e9lia Amador de Deus e tantas outras mulheres negras vivas que honram o legado de Tereza de Benguela, Luiza Mahin, Antonieta de Barros, L\u00e9lia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Carolina Maria de Jesus, Elza Soares, Marielle Franco e M\u00e3e Bernadete Pac\u00edfico. \u00c9 por todas elas e por n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, 20 de outubro, acontece na data em que morreu Zumbi dos Palmares, uma das maiores refer\u00eancias da luta do povo negro brasileiro por liberdade. 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