{"id":50921,"date":"2023-09-28T11:29:00","date_gmt":"2023-09-28T14:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=50921"},"modified":"2025-07-02T04:22:08","modified_gmt":"2025-07-02T07:22:08","slug":"ibama-ja-tem-plano-para-retirar-garimpeiros-da-terra-indigena-munduruku-mas-falta-orcamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/ibama-ja-tem-plano-para-retirar-garimpeiros-da-terra-indigena-munduruku-mas-falta-orcamento\/","title":{"rendered":"Ibama j\u00e1 tem plano para retirar garimpeiros da Terra Ind\u00edgena Munduruku, mas falta or\u00e7amento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Apesar de a\u00e7\u00f5es recentes do governo federal, territ\u00f3rio localizado no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ainda sofre com a presen\u00e7a de garimpeiros &#8211; quase metade da regi\u00e3o est\u00e1 ocupada pelo garimpo ilegal<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/12\/b78c329a-gp0stvu9j_low_res_with_credit_line.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-50923\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/12\/b78c329a-gp0stvu9j_low_res_with_credit_line.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/12\/b78c329a-gp0stvu9j_low_res_with_credit_line-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/12\/b78c329a-gp0stvu9j_low_res_with_credit_line-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2023\/12\/b78c329a-gp0stvu9j_low_res_with_credit_line-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Greenpeace Brasil flagra garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Munduruku em mar\u00e7o de 2023 | Foto: \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><strong>S\u00e3o Paulo (SP), 28 de setembro de 2023 &#8211;<\/strong> Em agosto deste ano o povo Munduruku testemunhou uma&nbsp; opera\u00e7\u00e3o sem precedentes no vale do rio Tapaj\u00f3s, com foco nos garimpos ilegais que se espalharam por todo a regi\u00e3o, invadindo tamb\u00e9m as terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o. Mesmo sendo a maior opera\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, a iniciativa n\u00e3o foi capaz de fechar as dezenas de garimpos que ocupam quase metade da Terra Ind\u00edgena Munduruku. Os Munduruku seguem ref\u00e9ns em seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio e se veem obrigados a conviver com milhares de garimpeiros, que, al\u00e9m de desrespeitarem o direito dos ind\u00edgenas ao usufruto exclusivo de seu territ\u00f3rio, tamb\u00e9m ignoram a proibi\u00e7\u00e3o de exerc\u00edcio da atividade garimpeira em terras ind\u00edgenas, ambos previstos pelo Artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n<p><strong>Os n\u00fameros da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>At\u00e9 2016, a TI Munduruku havia perdido algo em torno de 315 hectares do seu territ\u00f3rio para o garimpo. A partir de 2016, depois de sa\u00edrem vitoriosos da luta contra a constru\u00e7\u00e3o do complexo hidrel\u00e9trico do Tapaj\u00f3s, os Munduruku foram engolidos por uma onda garimpeira. Entre 2017 e 2023 houve a destrui\u00e7\u00e3o de mais 6.744 hectares de florestas localizadas especialmente nas \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente, que em geral possuem uma import\u00e2ncia relevante para a reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural do povo Munduruku.<\/p>\n\n<p>T\u00e3o grave quanto a perda da \u00e1rea de floresta, a expans\u00e3o do garimpo na TI Munduruku tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por produzir impactos diversos, sobretudo, pelo despejo de lama por mais de 820 km de rios no interior do territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n<p>&nbsp;J\u00e1 sob o impacto do compromisso de toler\u00e2ncia zero com o garimpo ilegal, assumido pelo Presidente da Rep\u00fablica em janeiro de 2023, a expans\u00e3o do garimpo entre janeiro e setembro desse ano, sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de 60% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2022, mas ainda destruiu mais de 117 hectares de floresta. Os n\u00fameros demonstram, de forma inequ\u00edvoca, que a TI Munduruku precisa ser alvo de uma robusta opera\u00e7\u00e3o de desintrus\u00e3o que garanta a completa retirada de todos o garimpeiros que atuam no territ\u00f3rio, sob pena de que o garimpo continue se expandindo e se consolidando como a principal for\u00e7a destrutiva a perturbar o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico do local e a desorganizar a vida dos mais de 14 mil ind\u00edgenas que o habitam.<\/p>\n\n<p>&nbsp;<strong>Amaz\u00f4nia livre de garimpo<\/strong><\/p>\n\n<p>Neste contexto, o Greenpeace Brasil segue pressionando por uma Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo, mobilizando a sociedade pela retirada urgente de todos os garimpeiros das terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, entre elas a Terra Ind\u00edgena Munduruku, localizada no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Ao fim da opera\u00e7\u00e3o iniciada no \u00faltimo dia 10 de agosto, ficou evidente que o Ibama fez um grande ensaio geral para desintrus\u00e3o da TI Munduruku. &#8220;A lei n\u00e3o se imp\u00f5e sozinha &#8211; sem dinheiro, o plano do Ibama n\u00e3o sai do papel, resta saber quando o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente receber\u00e1 o apoio necess\u00e1rio para impor a lei na TI Munduruku&#8221;, comenta Danicley de Aguiar, porta-voz do Greenpeace Brasil. &#8220;Sobram problemas, faltam recursos e o Ibama segue enfrentando dificuldades para cumprir a miss\u00e3o de libertar a TI Munduruku do garimpo ilegal.\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n\n<p>&nbsp;\u00c9 importante que o governo aprenda com erros cometido no processo de desintrus\u00e3o da TI Yanomami, para que, na TI Munduruku, assim que o Ibama iniciar a destrui\u00e7\u00e3o dos garimpos, a Funai tamb\u00e9m seja dotada de recursos para instalar bases de prote\u00e7\u00e3o contra o regresso da atividade garimpeira. Somado a isso, \u00e9 imperativo que o Estado se fa\u00e7a presente e oferte um pacote robusto de pol\u00edticas p\u00fablicas que leve para o interior das Terras Ind\u00edgenas educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a, possibilidades de emprego e renda. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que se ou\u00e7am esses povos para que se construa, em conjunto, um planejamento no escopo do or\u00e7amento p\u00fablico.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O Greenpeace entende tamb\u00e9m que \u00e9 preciso superar a atual economia da destrui\u00e7\u00e3o e promover uma nova ordem econ\u00f4mica, capaz de assegurar a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, bem como garantir justi\u00e7a social e econ\u00f4mica para a popula\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia . \u201cJ\u00e1 est\u00e1 claro que a economia atual, baseada na concentra\u00e7\u00e3o da terra, da renda e na destrui\u00e7\u00e3o da floresta, \u00e9 insustent\u00e1vel. Precisamos de uma nova economia capaz de superar a pobreza, conviver com a floresta e respeitar os direitos humanos\u201d, afirma Danicley.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Quem sustenta e financia o garimpo ilegal?<\/strong><\/p>\n\n<p>Nos \u00faltimos seis meses, as a\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos como Pol\u00edcia Federal, Ibama, ICMBio e Minist\u00e9rio P\u00fablico t\u00eam evidenciado a \u00edntima liga\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios (bar\u00f5es do garimpo) e fac\u00e7\u00f5es criminosas com&nbsp; a l\u00f3gica de financiamento do garimpo na Amaz\u00f4nia. Quebrar essa l\u00f3gica de financiamento \u00e9 a \u00fanica sa\u00edda para romper com&nbsp; o c\u00edrculo vicioso que imp\u00f5e morte e destrui\u00e7\u00e3o nas terras ind\u00edgenas e garantir o florescimento de uma nova economia para a Amaz\u00f4nia.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Cabe ao governo exigir e ao setor privado deve implementar, com urg\u00eancia e de forma ampla, protocolos de boas pr\u00e1ticas que sejam capazes de banir de suas cadeias de suprimento mat\u00e9rias-primas produzidas ilegalmente ou roubadas das TIs invadidas. A supera\u00e7\u00e3o da economia da destrui\u00e7\u00e3o \u00e9 tarefa de todos n\u00f3s, mas \u00e9, sobretudo, responsabilidade do&nbsp; governo e do setor privado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de a\u00e7\u00f5es recentes do governo federal, territ\u00f3rio localizado no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia ainda sofre com a presen\u00e7a de garimpeiros &#8211; quase metade da regi\u00e3o est\u00e1 ocupada pelo garimpo ilegal<\/p>\n","protected":false},"author":116,"featured_media":50923,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[60,43],"p4-page-type":[14],"class_list":["post-50921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-garimpo","tag-povos-e-territorios","p4-page-type-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/116"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50921"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58511,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50921\/revisions\/58511"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50921"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=50921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}