{"id":522,"date":"2017-12-18T16:00:00","date_gmt":"2017-12-18T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/memorias-da-antartida\/"},"modified":"2019-11-06T05:20:48","modified_gmt":"2019-11-06T08:20:48","slug":"memorias-da-antartida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/memorias-da-antartida\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias da Ant\u00e1rtida"},"content":{"rendered":"<h4>Depois de sermos a \u00fanica ONG a ter um acampamento-base no continente de gelo por cinco anos, voltamos ao sul do planeta para uma nova aventura em sua defesa<\/h4>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o do Greenpeace com a Ant\u00e1rtida \u00e9 antiga. Poucos ainda se lembrar\u00e3o que chegamos a montar um acampamento-base por l\u00e1. Isso foi h\u00e1 30 anos, em 1987, quando realizamos a mais ambiciosa campanha da organiza\u00e7\u00e3o para criar um \u201cParque Mundial Ant\u00e1rtico\u201d e manter o continente fora das opera\u00e7\u00f5es militares e das atividades petrol\u00edferas. E tivemos sucesso!<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/base-camp-winter.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl02_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/base-camp-winter.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"389\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Acampamento-base no inverno (Foto: \u00a9 Markus Riederer \/ Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>Quando o Tratado da Ant\u00e1rtida foi assinado, em 1959, teve como objetivo garantir apenas atividades pac\u00edficas no continente e suspender reivindica\u00e7\u00f5es territoriais at\u00e9 1991. Depois, o acordo foi renovado por mais 50 anos, ou seja, at\u00e9 2041 ningu\u00e9m pode se apropriar da Ant\u00e1rtida. O Tratado abrange todas as terras e len\u00e7\u00f3is de gelo ao sul de 60\u00b0 S de latitude.<\/p>\n<p>No entanto, o Tratado n\u00e3o foi forte o suficiente para manter a regi\u00e3o protegida das perfura\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s e outras explora\u00e7\u00f5es minerais. \u00c9 a\u00ed que o Greenpeace entra na hist\u00f3ria. Em 1985, lan\u00e7amos uma ampla campanha global para transformar o continente em um grande parque natural mundial, o World Park Ant\u00e1rtida, e ser regido sob regras parecidas com as adotadas em parques nacionais.<\/p>\n<p>Usando uma combina\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es diretas, pesquisas cient\u00edficas s\u00f3lidas e press\u00e3o pol\u00edtica, estabelecemos nossa pr\u00f3pria base cient\u00edfica na Ant\u00e1rtida em 1987.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/abast-base-antartida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl04_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/abast-base-antartida.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"406\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Opera\u00e7\u00e3o de reabastecimento do acampamento base. (Foto: \u00a9 Greenpeace \/ Steve Morgan)<\/p><\/div>\n<h4>Base do Parque Mundial<\/h4>\n<p>A tarefa era assustadora. Nenhuma outra ONG estabeleceu uma base na Ant\u00e1rtida e havia muitos obst\u00e1culos tanto pr\u00e1ticos como pol\u00edticos a serem superados. Na \u00e9poca, todos os pa\u00edses que j\u00e1 tinham bases na regi\u00e3o eram un\u00e2nimes na hostilidade em ter o Greenpeace como vizinho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s meses de prepara\u00e7\u00e3o, as piores condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas em 30 anos impediram que nosso navio de abastecimento chegasse ao continente. Esta \u00e9 uma regi\u00e3o que pode apresentar ventos de 450 km\/h e temperaturas de 50 graus negativos. O fracasso provocou um intenso debate interno sobre continuar a campanha ou n\u00e3o. Mas em 1986 outra tentativa foi montada.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/gondwana-antartica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl06_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/gondwana-antartica.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"389\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O navio quebra-gelo Gondwana foi o respons\u00e1vel pelo reabastecimento da base. (Foto: \u00a9 Greenpeace \/ Steve Morgan)<\/p><\/div>\n<p>Mais uma vez, o navio partiu da Nova Zel\u00e2ndia levando uma base pr\u00e9-fabricada e suprimentos. Desta vez, ele foi capaz de atracar apenas 200 metros da costa da Ilha de Ross, o local escolhido para a base permanente da organiza\u00e7\u00e3o no gelo. A constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou no ver\u00e3o de janeiro de 1987 e o &#8220;World Park Base&#8221; come\u00e7ou a operar apenas tr\u00eas semanas depois.<\/p>\n<p>A base tinha quartos de dormir individuais, uma sala de estar comum, banheiro com chuveiro, um laborat\u00f3rio, equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o e uma estufa hidrop\u00f4nica para cultivar vegetais. Um dos objetivos da campanha era fazer do &#8220;World Park Base&#8221; um modelo de boas pr\u00e1ticas ecol\u00f3gicas na regi\u00e3o, ent\u00e3o todos os esfor\u00e7os foram feitos para garantir que ele atingisse os altos padr\u00f5es necess\u00e1rios para diminuir o impacto dos seres humanos nesse ecossistema delicado. Ao longo dos anos, sua estrutura foi aperfei\u00e7oada, passando a contar com gera\u00e7\u00e3o de energia e\u00f3lica, um melhor sistema de comunica\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite e um antigo navio quebra-gelo foi comprado, o \u201cGondwana\u201d, usado para reabastecer suprimentos.<\/p>\n<div style=\"width: 609px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/voluntarios-base-green.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl08_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/voluntarios-base-green.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"406\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A base era ocupada permanentemente por quatro volunt\u00e1rios: um mec\u00e2nico, um operador de r\u00e1dio, um cientista e um m\u00e9dico (Foto: \u00a9 Mike Midgley \/ Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>O Greenpeace manteve sua base permanente na Ant\u00e1rtida por cinco anos &#8211; de 1987 a 1991. Neste per\u00edodo, visitamos bases na regi\u00e3o para monitorar se o impacto ambiental das instala\u00e7\u00f5es seguiam os regulamentos do Tratado Ant\u00e1rtico. Muitos esc\u00e2ndalos vieram \u00e0 luz, for\u00e7ando os pa\u00edses a se adequarem.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/esgoto-base-antartida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl10_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/esgoto-base-antartida.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"402\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">An\u00e1lise de esgoto: as tarefas dos volunt\u00e1rios inclu\u00edam a monitora\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o das bases vizinhas, como a italiana Terra Nova. (Foto: \u00a9 Greenpeace \/ James Perez)<\/p><\/div>\n<p>Na temporada 1987\/88, o Greenpeace fez manchetes ao redor do mundo quando 15 ativistas bloquearam o local de constru\u00e7\u00e3o de uma pista de pouso francesa em Dumont D&#8217;Urville. O trabalho de constru\u00e7\u00e3o foi controverso porque envolveu dinamitar uma \u00e1rea de ninhos dos pinguins. No dia do protesto, os trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o francesa reagiram com raiva a uma manifesta\u00e7\u00e3o do Greenpeace e expulsaram os ativistas que, sem se intimidar, voltaram a ocupar a pista por um segundo dia. O governo franc\u00eas abandonou os planos de construir a pista de pouso.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/protesto-pista-antartica.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl12_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/protesto-pista-antartica.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"396\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Bloqueio dos ativistas contra a constru\u00e7\u00e3o de pista de pouso na base francesa Dumont D&#8217;Urville (Foto: Steve Morgan \/ Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>Nos sete anos da campanha, o Greenpeace passou de um estranho desprezado para um jogador respeitado nas negocia\u00e7\u00f5es para o futuro do continente.<\/p>\n<p>Gradualmente, mais e mais dos signat\u00e1rios do Tratado foram persuadidos dos m\u00e9ritos de fazer da Ant\u00e1rtica um Parque Mundial. Em 4 de outubro de 1991, os membros do Tratado Ant\u00e1rtico concordaram em adotar um novo Protocolo Ambiental, incluindo uma proibi\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 50 anos sobre toda explora\u00e7\u00e3o mineral. O continente ant\u00e1rtico havia sido salvo de uma amea\u00e7a mort\u00edfera na Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<div style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/fim-base-antartida.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl14_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/fim-base-antartida.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Com o sucesso da campanha, a base do Greenpeace foi fechada e removida sem deixar rastros. (Foto: \u00a9 Greenpeace \/ Timothy A. Baker)<\/p><\/div>\n<h4>De volta \u00e0 Ant\u00e1rtida<\/h4>\n<p>Agora, ap\u00f3s v\u00e1rias visitas na regi\u00e3o para confrontar navios baleeiros, retornamos aos mares gelados do sul do planeta em uma nova expedi\u00e7\u00e3o para documentar as amea\u00e7as porque passa a regi\u00e3o. Embora o continente esteja relativamente protegido, o mesmo n\u00e3o acontece com o oceano ao seu redor. Al\u00e9m do aquecimento global, a expans\u00e3o da pesca industrial exerce uma forte press\u00e3o na regi\u00e3o, colocando em risco esp\u00e9cies como pinguins, baleias e focas que precisam competir com os barcos por alimento.<\/p>\n<p>Mas temos uma grande oportunidade de criar a maior \u00e1rea protegida da Terra: um santu\u00e1rio no oceano ant\u00e1rtico com 1,8 milh\u00e3o de km<sup>2<\/sup>. A vota\u00e7\u00e3o da proposta acontecer\u00e1 em outubro, e por isso temos menos de um ano para exercer press\u00e3o e sermos ouvidos pelos membros da Comiss\u00e3o da Conserva\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>Assim como no passado, em que gente do mundo todo apoiou essa grande aventura de estabelecer um acampamento no fim do mundo, precisamos novamente de pessoas como voc\u00ea nesta nova expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org.br\/antartida\"><strong>Assine e compartilhe a peti\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> pela cria\u00e7\u00e3o do santu\u00e1rio e se torne um doador do Greenpeace, fazendo parte deste grande time em prol da Ant\u00e1rtida.<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de sermos a \u00fanica ONG a ter um acampamento-base no continente de gelo por cinco anos, voltamos ao sul do planeta para uma nova aventura em sua defesa.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":523,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[6,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-522","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-clima","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=522"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3296,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/522\/revisions\/3296"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/523"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=522"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}