{"id":5254,"date":"2016-06-20T13:19:49","date_gmt":"2016-06-20T16:19:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=5254"},"modified":"2024-04-03T14:19:02","modified_gmt":"2024-04-03T17:19:02","slug":"de-mae-para-mae-que-vida-terao-nossos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/de-mae-para-mae-que-vida-terao-nossos-filhos\/","title":{"rendered":"De m\u00e3e para m\u00e3e: que vida ter\u00e3o nossos filhos?"},"content":{"rendered":"\n\t\t<style type=\"text\/css\">\n\t\t\t#gallery-1 {\n\t\t\t\tmargin: auto;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-item {\n\t\t\t\tfloat: left;\n\t\t\t\tmargin-top: 10px;\n\t\t\t\ttext-align: center;\n\t\t\t\twidth: 33%;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 img {\n\t\t\t\tborder: 2px solid #cfcfcf;\n\t\t\t}\n\t\t\t#gallery-1 .gallery-caption {\n\t\t\t\tmargin-left: 0;\n\t\t\t}\n\t\t\t\/* see gallery_shortcode() in wp-includes\/media.php *\/\n\t\t<\/style>\n\t\t<div id='gallery-1' class='gallery galleryid-5254 gallery-columns-3 gallery-size-thumbnail'><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/06\/1836a89b-gp0stq16g_medium_res-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail wp-stateless-item\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-5261\" data-image-size=\"thumbnail\" data-stateless-media-bucket=\"planet4-brasil-stateless\" data-stateless-media-name=\"2016\/06\/1836a89b-gp0stq16g_medium_res.jpg\" \/>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-5261'>\n\t\t\t\tCrian\u00e7as brincam na Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, no Par\u00e1 (\u00a9Rog\u00e9rioAssis\/Greenpeace)\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/06\/d3986a6f-aldeia-sawre-muybu-2-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail wp-stateless-item\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-5259\" data-image-size=\"thumbnail\" data-stateless-media-bucket=\"planet4-brasil-stateless\" data-stateless-media-name=\"2016\/06\/d3986a6f-aldeia-sawre-muybu-2.jpg\" \/>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-5259'>\n\t\t\t\tCrian\u00e7as brincam na Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, no Par\u00e1 (\u00a9Julia Mente\/Greenpeace)\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><dl class='gallery-item'>\n\t\t\t<dt class='gallery-icon landscape'>\n\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2016\/06\/a651e0aa-gp0stpy4o_medium_res_with_credit_line-150x150.jpg\" class=\"attachment-thumbnail size-thumbnail wp-stateless-item\" alt=\"\" aria-describedby=\"gallery-1-5271\" data-image-size=\"thumbnail\" data-stateless-media-bucket=\"planet4-brasil-stateless\" data-stateless-media-name=\"2016\/06\/a651e0aa-gp0stpy4o_medium_res_with_credit_line.jpg\" \/>\n\t\t\t<\/dt>\n\t\t\t\t<dd class='wp-caption-text gallery-caption' id='gallery-1-5271'>\n\t\t\t\tCrian\u00e7a brinca no rio Tapaj\u00f3s na Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, no Par\u00e1 (\u00a9Ot\u00e1vio Almeida\/Greenpeace)\n\t\t\t\t<\/dd><\/dl><br style=\"clear: both\" \/>\n\t\t<\/div>\n\n<p>Me tornei m\u00e3e h\u00e1 quatro anos e aqui, na aldeia Sawr\u00e9 Muybu, tenho a oportunidade de entrar em contato com uma outra vis\u00e3o de maternidade, ao conviver com as m\u00e3es e crian\u00e7as Munduruku.<\/p>\n<p>Me encanta a organiza\u00e7\u00e3o social da comunidade, onde as crian\u00e7as tem liberdade para ir, vir e brincar quando quiserem. Quem acha que isso as torna \u201cincontrol\u00e1veis\u201d n\u00e3o poderia estar mais enganado. Elas se auto-organizam em uma sociedade pr\u00f3pria, onde os maiores cuidam dos menores e todos zelam uns pelos outros. Cuidar do irm\u00e3o menor n\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o, mas um prazer e \u00e9 comum ver meninas de menos de dez anos carregando seus irm\u00e3os pela aldeia, brincando e nadando no igarap\u00e9. E todas ajudam nos afazeres da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o existem brinquedos. O que n\u00e3o \u00e9 um problema, pois o mundo \u00e9 a brincadeira. As folhas, os frutos, peda\u00e7os de pau, sementes, tudo se transforma no imagin\u00e1rio dos pequenos.<\/p>\n<p>Os gafanhotos tornam-se pipas, amarrados por linhas. Preso a um peda\u00e7o de corda, o velho garraf\u00e3o de \u00e1gua, cortado ao meio, vira carro, barco, avi\u00e3o e os menores s\u00e3o puxados pelos maiores a toda velocidade. As risadas das crian\u00e7as s\u00e3o som constante na aldeia.<\/p>\n<p>Subir na \u00e1rvore, pendurar-se de cabe\u00e7a para baixo, e balan\u00e7ar \u00e9 uma das brincadeiras preferidas. As vezes a \u00e1rvore parece um \u201cp\u00e9 de crian\u00e7a\u201d, de tantas que se juntam nos galhos para assistir ao futebol dos adultos. A partida dos homens e a das mulheres, cl\u00e1ssicos do fim de tarde.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m as travessuras, comuns \u00e0s crian\u00e7as de todo o mundo. Os pequenos daqui gostam de pegar os \u201cbranquelos\u201d de surpresa, com a m\u00e3o cheia de Urucum, e pintar-lhes os rostos.<\/p>\n<p>E h\u00e1 a liberdade.<\/p>\n<p>Elas transitam pela aldeia e s\u00e3o respeitadas e protegidas por todos os adultos. Penso na minha filha, que ela n\u00e3o pode fazer isso. Em todos os riscos que ela corre na cidade, todas as viol\u00eancias a que ela est\u00e1 exposta e este medo \u00e9 compartilhado com as m\u00e3es Munduruku. Para elas, lutar contra a constru\u00e7\u00e3o da barragem de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s n\u00e3o trata-se de proteger sua pr\u00f3pria vida, mas o futuro de seus filhos. De proteger a liberdade e seguran\u00e7a deles, como um rio que corre livre.<\/p>\n<p>Outro dia conversava com Aldira Akai Munduruku, professora de l\u00edngua materna da comunidade. Ela me disse que nasceu na aldeia, mas passou boa parte da inf\u00e2ncia em uma cidade pr\u00f3xima chamada Jacareacanga, onde a vida era muito dif\u00edcil. Seus filhos nasceram em Sawr\u00e9 Muybu. Mas caso a barragem seja constru\u00edda, eles ter\u00e3o que se mudar e sua afli\u00e7\u00e3o ao falar sobre o assunto era quase tang\u00edvel, de t\u00e3o instalada.<\/p>\n<p>\u201cAs vezes l\u00e1 as coisas faltavam. Aqui, a terra d\u00e1 tudo e dinheiro n\u00e3o \u00e9 um problema\u201d. Na aldeia, os \u00edndios trabalham a terra, pescam, ca\u00e7am, coletam frutos e ervas. O dinheiro que corre, \u00e9 pouco. Mas o resultado de tanto servi\u00e7o prestado salta aos olhos: uma imensid\u00e3o verde sem fim, \u00e9 floresta que n\u00e3o se acaba mais.<\/p>\n<p>Me desconcentrei por alguns segundos e lembrei de uma foto que v\u00ed uma vez, de um grupo de mulheres ind\u00edgenas sentadas numa cal\u00e7ada de concreto e barro de Altamira, com suas crian\u00e7as no colo. Algumas das milhares de v\u00edtimas dos deslocamentos e inunda\u00e7\u00f5es provocados por Belo Monte. Quantas vezes teremos que ver estas mesmas cenas? Quantas crian\u00e7as ainda v\u00e3o deixar de viver livres? Quantos rios?<\/p>\n<p>Sinto o medo de Aldira, de Margarete e de outras m\u00e3es Mundurukus. Mas tamb\u00e9m sinto meu pr\u00f3prio medo, e o de Marias, Gra\u00e7as e Camilas e tantas m\u00e3es, sobre o futuro de seus filhos. Que mundo vamos deixar para eles?<\/p>\n<p>Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapaj\u00f3s no &lt;3 da Amaz\u00f4nia<\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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