{"id":5263,"date":"2018-01-29T15:49:31","date_gmt":"2018-01-29T18:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=5263"},"modified":"2023-09-18T14:38:08","modified_gmt":"2023-09-18T17:38:08","slug":"uma-historia-sobre-coco-e-vicios-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/uma-historia-sobre-coco-e-vicios-sociais\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria sobre coc\u00f4 e v\u00edcios sociais"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz muito tempo. Lembro que acordei naquele dia j\u00e1 sentindo o que viria a descobrir, e n\u00e3o deu outra: positivo. Eu definitivamente estava gr\u00e1vida e isso mudaria tudo na minha vida. Tudo mesmo, inclusive a alimenta\u00e7\u00e3o. E faz t\u00e3o pouco tempo, o dia que comi berinjela e o mundo simplesmente n\u00e3o acabou.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando ela nasceu, a Ramona. Como toda m\u00e3e de primeira viagem, fiquei totalmente neur\u00f3tica. Mas no final voc\u00ea acaba aprendendo que \u00e9 preciso estar atento a basicamente tr\u00eas sinais: temperatura, alimenta\u00e7\u00e3o e evacua\u00e7\u00e3o. Ou seja, se seu filho n\u00e3o tem febre, come bem e faz coc\u00f4, fica tranquila e segue o jogo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5264 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/31fa9f5a-ramona-acai.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"605\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/31fa9f5a-ramona-acai.jpg 605w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/31fa9f5a-ramona-acai-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/31fa9f5a-ramona-acai-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/31fa9f5a-ramona-acai-340x340.jpg 340w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>Tracei minha estrat\u00e9gia de trabalho como M\u00e3e com base nisso. Foi s\u00f3 identificar o padr\u00e3o, fazer os c\u00e1lculos e garantir que todos os n\u00edveis ficassem dentro do esperado. Mas um dia, quando ela j\u00e1 estava com idade para comer comida de verdade, a casa caiu. Acabou o coc\u00f4. Sem fraldas sujas, nada de merda. Nadinha, por dias. Da\u00ed bate o desespero, a crian\u00e7a com dor. Uma loucura.<\/p>\n<p>At\u00e9 que numa conversinha com o m\u00e9dico do plant\u00e3o, em uma madrugada ca\u00f3tica qualquer, ficou decretado: voc\u00ea precisa diversificar a alimenta\u00e7\u00e3o para regular o intestino do seu beb\u00ea.<\/p>\n<p>Mas esse texto n\u00e3o \u00e9 sobre coc\u00f4 \u2013 poderia ser, e voc\u00ea ficaria ultrajado. Se trata de contar como essa experi\u00eancia me fez revisitar um monte de verdades absolutas e experimentar uma dimens\u00e3o de sabores at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, minha refer\u00eancia de boa alimenta\u00e7\u00e3o era o Virado a Paulista, um prato popular em S\u00e3o Paulo, montado com arroz, tutu de feij\u00e3o, couve, ovos fritos e uma bisteca de porco bem gigante por cima de tudo. Sou paulista e na minha fam\u00edlia tem uma \u201ccoisa\u201d de que tem que ter carne na mesa em todas as refei\u00e7\u00f5es. A tal da mistura. Carne em todas as refei\u00e7\u00f5es, \u00e9 muita carne.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-4688 alignright\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/09\/64de5746-gp04qbf_web_size.jpg\" alt=\"Cesta de frutas e legumes polinizadas por abelhas\" width=\"309\" height=\"206\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/09\/64de5746-gp04qbf_web_size.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/09\/64de5746-gp04qbf_web_size-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/09\/64de5746-gp04qbf_web_size-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/09\/64de5746-gp04qbf_web_size-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 309px) 100vw, 309px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o existe um consenso na ci\u00eancia quanto \u00e0 necessidade de \u201ccomer carne\u201d. Enquanto alguns estudos mostram os benef\u00edcios de faz\u00ea-lo \u2013 h\u00e1 quem diga que acelerou at\u00e9 nossa evolu\u00e7\u00e3o! \u2013 outros apontam para a insustentabilidade de continuarmos a consumi-la nos n\u00edveis atuais. Mas h\u00e1 um ponto em que todos concordam: o segredo para uma boa alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a diversidade.<\/p>\n<p>No \u201c<a href=\"http:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_alimentar_populacao_brasileira_2008.pdf\">Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/a>\u201d, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, recomenda-se a ingest\u00e3o de no m\u00e1ximo 200 gramas de prote\u00edna animal por dia &#8211; para carne vermelha essa quantidade \u00e9 ainda menor. Vegetais, frutas, gr\u00e3os e tub\u00e9rculos, por outro lado, tem passagem quase livre para o card\u00e1pio. Isso significa que o ideal seria comermos apenas um bife OU uma coxa de frango OU um sandu\u00edche de presunto com ovo por dia. UM S\u00f3. Eu comia muito mais que isso.<\/p>\n<p>Para facilitar a vida da minha filha, tive que fazer algo dr\u00e1stico: cortar a carne pela metade e incluir variedade. Confesso que foi mais dif\u00edcil para mim do que para ela. Porque, a\u00ed eu me toquei, comer carne, al\u00e9m de alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social. Um costume, que voc\u00ea se habitua sem nem perceber.<\/p>\n<p>A oferta de comida nos mercados aumentou, a carne ficou mais barata, ficou normal. Est\u00e1 no bacon do caf\u00e9 da manh\u00e3, no croissant de presunto, no almo\u00e7o de lasanha a bolonhesa, no sushi levinho, na canja da vov\u00f3. Est\u00e1 em tudo e a gente sequer sabe de onde vem! N\u00e3o \u00e9 mais sobre se alimentar, \u00e9 s\u00f3 mais um v\u00edcio social.<\/p>\n<div id=\"attachment_5265\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5265\" class=\"size-large wp-image-5265\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/bd7cd2e6-gp0stpt7q-1024x683.jpg\" alt=\"Cria\u00e7\u00e3o de gado na Amaz\u00f4nia. \u00a9 Bruno Kelly\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/bd7cd2e6-gp0stpt7q-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/bd7cd2e6-gp0stpt7q-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/bd7cd2e6-gp0stpt7q-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/bd7cd2e6-gp0stpt7q.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-5265\" class=\"wp-caption-text\">Quantas vezes voc\u00ea se perguntou de onde veio a carne? J\u00e1 parou para pensar na quantidade de carne que voc\u00ea come?<\/p><\/div>\n<p>E a gente quase esquece que parte de qual bicho estamos comendo. Ou procuramos n\u00e3o pensar sobre isso ou sobre os impactos que isso produz no resto do mundo. Mas esse tempo precisa acabar, porque n\u00e3o faz bem para nada nem ningu\u00e9m. Precisamos ressignificar o consumo de carne e reduzir. Dar \u00e0 coisa a import\u00e2ncia que a coisa tem, afinal, ainda estamos falando de outros seres vivos. Caramba, sejamos honestos, um ind\u00edgena respeita mais sua ca\u00e7a do que voc\u00ea o seu hamb\u00farguer e isso diz muito sobre nossos valores, n\u00e3o diz?<\/p>\n<p>Para mim, reduzir o consumo de carne foi sobre melhorar a variedade e a qualidade do que minha fam\u00edlia consumia. Foi aos poucos, com muitos erros e acertos. Muitas receitas de internet. Come\u00e7ou com a segunda. Depois entrou a ter\u00e7a e a quinta. Da\u00ed vieram os temperos e as ab\u00f3boras! Voc\u00ea n\u00e3o pode imaginar a quantidade de coisas que s\u00e3o poss\u00edveis de fazer com uma ab\u00f3bora.<\/p>\n<p>No caminho aprendi a cozinhar e inventar um monte de coisas gostosas. A gente ainda consome carne em casa, principalmente peixe \u2013 moramos no Amazonas. Mas agora \u00e9 diferente, s\u00e3o ocasi\u00f5es realmente especiais e cada vez menos frequentes.<\/p>\n<p>Quanto ao coc\u00f4 da minha filha \u2013 se \u00e9 que isso ainda \u00e9 do seu interesse \u2013 fico satisfeita em dizer que vai bem, obrigada. Parece que foi ontem, faz t\u00e3o pouco tempo que experimentamos shimeji pela primeira vez, e gostamos!<\/p>\n<p><a title=\"Muito gr\u00e1vida\" href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/rosanassauro\/39241704684\/in\/album-72157665154164758\/\" data-flickr-embed=\"true\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/farm5.staticflickr.com\/4628\/39241704684_ea81abf50d_c.jpg\" alt=\"Muito gr\u00e1vida\" width=\"533\" height=\"800\" \/><\/a><script async=\"\" src=\"\/\/embedr.flickr.com\/assets\/client-code.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o faz muito tempo. Lembro que acordei naquele dia j\u00e1 sentindo o que viria a descobrir, e n\u00e3o deu outra: positivo. Eu definitivamente estava gr\u00e1vida e isso mudaria tudo.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":4688,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[18,22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-5263","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-agroecologia","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5263"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49130,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5263\/revisions\/49130"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5263"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=5263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}