{"id":53029,"date":"2024-05-28T16:14:06","date_gmt":"2024-05-28T19:14:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=53029"},"modified":"2024-05-28T16:18:17","modified_gmt":"2024-05-28T19:18:17","slug":"chuvas-no-sul-e-seca-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/chuvas-no-sul-e-seca-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Chuvas no sul e seca na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Essa \u00e9 nossa nova realidade clim\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px-1024x683.jpg\" title=\"Ruas alagadas no Bairro Ipanema, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.\" alt=\"Ruas alagadas no Bairro Ipanema, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.\" class=\"wp-image-53030\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/05\/71d08f53-gp0su0o6y_medium-res-with-credit-line-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ruas alagadas no Bairro Ipanema, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Situa\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas como as inunda\u00e7\u00f5es que acompanhamos nas \u00faltimas semanas no Rio Grande do Sul ficar\u00e3o ainda mais constantes nos pr\u00f3ximos anos. De acordo com especialistas, a frequ\u00eancia desses desastres j\u00e1 est\u00e1 mais acirrada. E se voc\u00ea completou mentalmente a palavra \u201cdesastres\u201d com \u201cnaturais\u201d, temos que te contar que o que est\u00e1 acontecendo n\u00e3o tem nada de natural.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O desequil\u00edbrio das chuvas \u00e9 mais um resultado dos efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica que vivemos globalmente. S\u00f3 em 2023, o Brasil experimentou 12 eventos clim\u00e1ticos extremos, de acordo com <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2024\/05\/1831366\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener nofollow\">relat\u00f3rio da ONU<\/a>. Foram cinco ondas de calor, tr\u00eas chuvas intensas, uma onda de frio, uma inunda\u00e7\u00e3o, uma seca e um ciclone extratropical. Nove destes eventos foram considerados incomuns e dois sem precedentes.\u00a0<\/p>\n\n<p>O que acontece agora no Rio Grande do Sul, assim como os eventos do ano passado, s\u00e3o fen\u00f4menos da natureza agravados pela crise do clima. No fim de abril desse ano, um bloqueio de alta press\u00e3o sobre o sudeste e centro oeste impediu que as frentes frias vindas do sul da Am\u00e9rica do Sul subissem e tamb\u00e9m canalizou a umidade que sai da amaz\u00f4nia para mesma regi\u00e3o, o que fez as chuvas ca\u00edrem sobre o sul. Isso n\u00e3o seria, necessariamente, uma cat\u00e1strofe, \u201cmas a\u00ed vem o efeito do aquecimento global: com os oceanos quentes, h\u00e1 excessiva evapora\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e, portanto, muito combust\u00edvel para as chuvas\u201d, explica o climatologista Carlos Nobre, cientista e idealizador do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).&nbsp;<\/p>\n\n<p>Soma-se o fato do Rio Grande do Sul ser um dos estados mais desmatados do Brasil e o resultado s\u00e3o as inunda\u00e7\u00f5es de cidades e transbordamentos de rios ao longo da regi\u00e3o. \u201cSe a mata atl\u00e2ntica estivesse preservada, assim como a mata ciliar ao longo dos rios, diminuiria muito a eros\u00e3o do solo que lan\u00e7a a lama nas \u00e1guas. A quantidade de chuva ainda seria muito alta, mas quando h\u00e1 essa vegeta\u00e7\u00e3o 20 a 30% da \u00e1gua fica retida no terreno, ent\u00e3o essa seria a mesma quantidade a menos de inunda\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Nobre.&nbsp;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acabar com o desmatamento \u00e9 a principal contribui\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong><\/h2>\n\n<p>O desmatamento \u00e9, no Brasil, o principal fator de influ\u00eancia para a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa (causadores do aquecimento global que est\u00e1 na raiz da crise clim\u00e1tica). \u00c9, portanto, essa a vari\u00e1vel que merece nossa maior aten\u00e7\u00e3o. \u201cEm outros pa\u00edses, a matriz energ\u00e9tica, a queima de combust\u00edvel f\u00f3ssil, \u00e9 a principal fonte de emiss\u00e3o de GEE, ent\u00e3o \u00e9 o elemento de mudan\u00e7a. Aqui, a contribui\u00e7\u00e3o mais importante estaria relacionada a zerar o desmatamento, n\u00e3o em 2030 mas o quanto antes\u201d, explica R\u00f4mulo Batista, porta-voz do Greenpeace Brasil.<\/p>\n\n<p>A floresta \u00e9 a principal respons\u00e1vel que temos por armazenar carbono, por exemplo no tronco das enormes \u00e1rvores. Se ela est\u00e1 de p\u00e9, a captura e armazenamento de gases \u00e9 efetiva. Por outro lado, durante o processo de desmatamento, muitos seres vivos morrem e sua decomposi\u00e7\u00e3o emite gases. Al\u00e9m disso, ao cortar e queimar extensas \u00e1reas, mais GEE s\u00e3o emitidos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Como sabemos, a crise clim\u00e1tica \u00e9 causada e mantida por modelos de produ\u00e7\u00e3o e consumo insustent\u00e1veis. No Brasil isso est\u00e1 relacionado majoritariamente ao uso da terra, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. \u201cDesmatamos, queimamos e transformamos em pasto para pecu\u00e1ria bovina. H\u00e1 na Amaz\u00f4nia muito gado de corte em \u00e1reas desmatadas, por exemplo\u201d, conta Batista. Igor Travassos, coordenador da Frente de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica do GPBR, ainda destaca que existem 280 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de gado e 205 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds &#8211; \u00e9 mais gado que gente. E das \u00e1reas abertas para planta\u00e7\u00e3o de milho e soja, grande parte serve de ra\u00e7\u00e3o para os animais.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A seca na Amaz\u00f4nia \u00e9 um fen\u00f4meno complexo que \u00e9 causado por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores, incluindo o desmatamento, as queimadas e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Quando o desmatamento reduz a capacidade da floresta de absorver e manter a \u00e1gua isso contribui para a seca. Ou seja, a forma como o desmatamento e as queimadas acontecem, especialmente na Amaz\u00f4nia, \u00e9 a uma s\u00f3 vez causa e efeito da crise clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Fica evidente que conservar os biomas e reflorestar grandes \u00e1reas com vegeta\u00e7\u00e3o natural em especial margens de rios e corpos d&#8217;\u00e1gua, inclusive urbanas, \u00e9 a estrat\u00e9gia&nbsp; mais importante que temos \u00e0 m\u00e3o para desacelerar a frequ\u00eancia e intensidade dos eventos clim\u00e1ticos extremos no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como a tese do Marco Temporal se relaciona com tudo isso?&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n<p>A tese \u00e9 defendida por propriet\u00e1rios de terras que querem estabelecer que os ind\u00edgenas s\u00f3 teriam direito \u00e0s \u00e1reas que estavam sob sua posse em 5 de outubro de 1988 (data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal) ou que estavam em disputa judicial naquela \u00e9poca. Os povos ind\u00edgenas e seus aliados, por sua vez, defendem que seu direito \u00e0 terra \u00e9 origin\u00e1rio e anterior ao pr\u00f3prio Estado, n\u00e3o podendo haver uma data limite \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es sobre suas terras ancestrais. Argumentam, ainda, que a tese do Marco Temporal desconsidera e desrespeita h\u00e1bitos n\u00f4mades de algumas etnias.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em setembro de 2023, um julgamento do Supremo Tribunal Federal invalidou a tese. Agora, ainda sem data marcada, a discuss\u00e3o acerca do Marco Temporal voltar\u00e1 ao plen\u00e1rio do STF. \u201cO pano de fundo dessa discuss\u00e3o, \u00e9 abrir territ\u00f3rios&nbsp; ind\u00edgenas para determinadas atividades, construir estradas, explorar atividade mineradora\u201d, afirma Jorge Oliveira, coordenador da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace.<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m de ser inconstitucional e uma amea\u00e7a aos povos ind\u00edgenas, a tese pode representar um agravamento das causas da crise clim\u00e1tica, que provoca situa\u00e7\u00f5es como a que vemos agora no Rio Grande do Sul. \u201cO modelo de expans\u00e3o eterna da agricultura e pecu\u00e1ria \u00e9 insustent\u00e1vel, aumenta desmatamento, emiss\u00f5es e nos prejudica a todos, coletivamente. Marco Temporal \u00e9 o setor do agroneg\u00f3cio querendo crescer a qualquer custo\u201d, refor\u00e7a Carlos Nobre.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>Oliveira lembra que j\u00e1 est\u00e1 provado que s\u00e3o as terras ind\u00edgenas que melhor defendem a biodiversidade e as florestas no mundo. \u201c\u00c9 nelas que as taxas&nbsp; de desmatamento s\u00e3o sempre menor. Se quisermos mitigar a crise clim\u00e1tica, precisamos manter de p\u00e9 a floresta e garantir a sa\u00fade e a integridade desses territ\u00f3rios\u201d, defende.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que fazer diante dessa complexa crise?<\/strong><\/h2>\n\n<p>Os eventos clim\u00e1ticos extremos, como grandes inc\u00eandios florestais, secas extremas, tempestades e enchentes catastr\u00f3ficas, est\u00e3o se tornando mais frequentes e intensos devido \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Essas crises podem agravar ainda mais a sa\u00fade p\u00fablica, a inseguran\u00e7a alimentar e a instabilidade econ\u00f4mica, aumentando o desespero e a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es. No entanto, esses eventos tamb\u00e9m podem catalisar uma mudan\u00e7a radical na percep\u00e7\u00e3o das pessoas sobre a necessidade de transforma\u00e7\u00f5es profundas no sistema atual.<\/p>\n\n<p>Embora cada emerg\u00eancia clim\u00e1tica exija respostas espec\u00edficas, \u00e9 fundamental manter o foco na conscientiza\u00e7\u00e3o das pessoas sobre as causas e solu\u00e7\u00f5es para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 preciso promover alternativas ao modelo econ\u00f4mico atual e fortalecer alian\u00e7as com comunidades cuidadoras da natureza.<\/p>\n\n<p>Para Oliveira, isso pode ser feito por meio de manifesta\u00e7\u00f5es contra o Marco Temporal e a favor da demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios ind\u00edgenas. \u201cEssa tese \u00e9 genocida, tem potencial de provocar mortes e exterm\u00ednio de povos inteiros. A luta desses povos \u00e9 atrelada \u00e0 terra, onde se consegue manter tradi\u00e7\u00f5es e h\u00e1bitos\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cDo mesmo jeito que a gente precisa mitigar e adaptar as cidades para a crise clim\u00e1tica, o Congresso Nacional precisa se adaptar \u00e0 nova realidade que estamos vivendo. Isso significa que o legislativo e o executivo devem adotar medidas que protejam mais as florestas e as popula\u00e7\u00f5es que as preservam. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso aten\u00e7\u00e3o especial para as popula\u00e7\u00f5es mais afetadas por esses eventos clim\u00e1ticos extremos, que s\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o preta, perif\u00e9rica, ind\u00edgena e outras popula\u00e7\u00f5es tradicionais, historicamente os que menos colaboraram para emiss\u00f5es dos gases do efeito estufa\u201d, complementa R\u00f4mulo Batista. Segundo ele, nossa contribui\u00e7\u00e3o principal, como na\u00e7\u00e3o, \u00e9 defender &#8211; em alto e bom som &#8211; que o Brasil valorize a natureza, respeite seus povos origin\u00e1rios e diga n\u00e3o \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chuvas intensas no sul e seca na Amaz\u00f4nia: entenda como a emerg\u00eancia clim\u00e1tica impacta o Brasil e a import\u00e2ncia de combater o desmatamento.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":53030,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,71,48],"tags":[46,42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-53029","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-eventos-extremos","category-justica-climatica","tag-desmatamento","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53029","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53029"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":53036,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53029\/revisions\/53036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53029"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=53029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}