{"id":5377,"date":"2018-10-18T18:37:17","date_gmt":"2018-10-18T21:37:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=5377"},"modified":"2021-12-01T09:32:59","modified_gmt":"2021-12-01T12:32:59","slug":"ativismo-o-virus-da-qualidade-de-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/ativismo-o-virus-da-qualidade-de-vida\/","title":{"rendered":"Ativismo: o v\u00edrus da qualidade de vida"},"content":{"rendered":"<h4>Exercitado em rede e nas redes, ele \u00e9 o meio em que pessoas praticam sua cidadania pol\u00edtica para transformar n\u00e3o s\u00f3 o lugar onde vivem como a si pr\u00f3prias<\/h4>\n<div id=\"attachment_5379\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5379\" class=\"size-full wp-image-5379\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/d4abf479-anacarolinasouza_ativistagreenmanaus.jpeg\" alt=\"A ativista e volunt\u00e1ria do Greenpeace Ana Carolina na mobiliza\u00e7\u00e3o pela Defesa dos Corais da Amaz\u00f4nia\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/d4abf479-anacarolinasouza_ativistagreenmanaus.jpeg 600w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/d4abf479-anacarolinasouza_ativistagreenmanaus-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/d4abf479-anacarolinasouza_ativistagreenmanaus-510x340.jpeg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-5379\" class=\"wp-caption-text\">A jovem arquiteta Ana Carolina de Souza, de Manaus, \u00e9 volunt\u00e1ria do Greenpeace e quer expandir esse ativismo para a sua profiss\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p>Sabe o que o engenheiro mec\u00e2nico paulistano Antonio Padilha, 74 anos, e a arquiteta manauara Ana Carolina Souza, 23, t\u00eam em comum? Apesar de pertencerem a gera\u00e7\u00f5es diferentes e viverem a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia um do outro, suas trajet\u00f3rias se encontram na mobiliza\u00e7\u00e3o que realizam por diferentes causas socioambientais. <strong>Eles se consideram ativistas<\/strong>, e isso tem um peso importante em suas hist\u00f3rias de vida a ponto de contagiar outros, funcionando como um \u201cv\u00edrus do bem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAtivismo para mim \u00e9 uma forma de auto respeito. A nossa vida \u00e9 preciosa e por isso deve ter significado, objetivo. Temos de usar bem essa d\u00e1diva, que \u00e9 uma s\u00f3. Por isso me sinto feliz quando me envolvo nas causas que acredito. Ajuda a minha auto-estima. Do contr\u00e1rio,, me sentiria incompleto\u201d, afirma Padilha, um dos mais queridos volunt\u00e1rios do Greenpeace, desde o in\u00edcio dos anos 2000. Nesse tempo, j\u00e1 fez desde limpezas de pra\u00e7as, mobiliza\u00e7\u00f5es e at\u00e9 \u00a0plantios de \u00e1rvores como compensa\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ana Carolina, uma jovem arquiteta de Manaus que participou de in\u00fameras atividades de mobiliza\u00e7\u00e3o pelo meio ambiente, seja com o p\u00fablico urbano como os ribeirinhos, deseja agora levar seu esp\u00edrito ativista para sua profiss\u00e3o. \u201cFiz alguns projetos de moradia popular a popula\u00e7\u00f5es menos favorecidas, na faculdade. No mundo em que vivemos, \u00e9 preciso haver realiza\u00e7\u00e3o pessoal naquilo que a gente acredita. \u00c9 algo muito maior\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Radiografia do ativismo<\/strong><\/p>\n<p>O que se observa \u00e9 que hoje, al\u00e9m do ativismo nas ruas, sua propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitada pelo uso das Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC), como a Internet e midias sociais, que permitem as pessoas a participar e formar grupos com uma velocidade sem precedentes, quebrando barreiras sociais, culturais, econ\u00f4micas e geogr\u00e1ficas. \u00c9 o que constatou a pesquisadora Juliana Zuquer, da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP\/USP). Ela fez fez uma radiografia deste ativismo em rede entrevistando 27 integrantes de 22 coletivos na cidade de S\u00e3o Paulo para sua tese de Doutorado &#8211; <a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/6\/6140\/tde-28062018-125528\/pt-br.php\">\u201cTecnologias de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o (TIC) e movimentos sociais nos urbanos do s\u00e9culo 21: interfaces e possibilidades na busca pelo direito \u00e0 cidade&#8221;<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_5381\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5381\" class=\"size-large wp-image-5381\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1-1024x768.png\" alt=\"Padilha realiza plantio de mudas com jovens nativas em parque com volunt\u00e1rios do Greenpeace\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1-1024x768.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1-300x225.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1-768x576.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1-453x340.png 453w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/10\/79b1b6bb-image-1.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-5381\" class=\"wp-caption-text\">O veterano Ant\u00f4nio Padilha (de chap\u00e9u) realiza a limpeza e plantio de mudas nativas em parque da periferia de S\u00e3o Paulo, com jovens volunt\u00e1rios do Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>S\u00e3o pessoas que dedicam parte do seu tempo a promover desde hortas urbanas a uma melhor mobilidade para a cidade. \u201cEm rede e na rede, esses indiv\u00edduos integram movimentos sociais que se diferenciam dos anteriores pela tentativa de aus\u00eancia de hierarquias entre seus integrantes, discursos apartid\u00e1rios, imprevisibilidade em suas a\u00e7\u00f5es, formato organizativo em redes\u201d, avalia Juliana.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, uma vez que n\u00e3o acreditam mais na efic\u00e1cia da gest\u00e3o da cidade e no formato de tomadas de decis\u00f5es em estruturas formais do governo (em sua maioria consultivas e n\u00e3o deliberativas com poder de voto), essas pessoas t\u00eam usado as TIC para mobilizar recursos a seu favor. \u201cBuscam novas possibilidades de participa\u00e7\u00e3o social e um processo de governan\u00e7a com maior di\u00e1logo entre governo e sociedade e constru\u00e7\u00e3o de uma nova perspectiva de cidade\u201d, explica.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, entendendo que a sa\u00fade perpassa tamb\u00e9m formas mais participativas de compartilhamento de poder, de decis\u00f5es e de melhorias de gest\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, ao revitalizar pra\u00e7as, plantar hortas e impulsionar a\u00e7\u00f5es para amplia\u00e7\u00e3o da mobilidade ativa na cidade, <strong>esse ativismo cidad\u00e3o se reflete no ganho de qualidade de vida para todos<\/strong>. \u201cS\u00e3o diversas as experi\u00eancias que mostram solu\u00e7\u00f5es locais impulsionadas, por exemplo, para amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura verde (incluindo arboriza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, parques, telhados perme\u00e1veis e jardins verticais, hortas comunit\u00e1rias) nas cidades. Esses aspectos, por sua vez, \u00a0trazem benef\u00edcios ambientais, sociais, econ\u00f4micos e de sa\u00fade, como conforto t\u00e9rmico, bem-estar do indiv\u00edduo, contempla\u00e7\u00e3o e conv\u00edvio social, al\u00e9m de redu\u00e7\u00e3o da polui\u00e7\u00e3o sonora\u201d, diz Juliana.<\/p>\n<p><strong>Desafios para a participa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Para o aprimoramento deste ativismo cidad\u00e3o, a pesquisa identificou dois desafios. O primeiro est\u00e1 no fato de os movimentos poderem de fato se inserir nas tomadas de decis\u00f5es em estruturas de poder que hoje se mostram ultrapassadas. \u201cUma vez que se mostram consultivas, os ativistas ficam mais restritos a escutar ou opinar sobre assuntos relevantes para melhoria da cidade, mas com pouco poder efetivo de voto, de decis\u00e3o. Essa percep\u00e7\u00e3o, inclusive, reverbera na descren\u00e7a que t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o ao estado democr\u00e1tico atual e na urg\u00eancia que sentem de modificar a l\u00f3gica top-down (de cima para baixo) de tomadas de decis\u00f5es sobre aspectos que afetam a todos os habitantes de uma cidade\u201d, diz Juliana.<\/p>\n<p>O segundo desafio est\u00e1 na constante mudan\u00e7a de cargos e ou partidos pol\u00edticos, o que acaba por travar ainda mais os processos de decis\u00f5es ou mesmo esvazi\u00e1-los, o que traz entraves para uma maior participa\u00e7\u00e3o dos ativistas nas decis\u00f5es tomadas.<\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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