{"id":54134,"date":"2024-08-16T12:42:51","date_gmt":"2024-08-16T15:42:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=54134"},"modified":"2024-08-16T14:02:41","modified_gmt":"2024-08-16T17:02:41","slug":"o-caso-do-financiamento-da-propriedade-envolvida-no-dia-do-fogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-caso-do-financiamento-da-propriedade-envolvida-no-dia-do-fogo\/","title":{"rendered":"O caso do financiamento da propriedade envolvida no Dia do Fogo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O hist\u00f3rico problem\u00e1tico da Fazenda Santo Expedito \u00e9 mais um caso para que os bancos tenham a\u00e7\u00f5es mais rigorosas para evitar que dinheiro, via cr\u00e9dito rural ou financiamento, seja usado por quem destr\u00f3i os biomas brasileiros.<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54135\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/a1857da1-gp1suaq4_medium-res-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Localizada em Altamira (PA), a fazenda Santa Rosa apresentou focos de fogo entre os dias 24 de julho e 13 de agosto de 2019.  \u00a9 Christian Braga \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Em 10 de agosto, o<em> Dia do Fogo <\/em>completou <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/dia-do-fogo-completa-cinco-anos-e-propriedades-que-receberam-financiamento-seguem-impunes\/\">cinco anos<\/a>, deixando um legado de impunidade para os fazendeiros locais supostamente envolvidos na a\u00e7\u00e3o criminosa no estado do Par\u00e1. Em dois dias, o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (INPE) detectou 1.457 focos de fogo na regi\u00e3o, resultando em um aumento de 1.923% em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo no ano anterior. Na \u00e9poca, os propriet\u00e1rios de terra apostaram na destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia para demonstrar apoio ao enfraquecimento da gest\u00e3o ambiental no pa\u00eds.<\/p>\n\n<p>Cinco anos mais tarde, o Greenpeace Brasil revisitou as 478 propriedades onde foram identificados focos de fogo, durante os dias 10 e 11 de agosto de 2019, e constatou que <strong>essas propriedades seguem com altos \u00edndices de desmatamento e queimadas recorrentes. <\/strong>As \u00e1reas destru\u00eddas pelo desmatamento e o fogo deram espa\u00e7o para a expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Um outro ponto que chamou aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi que 29 propriedades envolvidas no evento receberam recursos do cr\u00e9dito rural de alguns bancos (Banco da Amaz\u00f4nia, Banco do Brasil, Sicredi e John Deere), totalizando 127 transa\u00e7\u00f5es e o montante de R$ 201.418.002,16 &#8211; sim, aquele cr\u00e9dito composto pelo seu suado dinheirinho, t\u00eam sido entregue a gente que desmata e queima as florestas. <\/p>\n\n<p>A an\u00e1lise de como essas propriedades receberam financiamento e seguem impunes, na maioria dos casos, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/05310857-greenpeace-brasil-dia-do-fogo_-anos-mais-tarde-2024-ext.pdf\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/08\/05310857-greenpeace-brasil-dia-do-fogo_-anos-mais-tarde-2024-ext.pdf\">est\u00e1 dispon\u00edvel neste documento<\/a>. Abaixo, detalhamos o caso do fazendeiro Marcus Vinicius Carneiro Torres de Paula para mostrar como o nosso dinheiro pode estar relacionado a um modelo produtivo permeado de ilegalidades e impunidade.<\/p>\n\n<p>Uma das propriedades de Marcus Vinicius que conseguiu financiamento, via cr\u00e9dito rural do Banco do Brasil, est\u00e1 localizada no munic\u00edpio de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu. A \u201cFazenda Santo Expedito I e II- Lote 16 e 17 Setor E\u201d acumulou um desmatamento de 932,63 hectares entre 2008 e 2021. <strong>O empr\u00e9stimo foi concedido logo ap\u00f3s a propriedade ter sido embargada por uso ilegal de fogo.<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfMdgqHCR9oN26N7RinFeTeo_6k7lQa5wMzaN_M2f50BEgnTHSdQ06vpwEcRh8zWnm0xq7_hf3JY0vyG5mUvA3JWgrFdPw5YJBvwNEDv-XKw7wX3bAdUziLDVSLQHc8F92jqIRxNPG82Wr_09qOA7HEONo?key=9axDsvC_6wdyCM5kzk6fYA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Desmatamento acumulado na Fazenda Expedito I e II (2008-2022). Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil com base no Sistema Papa-Alpha (2023); PRODES (2022). As cores do desmatamento quanto mais claras mais pr\u00f3ximas de 2008, e mais escuras com ocorr\u00eancia mais recente, pr\u00f3ximas a 2022.<\/em><\/p>\n\n<p>Em 10 de agosto de 2019 foram registrados quatro focos de calor sobre a propriedade de Marcus Vinicius. As imagens mostram uma por\u00e7\u00e3o da propriedade com cinzas proveniente de queima, dias depois h\u00e1 o registro da cicatriz de \u00e1rea queimada.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXdwXe3tGxGzEw1egrMoWgfwQ4DYFyzLPx0uiOuOg1KYKNESektNx1N9A6u_YO4tDtIHiZPl2pF9O30g1nHzFcZyqFB-2O0IljrW2BA-NqXDNywLkMYliPZK06QMLvSMMD0uyzjZaDWxUlMt3x9ipt_vyh4h?key=9axDsvC_6wdyCM5kzk6fYA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Cinzas e cicatrizes de \u00e1rea queimada em agosto de 2019. Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil com base em imagens Planet (2019).<\/em><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Cerca de quarenta dias depois do registro da \u00e1rea queimada, o IBAMA embargou a Fazenda Expedito I e II com multa associada pelo uso ilegal de fogo;<\/li>\n\n\n\n<li>Um dia ap\u00f3s o embargo, recebeu uma outra multa por infra\u00e7\u00e3o \u00e0 flora. Juntas, elas somam R$ 932.580 mil reais;<\/li>\n\n\n\n<li>J\u00e1 em 2020, o fazendeiro recebeu outro embargo emitido pela SEMAS\/PA por desmatamento ilegal de 260 hectares na mesma fazenda.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>O Banco do Brasil concedeu dois empr\u00e9stimos \u00e0 propriedade, sendo que <strong>o primeiro foi onze dias depois do embargo do IBAMA<\/strong> com a finalidade de investimento para pastagem e o <strong>segundo, pouco antes do registro de embargo estadual registrado na SEMAS\/PA<\/strong>, para a aquisi\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de animais. Juntos, os empr\u00e9stimos somam mais de R$ 1.500.000,00 de reais.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Al\u00e9m disso, a fazenda em quest\u00e3o comercializou gado indiretamente com a JBS. Dados de movimenta\u00e7\u00e3o de gado&nbsp; registrados entre janeiro de 2020 e julho de 2023, demonstram um fluxo de animais que se iniciava na Fazenda Santo Expedito I e II rumo \u00e0 Fazenda Santa Terezinha, cujo propriet\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 Marcus Vinicius e, atrav\u00e9s dela, comercializou com a JBS. Ao contr\u00e1rio da Fazenda Santo Expedito, que acumula problemas ambientais, a Fazenda Santa Terezinha est\u00e1 em conformidade e pode estar sendo utilizada para a lavagem de gado. Essa pr\u00e1tica ocorre quando o fazendeiro transporta o gado criado em uma \u00e1rea irregular para uma \u00e1rea regular, conseguindo driblar as regras de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental para vender o gado a frigor\u00edficos, entre eles a JBS.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXeQUwc2HbCen2lDqEI2OvVj2gbJn9871pX6KzIkHgrwdkjuqbrfP5nO3VQeJv7theINly5Nnvdrt-ZlFAdQ3czJ4r0tonM5RukEAF1XbF8gY3zbvbz4kQvSlXj3fHZIAJkvVnHjDK01ZaZ7iyalkA5lEHdT?key=9axDsvC_6wdyCM5kzk6fYA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"><em>Fluxo de gado da Fazenda Santo Expedito I e II. Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o Greenpeace Brasil com base em dados de movimenta\u00e7\u00e3o de gado (2024)&nbsp; e FRIBOI (2024).<\/em><\/p>\n\n<p>O caso da Fazenda Santo Expedito mostra que nosso suado dinheirinho, que paga os impostos e muitos boletos, pode ter financiado essas atividades que destru\u00edram e queimaram a Amaz\u00f4nia. Isso acontece porque parte do dinheiro que comp\u00f5e o cr\u00e9dito rural vem de recursos dos contribuintes e das contas correntes dos bancos que operam esse tipo de financiamento. As institui\u00e7\u00f5es financeiras precisam impedir que isso aconte\u00e7a porque quem financia atividades que destroem o meio ambiente tamb\u00e9m \u00e9 parte do problema.<br><\/p>\n\n<p>\u201c\u00c9 injusto que propriet\u00e1rios que desmataram e queimaram enormes \u00e1reas tenham acessado recursos do cr\u00e9dito rural, que conta com o nosso dinheiro, enquanto, em alguns casos, devem grandes montantes em multas ambientais. \u00c9 necess\u00e1rio que os bancos neguem cr\u00e9dito para o agroneg\u00f3cio que fez uso do fogo de maneira criminosa, como o visto no Dia do Fogo. Essa \u00e9 uma das demandas do Greenpeace aos bancos para suprir as lacunas e falhas que permeiam a concess\u00e3o de cr\u00e9dito rural\u201d, comenta Tha\u00eds Bannwart, porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil.<\/p>\n\n<p>No relat\u00f3rio<strong> <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/relatorio-bancando-a-extincao\/\">\u201cBancando a Extin\u00e7\u00e3o\u201d<\/a><\/strong>, o Greenpeace apresentou uma s\u00e9rie de demandas \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras, incluindo o Banco do Brasil, e a situa\u00e7\u00e3o acima refor\u00e7a a import\u00e2ncia da r\u00e1pida ado\u00e7\u00e3o das demandas, com destaque para:&nbsp;<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Os bancos devem verificar antes da concess\u00e3o do cr\u00e9dito e periodicamente o cumprimento dos crit\u00e9rios socioambientais e se, constatado descumprimento, suspender a concess\u00e3o e\/ou liquidar antecipadamente a opera\u00e7\u00e3o;&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Proibir a concess\u00e3o de cr\u00e9dito para im\u00f3veis rurais que tenham usado fogo de maneira ilegal; quando identificado desmatamento, solicitar a apresenta\u00e7\u00e3o da autoriza\u00e7\u00e3o; incluir em seus crit\u00e9rios de concess\u00e3o de cr\u00e9dito rural para produtores a rastreabilidade da pecu\u00e1ria para impedir a lavagem de gado.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>A sociedade n\u00e3o compactua com o desmatamento e nem deseja que seu dinheiro seja destinado, seja via cr\u00e9dito, seja via investimentos, para atividades que ajudam a consolidar um cen\u00e1rio de clima inst\u00e1vel e extin\u00e7\u00e3o dos nossos biomas.<strong> <\/strong><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/relatorio-bancando-a-extincao\/\"><strong>Assine a peti\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><strong> e participe da campanha \u201cBancando a Extin\u00e7\u00e3o\u201d que exige que os bancos parem de financiar desmatadores.&nbsp;<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhe\u00e7a o hist\u00f3rico problem\u00e1tico da Fazenda Santo Expedito, localizada no munic\u00edpio de S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu (Par\u00e1)<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":54135,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[46],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-54134","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","tag-desmatamento","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54134"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54139,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54134\/revisions\/54139"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54134"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=54134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}