{"id":54781,"date":"2024-09-24T16:51:02","date_gmt":"2024-09-24T19:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=54781"},"modified":"2024-09-24T16:51:08","modified_gmt":"2024-09-24T19:51:08","slug":"terra-indigena-kayapo-e-a-mais-atingida-por-queimadas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/terra-indigena-kayapo-e-a-mais-atingida-por-queimadas-no-brasil\/","title":{"rendered":"Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3 \u00e9 a mais atingida por queimadas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Garimpeiros usam o fogo para abrir novas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o irregular&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54784\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/1fd013f1-7_xpqr85-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fuma\u00e7a densa na TI Capoto-Jarina, territ\u00f3rio que tamb\u00e9m pertence aos Kayap\u00f3s e vem sendo afetado pelas queimadas. Cr\u00e9dito: \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O fogo avan\u00e7a sobre o territ\u00f3rio sagrado dos Kayap\u00f3. O cen\u00e1rio \u00e9 de muita fuma\u00e7a e destrui\u00e7\u00e3o. A Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3 (PA), historicamente impactada pelo garimpo ilegal, lidera o triste ranking das terras mais afetadas por inc\u00eandios florestais em 2024 no Brasil, com\u00a0 3.246\u00a0 focos de calor registrados desde o in\u00edcio do ano at\u00e9 o dia 24 de setembro. Por ali, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica, pois tudo indica que o fogo \u00e9 causado por garimpeiros que est\u00e3o abrindo novas \u00e1reas para continuar explorando ouro ilegalmente.<\/p>\n\n<p>De acordo com o Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (LASA\/UFRJ), uma \u00e1rea de\u00a0 697.475 hectares j\u00e1 foi queimada dentro da Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3 &#8211; o equivalente a 21,24% de todo o territ\u00f3rio. Este \u00e9 o pior resultado de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica, que teve in\u00edcio em 2012. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais grave quando lembramos que a Terra Ind\u00edgena n\u00e3o possui brigada de combate ao inc\u00eandio, devido \u00e0 inseguran\u00e7a de se estar no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n<p>Profissionais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) contam que os inc\u00eandios dentro da Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3 foram causados por garimpeiros, que est\u00e3o abrindo novas \u00e1reas para explora\u00e7\u00e3o. Essa teoria se confirma quando se analisa imagens de sat\u00e9lite, que mostram claramente que as \u00e1reas em que os focos de calor se concentram est\u00e3o sobrepostas ou muito pr\u00f3ximas a \u00e1reas de garimpo abertas recentemente.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"517\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651-1024x517.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-54782\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651-1024x517.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651-300x152.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651-768x388.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651-510x258.png 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/9ba4f7fd-captura-de-tela-2024-09-24-152651.png 1027w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Novas \u00e1reas de garimpo ilegal surgem pr\u00f3ximas \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o queimada na Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3. Cr\u00e9dito: \u00a9 Papa Alpha, Greenpeace Brasil.<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><strong>Setembro em chamas<\/strong><\/p>\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio Kayap\u00f3 era relativamente est\u00e1vel at\u00e9 o in\u00edcio de agosto, quando come\u00e7aram a aparecer, com mais volume e frequ\u00eancia, os focos de calor. As forma\u00e7\u00f5es de savana e \u00e1reas de n\u00e3o-floresta foram as mais atingidas. A primeira quinzena de setembro, no entanto, foi de muitas chamas e destrui\u00e7\u00e3o &#8211; dos 2.937 focos de calor acumulados em 2024 naquela regi\u00e3o, 1.799 (nada menos que 61%) foram registrados nesse curto per\u00edodo.<\/p>\n\n<p>O pico de inc\u00eandios foi registrado em 4 de setembro, quando foram registrados 354 focos de calor. Em seguida, a Opera\u00e7\u00e3o Xapiri Tuire, conduzida por \u00f3rg\u00e3os como a Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai), o Ibama e a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF) fez com que os focos diminu\u00edssem. Mas no dia seguinte ao final da opera\u00e7\u00e3o, em 11 de setembro, outro pico aconteceu, com 260 focos de calor.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Essa data guarda um triste marco da temporada 2024 &#8211; de cada 5 focos de calor registrados em toda a Amaz\u00f4nia neste dia, 1 deles ocorreu em Terras Ind\u00edgenas. Foram 2.512 focos verificados na Amaz\u00f4nia, e 511 apenas dentro dos territ\u00f3rios origin\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>A\u00e7\u00f5es emergenciais<\/strong><\/p>\n\n<p>O cacique Megaron Txucarram\u00e3e, importante lideran\u00e7a do povo Kayap\u00f3, sobrevoou as Terras Ind\u00edgenas Capoto-Jarina (MT) e Kayap\u00f3 junto \u00e0 equipe do Greenpeace Brasil. Ele testemunhou uma realidade devastadora: a floresta em chamas, a vida sendo consumida pelas labaredas e a destrui\u00e7\u00e3o do que \u00e9 ancestral e essencial para seu povo.<\/p>\n\n<p>\u201cVamos levar 30 anos para esse mato crescer e voltar ao normal. Mas, do jeito que t\u00e1 queimando todo ano, daqui a pouco vai ter s\u00f3 capoeira. Desde o in\u00edcio eu venho pedindo apoio ao governo, pedindo pra ver se eles mandam avi\u00f5es para apagar o fogo, mas at\u00e9 agora n\u00e3o deram resposta. Veio o IBAMA e o PrevFogo, mas n\u00e3o conseguem controlar o fogo, que come\u00e7ou sem a gente esperar. A gente usa o fogo, mas tem dia, tem hora, tem m\u00eas certo para queimar ro\u00e7a. Esse ano aconteceu de repente, esse inc\u00eandio n\u00e3o \u00e9 normal. Animais t\u00e3o queimando, aldeias j\u00e1 queimaram, muita coisa t\u00e1 sendo destru\u00edda pelo fogo\u201d, contou o cacique.<\/p>\n\n<p>As lideran\u00e7as ind\u00edgenas clamam por a\u00e7\u00e3o, e o Greenpeace Brasil refor\u00e7a essa urg\u00eancia. Jorge Eduardo Dantas, porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil, destaca: \u201cO Greenpeace percebe que a estrutura de combate a inc\u00eandios florestais no Brasil hoje \u00e9 insuficiente. Ela n\u00e3o consegue atender \u00e0 demanda e \u00e0 gravidade do problema. Precisamos, por exemplo, de brigadas a\u00e9reas preparadas para atuar nos mais diversos territ\u00f3rios. Estamos em um cen\u00e1rio de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, onde os eventos extremos v\u00e3o se tornar mais intensos e frequentes. Precisamos mudar a forma como encaramos esse problema.\u201d<\/p>\n\n<p><strong>Problema antigo<\/strong><\/p>\n\n<p>O garimpo \u00e9 um problema antigo do territ\u00f3rio Kayap\u00f3. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/garimpo-devastou-584-campos-de-futebol-em-apenas-tres-terras-indigenas-da-amazonia-no-primeiro-semestre-de-2024\/\">Levantamento divulgado pelo Greenpeace em julho<\/a> mostrou que praticamente metade da abertura de novas \u00e1reas de garimpo feita dentro de Terras Ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia no primeiro semestre de 2024 ocorreu por ali. Foram 227 hectares devastados pela atividade garimpeira. O levantamento considerou as Terras Kayap\u00f3, Munduruku e Yanomami, que re\u00fanem mais de 90% da ocorr\u00eancia de garimpos ilegais dentro de territ\u00f3rios origin\u00e1rios no bioma. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/4-campos-de-futebol-por-dia-garimpo-avanca-em-terras-indigenas\/\">Em 2023, foram 1.109 hectares destru\u00eddos<\/a> dentro daquela \u00e1rea por conta da explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro.&nbsp;<\/p>\n\n<p>No relat\u00f3rio \u201cParem As M\u00e1quinas!\u201d, lan\u00e7ado em abril de 2023, das 176 ocorr\u00eancias de escavadeiras hidr\u00e1ulicas mapeadas pelo Greenpeace &#8211; e que estavam sendo empregadas no garimpo &#8211; <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/parem-as-maquinas-como-as-escavadeiras-ameacam-povos-indigenas-e-a-amazonia\/\">nada menos que 140 (79%) estavam no territ\u00f3rio Kayap\u00f3<\/a>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p>At\u00e9 o meio do ano, o garimpo j\u00e1 ocupava 15.715 hectares dentro da Terra Ind\u00edgena Kayap\u00f3. No entanto, o sistema de monitoramento do Greenpeace, o Papa Alpha, detectou mais 190 hectares de desmatamento associado ao garimpo no m\u00eas de julho. Dentro dos territ\u00f3rios origin\u00e1rios, o garimpo causa preju\u00edzos ambientais (como a morte dos rios, eros\u00e3o do solo, destrui\u00e7\u00e3o de habitats), a desestrutura\u00e7\u00e3o de comunidades (com aliciamentos, viol\u00eancias sexuais, transmiss\u00e3o de doen\u00e7as); geralmente est\u00e1 ligado a outros crimes como tr\u00e1fico de drogas e sonega\u00e7\u00e3o fiscal e n\u00e3o causa desenvolvimento &#8211; os dividendos que ficam para os estados e munic\u00edpios s\u00e3o muito baixos e n\u00e3o compensam seus preju\u00edzos.<\/p>\n\n<p><strong>Retirada dos garimpeiros<\/strong><\/p>\n\n<p>As chamas avan\u00e7am, e a resposta do governo e da sociedade precisa ser r\u00e1pida e contundente. A prote\u00e7\u00e3o das Terras Ind\u00edgenas e da Amaz\u00f4nia \u00e9 uma quest\u00e3o urgente que vai al\u00e9m da defesa ambiental \u2014 \u00e9 a conserva\u00e7\u00e3o da vida e da cultura de povos que protegem essa floresta h\u00e1 mil\u00eanios.<\/p>\n\n<p>Apoie o Greenpeace Brasil nesta luta. Assine a nossa peti\u00e7\u00e3o \u201cAmaz\u00f4nia Livre de Garimpo\u201d e nos ajude a cobrar das autoridades brasileiras a retirada dos garimpeiros das Terras Ind\u00edgenas em toda a Amaz\u00f4nia.<br><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">Assine aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Garimpeiros usam o fogo para abrir novas \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o irregular&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":54783,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[26,6,46,60,43],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-54781","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-biodiversidade","tag-clima","tag-desmatamento","tag-garimpo","tag-povos-e-territorios","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54781","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54781"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54781\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54785,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54781\/revisions\/54785"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54781"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54781"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54781"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=54781"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}