{"id":54800,"date":"2024-09-26T16:15:46","date_gmt":"2024-09-26T19:15:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=54800"},"modified":"2024-09-26T17:07:57","modified_gmt":"2024-09-26T20:07:57","slug":"sawre-muybu-conquista-historica-do-povo-munduruku-e-a-luta-constante-pela-floresta-viva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/sawre-muybu-conquista-historica-do-povo-munduruku-e-a-luta-constante-pela-floresta-viva\/","title":{"rendered":"Sawr\u00e9 Muybu: conquista hist\u00f3rica do povo Munduruku e a luta constante pela floresta viva"},"content":{"rendered":"\n<p><em>A assinatura da portaria que reconhece a Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu representa um triunfo para a Amaz\u00f4nia e os direitos dos povos ind\u00edgenas.<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"535\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/72001136-gp0stpzdx_low-res-800px-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54801\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/72001136-gp0stpzdx_low-res-800px-1-1.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/72001136-gp0stpzdx_low-res-800px-1-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/72001136-gp0stpzdx_low-res-800px-1-1-768x514.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/09\/72001136-gp0stpzdx_low-res-800px-1-1-508x340.jpg 508w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em 16 de julho de 2016, os Munduruku fazem plaqueamento de auto demarca\u00e7\u00e3o da TI Sawr\u00e9 Muybu. Cr\u00e9dito: \u00a9 Rog\u00e9rio Assis \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Hoje celebramos uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica e profundamente simb\u00f3lica para os povos ind\u00edgenas\u00a0 da Amaz\u00f4nia e do Brasil. A assinatura da portaria que finalmente reconhece a Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, localizada na bacia do Rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1, entre as cidades de Itaituba e Trair\u00e3o, \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o de uma luta de anos. Com 178.173 hectares, o povo Munduruku assegura a posse permanente de um territ\u00f3rio que sempre lhes pertenceu, mas que esteve amea\u00e7ado pelo <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/garimpo-devastou-584-campos-de-futebol-em-apenas-tres-terras-indigenas-da-amazonia-no-primeiro-semestre-de-2024\/\">garimpo<\/a>, pela extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e por projetos de infraestrutura.\u00a0<\/p>\n\n<p>A Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu, al\u00e9m de ser um territ\u00f3rio rico em biodiversidade, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o espiritual e cultural do povo Munduruku. Garantir a prote\u00e7\u00e3o dessa terra \u00e9 assegurar a continuidade de um modo de vida ancestral, que sempre esteve em harmonia com a floresta.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A portaria declarat\u00f3ria \u00e9 uma das etapas do processo de demarca\u00e7\u00e3o de uma Terra Ind\u00edgena, que define os limites dos territ\u00f3rios quando n\u00e3o h\u00e1 mais disputas administrativas ou judiciais. Ela foi assinada na \u00faltima quarta-feira (25) pelo Ministro da Justi\u00e7a, Ricardo Lewandowski, numa cerim\u00f4nia em Bras\u00edlia (DF). Isso n\u00e3o significa, no entanto, que o processo demarcat\u00f3rio est\u00e1 completo &#8211; agora \u00e9 a hora de fixar os marcos f\u00edsicos e proceder com a retirada de ocupantes de dentro do territ\u00f3rio. Em seguida, o presidente da Rep\u00fablica homologa o territ\u00f3rio e a\u00ed sim o rito estar\u00e1 completo.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Autodemarca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>O processo de demarca\u00e7\u00e3o da Sawr\u00e9 Muybu teve in\u00edcio em 2007. Mas ele ficou parado durante muito tempo por quest\u00f5es pol\u00edticas, principalmente pela for\u00e7a econ\u00f4mica que o garimpo tem na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Em 2014, o povo Munduruku <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/resistir-e-mobilizar-a-luta-continua\/\">promoveu a autodemarca\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio<\/a>, realizando incurs\u00f5es por contra pr\u00f3pria dentro do territ\u00f3rio, fixando placas nos limites da Terra Ind\u00edgena e expulsando invasores. Esse gesto teve grandes implica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e virou refer\u00eancia de incid\u00eancia no movimento ind\u00edgena, inspirando diversos povos a fazerem a mesma coisa em seus territ\u00f3rios Brasil afora &#8211; num gesto poderoso, corajoso e inspirador de autonomia e independ\u00eancia.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n<p>A portaria que demarca Sawr\u00e9 Muybu pode ter repercuss\u00f5es significativas para projetos de grande escala, como a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/infraestrutura-para-o-agronegocio-destruicao-para-os-povos-indigenas\/\">Ferrogr\u00e3o<\/a>, um corredor ferrovi\u00e1rio estrat\u00e9gico para o governo federal, e a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/sob-ameaca-de-hidreletricas-povo-munduruku-exige-demarcacao-de-territorio-tradicional-no-tapajos\/\">hidrel\u00e9trica de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s<\/a>. O arquivamento do projeto da usina pelo Ibama, em 2016, foi uma grande vit\u00f3ria para os povos ind\u00edgenas. No entanto, a reativa\u00e7\u00e3o dos estudos pela Eletrobr\u00e1s, neste ano, mostra que a luta ainda n\u00e3o acabou. O reconhecimento da terra Munduruku representa, mais do que nunca, um obst\u00e1culo para qualquer projeto que ignore os direitos e a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n\n<p><strong>For\u00e7a dos paj\u00e9s<\/strong><\/p>\n\n<p>A portaria declarat\u00f3ria da Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 a quarta a ser assinada pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a em 2024. Outros tr\u00eas territ\u00f3rios tiveram os limites declarados no in\u00edcio de setembro, todas na regi\u00e3o do Tapaj\u00f3s: Mar\u00f3, Cobra Grande e Apiak\u00e1 do Pontal e Isolados.<\/p>\n\n<p>Em declara\u00e7\u00e3o nas redes sociais, a lideran\u00e7a Alessandra Munduruku celebrou a assinatura da portaria declarat\u00f3ria, mas lembrou que seu povo ainda enfrenta diversos problemas: \u201cFoi uma luta e tanto, de autodemarca\u00e7\u00f5es, press\u00e3o na Funai, no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Fizemos um movimento de luta e ocupa\u00e7\u00e3o, de mostrar que o territ\u00f3rio \u00e9 nosso. Um governo anterior do PT quis construir uma usina hidrel\u00e9trica no territ\u00f3rio, mas n\u00f3s batemos o p\u00e9 e dizemos que ele era nosso e que a usina n\u00e3o ia sair. Fizemos autodemarca\u00e7\u00f5es, discutimos protocolos de consulta. Tinha muita pol\u00edcia e pesquisador em nossa \u00e1rea para pesquisar sobre a hidrel\u00e9trica, barramos a entrada de todos eles. Estou grata pelas pessoas que acreditaram na luta do nosso povo, na for\u00e7a dos nossos paj\u00e9s, que sempre nos disseram pra escutar a floresta e nossos antepassados. Parab\u00e9ns pra todos n\u00f3s. Mas a luta ainda n\u00e3o acabou &#8211; ainda hoje sofremos, estamos sofrendo com a seca e as queimadas, nossos po\u00e7os secaram\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Alian\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n<p>Desde que o povo Munduruku abriu as portas de suas aldeias para o Greenpeace Brasil, em 2013, na aldeia Sai Cinza, uma alian\u00e7a foi selada. A decis\u00e3o de apoiar a resist\u00eancia Munduruku contra o avan\u00e7o da usina de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s foi tomada n\u00e3o apenas pela gravidade ambiental do impacto, mas pelo compromisso \u00e9tico com a autonomia dos povos da floresta. Ao longo desses anos, muitas batalhas foram travadas, algumas vencidas, outras ainda em curso, mas sempre com a convic\u00e7\u00e3o de que essa terra precisava ser protegida.<\/p>\n\n<p>Para Danicley Aguiar, Campaigner S\u00eanior do Greenpeace Brasil, \u00e9 gratificante ver o resultado desse longo processo de lutas. &#8220;Hoje \u00e9 um dia especial para os Munduruku, mas tamb\u00e9m para todos n\u00f3s que, durante anos, nos mantivemos firmes na luta por Sawr\u00e9 Muybu. Desde 2013, quando o Greenpeace Brasil aceitou o chamado do povo Munduruku para apoiar essa causa, entendemos que a luta pela floresta e pelos direitos dos povos ind\u00edgenas \u00e9 uma s\u00f3. Foram mais de 4 mil dias de resist\u00eancia, e essa vit\u00f3ria \u00e9 tamb\u00e9m uma conquista dos guerreiros do arco-\u00edris. \u00c9 um momento de celebra\u00e7\u00e3o e de reconhecimento da for\u00e7a coletiva que nos trouxe at\u00e9 aqui\u2019<\/p>\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resist\u00eancia e esperan\u00e7a<\/strong><\/h4>\n\n<p>A assinatura da portaria \u00e9 uma conquista, mas s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a, sabedoria e persist\u00eancia do povo Munduruku, que nunca desistiu de lutar pelo que \u00e9 seu por direito. Ao longo desses 17\u00a0 anos, foram realizadas junto ao povo Munduruku, desde a press\u00e3o internacional at\u00e9 as articula\u00e7\u00f5es com autoridades brasileiras e organismos de direitos humanos. O processo de demarca\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 2007, quando a Funai instituiu o primeiro grupo t\u00e9cnico para realizar os estudos de identifica\u00e7\u00e3o e delimita\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. Os levantamentos foram aprovados e publicados em 2016 e, desde ent\u00e3o, os Munduruku aguardavam a demarca\u00e7\u00e3o oficial. <\/p>\n\n<p>O Greenpeace Brasil, aprendeu com os povos ind\u00edgenas que a luta pela floresta \u00e9 multidimensional. Ela \u00e9, ao mesmo tempo, uma batalha contra o desmatamento, contra a grilagem, contra o garimpo, mas tamb\u00e9m uma luta pelos direitos humanos e pela soberania dos povos origin\u00e1rios. A demarca\u00e7\u00e3o de Sawr\u00e9 Muybu \u00e9 uma vit\u00f3ria que transcende fronteiras. Ela refor\u00e7a que, com persist\u00eancia e solidariedade, podemos proteger a Amaz\u00f4nia e seus guardi\u00f5es.<\/p>\n\n<p>Hoje, mais do que nunca, temos raz\u00f5es para celebrar e continuar lutando. Saw\u00e9!<\/p>\n\n<p>Quer ajudar na luta dos povos ind\u00edgenas? Voc\u00ea pode fazer a diferen\u00e7a\u00a0 assinando a peti\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/marco-temporal-nao\/\"> \u2018Marco Temporal N\u00e3o!\u2019<\/a>. Nossa meta \u00e9 alcan\u00e7ar 100 mil assinaturas, que ser\u00e3o entregues ao Supremo Tribunal Federal para fortalecer esse movimento. Vamos juntos defender os direitos dos povos ind\u00edgenas e garantir que suas terras sejam respeitadas e protegidas. Marco Temporal N\u00e3o!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A assinatura da portaria que reconhece a Terra Ind\u00edgena Sawr\u00e9 Muybu representa um triunfo para a Amaz\u00f4nia e os direitos dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":54801,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,5,68,2],"tags":[26,13,43],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-54800","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-greenpeace","category-povos-e-territorios","category-transforme-a-sociedade","tag-biodiversidade","tag-greenpeace","tag-povos-e-territorios","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54800","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54800"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54800\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54807,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54800\/revisions\/54807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54801"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54800"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54800"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54800"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=54800"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}