{"id":54983,"date":"2024-10-10T16:01:52","date_gmt":"2024-10-10T19:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=54983"},"modified":"2024-10-14T14:17:50","modified_gmt":"2024-10-14T17:17:50","slug":"em-meio-a-seca-extrema-dos-rios-amazonicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/em-meio-a-seca-extrema-dos-rios-amazonicos\/","title":{"rendered":"Em meio \u00e0 seca extrema dos rios amaz\u00f4nicos"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Em setembro, uma equipe do Greenpeace Brasil esteve na cidade de Tef\u00e9, no  Amazonas, para registrar as hist\u00f3rias de quem sofre os impactos da seca extrema dos rios amaz\u00f4nicos. Confira o relato de R\u00f4mulo Batista, porta-voz da organiza\u00e7\u00e3o.<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54984\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/1b613ca1-gp0su2mv5_medium-res-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em setembro de 2024, o Greenpeace Brasil foi at\u00e9 a regi\u00e3o de Tef\u00e9 (AM) para documentar os impactos da seca extrema que atinge a regi\u00e3o. Na foto um dos trechos do Rio Solim\u00f5es. Foto: \u00a9 Christian Braga \/ Greenpeace<br><\/figcaption><\/figure>\n\n<p><em>Por R\u00f4mulo Batista <\/em><\/p>\n\n<p>Na segunda quinzena de setembro, participei de mais uma expedi\u00e7\u00e3o de campo pelo Greenpeace Brasil, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma viagem qualquer \u00e9 a segunda vez que retornamos ao m\u00e9dio Solim\u00f5es em menos de um ano e pelo mesmo motivo: a <a href=\"https:\/\/climainfo.org.br\/2024\/09\/16\/seca-extrema-faz-rios-amazonicos-atingirem-recordes-historicos-de-baixa\/\">grande seca<\/a> que assola a maior bacia hidrogr\u00e1fica do mundo, inclusive o maior rio do mundo, o Amazonas.<\/p>\n\n<p>Eram 4h30 da manh\u00e3, do dia 16 de setembro, quando acordei bem cedo pois tinha que regar minhas plantas, j\u00e1 que iria ficar fora por v\u00e1rios dias e n\u00e3o poderia contar com a chuva, ali\u00e1s fazem tantos dias que nem sei mais quantos s\u00e3o que n\u00e3o vejo uma gota de verdade por aqui. Chegando no aeroporto com o nascer do sol, o dia j\u00e1 come\u00e7ou meio cinza, mas infelizmente n\u00e3o eram nuvens de chuva ou mesmo neblina que confundia a vis\u00e3o, era a fuma\u00e7a das queimadas no ar em Manaus. <\/p>\n\n<p>N\u00e3o era o pior dia que tivemos esse ano e longe de ser um dos piores que tivemos ano passado, mas mesmo assim ela estava l\u00e1 presente. Mais um voo cancelado e sem muita explica\u00e7\u00e3o. Pra gente fica sempre a d\u00favida: ser\u00e1 fuma\u00e7a, ser\u00e1 algum problema no aeroporto, a n\u00f3s foi informado a necessidade de uma manuten\u00e7\u00e3o na aeronave.<\/p>\n\n<p>Volto pra casa, durmo mais uma horinha e j\u00e1 fazendo meu caf\u00e9, recebemos o pedido de agilizar a nossa vinda pois n\u00e3o era poss\u00edvel ter certeza da viagem do avi\u00e3o de linha para o outro dia. Decolamos com o nosso Cessna por volta das 13h30 rumo a Tef\u00e9, desse dia que come\u00e7ou cedo e cinza. E que mais cinza foi ficando conforme sub\u00edamos e pod\u00edamos ver do alto a verdadeira extens\u00e3o da fuma\u00e7a, foram uma hora e quarenta e cinco minutos voando dentro dessa n\u00e9voa e o cinza n\u00e3o estava s\u00f3 no ar, mas no ch\u00e3o onde um dia foi floresta, depois destru\u00edda, cortada e agora queimada, transformada em p\u00f3 e em cinzas.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54985\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/67463e73-gp0su2muo_medium-res-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Durante o sobrevoo, foram identificados focos de calor em \u00e1reas pr\u00f3ximas a lagos quase que secos. Foto: \u00a9 Christian Braga \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Cinza tamb\u00e9m s\u00e3o as \u00e1reas em torno dos rios e lagos secos que vimos ao longo da viagem, que contrasta com o verde da floresta e das gramas e arbustos que nascem nessa terra seca e esturricada. O cen\u00e1rio que presenciamos ano passado no m\u00eas de <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/navegando-pelo-rio-que-secou\/\">outubro<\/a>, agora se repete, mas em setembro. E o que todos dizem por aqui \u00e9 que n\u00e3o sabem o que est\u00e1 acontecendo, o por que disso estar acontecendo e por que de novo &#8220;com a gente&#8221;. Fico tentando explicar usando a minha linguagem por vezes t\u00e9cnica demais, as vezes chata demais, quando quase sempre acabo ouvindo &#8220;\u00e9 a natureza \/ floresta \/ rios, n\u00f3s maltratamos muito eles e agora n\u00f3s que estamos sofrendo&#8221; ou alguma outra vers\u00e3o nesse sentido, eu apenas aceno com a cabe\u00e7a e concordo com a sabedoria que vem da floresta.<\/p>\n\n<p>No final do dia, que come\u00e7ou cedo e cinza, vou dormir desejando dias mais coloridos, com mais chuvas, menos fuma\u00e7a, menos cinza e principalmente menos sofrimento para esse povo que vive na e da Amaz\u00f4nia, que menos contribui para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e que tanto tem sofrido com seus efeitos extremos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n<p>Acordei mais uma vez em Tef\u00e9 no segundo dia da expedi\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a segunda vez que retorno a mesma cidade banhada pelo rio Solim\u00f5es em menos de um ano, famosa por entre outras coisas, por seu grande lago e a quantidade de botos que existem ou ao menos existiam antes da minha visita anterior. Logo cedo fomos buscar os colegas e alguns jornalistas que estavam acompanhando a nossa expedi\u00e7\u00e3o para ampliar ainda mais a not\u00edcia da seca e, principalmente, as vozes dos povos ind\u00edgenas e popula\u00e7\u00e3o tradicional que de novo, s\u00e3o os mais afetados por esse evento clim\u00e1tico extremo: a estiagem ou como preferem chamar aqui a grande seca.&nbsp;<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-action-yellow-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/crise-ambiental-climatica\/?utm_source=tiktok&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=florestas&amp;utm_content=en_20240925_lnkbio\"><strong>ASSINE A PETI\u00c7\u00c3O E COBRE A\u00c7\u00d5ES DAS AUTORIDADES!<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n<p><\/p>\n\n<p>Nossa primeira parada foi na rec\u00e9m estreada sede da <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/associacao_apafe_tefe\/\">APAFE<\/a> &#8211; Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores Agroextrativistas da Flona de Tef\u00e9 e Entorno, uma associa\u00e7\u00e3o que representa mais de 1.600 fam\u00edlias, quase sete mil pessoas de diversas popula\u00e7\u00f5es tradicionais como ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e tamb\u00e9m quilombolas. L\u00e1, fomos recebidos pela Dorimar Rodrigues, vice-presidente da APAFE, que nos contou as dificuldades que as comunidades est\u00e3o passando, em especial as mais distantes, como o simples fato de ir e vir, viagens que antes demoravam horas e hoje podem levar dias num constante atolar, desatolar e empurrar a canoa no barro e areia que se formam nos rios e lagos, o pre\u00e7o das mercadorias essenciais, itens de alimenta\u00e7\u00e3o (como o frango que chega a custar R$ 50 reais e um pacote de a\u00e7\u00facar mais de R$ 7 reais), rem\u00e9dios e o pre\u00e7o do combust\u00edvel que j\u00e1 chega mais caro na sede do munic\u00edpio e dispara nas comunidades. Mas isso Infelizmente ainda n\u00e3o \u00e9 o pior!<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54986\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px-768x576.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px-453x340.jpg 453w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/10\/466dc98e-gp0su2mtx_medium-res-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a0Devido a seca extrema, o pre\u00e7o dos alimentos aumenta e impacta consumidores e produtores na Feira Municipal de Tef\u00e9 (AM). Foto: \u00a9 Christian Braga \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O peixe, principal fonte de prote\u00edna dos povos da floresta que junto com a farinha de mandioca formam a sua refei\u00e7\u00e3o b\u00e1sica di\u00e1ria, <em>\u201ct\u00e1 muito ruim, n\u00e3o se recuperou da seca passada e agora est\u00e1 faltando at\u00e9 para <\/em><strong>comer<\/strong>\u201d. Agora n\u00e3o garante mais uma renda m\u00ednima para milhares de fam\u00edlias que dependem dessa atividade. E a farinha tamb\u00e9m est\u00e1 pouca, j\u00e1 que as \u201cro\u00e7as\u201d n\u00e3o se desenvolveram bem depois da seca do ano passado e da falta de chuva desse ano, <em>\u201cteve ro\u00e7ado, que a maniva nem brotou, perderam tudo\u201d<\/em>, sem maniva desenvolvida, sem mandioca, sem mandioca, sem farinha e todo mundo sabe que amazonense n\u00e3o come sem farinha.\u00a0<br><br>Depois conversamos tamb\u00e9m com o sr. Tom\u00e9 Kambeba &#8211; Delegado de Educa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena do M\u00e9dio Solim\u00f5es. Ele nos trouxe uma informa\u00e7\u00e3o muito preocupante de que na regi\u00e3o onde ele representa j\u00e1 s\u00e3o mais de 800 crian\u00e7as (ind\u00edgenas) sem nenhum tipo de aula por conta da seca e falta de acesso aos p\u00f3los de ensino. Outras milhares est\u00e3o tendo que estudar somente com apostilas e livros, sem o contato com os professores e colegas, igualzinho na \u00e9poca da pandemia de COVID-19.\u00a0<\/p>\n\n<p>Tamb\u00e9m falamos com a Anna J\u00falia Carneiro Cruz, lideran\u00e7a ind\u00edgena da etnia Kambeba e representante da AMIMSA &#8211; Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas do M\u00e9dio Solim\u00f5es. Ela nos contou que quem mais sofre com essa seca s\u00e3o as mulheres, pois s\u00e3o elas, na maioria das vezes, que tem que carregar \u00e1gua da beira at\u00e9 em casa ou mesmo por conta de outros afazeres, <em>\u201ctem que ser muito cedo pois depois da 9h ningu\u00e9m aguenta a \u201cquentura\u201d da areia, do barro e d\u2019agua\u201d<\/em>.\u00a0<\/p>\n\n<p>No per\u00edodo da tarde fomos fazer um sobrevoo em lugares que passamos no ano passado. O cen\u00e1rio foi o mesmo encontrado, infelizmente, s\u00f3 com um m\u00eas de anteced\u00eancia. Lagos e rios secos e a imensid\u00e3o do rio Solim\u00f5es, com mais da metade de seu leito, tomado por areia. A cena que mais me marcou foi uma balsa e seu empurrador encalhados no meio do rio\u2026 esperando seguir viagem para quem sabe, quando a \u00e1gua retornar.\u00a0<\/p>\n\n<p>Antes de deitar fui dar uma \u00faltima volta fora do meu quarto e fui surpreendido por uma imagem que confesso n\u00e3o estava esperando, um eclipse parcial da lua que aparecia no meio da fuma\u00e7a. Lembrei imediatamente de duas coisas: as hist\u00f3rias de assombra\u00e7\u00e3o que meu av\u00f4 me contava, as minhas preferidas eram aquelas que envolviam a lua cheia. E tamb\u00e9m quando combin\u00e1vamos de ir no rio, que banha a cidade onde nasci, para nadar. <em>\u201cMas v\u00f4 ser\u00e1 que n\u00e3o vai chover?<\/em>\u201d Ele sorria e me falava:<em> \u201cFi\u00f4, a chuva s\u00f3 vem quando a lua muda, e a lua j\u00e1 mudou faz tempo\u201d\u201d<\/em>. Bom, a lua mudou, pe\u00e7o que na sua imensa sabedoria de quem foi criado no interior ele esteja mais uma vez certo. Naquele dia fui dormir pensando quando a chuva de verdade iria chegar.<\/p>\n\n<p>Infelizmente o dia iniciou sem chuva. De manh\u00e3, n\u00f3s fomos acompanhar o monitoramento do Lago Tef\u00e9 que \u00e9 realizado pelo ICMBio e o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/institutomamiraua\/\">Instituto Mamirau\u00e1<\/a>. Eles medem par\u00e2metros f\u00edsico-qu\u00edmicos da \u00e1gua, junto a temperatura, para entender como essas mudan\u00e7as podem afetar os animais, em especial, peixes e mam\u00edferos aqu\u00e1ticos que vivem no lago. Ano passado, dezenas de botos acabaram morrendo por conta da seca. Segundo os especialistas, as \u00e1guas do lago ainda n\u00e3o atingiram as marcas recordes do ano passado, quando a temperatura ultrapassou os 40\u00b0C.<\/p>\n<div data-hydrate=\"planet4-blocks\/gallery\" data-attributes=\"{&quot;attributes&quot;:{&quot;multiple_image&quot;:&quot;54990,54988,54989&quot;,&quot;image_data&quot;:[{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:54990},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:54988},{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;focalPoint&quot;:{&quot;x&quot;:0.5,&quot;y&quot;:0.5},&quot;id&quot;:54989}],&quot;gallery_block_style&quot;:0,&quot;gallery_block_title&quot;:&quot;&quot;,&quot;gallery_block_description&quot;:&quot;&quot;,&quot;gallery_block_focus_points&quot;:&quot;&quot;,&quot;images&quot;:[{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px.jpg 1200w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/2221e6ae-gp0su2mue_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Nossa equipe registrou como a falta de chuvas est\\u00e1 transformando rios, prejudicando a pesca e afetando o modo de vida de milhares de pessoas, incluindo popula\\u00e7\\u00f5es ind\\u00edgenas e quilombolas. &quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot; \\u00a9 Christian Braga \\\/ Greenpeace&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px.jpg 1200w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/a6aba68e-gp0su2mtv_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Durante monitoramento no Lago Tef\\u00e9 (AM), a equipe do Instituto Mamirau\\u00e1 encontrou um filhote de Boto Tucuxi morto. O corpo do animal foi levado para necropsia na sede do Instituto&quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot; \\u00a9 Christian Braga \\\/ Greenpeace&quot;},{&quot;image_src&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px.jpg&quot;,&quot;image_srcset&quot;:&quot;https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px.jpg 1200w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\\\/\\\/www.greenpeace.org\\\/static\\\/planet4-brasil-stateless\\\/2024\\\/10\\\/4ae1482a-gp0su2muf_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w&quot;,&quot;image_sizes&quot;:false,&quot;alt_text&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Focos de calor identificados durante sobrevoo nas proximidades de Manaus. &quot;,&quot;focus_image&quot;:&quot;&quot;,&quot;credits&quot;:&quot; \\u00a9 Christian Braga \\\/ Greenpeace&quot;}]}}\"><section class=\"block carousel-wrap \"><\/section><\/div>\n<p>Al\u00e9m do monitoramento, tamb\u00e9m passamos pelas margens do lago em busca de qualquer ind\u00edcio de animais mortos. Infelizmente acabamos nos deparando com um <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/brasil\/botos-morrem-novamente-em-lago-da-amazonia-que-ficou-raso-por-causa-da-seca,85f61ece7eff2adffd5006ebced5264cb1g478yi.html\">filhotinho<\/a> de Boto Tucuxi morto que foi prontamente levado para necropsia no Instituto Mamirau\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Depois do almo\u00e7o, nossa equipe foi at\u00e9 a comunidade S\u00e3o Francisco do Arraia, que est\u00e1 localizada na margem do lago de Tef\u00e9, onde conversamos com ribeirinhos sobre as dificuldades que eles t\u00eam passado devido \u00e0 seca. Todos possuem uma opini\u00e3o em comum: a seca deste ano est\u00e1 pior e veio mais cedo do que em 2023. Os relatos s\u00e3o profundos e demonstram que aqueles que sempre cuidaram e viveram em harmonia com as florestas, e que menos contribu\u00edram com as emiss\u00f5es dos gases do efeito estufa, s\u00e3o os que est\u00e3o sofrendo as maiores consequ\u00eancias da crise clim\u00e1tica, afetando todo o modo de vida tradicional.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O \u00faltimo dia de nossa expedi\u00e7\u00e3o amanheceu com a cidade de Tef\u00e9 tomada pela fuma\u00e7a das queimadas intensas que acontecem no sul do estado do Amazonas e arredores do munic\u00edpio. Decolamos do aeroporto de Tef\u00e9, junto com os jornalistas, para percorrer trechos do rio Solim\u00f5es at\u00e9 a cidade de Coari. Vimos mais uma vez o leito do rio tomado por extensos bancos de areia, em alguns trechos menos de um ter\u00e7o do leito tinha \u00e1gua e olha que estamos falando do maior rio do mundo.<\/p>\n\n<p>Sobrevoamos a Reserva Extrativista Catu\u00e1-Ipixuna e vimos a dificuldade das comunidades que est\u00e3o muito afastadas da \u00e1gua e onde o Paran\u00e1 (canal que liga o rio at\u00e9 o lago) est\u00e1 praticamente seco, o que dificulta o acesso das pessoas ao rio Solim\u00f5es. Importante lembrar que os rios na amaz\u00f4nia al\u00e9m de serem fonte de vida, alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e1gua para consumo e afazeres di\u00e1rios s\u00e3o as ruas e rodovias da Amaz\u00f4nia, ou seja, quando o rio seca o acesso a sede do munic\u00edpio fica muito dif\u00edcil.\u00a0<\/p>\n\n<p>Depois fomos para o Lago de Coari e vimos diversas comunidades na beira passando pelas mesmas dificuldades de acesso \u00e0 \u00e1gua, tendo que utilizar os pequenos igarap\u00e9s j\u00e1 com risco de secarem. Um problema que amea\u00e7a povos ind\u00edgenas na Terra Ind\u00edgena Cajuhiri Atravessado, que fica dentro do Lago.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Finalizamos a expedi\u00e7\u00e3o indo em dire\u00e7\u00e3o a Manaus, onde a paisagem dist\u00f3pica dos lagos, rios e igarap\u00e9s, quase completamente secos na maior bacia hidrogr\u00e1fica do mundo, se misturava \u00e0 fuma\u00e7a no ar da capital amazonense. Um cen\u00e1rio triste e desolador! Isso me fez lembrar que estamos vivendo n\u00e3o uma, mas sim duas grandes crises clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia: a seca e as queimadas que s\u00e3o duas faces da mesma moeda das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Elas s\u00e3o reais, causadas pelo ser humano e n\u00e3o um problema para daqui 10-20 anos\u2026 um problema atual que cabe a cada um de n\u00f3s agirmos para que possamos, sendo o mais ego\u00edsta poss\u00edvel, garantir o nosso futuro como esp\u00e9cie, pois como dizia a Irm\u00e3 Doroty, m\u00e1rtir da luta na Amaz\u00f4nia e seus povos,<em> \u201ca morte da floresta \u00e9 o fim da nossa vida\u201d.<\/em><\/p>\n\n<p>Seca extrema, fogo, fuma\u00e7a, enchentes\u2026 enfrentamos uma crise ambiental sem precedentes que coloca a humanidade em risco. Por isso, \u00e9 preciso que o poder p\u00fablico aja agora, e com a intensidade que a situa\u00e7\u00e3o pede, para proteger nossa sa\u00fade, a biodiversidade, o clima e o amanh\u00e3. <strong>Assine a peti\u00e7\u00e3o para cobrar de governos e legisladores do Brasil a\u00e7\u00f5es incisivas para combater as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas!<\/strong><\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link has-action-yellow-background-color has-background wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/crise-ambiental-climatica\/?utm_source=tiktok&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=florestas&amp;utm_content=en_20240925_lnkbio\"><strong>PRECISAMOS ENFRENTAR O CAOS CLIM\u00c1TICO!<\/strong><\/a><\/div>\n<\/div>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro, uma equipe do Greenpeace Brasil esteve em campo para registrar os efeitos da seca extrema na Amaz\u00f4nia. Leia o relato de R\u00f4mulo Batista. <\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":54984,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-54983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54983"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54983\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54996,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54983\/revisions\/54996"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54984"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54983"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=54983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}