{"id":55308,"date":"2024-11-11T17:07:13","date_gmt":"2024-11-11T20:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=55308"},"modified":"2025-01-20T10:08:22","modified_gmt":"2025-01-20T13:08:22","slug":"terra-indigena-munduruku-expulsao-dos-garimpeiros-e-o-primeiro-passo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/terra-indigena-munduruku-expulsao-dos-garimpeiros-e-o-primeiro-passo\/","title":{"rendered":"Terra Ind\u00edgena Munduruku: expuls\u00e3o dos garimpeiros \u00e9 o primeiro passo"},"content":{"rendered":"\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>A opera\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio no dia 09 de novembro e mobiliza 18 \u00f3rg\u00e3os do governo. A previs\u00e3o \u00e9 que dure pelo menos 90 dias<\/em>.<\/li>\n\n\n\n<li><em>Terra ind\u00edgena teve, no \u00faltimo trimestre,<\/em><em> <\/em><em>aumento de 34,7% de novas \u00e1reas de garimpo em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"533\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/faf72795-gp0stvw38_low-res-800px-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55309\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/faf72795-gp0stvw38_low-res-800px-1.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/faf72795-gp0stvw38_low-res-800px-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/faf72795-gp0stvw38_low-res-800px-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/faf72795-gp0stvw38_low-res-800px-1-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sobrevoo de ativistas do Greenpeace East Asia e lideran\u00e7as ind\u00edgenas sobre os territ\u00f3rios Munduruku e Kayap\u00f3 em mar\u00e7o de 2023. Cr\u00e9dito: \u00a9 Christian Braga \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>No \u00faltimo s\u00e1bado (9), o Governo Federal iniciou mais uma opera\u00e7\u00e3o de desintrus\u00e3o, desta vez na Terra Ind\u00edgena Munduruku, localizada no sudoeste do Par\u00e1. Esse territ\u00f3rio, um dos tr\u00eas mais invadidos para explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro no Brasil, \u00e9 lar de mais de 9 mil ind\u00edgenas Munduruku e Apiak\u00e1, distribu\u00eddos em 150 aldeias. A desintrus\u00e3o, que consiste na retirada de invasores ilegais, \u00e9 uma resposta direta \u00e0 crescente destrui\u00e7\u00e3o ambiental que ocorre por ali. \u00c9 preciso, no entanto, que ela seja o primeiro dos muitos passos que precisam ser dados para recuperar aquele territ\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Munduruku tem sido um ataque direto \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 sobreviv\u00eancia dos povos ind\u00edgenas. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/no-para-estudo-comprova-contaminacao-dos-munduruku-por-mercurio-de-garimpo-ilegal\/\">Um estudo da Fiocruz revelou que cerca de 60% da popula\u00e7\u00e3o Munduruku apresenta n\u00edveis de merc\u00fario acima dos limites seguros<\/a> da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). As consequ\u00eancias s\u00e3o tr\u00e1gicas: doen\u00e7as neurol\u00f3gicas em mulheres e crian\u00e7as, al\u00e9m de problemas no desenvolvimento cognitivo. Em algumas aldeias, 9 em cada 10 pessoas est\u00e3o contaminadas, e cerca de 15% das crian\u00e7as apresentam dist\u00farbios nos testes de neurodesenvolvimento.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Territ\u00f3rio amea\u00e7ado<\/strong><\/h3>\n\n<p>A Terra Ind\u00edgena Munduruku vem enfrentando crescente expans\u00e3o do garimpo. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/garimpo-cresce-em-terras-indigenas-da-amazonia\/\">Monitoramento do Greenpeace revelou que, apenas de julho a setembro, 32,51 hectares de floresta foram destru\u00eddos<\/a> para a abertura de novos garimpos nesse territ\u00f3rio, representando um aumento de 34,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Ao todo, j\u00e1 s\u00e3o 7.145 hectares devastados. Essa destrui\u00e7\u00e3o tem gerado s\u00e9rios impactos nas comunidades locais, contaminando rios e fauna e agravando os conflitos e perigos para as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p>A invas\u00e3o de m\u00e1quinas e acampamentos de garimpo na Terra Ind\u00edgena Munduruku \u00e9 mais recente, quando comparada com outros territ\u00f3rios, como a TI Kayap\u00f3, no sul do Par\u00e1, e a TI Yanomami, em Roraima. Ambas est\u00e3o sob monitoramento do Greenpeace Brasil e apresentaram aumento de novas \u00e1reas invadidas entre julho e setembro. A TI Kayap\u00f3 foi a mais impactada, com 315 hectares destru\u00eddos, um aumento de 35%. Na TI Yanomami, o garimpo cresceu 32%, com 50 hectares devastados.<\/p>\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/garimpo-cresce-em-terras-indigenas-da-amazonia\/\">Terra Ind\u00edgena Sarar\u00e9 (MT) tamb\u00e9m vem sendo violentamente atacada<\/a> pela atividade garimpeira. Por ali, 106,98 hectares foram destru\u00eddos pelo garimpo no \u00faltimo trimestre. Esse territ\u00f3rio foi a Terra Ind\u00edgena mais desmatada do Pa\u00eds em 2023-2024 e epis\u00f3dios s\u00e9rios de viol\u00eancia, como tiroteios e mortes de garimpeiros, v\u00eam sendo registrados nos \u00faltimos meses.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>A opera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de desintrus\u00e3o mobiliza 18 \u00f3rg\u00e3os do governo, como o Ex\u00e9rcito, Ibama, ICMBio, Funai, Pol\u00edcia Federal e Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, sob a coordena\u00e7\u00e3o da Casa Civil da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O objetivo \u00e9 destruir 21 pistas clandestinas usadas pelo crime organizado, inspecionar \u00e1reas estrat\u00e9gicas e intensificar o patrulhamento na regi\u00e3o de Jacareacanga (PA), que serve como base log\u00edstica para o garimpo ilegal. Embora o n\u00famero de invasores n\u00e3o tenha sido estimado, as equipes de campo observam um fluxo constante de garimpeiros que operam em per\u00edodos curtos de dois a tr\u00eas dias. As a\u00e7\u00f5es tem previs\u00e3o de dura\u00e7\u00e3o de 90 dias e incluem o monitoramento da Transgarimpeira, que funciona como porta de entrada para o garimpo ilegal no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n<p>Para o porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil, Jorge Eduardo Dantas, o in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o deve ser comemorado, mas \u00e9 preciso ver por quanto tempo as autoridades ser\u00e3o capazes de manter essa a\u00e7\u00e3o em curso. \u201cO garimpo n\u00e3o s\u00f3 devasta o Meio Ambiente, mas tamb\u00e9m agrava a crise humanit\u00e1ria nas comunidades ind\u00edgenas. As opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o s\u00e3o respostas necess\u00e1rias diante da devasta\u00e7\u00e3o causada pelo garimpo na Amaz\u00f4nia. \u00c9 essencial que o compromisso do governo em proteger os povos ind\u00edgenas e seus territ\u00f3rios seja duradouro e constante, e que as opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o n\u00e3o se encerrem at\u00e9 que todos os invasores tenham sido expulsos\u201d, disse o especialista.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de desintrus\u00e3o resulta da ADPF 709, movida pela Apib junto ao STF. Em 2020, a Apib pediu medidas de prote\u00e7\u00e3o para conter os conflitos nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, priorizando a TI Munduruku devido \u00e0 presen\u00e7a de garimpeiros. Embora a decis\u00e3o do STF que ordena a desintrus\u00e3o seja uma vit\u00f3ria, sua implementa\u00e7\u00e3o depende da press\u00e3o constante da sociedade para assegurar a retirada dos invasores e a prote\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dessas terras.<\/p>\n\n<p>A desintrus\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Munduruku \u00e9 um pedido feito pelo Greenpeace em nossa campanha <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">\u2018Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo\u2019<\/a>, que j\u00e1 mobilizou mais de 200 mil pessoas. Apoie essa luta, assinando a peti\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo, e nos ajude a exigir medidas concretas para proteger a floresta e seus habitantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terra ind\u00edgena teve, no \u00faltimo trimestre, aumento de 34,7% de novas \u00e1reas de garimpo em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":55309,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,5,68,3],"tags":[60,22,13,45,43],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-55308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-greenpeace","category-povos-e-territorios","category-proteja-a-natureza","tag-garimpo","tag-florestas","tag-greenpeace","tag-mineracao","tag-povos-e-territorios","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55308"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55314,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55308\/revisions\/55314"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55309"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55308"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=55308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}