{"id":55323,"date":"2024-11-14T11:23:06","date_gmt":"2024-11-14T14:23:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=55323"},"modified":"2025-02-11T15:51:54","modified_gmt":"2025-02-11T18:51:54","slug":"desafios-e-solucoes-da-adaptacao-climatica-licoes-de-uma-jovem-ativista-do-quenia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/desafios-e-solucoes-da-adaptacao-climatica-licoes-de-uma-jovem-ativista-do-quenia\/","title":{"rendered":"Desafios e Solu\u00e7\u00f5es da Adapta\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica: li\u00e7\u00f5es de uma jovem ativista do Qu\u00eania"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Adaptar para resistir: um exemplo pr\u00e1tico da import\u00e2ncia das pol\u00edticas clim\u00e1ticas integrarem o conhecimento de quem enfrenta a crise diariamente<\/h4>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"769\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-1024x769.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55324\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-1024x769.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-768x577.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-1536x1153.jpeg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-2048x1537.jpeg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-1820x1366.jpeg 1820w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/014cd85a-whatsapp-image-2024-11-14-at-10.08.04-453x340.jpeg 453w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rukia Ahmed, ativista clim\u00e1tica do Qu\u00eania, fundadora e diretora executiva da Green North Eastern Initiative (GNEI), em palestra durante o Acampamento de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica, em 2024.  Foto: Camila Doretto<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Neste momento, l\u00edderes mundiais e sociedade civil se re\u00fanem no Azerbaij\u00e3o, nos Emirados \u00c1rabes, para discutir o presente e o futuro do clima mundial durante a COP 29, a Confer\u00eancia do Clima da ONU. <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/fazer-os-poluidores-climaticos-pagarem-as-demandas-do-greenpeace-na-cop29\/\">O Greenpeace Brasil cobra<\/a> que os maiores poluidores paguem pela destrui\u00e7\u00e3o causada, eliminem subs\u00eddios aos combust\u00edveis f\u00f3sseis, apresentem metas mais ambiciosas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e garantam recursos para adapta\u00e7\u00e3o e repara\u00e7\u00e3o de Perdas e Danos em pa\u00edses em desenvolvimento&nbsp; &#8211; aqueles que mais t\u00eam sofrido e que menos contribu\u00edram para a crise do clima.<\/p>\n\n<p>Com a frequ\u00eancia crescente de eventos extremos, a <strong>adapta\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o crucial para proteger as popula\u00e7\u00f5es que t\u00eam sido mais impactadas, garantindo que possam enfrentar os desafios impostos pela crise clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Mas afinal, voc\u00ea sabe o que \u00e9 adapta\u00e7\u00e3o? <\/strong>Um conceito relativamente recente no vocabul\u00e1rio clim\u00e1tico e ao mesmo tempo t\u00e3o urgente de ser compreendido como resposta \u00e0 crise do clima.<\/p>\n\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o<\/strong> se refere \u00e0s a\u00e7\u00f5es e medidas que precisam ser implementadas para reduzir os impactos negativos dos eventos clim\u00e1ticos extremos que est\u00e3o cada vez mais frequentes. Falar de adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 discutir a capacidade de resposta e preven\u00e7\u00e3o, principalmente de quem \u00e9 mais impactado, a trag\u00e9dias como as <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/rio-grande-do-sul-um-relato-de-quem-atuou-no-trabalho-de-ajuda-humanitaria\/\">enchentes devastadoras no Rio Grande do Sul<\/a>, em maio de 2024, e as<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/chuvas-no-rio-grande-do-sul-quantas-pessoas-mais-precisarao-morrer\/\"> fortes chuvas em S\u00e3o Sebasti\u00e3o<\/a>, em 2023, ambas no Brasil, e em tantos outros lugares ao redor do mundo, como recentes as inunda\u00e7\u00f5es na <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DBxK56WxLaP\/\">Espanha<\/a> e os tuf\u00f5es e tempestades nas Filipinas.<\/p>\n\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m implica reconhecer que nem todos conseguem enfrentar uma trag\u00e9dia clim\u00e1tica da mesma maneira. Vivemos em uma sociedade desigual, marcada por profundas diferen\u00e7as estruturais e hist\u00f3ricas. No entanto, voc\u00ea de fato entende como esses impactos desproporcionais se d\u00e3o na pr\u00e1tica? A seguir, descrevo alguns cen\u00e1rios reais que n\u00e3o deixam d\u00favidas sobre o que se trata estar em condi\u00e7\u00f5es desiguais para passar por um evento extremo e resistir a ele.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55326\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3a2e4491-gp0stwpwj_medium-res-1200px.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ferraz de Vasconcelos, S\u00e3o Paulo, SP. \u00a9 Teia Documenta \/ Greenpeace <\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Em eventos extremos como ondas de calor, por exemplo, milh\u00f5es de pessoas <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/41797-censo-2022-brasil-tinha-16-4-milhoes-de-pessoas-morando-em-favelas-e-comunidades-urbanas\">habitam moradias em favelas e comunidades urbanas <\/a>que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es suficientes para enfrentar este evento extremo, como baixa ventila\u00e7\u00e3o, comprometendo sua sa\u00fade e capacidade de resist\u00eancia. Outro exemplo: as pessoas que trabalham ao ar livre, como agricultores, mineradores, pecuaristas, garis, carteiros, trabalhadores de transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil, feirantes, entre outros, est\u00e3o nas proje\u00e7\u00f5es cient\u00edficas que preveem que em virtude das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, esses trabalhadores poder\u00e3o ter efeitos \u00e0 sa\u00fade agravados, uma vez que medidas de prote\u00e7\u00e3o como ventila\u00e7\u00e3o e resfriamento n\u00e3o s\u00e3o aplic\u00e1veis em trabalhos desempenhados nessas condi\u00e7\u00f5es. Os dados foram publicados no <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rbso\/a\/ZMjVs6Rdj4gCg9LTRwHhCTR\/?format=pdf&amp;lang=pt\">artigo<\/a> \u201cPress\u00e3o por produ\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de riscos: a \u201cmaratona\u201d perigosa do corte manual da cana-de-a\u00e7\u00facar\u201d, de 2014.<\/p>\n\n<p>Em casos de fortes chuvas, que provocam enchentes e deslizamentos, uma matem\u00e1tica cruel se repete, pois s\u00e3o as pessoas de baixa renda que vivem em \u00e1reas negligenciadas pela especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e pelo poder p\u00fablico, que as abandona quando essas regi\u00f5es se tornam a \u00fanica op\u00e7\u00e3o de moradia acess\u00edvel na cidade, que mais sofrem com os impactos.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos de eventos extremos, mas h\u00e1 muitos outros, cada um revelando uma s\u00e9rie de vulnerabilidades que afetam desproporcionalmente as popula\u00e7\u00f5es mais vulnerabilizadas.<\/p>\n\n<p>Para evitar trag\u00e9dias dessa magnitude, a <strong>adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica<\/strong> deveria ter sido implementada de forma preventiva. Isso inclui desde o planejamento urbano mais resiliente, com infraestrutura que suporte eventos extremos, incluindo combate \u00e0s desigualdades e garantia de direitos b\u00e1sicos e fundamentais para todas as pessoas. Essas a\u00e7\u00f5es, se adotadas a tempo, poderiam ter amenizado os impactos e protegido vidas e meios de subsist\u00eancia, mostrando que a adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas necess\u00e1ria, mas urgente e essencial para a sobreviv\u00eancia diante de um clima em constante transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>\u00c9 fundamental destacar que \u00e9 com as pessoas que est\u00e3o pagando o maior pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es de quem mais polui, que as solu\u00e7\u00f5es devem ser constru\u00eddas, pois elas que mais sabem o que \u00e9 melhor para sua rua, bairro, cidade e Estado.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"771\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-1024x771.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55329\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-1024x771.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-300x226.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-768x578.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-1536x1156.jpeg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55-452x340.jpeg 452w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/201c0b17-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.55.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Centro de Orfanato Raya, uma das tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es que fazem parte  do projeto Escolas: educa\u00e7\u00e3o mais ecol\u00f3gicas, da Green North Eastern Initiative (GNEI), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que atua em comunidades rurais no nordeste do Qu\u00eania. Foto cedida por Rukia Ahmed, fundadora da oraniza\u00e7\u00e3o. Acervo pessoal.&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n<p>No \u00faltimo m\u00eas de outubro, o Greenpeace Brasil participou do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/jovens-do-sul-global-unem-forcas-por-justica-climatica-em-acampamento-na-tanzania\/#:~:text=O%20Acampamento%20foi%20criado%20para,menos%20respons%C3%A1veis%20pela%20crise%2C%20mas\">Acampamento Global de Justi\u00e7a Clim\u00e1tica<\/a>, na Tanz\u00e2nia, onde jovens de diversas partes do mundo, ou melhor, dos pa\u00edses do Sul Global, compartilharam suas experi\u00eancias e lutas por justi\u00e7a para quem est\u00e1 sofrendo as piores consequ\u00eancias da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n<p>Foram tantas as trocas de experi\u00eancias e apresenta\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00f5es para problemas comuns ao Brasil e aos demais pa\u00edses do Sul Global que \u00e9 dif\u00edcil relatar todas as que tivemos a oportunidade de vivenciar. Mas compartilho uma delas, a iniciativa liderada por Rukia Ahmed, fundadora e diretora executiva da Green North Eastern Initiative (GNEI), uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental que atua em comunidades rurais no nordeste do Qu\u00eania.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A GNEI promove sustentabilidade ambiental e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica com base em cinco pilares: educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica nas escolas, melhoria das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no ambiente escolar com planta\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores ao redor da escola \u2013 j\u00e1 que as altas temperaturas influenciam o bem-estar e a evas\u00e3o escolar \u2013, advocacy junto \u00e0s autoridades locais para garantir o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, agroecologia e uma agricultura resistente ao calor extremo da regi\u00e3o.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31-1024x768.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55330\" style=\"width:736px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31-453x340.jpeg 453w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/3ddacdd1-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.31.31.jpeg 1040w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escola secund\u00e1ria para meninas no condado de Wajir. Foto: Acervo pessoal Rukia Ahmed.<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O Qu\u00eania, situado na linha de frente da crise clim\u00e1tica, j\u00e1 sofreu com eventos extremos em 2024, incluindo inunda\u00e7\u00f5es que tiraram mais de 200 vidas e deslocaram mais de 165 mil pessoas. Uma trag\u00e9dia precedida de grandes secas, em 2023.&nbsp;<\/p>\n\n<p>No condado de Wajir, situado no Nordeste do Qu\u00eania, onde as altas temperaturas e a seca se intensificam com o avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, comunidades rurais enfrentam desafios di\u00e1rios. Cerca de 80% da popula\u00e7\u00e3o depende da lenha e do carv\u00e3o para cozinhar, o que agrava a degrada\u00e7\u00e3o ambiental devido ao desmatamento e gera conflitos territoriais pela explora\u00e7\u00e3o dos recursos. Para enfrentar esses desafios, Rukia Ahmed, uma apaixonada pela educa\u00e7\u00e3o, fundou o projeto &#8220;Escolas Verdes,&#8221; em parceria com uma escola de ensino m\u00e9dio para meninas. \u201c\u00c9 na educa\u00e7\u00e3o onde acredito que come\u00e7a a grande transforma\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta a jovem ativista de 22 anos.<\/p>\n\n<p>Em parceria com uma escola de ensino m\u00e9dio para meninas, com 700 alunas, o projeto mobilizou a comunidade escolar, incluindo pais, professores e o governo, para plantar \u00e1rvores nativas e frut\u00edferas resistentes \u00e0 seca. Utilizando energia solar para bombear \u00e1gua de um po\u00e7o, a escola tem irrigado essas \u00e1rvores, criando uma \u00e1rea verde ao redor das salas de aula, incluindo algumas esp\u00e9cies nativas que al\u00e9m de fornecer sombra, possuem valor medicinal importante para a comunidade local.<\/p>\n\n<p>\u201cO objetivo \u00e9 que essas \u00e1rvores cres\u00e7am e criem um espa\u00e7o verde onde as alunas possam estudar ao ar livre, beneficiando-se do frescor proporcionado pela vegeta\u00e7\u00e3o. Queremos transformar essas \u00e1reas em uma &#8220;biblioteca verde&#8221;, proporcionando al\u00edvio do calor extremo das salas de aula e oferecendo um ambiente mais confort\u00e1vel e prop\u00edcio para o aprendizado\u201d relata Rukia, que informa ainda que muitas pessoas, \u00e0 noite, dormem sob as \u00e1rvores em vez de dentro de suas casas, pois as casas s\u00e3o muito quentes.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6741b3cb-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.13-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55331\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6741b3cb-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.13-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6741b3cb-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.13-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6741b3cb-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.13-255x340.jpeg 255w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6741b3cb-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.13.jpeg 810w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plantio de \u00e1rvores frut\u00edferas no Condado de Garissa. Foto: Acervo Pessoal. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/121d5027-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.08-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55332\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/121d5027-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.08-768x1024.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/121d5027-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.08-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/121d5027-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.08-255x340.jpeg 255w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/121d5027-whatsapp-image-2024-11-12-at-12.29.08.jpeg 810w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Plantio de \u00e1rvores frut\u00edferas no Condado de Garissa. Foto: Acervo Pessoal. <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n<p><strong>Combatendo a escassez de \u00e1gua em meio aos desafios clim\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n\n<p>O trabalho da jovem ativista queniana se estende por algumas regi\u00f5es do Qu\u00eania. No condado de Garissa, uma equipe liderada por Rukia visitou comunidades que enfrentam desafios cr\u00edticos de acesso \u00e0 \u00e1gua. Ao chegar, a equipe encontrou uma realidade em que as mulheres predominavam nas tarefas de busca por \u00e1gua, enquanto alguns homens conversavam \u00e0 sombra de uma \u00e1rvore esperando o gado tomar \u00e1gua nos reservat\u00f3rios locais. O principal reservat\u00f3rio da regi\u00e3o havia sido inundado recentemente devido ao transbordamento do rio Tana, uma situa\u00e7\u00e3o recorrente nas represas locais. Essas represas, grandes cavidades escavadas para armazenar \u00e1gua da chuva e das cheias, t\u00eam servido como fonte tempor\u00e1ria para a comunidade, oferecendo \u00e1gua apenas at\u00e9 a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o chuvosa. Caso a chuva falte, essas comunidades ficam sem alternativas vi\u00e1veis de acesso \u00e0 \u00e1gua.<\/p>\n\n<p>No entanto, a qualidade da \u00e1gua armazenada \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o constante. Como o reservat\u00f3rio \u00e9 compartilhado entre humanos e animais \u2014 incluindo gado, camelos, cabras e at\u00e9 animais selvagens e aves \u2014, ele se torna facilmente contaminado. A \u00e1gua acaba por se tornar inadequada para consumo humano, podendo ser usada, no m\u00e1ximo, para lavagem. Em meio a isso, as mulheres locais utilizam seu conhecimento para cavar po\u00e7os rasos, de onde extraem \u00e1gua limpa diretamente do solo, usando apenas as m\u00e3os ou ferramentas improvisadas, como galhos e ramos. Esses po\u00e7os artesanais, embora ofere\u00e7am alguma solu\u00e7\u00e3o, t\u00eam capacidade limitada e demoram a se reabastecer, for\u00e7ando as mulheres a esperarem por horas para conseguirem mais \u00e1gua.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-video\"><video height=\"848\" style=\"aspect-ratio: 480 \/ 848;\" width=\"480\" controls src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/11\/6968f412-whatsapp-video-2024-11-12-at-12.28.57.mp4\"><\/video><figcaption class=\"wp-element-caption\">V\u00eddeo: acervo pessoal Rukia Ahmed.<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O trabalho de busca pela \u00e1gua, al\u00e9m de ser desgastante, \u00e9 perigoso. Frequentemente, as mulheres enfrentam ass\u00e9dio e, em alguns casos, at\u00e9 abuso sexual enquanto realizam essa tarefa, perpetuando uma realidade de viol\u00eancia e sil\u00eancio dentro das comunidades. Al\u00e9m disso, crian\u00e7as e adultos tamb\u00e9m sofrem os impactos da falta de \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n\n<p>Segundo a ativista, as comunidades est\u00e3o cada vez mais conscientes das dificuldades impostas por esses eventos clim\u00e1ticos extremos, mas n\u00e3o compreendem completamente que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma das causas principais. Por meio de campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, a equipe de advocacy tem buscado educar a popula\u00e7\u00e3o sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, explicando suas consequ\u00eancias e apresentando solu\u00e7\u00f5es. <strong>Em di\u00e1logo com o governo local, a ativista defende que o financiamento de projetos de infraestrutura h\u00eddrica \u00e9 essencial. <\/strong>Um exemplo que ela destaca \u00e9 o de uma escola na regi\u00e3o onde atua que, com o aux\u00edlio de energia solar, bombeia \u00e1gua de um rio pr\u00f3ximo para abastecer a comunidade, um projeto que poderia ser ampliado com sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva para aumentar a resili\u00eancia h\u00eddrica da regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Rukia destaca ainda que <strong>a persist\u00eancia e o esfor\u00e7o das mulheres locais em enfrentar a escassez h\u00eddrica ilustram uma realidade de resist\u00eancia, mas tamb\u00e9m de urg\u00eancia em encontrar solu\u00e7\u00f5es duradouras e dignas para essas popula\u00e7\u00f5es marginalizadas.<\/strong><\/p>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adaptar para resistir: um exemplo pr\u00e1tico da import\u00e2ncia das pol\u00edticas clim\u00e1ticas integrarem o conhecimento de quem enfrenta a crise diariamente<\/p>\n","protected":false},"author":67,"featured_media":55324,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[48],"tags":[62,42],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-55323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica-climatica","tag-adaptacao-climatica","tag-justica-climatica","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/67"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55323"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55337,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55323\/revisions\/55337"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55323"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=55323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}