{"id":55875,"date":"2024-12-18T15:38:07","date_gmt":"2024-12-18T18:38:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=55875"},"modified":"2024-12-18T15:38:17","modified_gmt":"2024-12-18T18:38:17","slug":"em-dois-meses-garimpo-destruiu-area-de-462-campos-de-futebol-em-areas-protegidas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/em-dois-meses-garimpo-destruiu-area-de-462-campos-de-futebol-em-areas-protegidas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"Em dois meses, garimpo destruiu \u00e1rea de 462 campos de futebol em \u00e1reas protegidas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Destrui\u00e7\u00e3o ocorreu entre setembro e outubro de 2024; levantamento refere-se a dez Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o do Amazonas e do Par\u00e1<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55877\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2024\/12\/cac64a62-7t7a3369-1-1-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Garimpo ilegal localizado dentro do Parque Nacional dos Campos Amaz\u00f4nicos (AM), que protege, dentro da floresta amaz\u00f4nica, uma \u00e1rea de savana muito distinta e particular. Foto: \u00a9 Marizilda Cruppe \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Um novo levantamento do Greenpeace Brasil mostra que o garimpo continua sendo um grande vetor de destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia &#8211; n\u00e3o s\u00f3 nas Terras Ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m no interior de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Os novos dados mostram que, entre setembro e outubro de 2024, 330 hectares de \u00e1reas protegidas no Par\u00e1 e Amazonas foram destru\u00eddos pela atividade garimpeira. A explora\u00e7\u00e3o irregular de ouro n\u00e3o possui fronteiras e por onde passa deixa um rastro de destrui\u00e7\u00e3o do meio ambiente e de viola\u00e7\u00f5es de direitos de povos ind\u00edgenas e comunidades tradicionais.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O monitoramento apontou que a atividade garimpeira concentra-se principalmente em Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o situadas nas bacias dos rios Tapaj\u00f3s, Crepori, Jamanxim, Mau\u00e9s-A\u00e7u e Abacaxis, na divisa entre os estados do Par\u00e1 e Amazonas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>As Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Uso Sustent\u00e1vel s\u00e3o as mais impactadas &#8211; a maior parte delas est\u00e1 localizada no Par\u00e1, como a Floresta Nacional de Aman\u00e3 e a Floresta Nacional do Crepori. J\u00e1 a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Alto Mau\u00e9s, localizada no Amazonas e pertencente \u00e0 categoria de Prote\u00e7\u00e3o Integral, ocupa o terceiro lugar no ranking das \u00e1reas mais impactadas pela atividade il\u00edcita. As \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, APA&#8217;s, n\u00e3o foram inclu\u00eddas no monitoramento.<\/p>\n\n<p><strong>Tabela 1. Ranking das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o mais impactadas pelo garimpo ilegal entre setembro e outubro de 2024.<\/strong><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td><strong>Nome da UC<\/strong><\/td><td><strong>Categoria<\/strong><\/td><td><strong>Novas \u00e1reas de garimpo registradas em set e out de 2024 (em hectares)<\/strong><\/td><td><strong>Estado<\/strong><\/td><\/tr><tr><td>Flona do Aman\u00e3<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>102,86<\/td><td>PA<\/td><\/tr><tr><td>Flona do Crepori<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>62,52<\/td><td>PA<\/td><\/tr><tr><td>Esec Alto Mau\u00e9s<\/td><td>Prote\u00e7\u00e3o Integral<\/td><td>47,89<\/td><td>AM<\/td><\/tr><tr><td>Flona de Urupadi<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>42,44<\/td><td>AM<\/td><\/tr><tr><td>Flona de Altamira<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>36,37<\/td><td>PA<\/td><\/tr><tr><td>Parna dos Campos Amaz\u00f4nicos<\/td><td>Prote\u00e7\u00e3o Integral<\/td><td>14<\/td><td>AM<\/td><\/tr><tr><td>Parna do Juruena<\/td><td>Prote\u00e7\u00e3o Integral<\/td><td>12,56<\/td><td>AM\/MT<\/td><\/tr><tr><td>Flona de Itaituba II<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>4,55<\/td><td>PA<\/td><\/tr><tr><td>Resex Riozinho do Anfr\u00edsio<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>3,2<\/td><td>PA<\/td><\/tr><tr><td>Flona do Jamari<\/td><td>Uso Sustent\u00e1vel<\/td><td>2,74<\/td><td>RO<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n<p>Tabela: Novas \u00e1reas de garimpo dentro de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o. Fonte: Departamento de Pesquisa do Greenpeace<\/p>\n\n<p>\u201cEssas \u00e1reas protegidas, estabelecidas pelo poder p\u00fablico, tem como objetivo proteger a biodiversidade, os recursos naturais e os ecossistemas brasileiros. Elas t\u00eam papel fundamental na mitiga\u00e7\u00e3o dos impactos causados pela crise clim\u00e1tica e na educa\u00e7\u00e3o ambiental\u201d, diz Jorge Eduardo Dantas, porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Jorge ainda ressalta: \u201cAo inv\u00e9s de estarmos discutindo a amplia\u00e7\u00e3o do tamanho e a cria\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas protegidas, n\u00f3s estamos assistindo a redu\u00e7\u00e3o delas por causa da atividade garimpeira\u201d. V\u00e1rias s\u00e3o as consequ\u00eancias irrepar\u00e1veis desta atividade dentro das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, como desmatamento para abertura de pistas de pouso clandestinas, impactos na desova de esp\u00e9cies de peixes amaz\u00f4nicos, ca\u00e7a ilegal, contamina\u00e7\u00e3o dos ecossistemas aqu\u00e1ticos com merc\u00fario, al\u00e9m da amea\u00e7a aos direitos das popula\u00e7\u00f5es tradicionais que dependem dessas \u00e1reas.<\/p>\n\n<p><strong>Floresta Nacional do Aman\u00e3 (PA)<\/strong><\/p>\n\n<p>A Flona do Aman\u00e3 foi criada em 2016 em um contexto pol\u00edtico marcado por crises locais e conflitos sociais, sendo vista pelo governo federal como uma oportunidade para promover o ordenamento territorial na regi\u00e3o. A Flona pertence \u00e0 categoria de Uso Sustent\u00e1vel e por isso, atividades sustent\u00e1veis podem acontecer dentro de sua \u00e1rea &#8211; por\u00e9m o Plano de Manejo Florestal n\u00e3o foi localizado, sendo imposs\u00edvel dizer se os limites da explora\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo respeitados.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Entre setembro e outubro de 2024, a Flona de Aman\u00e3 registrou um total de 102,86 ha desmatados para o garimpo, com uma \u00e1rea total de 6.914,86 hectares. Foi poss\u00edvel identificar tamb\u00e9m 53 pistas de pousos dentro da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o com base nos dados disponibilizados pelo MapBiomas. Todas est\u00e3o localizadas a menos de 5 km de \u00e1reas de garimpo, evidenciando a proximidade entre as infraestruturas associadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o ilegal e os focos de degrada\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n<p><strong>Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Alto Mau\u00e9s (AM)<\/strong><\/p>\n\n<p>Criada em 2014 por decreto presidencial, a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica do Alto Mau\u00e9s pertence ao mais alto n\u00edvel das \u00e1reas protegidas, a de Prote\u00e7\u00e3o Integral, onde suas \u00e1reas s\u00e3o mais restritivas e permitem apenas o uso indireto de seus recursos, como pesquisas cient\u00edficas e atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Localizada no sul do estado do Amazonas, a Esec teve a detec\u00e7\u00e3o das primeiras cicatrizes de atividade garimpeira em 2020, seis anos ap\u00f3s a sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Atualmente, o garimpo na Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o ocupa uma \u00e1rea de 361 hectares, com 47,89 hectares desmatados apenas entre setembro e outubro de 2024. Somado a isso, foram identificadas tamb\u00e9m duas pistas de pouso ainda ativas dentro da Esec.<\/p>\n\n<p><strong>Instrumentos de conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<p>As Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o divididas em duas categorias: as de Prote\u00e7\u00e3o Integral e as de Uso Sustent\u00e1vel. As \u00e1reas de Prote\u00e7\u00e3o Integral permitem apenas o uso indireto de seus recursos, como pesquisas cient\u00edficas e atividades de educa\u00e7\u00e3o ambiental, como os Parques Nacionais e as Esta\u00e7\u00f5es Ecol\u00f3gicas. J\u00e1 as de Uso Sustent\u00e1vel possibilitam a explora\u00e7\u00e3o de seus recursos, segundo um plano de manejo que estabelece regras. As Reservas Extrativistas e as Reservas de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel s\u00e3o exemplos de Unidades de Uso Sustent\u00e1vel.&nbsp;<\/p>\n\n<p>No Brasil, as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o reguladas pela Lei 9.985, que estabeleceu, no ano 2000, o Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC). Junto \u00e0s Terras Ind\u00edgenas e Territ\u00f3rios Quilombolas, as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o ferramentas important\u00edssimas de conserva\u00e7\u00e3o da natureza, de manuten\u00e7\u00e3o da vida de povos e comunidades tradicionais e enfrentamento da crise clim\u00e1tica.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Necessidade urgente<\/strong><\/p>\n\n<p>O avan\u00e7o dos garimpeiros dentro de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o representa uma grave amea\u00e7a aos rios, \u00e0 biodiversidade e aos direitos das popula\u00e7\u00f5es que dependem dessas \u00e1reas. Apesar do amparo legal que deveria assegurar a prote\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es, a presen\u00e7a de atividades il\u00edcitas, bem como a constru\u00e7\u00e3o de pistas clandestinas, evidenciam falhas na fiscaliza\u00e7\u00e3o e refor\u00e7am a necessidade urgente de a\u00e7\u00f5es mais efetivas para conter esse problema.<\/p>\n\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode ajudar a retirar os garimpeiros das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o e Terras Ind\u00edgenas pressionando as autoridades brasileiras. J\u00e1 somos mais de 200 mil pessoas exigindo uma Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo! <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">Assine a peti\u00e7\u00e3o<\/a> e fa\u00e7a parte dessa luta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Destrui\u00e7\u00e3o ocorreu entre setembro e outubro de 2024; levantamento refere-se a dez Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o do Amazonas e do Par\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":55876,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[60,43],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-55875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-garimpo","tag-povos-e-territorios","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55875"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55878,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55875\/revisions\/55878"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55875"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=55875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}