{"id":55932,"date":"2024-08-07T15:00:18","date_gmt":"2024-08-07T18:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=55932"},"modified":"2024-12-20T15:03:22","modified_gmt":"2024-12-20T18:03:22","slug":"dia-do-fogo-5-anos-depois-propriedades-seguem-impunes-com-desmatamento-e-queimadas-recorrentes-algumas-foram-beneficiadas-com-credito-rural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/dia-do-fogo-5-anos-depois-propriedades-seguem-impunes-com-desmatamento-e-queimadas-recorrentes-algumas-foram-beneficiadas-com-credito-rural\/","title":{"rendered":"Dia do Fogo: 5 anos depois, propriedades seguem impunes, com desmatamento e queimadas recorrentes; algumas foram beneficiadas com cr\u00e9dito rural"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que regi\u00f5es tiveram aumento da convers\u00e3o da terra para a cria\u00e7\u00e3o de gado;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Desde 2019, propriet\u00e1rios supostamente envolvidos no Dia do Fogo conseguiram mais de R$ 200 milh\u00f5es de financiamento via cr\u00e9dito rural de 5 bancos: Banco da Amaz\u00f4nia, Banco do Brasil, Banco Cooperativo Sicredi, Cooperativa Sicredi Grandes Rios e Banco John Deere;<\/em><\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Os im\u00f3veis rurais analisados apresentam mais de 100 mil hectares sobrepostos a Florestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXfoqbzMzeuVxFdsCeU7PHSCXlXviiZ2JEuvIVEYtsxERvsmRs4ej55-6nsGh4u9L02_MF0hyNUD0ag-kiILR7Ly306Ydu3Yl9dbdESydJbz-b_pqNeECLQiU8oaWhV23sImDXRW2P85dM5gbVWQcwCXCtat3rnrWjHx5bIpAVPkVSxyR9gialc?key=OrSIQbE-3sc9_P2j6B3PjA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p><strong>S\u00e3o Paulo, 09 de agosto de 2024 &#8211; <\/strong>Dados compilados pelo Greenpeace Brasil mostram que os<strong> 478 im\u00f3veis rurais<\/strong> envolvidos no epis\u00f3dio conhecido como &#8220;Dia do Fogo&#8221;, ocorrido no Par\u00e1 entre 10 e 11 de agosto de 2019, seguem com altos \u00edndices de desmatamento e queimadas recorrentes. Apesar das ilegalidades, 29 dessas propriedades foram financiadas pelo cr\u00e9dito rural &#8211; instrumento da pol\u00edtica agr\u00edcola brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Dos 478 im\u00f3veis avaliados pelo Greenpeace Brasil, 29 possuem um hist\u00f3rico de financiamento via cr\u00e9dito rural, totalizando&nbsp; 127 transa\u00e7\u00f5es e um montante de <strong>R$ 201.418.002,16<\/strong>. A maior parte dessas opera\u00e7\u00f5es, 74%, tiveram a finalidade de aquisi\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de bovinos, uma soma de R$ 134.473.688,80.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201c\u00c9 injusto que propriet\u00e1rios que desmataram e queimaram enormes \u00e1reas, inclusive florestas p\u00fablicas, tenham acessado recursos do cr\u00e9dito rural, que conta com o nosso dinheiro, enquanto, em alguns casos devem grandes montantes em multas ambientais. \u00c9 necess\u00e1rio que os bancos neguem cr\u00e9dito para o agroneg\u00f3cio que fez uso do fogo de maneira criminosa, como o visto do Dia do Fogo. Essa \u00e9 uma das demandas do Greenpeace aos bancos para suprir as lacunas e falhas que permeiam a concess\u00e3o de cr\u00e9dito rural\u201d, afirma a porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Thais Bannwart.<\/p>\n\n<p>Considerando os limites atuais das 29 propriedades financiadas via cr\u00e9dito rural, 37,9% delas registraram cicatrizes de \u00e1rea queimada por 5 anos seguidos (2019 a 2023), segundo dados do Laborat\u00f3rio de Aplica\u00e7\u00f5es de Sat\u00e9lites Ambientais (LASA\/RJ).&nbsp;<\/p>\n\n<p>Entre as institui\u00e7\u00f5es financeiras que concederam os financiamentos, foram identificados cinco bancos: Banco da Amaz\u00f4nia (concedeu 80,3% dos cr\u00e9ditos analisados), Banco do Brasil (concedeu 16,5%), Banco Cooperativo Sicredi, Cooperativa Sicredi Grandes Rios e&nbsp; Banco John Deere.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Uma das fazendas identificadas no levantamento, localizada em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, no PA, recebeu, do Banco do Brasil, cr\u00e9dito rural de quase um milh\u00e3o de reais com a finalidade de investimento em pastagem. Onze dias antes, a propriedade havia sido embargada e multada pelo Ibama em mais de R$310 mil pelo uso ilegal do fogo sem autoriza\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o competente. A fazenda apresenta tamb\u00e9m outras autua\u00e7\u00f5es ambientais e multas do Ibama e no \u00e2mbito estadual.&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Fogo, crime frequente<\/strong><\/p>\n\n<p>Al\u00e9m dos focos de calor, que funcionam como alertas para registro de poss\u00edveis frentes de fogo, h\u00e1 o mapeamento de cicatrizes de queimada, que dimensiona o tamanho da \u00e1rea atingida especificamente pelo fogo. As 478 \u00e1reas analisadas se mantiveram com \u00e1reas superiores a 140 mil hectares ao ano, por cinco anos seguidos, de acordo com informa\u00e7\u00f5es do LASA\/RJ.<\/p>\n\n<p>\u201cOs 478 im\u00f3veis analisados queimaram e continuaram registrando focos de calor e cicatrizes de \u00e1rea queimada ao longo dos \u00faltimos anos, inclusive mesmo estando alguns deles embargados pelo poder p\u00fablico\u201d, explica Bannwart.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXcQeBmkar6rNF5ksLCB3-oJIiMFPIMOv1BjL9KYlHqhzIY2ASUv94mcB34j7mZnbzvTSXHV05NGzsxiLSCEC_BfWsl-7Hv0lNnvyB6HkqR2Nnv4d4EEuQ9aB0h4Vjggzx-vozXVqWSpRxNgLRq7M8mIi8liXY6MBEyID2IkruUSkr5xPuMbRQ?key=OrSIQbE-3sc9_P2j6B3PjA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p>\u201cAinda, 65,2% dos im\u00f3veis foram embargados por diversas infra\u00e7\u00f5es, mas apenas 10,47% por uso ilegal do fogo, o que demonstra uma subnotifica\u00e7\u00e3o neste caso. Tamb\u00e9m, foram identificadas 662 multas que totalizam R$ 1.277.113.955,90, onde apenas R$ 41.380,00 foram pagas, denotando a impunidade que perpassa esses crimes ambientais. Essa impunidade n\u00e3o pode prosseguir\u201d, comenta Bannwart.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A an\u00e1lise do Greenpeace Brasil tamb\u00e9m mostra que parte dos im\u00f3veis rurais que registraram focos de calor no &#8220;Dia do Fogo&#8221; se sobrep\u00f5em \u00e0s \u00e1reas de Florestas P\u00fablicas N\u00e3o Destinadas (FPND). Foram mapeados 106.594 hectares de intersec\u00e7\u00e3o entre os im\u00f3veis rurais e florestas sem destina\u00e7\u00e3o registrada em 2022 (dado&nbsp; mais recente dispon\u00edvel acerca das FPND). Entre agosto de 2018 e julho de 2023, foi registrado um desmatamento de 18.692 hectares dentro dos limites dessas propriedades em FPND, uma extens\u00e3o maior que a \u00e1rea urbanizada de Bel\u00e9m, capital do Par\u00e1.<\/p>\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel averiguar exemplos de im\u00f3veis em que havia registro de floresta sem destina\u00e7\u00e3o e que foram desmatadas, incendiadas e convertidas sobretudo para cria\u00e7\u00e3o de gado, conforme demonstrado abaixo:<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXc3AAtuHUMMXrGGIcU_84NRnwU05JRzUu5fwDMu_5dq9GOE90bgNr4Te4mEXF5pOJMe5lRnMSkAAcOZz1Aj-EdErfHq4zkLyN3mRGaNadXhD5I3QNNZxJW6Her6fk0UDzRSKOdkkxO15GxqT3e_bJ4Z8EC5hInlnCZGcMMW_SWvAIZvAXRlZRg?key=OrSIQbE-3sc9_P2j6B3PjA\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n<p><strong>Antes do fogo, o desmatamento<\/strong><\/p>\n\n<p>Entre os anos de 2008 e 2023 da s\u00e9rie hist\u00f3rica de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os 478 im\u00f3veis rurais catalogados concentraram 206.083 hectares de destrui\u00e7\u00e3o. O \u00e1pice desse desmatamento registrado no interior dos im\u00f3veis foi justamente o ano de refer\u00eancia de 2019, onde, dias depois, se efetivou o epis\u00f3dio do \u201cDia do Fogo\u201d na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201c\u00c9 importante ressaltar que parte do desmatamento registrado nestes 478 im\u00f3veis ocorreu em cima de floresta p\u00fablica sem destina\u00e7\u00e3o, ou seja, de florestas da propriedade da Uni\u00e3o. Mesmo com toda a repercuss\u00e3o do Dia do Fogo em 2019, os \u00edndices de desmatamento nessas mesmas propriedades mantiveram seu ritmo at\u00e9 2021, tendo queda nos anos seguintes, mas ainda assim registrando um desmatamento anual acima dos 9 mil hectares\u201d, explica Bannwart.<\/p>\n\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o do desmatamento nas propriedades ao longo dos anos \u00e9 evidenciada no gr\u00e1fico abaixo:<\/p>\n\n<p>Gr\u00e1fico 01: Desmatamento acumulado na \u00e1rea de CAR durante o per\u00edodo do Dia do Fogo<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh7-rt.googleusercontent.com\/docsz\/AD_4nXd6l21fs0y5Rh3Y3wXUByOxWGOp4B4rmPydswpz9By_qrQCjIRDclV41T4tJSrD9wdKQSaM269xytpRwl2c3C-tUEuv3GqSc0o6NeaeQAQHd0cbO6lHfjD1CmxJzP9sFr0ONdKzTyHas6XAIgRNVtNXABfHGsUQZpxn_QW8XAWeL6NnyRwOdeo?key=OrSIQbE-3sc9_P2j6B3PjA\" alt=\"Gr\u00e1fico\"\/><\/figure>\n\n<p>Fonte: Elaborado por Greenpeace Brasil (2024) com base nas informa\u00e7\u00f5es de ; SICAR (2020); PRODES (2023).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que regi\u00f5es tiveram aumento da convers\u00e3o da terra para a cria\u00e7\u00e3o de gado;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":116,"featured_media":55933,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[46],"p4-page-type":[14],"class_list":["post-55932","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","tag-desmatamento","p4-page-type-imprensa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/116"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55932"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55934,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55932\/revisions\/55934"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55932"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=55932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}