{"id":56036,"date":"2025-01-23T12:22:53","date_gmt":"2025-01-23T15:22:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=56036"},"modified":"2025-01-23T12:22:57","modified_gmt":"2025-01-23T15:22:57","slug":"dois-anos-da-crise-yanomami-uma-emergencia-que-nao-pode-ser-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/dois-anos-da-crise-yanomami-uma-emergencia-que-nao-pode-ser-esquecida\/","title":{"rendered":"Dois anos da crise Yanomami: uma emerg\u00eancia que n\u00e3o pode ser esquecida"},"content":{"rendered":"\n<p>Em 2022, o Brasil testemunhou uma das mais graves crises humanit\u00e1rias de sua hist\u00f3ria recente: a situa\u00e7\u00e3o vivida pela Terra Ind\u00edgena Yanomami. A combina\u00e7\u00e3o de neglig\u00eancia hist\u00f3rica, avan\u00e7o do garimpo ilegal e colapso das pol\u00edticas p\u00fablicas culminou em n\u00fameros devastadores. Conforme dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, at\u00e9 dezembro de 2023, foram registradas 363 mortes de ind\u00edgenas Yanomami, causadas principalmente por desnutri\u00e7\u00e3o e mal\u00e1ria. <\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"529\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/d9324f7d-gp1t8s8k_low-res-800px-1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56039\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/d9324f7d-gp1t8s8k_low-res-800px-1-1.jpg 800w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/d9324f7d-gp1t8s8k_low-res-800px-1-1-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/d9324f7d-gp1t8s8k_low-res-800px-1-1-768x508.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/d9324f7d-gp1t8s8k_low-res-800px-1-1-510x337.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Sobrevoo do Greenpeace Brasil e ISA em dezembro de 2022 identificou quatro escavadeiras perto de uma estrada ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Cr\u00e9dito: \u00a9 Valentina Ricardo\/ Greenpeace Brasil<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>O boletim divulgado em 22 de fevereiro de 2024 tamb\u00e9m revelou alta incid\u00eancia de doen\u00e7as na regi\u00e3o: 29.900 casos de mal\u00e1ria, 7.104 de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave, 26.747 de s\u00edndrome gripal e 10.461 de doen\u00e7as diarreicas agudas ao longo de 2023. Dois anos depois, enquanto a crise humanit\u00e1ria persiste, o garimpo ilegal continua avan\u00e7ando impunemente no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n<p><a href=\"https:\/\/storymaps.arcgis.com\/stories\/6f1df6f1b0b9489590f8275e1b8be80c\">Dados do \u00faltimo monitoramento do Greenpeace Brasil<\/a> revelam que, entre julho e setembro de 2024, 50 hectares de novas \u00e1reas de garimpo foram abertos na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Isso representa um aumento de 32% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2023, confirmando que as opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o realizadas pelo governo federal ainda n\u00e3o foram suficientes para conter a explora\u00e7\u00e3o ilegal. Mesmo com a\u00e7\u00f5es pontuais, como a destrui\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio e acampamentos, novas frentes de garimpo surgem, especialmente no sul do territ\u00f3rio, sobrepondo-se ao Parque Nacional do Pico da Neblina.<\/p>\n\n<p>Essa realidade reflete a falta de continuidade e efici\u00eancia nas pol\u00edticas de fiscaliza\u00e7\u00e3o e monitoramento territorial. Lideran\u00e7as ind\u00edgenas, como a Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami, registraram v\u00e1rias den\u00fancias, alertando para o retorno gradual de garimpeiros \u00e0s \u00e1reas previamente desocupadas pelas for\u00e7as federais.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"934\" height=\"658\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/a49edfec-00000001.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-56038\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/a49edfec-00000001.jpg 934w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/a49edfec-00000001-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/a49edfec-00000001-768x541.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/01\/a49edfec-00000001-483x340.jpg 483w\" sizes=\"auto, (max-width: 934px) 100vw, 934px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto 1: Localiza\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas de garimpo na Terra Ind\u00edgena Yanomami. Cr\u00e9dito: Departamento de Pesquisa &#8211; Greenpeace Brasil\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n\n<p><\/p>\n\n<p>\u201cA for\u00e7a-tarefa est\u00e1 na TI Yanomami e a entrada dos invasores est\u00e1 controlada, mas ainda existem pontos de entrada. N\u00e3o s\u00e3o muitos, mas existem. Um aspecto que a gente observa \u00e9 a qualidade da \u00e1gua nas nossas comunidades\u201d, aponta o presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Yanomami e Ye\u2019kwana, Junior Yanomami, em <a href=\"https:\/\/tvbrasil.ebc.com.br\/caminhos-da-reportagem\/2025\/01\/yanomami-sonhos-que-resistem\">entrevista<\/a> para a Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tamb\u00e9m reconheceu, em of\u00edcio de dezembro de 2023, que n\u00e3o existem medidas permanentes e eficazes para garantir a seguran\u00e7a e a sa\u00fade do povo Yanomami. Enquanto isso, o impacto do garimpo ilegal vai al\u00e9m do desmatamento: ele contamina rios com merc\u00fario, compromete a soberania alimentar e perpetua epis\u00f3dios de viol\u00eancia sexual.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desintrus\u00e3o e Monitoramento<\/strong><\/h3>\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/povosindigenas\/pt-br\/dois-anos-de-acoes-federais-na-terra-yanomami-garimpo-ilegal-despenca-e-mortes-por-desnutricao-caem-68\">De acordo com o Governo Federal<\/a>, as a\u00e7\u00f5es realizadas em 2024, consolidaram a retirada de invasores, a destrui\u00e7\u00e3o da log\u00edstica criminosa e a assist\u00eancia \u00e0s comunidades ind\u00edgenas. Sob a coordena\u00e7\u00e3o da Casa de Governo, instalada em Boa Vista, foram realizadas 3.536 opera\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a. O Governo estima uma redu\u00e7\u00e3o de 96% na abertura de novos garimpos em compara\u00e7\u00e3o com 2022, ano que representou o auge do garimpo ilegal na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Embora essas opera\u00e7\u00f5es de comando e controle realizadas tenham obtido resultados importantes, como a apreens\u00e3o de equipamentos e a ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas cr\u00edticas, elas ainda falham em atacar a raiz do problema. A aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas robustas e permanentes deixa um v\u00e1cuo que os garimpeiros rapidamente exploram.<\/p>\n\n<p>Gr\u00e9gor Daflon, porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil, destaca a necessidade da efetiva estrutura\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas permanentes de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, monitoramento territorial e soberania alimentar dentro do territ\u00f3rio Yanomami.&nbsp;<\/p>\n\n<p>\u201cO Plano de A\u00e7\u00e3o proposto pelo Governo Federal precisa contar com a participa\u00e7\u00e3o ativa e cont\u00ednua das lideran\u00e7as ind\u00edgenas no planejamento, monitoramento e na execu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es. A din\u00e2mica ilegal do garimpo se reorganiza, se reestrutura e abre novas fronteiras de destrui\u00e7\u00e3o dentro da Terra Ind\u00edgena Yanomami conforme apontamos. Somente uma presen\u00e7a cont\u00ednua e integrada do Estado, fortalecimento de \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o como o IBAMA e FUNAI e participa\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as na implementa\u00e7\u00e3o deste plano, podem garantir a seguran\u00e7a e o bem-estar do povo Yanomami\u201d, destaca Gr\u00e9gor.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O caminho \u00e0 frente<\/strong><\/h3>\n\n<p>Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da crise Yanomami e as v\u00e9spera de sediar o maior encontro anual sobre clima, a COP 30, o Brasil precisa decidir se continuar\u00e1 assistindo \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de um de seus maiores patrim\u00f4nios culturais e naturais ou assumir\u00e1 a responsabilidade de proteger aqueles que cuidam da maior floresta tropical do planeta. Medidas importantes foram tomadas desde o in\u00edcio do atual governo, mas para cumprir plenamente a promessa de campanha de acabar com o garimpo em terras ind\u00edgenas, \u00e9 preciso de mais: desintrus\u00e3o permanente, fortalecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, prote\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios e valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento ind\u00edgena.<\/p>\n\n<p><\/p>\n\n<p>O garimpo ilegal n\u00e3o pode continuar destruindo vidas, territ\u00f3rios e sonhos. A luta pelo futuro dos Yanomami \u00e9 tamb\u00e9m uma luta pelo futuro da Amaz\u00f4nia,do planeta e da nossa sobreviv\u00eancia. O Greenpeace Brasil seguir\u00e1 monitorando e denunciando, mas \u00e9 preciso que todos \u2013 sociedade, governos e comunidade internacional \u2013 se unam para dizer basta. \u00c9 hora de agir!<\/p>\n\n<p>Se voc\u00ea tamb\u00e9m quer uma <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">\u2018Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo\u2019<\/a>, assine nossa peti\u00e7\u00e3o que j\u00e1 conta com mais de 200 mil assinaturas. Compartilhe com seus amigos e familiares e junte-se a n\u00f3s fazendo parte dessa mobiliza\u00e7\u00e3o em defesa das florestas e dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2022, o Brasil testemunhou uma das mais graves crises humanit\u00e1rias de sua hist\u00f3ria recente: a situa\u00e7\u00e3o vivida pela Terra Ind\u00edgena Yanomami.<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":56037,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[68],"tags":[43,45,60],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-56036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-povos-e-territorios","tag-povos-e-territorios","tag-mineracao","tag-garimpo","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56040,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56036\/revisions\/56040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56036"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=56036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}