{"id":58416,"date":"2025-06-25T17:38:09","date_gmt":"2025-06-25T20:38:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=58416"},"modified":"2025-06-30T15:19:04","modified_gmt":"2025-06-30T18:19:04","slug":"o-que-e-o-tratado-global-dos-oceanos-e-por-que-o-brasil-precisa-ratifica-lo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-que-e-o-tratado-global-dos-oceanos-e-por-que-o-brasil-precisa-ratifica-lo\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 o Tratado Global dos Oceanos e por que o Brasil precisa ratific\u00e1-lo?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-1024x683.jpg\" title=\"Festival de pipas na praia, com v\u00e1rias pipas grandes em formato de animais marinhos coloridos voando no c\u00e9u azul. Em destaque, uma enorme pipa azul-escura em forma de baleia, seguida por pipas de arraia verde e amarela, polvo laranja, tubar\u00e3o e outros bichos marinhos. Muitas pessoas est\u00e3o reunidas na areia observando e fotografando, com o mar ao fundo e pr\u00e9dios pr\u00f3ximos \u00e0s montanhas. O clima \u00e9 ensolarado, com algumas nuvens.\" alt=\"\" class=\"wp-image-58424\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/06\/39e01f6c-gp0su5r9q_pressmedia-2500px-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a9 Alonso Garibay \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>A ratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um passo essencial para frear a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do alto-mar e garantir a coopera\u00e7\u00e3o internacional pela vida marinha<\/em><\/p>\n\n<p>Depois de mais de duas d\u00e9cadas de negocia\u00e7\u00f5es, pa\u00edses se uniram para aprovar em 2023 o <strong>Tratado Global dos Oceanos<\/strong>, tamb\u00e9m conhecido como BBNJ (Biodiversity Beyond National Jurisdiction). <strong>Esse tratado \u00e9 o primeiro acordo internacional focado exclusivamente na prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade em \u00e1guas internacionais <\/strong>\u2014 o alto-mar \u2014 e cria regras para o uso coletivo de um territ\u00f3rio que representa quase metade da superf\u00edcie da Terra.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O alto-mar \u00e9 de ningu\u00e9m e de todes<\/strong><\/h3>\n\n<p>O alto-mar \u00e9 a parte do oceano que n\u00e3o pertence a nenhum pa\u00eds. H\u00e1 muitos anos pa\u00edses do mundo todo se dedicam a discutir a gest\u00e3o desse espa\u00e7o no \u00e2mbito da ONU. Foi assim que elaboraram a <strong>Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar<\/strong> (UNCLOS, na sigla em ingl\u00eas), que entrou em vigor em 1994. Essa Convers\u00e3o estabelece regras universais de uso do espa\u00e7o marinho, considerando direito de soberania dos pa\u00edses e tamb\u00e9m responsabilidades de prote\u00e7\u00e3o do que \u00e9 patrim\u00f4nio da humanidade, ou seja, tudo que \u00e9 alto-mar.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Mas regular o que acontece no alto-mar e o que \u00e9 retirado do fundo marinho n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Por isso, atividades predat\u00f3rias como pesca ilegal, n\u00e3o reportada e n\u00e3o regulamentada e, amea\u00e7a \u00e0 biodiversidade com a imin\u00eancia da <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/parem-a-mineracao-em-aguas-profundas\/\">minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas<\/a> se tornaram assuntos urgentes e cruciais na garantia da sa\u00fade do oceano para continuar desempenhando fun\u00e7\u00f5es t\u00e3o fundamentais para o planeta e as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p>Dessa maneira, nos \u00faltimos 20 anos, os pa\u00edses se dedicaram a desenvolver um acordo que complementa a Conven\u00e7\u00e3o sobre o Direito do Mar, tendo como resultado o Tratado Global dos Oceanos.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><mark style=\"background-color:#80d643\" class=\"has-inline-color\">O <strong>Tratado Global dos Oceanos prop\u00f5e um novo modelo de governan\u00e7a internacional<\/strong>, voltado \u00e0 coopera\u00e7\u00e3o, \u00e0 justi\u00e7a e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da vida marinha, especificamente em \u00e1guas internacionais e, no fundo marinho.&nbsp;<\/mark><\/h3>\n\n<p><\/p>\n\n<p><em>Ele prev\u00ea:&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas marinhas protegidas;<\/li>\n\n\n\n<li>Partilha equitativa dos benef\u00edcios gerados por recursos gen\u00e9ticos do fundo do mar;<\/li>\n\n\n\n<li>A exig\u00eancia de avalia\u00e7\u00f5es de impacto ambiental antes de atividades explorat\u00f3rias e;<\/li>\n\n\n\n<li>A promo\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e do conhecimento tradicional como base para decis\u00f5es globais.<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u201cEsse tratado \u00e9 uma resposta concreta \u00e0 urg\u00eancia de proteger a vida marinha e enfrentar as desigualdades no acesso aos recursos do oceano. Ele pode evitar que o alto-mar continue sendo tratado como terra de ningu\u00e9m por interesses privados\u201d.<\/h3>\n\n<p>Afirma <em>Mariana Andrade<\/em>, <strong>porta-voz da campanha de Oceanos do Greenpeace Brasil.<\/strong><\/p>\n\n<p>Para entrar em vigor, o<strong> Tratado precisa que 60 pa\u00edses o ratifiquem<\/strong>, isto \u00e9, o transforme em lei nacional. Quando mais cedo os pa\u00edses se comprometerem com esse acordo, mais preparados estaremos para enfrentar amea\u00e7ar da minera\u00e7\u00e3o marinha, por exemplo.&nbsp;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>At\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o deste texto, 50 pa\u00edses ratificaram o Tratado.&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O hist\u00f3rico do Greenpeace nessa conquista<\/strong><\/h3>\n\n<p>Desde o in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es, o Greenpeace tem tido um papel central na constru\u00e7\u00e3o e defesa de um tratado que respeite a biodiversidade e os direitos dos povos que t\u00eam seus modos de vida e cultura t\u00e3o associados ao oceano. A organiza\u00e7\u00e3o foi uma das primeiras a alertar para a necessidade de um acordo internacional que garantisse a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha al\u00e9m das fronteiras nacionais.<\/p>\n\n<p><em>Entre suas contribui\u00e7\u00f5es:<\/em><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pressionou pela inclus\u00e3o da meta <strong>30&#215;30<\/strong>, que visa proteger pelo menos 30% dos oceanos at\u00e9 2030 (alvo aprovado por governos em 2022);<\/li>\n\n\n\n<li>Participou das rodadas de negocia\u00e7\u00e3o em diferentes continentes, defendendo \u00e1reas marinhas protegidas e transpar\u00eancia nas decis\u00f5es;<\/li>\n\n\n\n<li>Mobilizou cientistas, comunicadores, lideran\u00e7as tradicionais e a sociedade civil em torno da defesa do alto-mar;<\/li>\n\n\n\n<li>Denunciou os riscos da <strong>minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas<\/strong>, atividade ainda experimental que amea\u00e7a ecossistemas fr\u00e1geis e pouco conhecidos.<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>E o Brasil?<\/strong><\/h3>\n\n<p>Com um discurso caloroso sobre o oceano, o presidente Lula abriu a <strong>3\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Oceano (UNOC3)<\/strong>, que aconteceu em junho de 2025, em Nice, na Fran\u00e7a, ao lado de outros chefes de estado. O evento \u00e9 considerado o encontro mais importante da diplomacia global pelos oceanos \u2014 e procura discutir a\u00e7\u00f5es para a implementa\u00e7\u00e3o do Objetivo do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel 14, dedicado \u00e0 Vida na \u00c1gua.<\/p>\n\n<p>Na plen\u00e1ria, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/brasil-na-conferencia-dos-oceanos-temos-orgulho-de-ser-uma-nacao-oceanica\/\">Lula afirmou com urg\u00eancia: <\/a><strong>\u201cO oceano est\u00e1 com febre\u201d.<\/strong> Ao colocar o oceano como palco da coopera\u00e7\u00e3o internacional e da promo\u00e7\u00e3o da paz, o presidente expressou gratid\u00e3o \u00e0 Secret\u00e1ria-Geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/uma-nova-era-para-os-fundos-marinhos\/\">Let\u00edcia Carvalho,<\/a> e confirmou que o Brasil <strong>ratificar\u00e1 o tratado ainda em 2025<\/strong>.<\/p>\n\n<p>No Brasil, o tratado j\u00e1 foi encaminhado ao Congresso Nacional e atualmente tramita na C\u00e2mara dos Deputados. A ades\u00e3o brasileira \u00e9 estrat\u00e9gica para consolidar a governan\u00e7a oce\u00e2nica no pa\u00eds, fortalecer a integra\u00e7\u00e3o do oceano nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e refor\u00e7ar a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha em escala global.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que est\u00e1 em jogo?<\/strong><\/h3>\n\n<p>Al\u00e9m da prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha, o tratado prop\u00f5e um novo modelo de acesso e partilha de <strong>recursos gen\u00e9ticos do fundo do mar<\/strong>, que podem ter uso farmac\u00eautico e biotecnol\u00f3gico. Tamb\u00e9m representa um passo importante para frear a corrida por <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_6BhGS6ZVN4\">minerais nas profundezas oce\u00e2nicas<\/a> \u2014 tema cada vez mais urgente diante das press\u00f5es da minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Sem o tratado em vigor, a explora\u00e7\u00e3o avan\u00e7a mais r\u00e1pido do que a prote\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos abrindo a porta para um saque no fundo do mar sem saber as consequ\u00eancias.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O pr\u00f3ximo passo depende de n\u00f3s<\/strong><\/h3>\n\n<p>O Tratado Global dos Oceanos s\u00f3 entrar\u00e1 em vigor quando for ratificado por ao menos 60 pa\u00edses. <mark style=\"background-color:#80d643\" class=\"has-inline-color\"><strong>At\u00e9 o momento, j\u00e1 temos 50 ratifica\u00e7\u00f5es.<\/strong> <\/mark>O Brasil precisa se posicionar!<\/p>\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/parem-a-mineracao-em-aguas-profundas\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/parem-a-mineracao-em-aguas-profundas\/\">Assine a peti\u00e7\u00e3o contra a minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas<\/a> <\/strong>e pressione o governo brasileiro a ratificar o Tratado Global dos Oceanos.<\/p>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, o tratado j\u00e1 foi encaminhado ao Congresso Nacional e atualmente tramita na C\u00e2mara dos Deputados. A ades\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gica para fortalecer a integra\u00e7\u00e3o do oceano nas negocia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e refor\u00e7ar a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha.<\/p>\n","protected":false},"author":136,"featured_media":58424,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[64],"tags":[13,27],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-58416","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oceanos","tag-greenpeace","tag-oceanos","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58416"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58426,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58416\/revisions\/58426"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58416"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=58416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}