{"id":5885,"date":"2018-11-05T11:14:58","date_gmt":"2018-11-05T14:14:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=5885"},"modified":"2019-11-06T05:20:10","modified_gmt":"2019-11-06T08:20:10","slug":"tres-anos-de-lama-e-luta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/tres-anos-de-lama-e-luta\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas anos de lama e luta"},"content":{"rendered":"<h4>Os atingidos pela onda de lama da mineradora Samarco ainda lutam por seus direitos e pouco foi feito para a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade ao longo da bacia do rio Doce<\/h4>\n<div id=\"attachment_5892\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5892\" class=\"wp-image-5892 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/f11e9f5c-17102018-img_2120-e1541431516574.jpg\" alt=\"Escada da escola de cidade destru\u00edda pela lama.\" width=\"1024\" height=\"707\" \/><p id=\"caption-attachment-5892\" class=\"wp-caption-text\">Parte interna da escola municipal de Paracatu de Baixo, completamente destru\u00edda pela lama.<\/p><\/div>\n<p>Neste 5 de novembro completam-se tr\u00eas anos do <strong>maior crime ambiental da hist\u00f3ria do pa\u00eds<\/strong>, o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, operada pela mineradora Samarco, que pertence \u00e0 Vale e \u00e0 australiana BHP Billiton, duas das maiores empresas do ramo no mundo. O desastre na regi\u00e3o de Mariana (MG) destruiu comunidades inteiras e espalhou uma quantidade enorme de lama de rejeitos minerais ao longo de todo o rio Doce.<\/p>\n<p>Em todo este tempo, os processos de reassentamento e repara\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias atingidas e o processo de restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade depois da passagem da lama ainda seguem a passos lentos. Logo ap\u00f3s o rompimento, \u00e9 bom lembrar, o Greenpeace <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/archive-brasil\/pt\/Noticias\/investigacao-independente-impactos-desastre-ambiental-rio-doce\/\">gerenciou a arrecada\u00e7\u00e3o de fundos por meio de dois shows organizados pelo coletivo Rio de Gente<\/a> para financiar seis pesquisas independentes que avaliaram os diferentes impactos do desastre na natureza e no meio social da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A onda de 40 bilh\u00f5es de litros de lama de rejeitos de min\u00e9rios composta por metais pesados \u2013 como ferro, mangan\u00eas, n\u00edquel, ars\u00eanio, entre outras &#8211; deixou 21 mortos e se espalhou por quase 700 km da bacia do rio Doce, nos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo, at\u00e9 chegar ao Oceano Atl\u00e2ntico. Os estragos ao meio ambiente foram imensos com a morte de animais, a perda de mata nativa e a contamina\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas. Um desses estudos independentes\u00a0<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/rio-doce-aguas-subterraneas-tambem-estao-contaminadas\/\">mostrou que a contamina\u00e7\u00e3o atingiu at\u00e9 mesmo os len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos.<\/a><\/p>\n<p>As fam\u00edlias que perderam suas casas tiveram de ser realocadas para a cidade de Mariana, onde os atingidos enfrentam muitas vezes o preconceito de outros habitantes ao serem responsabilizados pela interrup\u00e7\u00e3o das atividades da mineradora Samarco na regi\u00e3o, que empregava boa parte da popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>A promessa do reassentamento das comunidades destru\u00eddas fica cada vez mais distante. Bento Rodrigues, o distrito mais pr\u00f3ximo \u00e0 barragem, est\u00e1 em reconstru\u00e7\u00e3o em novo terreno, com previs\u00e3o de entrega \u00e0s fam\u00edlias em 2020. As comunidades de Paracatu e de Gesteira, no entanto, ainda aguardam o andamento dos projetos para o in\u00edcio das obras.<\/p>\n<div id=\"attachment_5912\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5912\" class=\"wp-image-5912 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/3ecbd6c6-16102018-img_1808-e1541431864141.jpg\" alt=\"Escola municipal de Bento Rodrigues completamente soterrada pela lama na comunidade mais pr\u00f3xima da barragem da Samarco.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5912\" class=\"wp-caption-text\">Escola municipal de Bento Rodrigues completamente soterrada pela lama na comunidade mais pr\u00f3xima da barragem da Samarco.<\/p><\/div>\n<p>O Greenpeace, que no anivers\u00e1rio de um ano da trag\u00e9dia <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/rio-doce-1-ano-de-lama-e-luta\/\">pediu Justi\u00e7a em um protesto realizado com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)<\/a>, ratifica a <strong>necessidade de urg\u00eancia para que provid\u00eancias sejam tomadas para ressarcir as fam\u00edlias atingidas e compensar os danos ambientais, a maior parte deles irrepar\u00e1veis.<\/strong> &#8220;A Funda\u00e7\u00e3o Renova, Samarco, Vale e BHP Billington devem buscar rapidez em sua atua\u00e7\u00e3o, em vez da defesa de seus interesses econ\u00f4micos. O que houve no Rio Doce foi um desastre premeditado pelas empresas e uma consequ\u00eancia esperada quando o estado brasileiro deixa de fortalecer e aplicar a legisla\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental em nome de interesses privados&#8221;, afirma Fabiana Alves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.<\/p>\n<h3>Uma longa espera<\/h3>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o que muitos acreditavam que seria tempor\u00e1ria j\u00e1 se estende por tr\u00eas anos com a altera\u00e7\u00e3o completa de seu modo de vida, ocasionando problemas financeiros e de sa\u00fade, tanto pela contamina\u00e7\u00e3o dos metais presentes na lama quanto pela depress\u00e3o que atinge boa parte das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Marino D\u2019 \u00c2ngelo, 49, que vivia na zona rural de Paracatu. \u201cEu hoje tomo tr\u00eas antidepressivos. Fiquei com press\u00e3o alta, diabetes, at\u00e9 descobrir que eu estava com depress\u00e3o. Sempre fui uma pessoa ativa, que acordava cedo de manh\u00e3 e j\u00e1 sabia meu rumo, o que eu tinha que fazer da vida\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"attachment_5887\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5887\" class=\"wp-image-5887 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/0aa4e801-17102018-20181017_140625-e1541432608296.jpg\" alt=\"Marino D'\u00c2ngelo, produtor rural e membro da Comiss\u00e3o de Atingidos de Paracatu de Cima.\" width=\"1024\" height=\"770\" \/><p id=\"caption-attachment-5887\" class=\"wp-caption-text\">Marino D&#8217;\u00c2ngelo, produtor rural e membro da Comiss\u00e3o de Atingidos de Paracatu de Cima.<\/p><\/div>\n<p>Nos dias seguintes ao rompimento, a Defesa Civil e a Samarco retiraram a fam\u00edlia de Marino de sua casa sob o risco de rompimento de outra barragem da empresa, a de Santar\u00e9m, dentro do mesmo Complexo do Germano. A primeira medida que a empresa ofereceu \u00e0 fam\u00edlia foi ir para um hotel em Mariana, de forma provis\u00f3ria. \u201cSe eu tivesse ido para l\u00e1, estava morto hoje, porque eu n\u00e3o conseguiria viver assim. N\u00e3o \u00e9 o meu mundo.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_5898\" style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5898\" class=\"wp-image-5898 \" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/1311431a-17102018-img_2015-e1541432287973.jpg\" alt=\"Poste na cidade de Paracatu de Baixo que fornece a dimens\u00e3o da altura que a lama chegou.\" width=\"310\" height=\"465\" \/><p id=\"caption-attachment-5898\" class=\"wp-caption-text\">Pela imagem, \u00e9 poss\u00edvel ter no\u00e7\u00e3o da altura que a lama chegou na comunidade de Paracatu de Baixo.<\/p><\/div>\n<p>Desde ent\u00e3o, ele foi realocado para uma propriedade rural pr\u00f3xima de onde morava, por\u00e9m com condi\u00e7\u00f5es muito diferentes para a cria\u00e7\u00e3o de cabras, porcos e outros animais. \u201cO terreno \u00e9 cheio de buracos e muito acidentado. J\u00e1 perdi v\u00e1rias cria\u00e7\u00f5es. Quando viemos para c\u00e1 [novo terreno], a Renova tinha alugado s\u00f3 essa casa para mim e eu n\u00e3o podia usar a terra\u201d, explica Marino.<\/p>\n<p>Ele conta que os preju\u00edzos \u00e0 sua renda s\u00e3o substanciais, inclusive para a produ\u00e7\u00e3o de leite. Marino foi presidente da associa\u00e7\u00e3o local por tr\u00eas mandatos. A princ\u00edpio, imaginou que o per\u00edodo na nova propriedade seria curto, mas logo percebeu que a espera seria bem maior. <strong>\u201cA pessoa entra na universidade e leva quatro a cinco anos para se formar no que ela escolher. E n\u00f3s j\u00e1 estamos quase formados como atingidos, porque j\u00e1 vai para tr\u00eas anos\u201d<\/strong>, compara.<\/p>\n<p>Hoje, ele \u00e9 membro da Comiss\u00e3o de Atingidos de Paracatu de Cima e uma das vozes ativas pelos direitos das pessoas a receberem indeniza\u00e7\u00f5es e serem reconhecidas como atingidos por parte da empresa. Apenas em Mariana, est\u00e3o cadastrados atualmente 3.000 atingidos, com aproximadamente 1.200 dessas pessoas que ficaram desabrigadas. Ao longo da bacia do rio Doce este n\u00famero \u00e9 muito maior e quem teve sua vida alterada pela lama ainda sofre para ter seus direitos reconhecidos.<\/p>\n<h3>Novo nome, velhos problemas<\/h3>\n<p>Ap\u00f3s o desastre, em mar\u00e7o de 2016, a Samarco criou a <strong>Funda\u00e7\u00e3o Renova<\/strong>, que passou a ser respons\u00e1vel pela repara\u00e7\u00e3o ambiental do rio Doce e socioecon\u00f4mica das pessoas atingidas, o que inclui o atendimento das provis\u00f5es necess\u00e1rias para aqueles que tiveram seu modo de vida afetado pela lama. Na pr\u00e1tica, a funda\u00e7\u00e3o retira a Samarco de cena na resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos e preserva o nome e as a\u00e7\u00f5es da mineradora e suas controladoras, Vale e BHP Billiton. <a href=\"https:\/\/apublica.org\/2018\/09\/raposa-no-galinheiro\/\">Os atingidos reclamam de aparelhamento da Renova<\/a>, e criticam o fato de que muitos funcion\u00e1rios das mineradoras tornaram-se dirigentes da funda\u00e7\u00e3o que deveria cuidar de seus direitos.<\/p>\n<p>Para o promotor do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual em Mariana, Guilherme S\u00e1, a mobiliza\u00e7\u00e3o dos moradores de comunidades como Bento Rodrigues e Paracatu, que criaram comiss\u00f5es para fortalecer a press\u00e3o frente \u00e0s mineradoras, foi essencial para que, a partir de muita luta, fossem conquistados direitos como o aluguel de casas, o pagamento de aux\u00edlios financeiros emergenciais e a participa\u00e7\u00e3o de atingidos nos processos decis\u00f3rios por meio de assessoria t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Ainda assim, ao longo desses tr\u00eas anos, o Minist\u00e9rio P\u00fablico tem reunido centenas de casos de pessoas que n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas como atingidas. Para Guilherme, esses casos demonstram o descumprimento das empresas de acordos homologados na Justi\u00e7a. \u201c<strong>Tem que ficar muito claro que as empresas n\u00e3o s\u00e3o boazinhas, pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s tivemos que entrar com medidas judiciais para obrig\u00e1-los a cumprir v\u00e1rios acordos<\/strong>\u201d, explica o promotor.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o se estende de maneira mais dram\u00e1tica por toda a bacia do rio Doce, onde a visibilidade dos impactos da lama \u00e9 menor e, muitas vezes, nem as pr\u00f3prias pessoas se v\u00eaem como atingidas. \u201cMuitas pessoas enxergam como atingidos apenas aqueles que perderam suas casas. Mas existem uma s\u00e9rie de situa\u00e7\u00f5es de pessoas que sofreram outros preju\u00edzos, que a Renova chama de impactados\u201d, explica Guilherme.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Renova divulgou em nota que at\u00e9 o dia 22 de outubro foram pagos \u201ccerca de R$ 1,2 bilh\u00e3o em indeniza\u00e7\u00f5es e aux\u00edlios financeiros\u201d. Afirma ainda que este montante inclui o atendimento de \u201c11.123 fam\u00edlias em raz\u00e3o dos danos gerais sofridos\u201d, com o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es finais \u00e0 7.732 pessoas.<\/p>\n<div id=\"attachment_5907\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5907\" class=\"wp-image-5907 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/87e2981a-16102018-img_1891-e1541431931691.jpg\" alt=\"Janela de casa destru\u00edda pela lama em Bento Rodrigues\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5907\" class=\"wp-caption-text\">O tamanho das perdas de quem vivia em casas como essa, em Bento Rodrigues, \u00e9 muito maior do que os bens materiais.<\/p><\/div>\n<p>Este n\u00famero total de indeniza\u00e7\u00f5es finais n\u00e3o leva em conta os atingidos de Mariana, onde os processos correm em separado por conta da abertura de uma A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica por parte do MP. A organiza\u00e7\u00e3o dessas comunidades garantiu que elas recebam os aux\u00edlios financeiros emergenciais e antecipa\u00e7\u00f5es (aluguel de casa, indeniza\u00e7\u00f5es por morte e adiantamentos aos valores dos im\u00f3veis e ve\u00edculos perdidos), por\u00e9m <strong>os atingidos na regi\u00e3o n\u00e3o receberam ainda o valor das indeniza\u00e7\u00f5es finais.<\/strong> O acordo que vai calcular o valor dessas indeniza\u00e7\u00f5es foi homologado apenas no in\u00edcio deste m\u00eas de outubro e estabelece os pagamentos individualizados para os atingidos.<\/p>\n<p>Para isso, o montante ser\u00e1 calculado a partir de um cadastro espec\u00edfico \u2013 e mais abrangente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s perdas materiais e subjetivas &#8211; elaborado com a participa\u00e7\u00e3o dos moradores em conjunto com a C\u00e1ritas, entidade religiosa que presta assessoria t\u00e9cnica aos atingidos. \u201cA gente tenta, em primeiro lugar, acabar com o desnivelamento t\u00e9cnico do discurso que existe entre as empresas e os atingidos e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o nosso horizonte de atua\u00e7\u00e3o \u00e9 garantir a melhor e maior repara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para essas pessoas\u201d, explica Gladston Figueiredo, coordenador do processo de assessoria aos atingidos pela C\u00e1ritas.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria presen\u00e7a de uma assessoria t\u00e9cnica \u00e9 uma realidade que acontece apenas em Mariana, e n\u00e3o se estende aos outros munic\u00edpios ao longo da Bacia. Gladston considera que o novo cadastro \u00e9 um avan\u00e7o para garantir os direitos dos atingidos. \u201cEles participaram do processo de rever esse cadastramento e isso foi uma grande vit\u00f3ria, assim como a possibilidade da C\u00e1ritas aplicar esse cadastro porque, repetindo as palavras da ju\u00edza, <strong>n\u00e3o seria razo\u00e1vel que quem cometeu o crime depois fosse cadastrar as fam\u00edlias\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Outra conquista dessas comunidades \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de invers\u00e3o do \u00f4nus da prova, ou seja, os atingidos s\u00e3o identificados a partir de crit\u00e9rios autodeclarat\u00f3rios, obrigando \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Renova a provar na Justi\u00e7a caso contestem a condi\u00e7\u00e3o destas pessoas como atingidos.<\/p>\n<p>Ainda assim, o promotor Guilherme S\u00e1 critica a forma como a Funda\u00e7\u00e3o Renova, que deveria representar tanto as empresas quanto os atingidos, recebe os pedidos por reconhecimento e indeniza\u00e7\u00e3o. \u201cE eles usam da inoc\u00eancia, da situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade das pessoas para intimidar, chegando ao disparate de falar: \u2018olha, se voc\u00ea for no MP, a\u00ed que voc\u00ea n\u00e3o vai ter [o aux\u00edlio] mesmo\u2019. At\u00e9 isso n\u00f3s j\u00e1 escutamos. Por que fazer isso com as pessoas que j\u00e1 sofreram tanto? Por que, na d\u00favida, n\u00e3o conceder o aux\u00edlio?\u201d, questiona o promotor.<\/p>\n<div id=\"attachment_5894\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5894\" class=\"wp-image-5894 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/bab9f304-17102018-img_2083-e1541432487532.jpg\" alt=\"Casa que foi completamente destru\u00edda e veio abaixo em Paracatu de Baixo.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5894\" class=\"wp-caption-text\">Casa que foi completamente destru\u00edda e veio abaixo em Paracatu de Baixo.<\/p><\/div>\n<h3>Quil\u00f4metros de neglig\u00eancia<\/h3>\n<p>O problema se repete ao longo da bacia do rio Doce. O esquecimento dificulta a situa\u00e7\u00e3o de quem teve sua vida transformada pela lama. As empresas respons\u00e1veis pelo crime definem quem se enquadra ou n\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de atingido e muitas pessoas que tiveram sua vida completamente alterada n\u00e3o receberam qualquer tipo de pagamento ap\u00f3s tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Bruno Rodrigues Luciane que, desde os 12 anos de idade, \u00e9 pescador na regi\u00e3o de Aracruz, no Esp\u00edrito Santo, uma das \u00e1reas mais afastadas onde a lama chegou. Ele conta que ainda hoje n\u00e3o conseguiu recuperar a renda que obtinha antes do rompimento da barragem e foi impedido de receber qualquer valor por n\u00e3o possuir a carteira de pescador profissional, que estabelece o cadastro oficial no Registro Geral da Pesca. <strong>\u201cEles alegam que tem que ter uma carteirinha. Acontece que a gente que \u00e9 pescador, vive da pesca, e nunca se preocupou em ter carteirinha. A gente tava preocupado em trabalhar para dar sustento para a fam\u00edlia\u201d<\/strong>, lamenta.<\/p>\n<div id=\"attachment_5906\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5906\" class=\"wp-image-5906 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/bfb48640-17102018-img_1930-e1541431945646.jpg\" alt=\"Trecho do rio Gualaxo do Norte, por onde a lama se espalhou para todo o rio Doce causando perdas irrepar\u00e1veis para a biodiversidade.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5906\" class=\"wp-caption-text\">Trecho do rio Gualaxo do Norte, por onde a lama se espalhou para todo o rio Doce causando perdas irrepar\u00e1veis para a biodiversidade.<\/p><\/div>\n<p>A carteirinha, ele explica, foi uma exig\u00eancia da Samarco, na \u00e9poca, para que as pessoas recebessem as indeniza\u00e7\u00f5es: \u201cMuita gente que recebeu nunca foi pro mar. E uns que realmente deveriam receber, que vivem do mar, n\u00e3o est\u00e3o recebendo\u201d. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dram\u00e1tica j\u00e1 que foi delimitada uma \u00e1rea em que os pescadores n\u00e3o podem atuar, abaixo dos 20 metros, para evitar o consumo de peixes com risco de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como a pesca na regi\u00e3o \u00e9 costeira, os trabalhadores tiveram que navegar dist\u00e2ncias maiores para conseguir equiparar a quantidade de peixe, ocasionando um custo de despesas maior e viagens mais longas. \u201cEu falo por mim, eu tenho 38 anos de idade, e n\u00e3o recebi. Tenho minha fam\u00edlia pra cuidar. Agora, tem outros ali que tem 60 anos, n\u00e3o conseguiram aposentar ainda, necessitam desse dinheiro e n\u00e3o conseguem, muitas vezes, segurar 12 dias no mar num barco pequeno. \u00c9 complicado\u201d, protesta Bruno.<\/p>\n<h3>A sa\u00fade ainda preocupa em Barra Longa<\/h3>\n<p>Outro munic\u00edpio afetado profundamente foi Barra Longa (MG), uma zona urbana de pouco mais de cinco mil habitantes constru\u00edda \u00e0s margens do rio Gualaxo do Norte. Quando a lama come\u00e7ou seu trajeto, ela percorreu a extens\u00e3o do Gualaxo e inundou o centro de Barra Longa. At\u00e9 hoje, \u00e9 poss\u00edvel observar a marca da lama em alguns pontos da cidade e o rio jamais retomou sua colora\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da lama mobilizou os esfor\u00e7os de moradores e a for\u00e7a-tarefa das mineradoras para a limpeza das ruas e retirada de rejeitos. Parte do material foi transportado da zona central, \u00e0s margens do rio, para a parte mais alta \u2013 e mais pobre \u2013 da cidade, em um centro de exposi\u00e7\u00f5es. Nesse per\u00edodo, caminh\u00f5es tomaram a paisagem e levantaram a poeira dessa lama de rejeitos, j\u00e1 seca, que permaneceu presente no ar sendo inalada pelos moradores.<\/p>\n<div id=\"attachment_5904\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5904\" class=\"wp-image-5904 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/5068752f-17102018-img_2152-e1541432055864.jpg\" alt=\"Vista da casa de Simone, na parte alta da cidade, para a pra\u00e7a central, \u00e0s margens do rio Gualaxo, por onde a lama chegou em Barra Longa.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5904\" class=\"wp-caption-text\">Vista da casa de Simone, na parte alta da cidade, para a pra\u00e7a central, \u00e0s margens do rio Gualaxo, por onde a lama chegou em Barra Longa.<\/p><\/div>\n<p>As consequ\u00eancias da conviv\u00eancia com essa poeira de lama para a sa\u00fade dos atingidos na regi\u00e3o foi avaliada no <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/da-lama-ao-po-o-impacto-da-tragedia-do-rio-doce-para-a-saude\/\">estudo independente para a \u00e1rea de Sa\u00fade<\/a>, financiado com doa\u00e7\u00f5es, e realizado pela coordenadora do Instituto Sa\u00fade e Sustentabilidade, a m\u00e9dica Evangelina Vormitagg. Posteriormente, ela realizou exames de sangue de 11 pacientes em mar\u00e7o de 2017 para identificar a presen\u00e7a de metais e outras subst\u00e2ncias em seu organismo. Os resultados s\u00e3o preocupantes: <strong>todos os pacientes apresentaram n\u00edveis elevados de n\u00edquel e, metade deles, de ars\u00eanio.<\/strong><\/p>\n<p>Para a pesquisadora, os resultados n\u00e3o receberam a devida aten\u00e7\u00e3o por parte das empresas e do poder p\u00fablico. \u201cNem o n\u00edquel e nem o ars\u00eanio s\u00e3o metais que voc\u00ea encontra no organismo. A presen\u00e7a deles em n\u00edveis elevados mostra que se trata de uma intoxica\u00e7\u00e3o, o que significa que essas pessoas est\u00e3o expostas a locais que devem estar contaminados e, at\u00e9 hoje, n\u00e3o existe nenhuma pesquisa que mostre onde h\u00e1 o risco de exposi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ela explica que a primeira medida a ser tomada diante do ind\u00edcio de intoxica\u00e7\u00e3o seria afastar as pessoas do foco de exposi\u00e7\u00e3o aos metais. \u201c<strong>Nem a Funda\u00e7\u00e3o Renova e nem o governo de fato querem fazer ou terminar a pesquisa necess\u00e1ria por conta dos resultados que vir\u00e3o.<\/strong> O que eles puderem adiar, v\u00e3o adiar. At\u00e9 agora, as pesquisas na \u00e1rea de sa\u00fade foram feitas \u00fanica e exclusivamente por iniciativa da sociedade civil\u201d, diz Evangelina.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de n\u00edquel e ars\u00eanio pode ser respons\u00e1vel por uma s\u00e9rie de problemas de sa\u00fade no futuro. Existem os sintomas inespec\u00edficos, como por exemplo uma diarreia, dores nas pernas e no corpo, que n\u00e3o podem ser diretamente atribu\u00eddos \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o. A longo prazo, caso as pessoas n\u00e3o recebam o tratamento adequado e continuem expostas aos rejeitos na regi\u00e3o, os metais podem provocar insufici\u00eancia hep\u00e1tica, insufici\u00eancia renal, problemas de cora\u00e7\u00e3o, de entupimento de art\u00e9rias, altera\u00e7\u00f5es no sistema imunol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Simone Silva \u00e9 professora e vive na parte mais alta de Barra Longa, a uma certa dist\u00e2ncia do rio Gualaxo, por onde a lama chegou. Ainda assim, os efeitos da lama de rejeitos &#8211; que foi usada para cal\u00e7ar a cidade &#8211; e da poeira que se espalhou pelo ar atingem diretamente sua filha Sofya, de apenas tr\u00eas anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_5902\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5902\" class=\"wp-image-5902 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/f1c08391-17102018-img_2161-e1541432201769.jpg\" alt=\"A professora Simone Silva e sua filha Sofya, que teve a presen\u00e7a de metais pesados no organismo confirmada por exames.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5902\" class=\"wp-caption-text\">A professora Simone Silva e sua filha Sofya, que teve a presen\u00e7a de metais pesados no organismo confirmada por exames.<\/p><\/div>\n<p>Ela foi uma das pessoas examinadas na pesquisa de Evangelina e teve a presen\u00e7a de metais constatada no organismo. &#8220;Ap\u00f3s apresentar diarreia, logo ap\u00f3s a chegada da lama, ela come\u00e7ou a ter crises respirat\u00f3rias mesmo. Ficou em Fonte Nova internada com infec\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria grav\u00edssima e, de l\u00e1 pra c\u00e1, nunca mais Sofya descansou. Ela \u00e9 uma crian\u00e7a que est\u00e1 com tr\u00eas anos e toma anti-al\u00e9rgico todos os dias\u201d, desabafa a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Simone luta para que a Funda\u00e7\u00e3o Renova reconhe\u00e7a que sua fam\u00edlia foi atingida e receba o aux\u00edlio por parte das empresas. Evangelina Vormitagg confirma a necessidade de aux\u00edlio das empresas. \u201cEssas pessoas, que t\u00eam comprovadamente j\u00e1 o metal em seu organismo, precisam ser acompanhadas a vida toda, mas nem esses pacientes que tiveram o exame positivo foram reconhecidos como atingidos\u201d, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Renova afirma, por meio de nota, que \u201csegue as diretrizes da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Sa\u00fade e das Secretarias municipais e estaduais e do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u201d. Ainda declara que \u201cdisponibiliza 23 profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade em Barra Longa e apoia a gest\u00e3o p\u00fablica dos munic\u00edpios com a\u00e7\u00f5es que visam fortalecer as estruturas municipais existentes, tanto no atendimento cl\u00ednico quanto na prote\u00e7\u00e3o social.\u201d<\/p>\n<p>Desde a realiza\u00e7\u00e3o dos exames, em mar\u00e7o do ano passado, Simone busca o reconhecimento de seus direitos de repara\u00e7\u00e3o junto \u00e0s mineradoras, por enquanto ainda sem sucesso. <strong>\u201cPorque eu sou atingida mesmo, de todas as maneiras. Eu sou atingida quando a comunidade onde nasci foi destru\u00edda. Sou atingida quando recebo um exame que diz que meus filhos est\u00e3o condenados pelo resto da vida.\u201d<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_5915\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5915\" class=\"wp-image-5915 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/aa5edc93-17102018-img_2168-e1541431818214.jpg\" alt=\"Simone Silva ao lado de placa que diz &quot;Aqui moram atingidos pela Samarco&quot;\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5915\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Sou atingida quando recebo um exame que diz que meus filhos est\u00e3o condenados pelo resto da vida.\u201d<\/p><\/div>\n<h3>Modos de vida que n\u00e3o voltam mais<\/h3>\n<p>\u201cA maior perda s\u00e3o os la\u00e7os comunit\u00e1rios, porque n\u00f3s fomos para Mariana e hoje est\u00e1 todo mundo \u2018esparramado\u2019. Aquela conviv\u00eancia de amizade mesmo vai se perdendo quanto mais tempo vai passando. Claro que a gente forma mais amizades, mas esse la\u00e7o da comunidade pequena, da liberdade, n\u00e3o \u00e9 a mesma coisa do que voc\u00ea estar em uma cidade grande.\u201d<\/p>\n<p>Quem diz isso \u00e9 o apicultor e pedreiro Expedito Lucas da Silva, mais conhecido como Ca\u00e9, morador da comunidade de Bento Rodrigues que foi completamente destru\u00edda e soterrada pela lama em novembro de 2015. Hoje, o distrito mais parece uma cidade-fantasma, sem moradores, onde as \u00fanicas lembran\u00e7as de uma tranquila vila mineira s\u00e3o os escombros de casas como a de Ca\u00e9. A amplitude desses impactos para al\u00e9m dos preju\u00edzos financeiros tamb\u00e9m foi tema de uma das pesquisas independentes financiadas por doa\u00e7\u00f5es que avaliou os <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-extensao-da-tragedia-da-lama-e-da-dor-na-foz-do-rio-doce\/\">impactos em comunidades da foz do Rio Doce<\/a>, no Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<div id=\"attachment_5914\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5914\" class=\"wp-image-5914 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/952349ea-16102018-img_1828-e1541431832170.jpg\" alt=\"O apicultor Ca\u00e9, ao lado de sua casa soterrada pela lama, em Bento Rodrigues.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5914\" class=\"wp-caption-text\">O apicultor Ca\u00e9, ao lado de sua casa soterrada pela lama, em Bento Rodrigues.<\/p><\/div>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do novo distrito de Bento Rodrigues ser\u00e1 realizada em um terreno de 375 hectares de propriedade da Funda\u00e7\u00e3o Renova, na regi\u00e3o de Lavouras, aproximadamente 16 km de dist\u00e2ncia da antiga localiza\u00e7\u00e3o da comunidade. A constru\u00e7\u00e3o foi iniciada apenas em agosto deste ano, com prazo de dois anos para a entrega de 240 moradias para as 225 fam\u00edlias cadastradas, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura p\u00fablica da cidade. A Renova, portanto, afirma que <strong>o t\u00e9rmino do reassentamento se dar\u00e1 no segundo semestre de 2020.<\/strong><\/p>\n<p>Ca\u00e9 n\u00e3o v\u00ea a hora de voltar a sentir essa rela\u00e7\u00e3o de amizade com a qual se acostumou na antiga Bento Rodrigues que aprendeu a amar. <strong>\u201cA chave mesmo, para n\u00f3s, \u00e9 o reassentamento. Porque sem o reassentamento \u00e9 como se voc\u00ea estivesse sem rumo, voc\u00ea n\u00e3o sabe que caminho seguir. E a comunidade? A comunidade precisa estar de volta, n\u00f3s precisamos trazer a comunidade de volta.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Uma cena resume bem a esperan\u00e7a de Ca\u00e9 para retomar a vida simples e os la\u00e7os afetivos e comunit\u00e1rios que os moradores das comunidades atingidas, sejam elas mineiras ou capixabas, urbanas ou rurais, aguardam h\u00e1 tanto tempo e com tanta luta. Ele conseguiu voltar para sua casa, soterrada pela lama, apenas um m\u00eas depois do rompimento. Aflito, ele sabia bem o que estava procurando: \u201cVim pensando em resgatar algumas lembran\u00e7as, alguma recorda\u00e7\u00e3o, alguma coisa pessoal, que n\u00e3o tem volta, que \u00e9 coisa \u00fanica. Eu tinha um grande apego por uma foto da minha m\u00e3e e consegui recuper\u00e1-la. A minha m\u00e3e j\u00e1 morreu, ent\u00e3o eu tenho essa lembran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_5913\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5913\" class=\"wp-image-5913 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/d6c25ded-16102018-img_1772-e1541431851416.jpg\" alt=\"O terreno da antiga Bento Rodrigues, hoje abandonada.\" width=\"1024\" height=\"683\" \/><p id=\"caption-attachment-5913\" class=\"wp-caption-text\">O terreno da antiga Bento Rodrigues, hoje abandonada.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os atingidos pela onda de lama da mineradora Samarco ainda lutam por seus direitos e pouco foi feito para a recupera\u00e7\u00e3o da biodiversidade ao longo da bacia do rio Doce<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":5890,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[8,26],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-5885","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-resista","tag-biodiversidade","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5885"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5885\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5932,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5885\/revisions\/5932"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5885"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=5885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}