{"id":59309,"date":"2025-08-07T14:41:10","date_gmt":"2025-08-07T17:41:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=59309"},"modified":"2025-08-07T14:41:15","modified_gmt":"2025-08-07T17:41:15","slug":"marcha-das-mulheres-indigenas-na-linha-de-frente-pela-terra-e-pela-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/marcha-das-mulheres-indigenas-na-linha-de-frente-pela-terra-e-pela-vida\/","title":{"rendered":"Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas: na linha de frente pela terra e pela vida"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Evento reuniu mais de 5 mil mulheres em Bras\u00edlia, mostrando a for\u00e7a das mulheres ind\u00edgenas no Brasil e no mundo<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59310\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/b2b38578-10a8651-1-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">IV Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, rumo ao Congresso Nacional. Cr\u00e9dito: \u00a9 Pedro Ladeira \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Entre os dias 02 e 08 de agosto de 2025, mais de 5 mil mulheres ind\u00edgenas de diferentes povos e dos seis biomas brasileiros ocuparam as ruas de Bras\u00edlia durante a <strong>IV Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas<\/strong>, organizada pela <strong>Articula\u00e7\u00e3o Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA)<\/strong>. Sob o tema <strong>\u201cNosso corpo, nosso territ\u00f3rio: somos as guardi\u00e3s do planeta\u201d<\/strong>, a mobiliza\u00e7\u00e3o se reafirmou como um dos mais potentes movimentos pol\u00edticos de resist\u00eancia e articula\u00e7\u00e3o das mulheres ind\u00edgenas no Brasil e no mundo.<\/p>\n\n<p>Muito mais que uma marcha, o encontro foi espa\u00e7o de escuta, den\u00fancia, espiritualidade e a\u00e7\u00e3o coletiva. Reunidas, as mulheres compartilharam suas dores e suas lutas, fortaleceram alian\u00e7as e reafirmaram que seus corpos s\u00e3o tamb\u00e9m territ\u00f3rios em disputa e, por isso, precisam ser protegidos com a mesma urg\u00eancia que suas terras ancestrais.<\/p>\n\n<p>Neste ano, o evento ganhou dimens\u00e3o internacional com a cria\u00e7\u00e3o do <strong>Espa\u00e7o Ancestral de Resist\u00eancia Global<\/strong>, nos dias 05 e 06 de agosto, abrindo caminhos para o interc\u00e2mbio entre mulheres ind\u00edgenas de diferentes pa\u00edses e culturas, para articular vozes globais em defesa da justi\u00e7a clim\u00e1tica, dos direitos das mulheres, dos saberes tradicionais e da vida na Terra.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"610\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-1024x610.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59313\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-1024x610.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-768x458.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-1536x915.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-2048x1220.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/49ffb2a3-10a8324-1-510x304.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">IV Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, rumo ao Congresso Nacional. Cr\u00e9dito: \u00a9 Pedro Ladeira \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Garimpo e a viol\u00eancia contra os Corpos-Territ\u00f3rios<\/strong><\/h3>\n\n<p>O garimpo \u00e9 um dos maiores vetores de viol\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios. Mais do que devastar o meio ambiente, a atividade ilegal transforma aldeias em zonas de conflito, contamina rios com merc\u00fario e imp\u00f5e \u00e0s mulheres e crian\u00e7as ind\u00edgenas um cotidiano de viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p>Os dados s\u00e3o alarmantes. <a href=\"https:\/\/fiocruz.br\/noticia\/2019\/08\/estudo-aponta-niveis-elevados-de-mercurio-em-criancas-e-mulheres-indigenas\">Pesquisa da Fiocruz<\/a> revelou que mulheres e crian\u00e7as ind\u00edgenas est\u00e3o entre os grupos mais afetados pela contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario nas regi\u00f5es impactadas pelo garimpo. Das amostras coletadas de 134 mulheres adultas e 144 crian\u00e7as Yanomami, os n\u00edveis de merc\u00fario encontrados variaram entre 0,08 e 13,87 microgramas por grama. O limite considerado seguro pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 de 2,0 microgramas por grama. Ainda mais preocupante \u00e9 que muitas amostras apresentaram n\u00edveis de merc\u00fario duas vezes acima do limite considerado perigoso para a sa\u00fade (6,0 \u00b5g\/g), o que aumenta significativamente o risco de danos graves ao organismo.<\/p>\n\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rr\/roraima\/noticia\/2024\/04\/05\/mulheres-yanomami-que-vivem-proximas-a-garimpo-tem-maior-deficit-cognitivo-por-contaminacao-com-mercurio-aponta-estudo.ghtml\">Outro estudo<\/a>, divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Instituto Socioambiental (ISA) em 2024, mostrou que Mulheres Yanomami de comunidades ind\u00edgenas pr\u00f3ximas a \u00e1reas de garimpo s\u00e3o as que mais apresentaram d\u00e9ficit cognitivo causado pela contamina\u00e7\u00e3o com merc\u00fario, 40,2% de mulheres examinadas apresentam danos cognitivos severos relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ao merc\u00fario.&nbsp;<\/p>\n\n<p>J\u00e1 em comunidades do Tapaj\u00f3s, <a href=\"https:\/\/www.generonumero.media\/reportagens\/mercurio-no-sangue-mulheres-indigenas\/#:~:text=Apresentou%20como%20resultado%20alta%20concentra%C3%A7%C3%A3o%20de%20merc%C3%BArio%20nas%20amostras%20coletadas.&amp;text=Hg%2C%20da%20OMS-,Aldira%20Akai%20Munduruku%2C%20de%2031%20anos%2C%20da%20etnia%20Munduruku%2C,de%20cabe%C3%A7a%2C%20intensas%20e%20di%C3%A1rias.\">os n\u00edveis da subst\u00e2ncia<\/a> ultrapassam at\u00e9 duas vezes o limite considerado seguro pela OMS. Nos territ\u00f3rios Sawr\u00e9 Muybu, Sawur\u00e9 Aboy e Povo Muybu, 62% das mulheres Munduruku em idade reprodutiva ultrapassaram o limite de refer\u00eancia de 6,0 \u03bcg\/g H-Hg, da OMS.<\/p>\n\n<p>As mulheres s\u00e3o especialmente afetadas pela presen\u00e7a do merc\u00fario no sangue durante a gravidez. Sem acompanhamento de sa\u00fade adequado, elas ficam em risco para si e para o feto, que tamb\u00e9m se contamina. A destrui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas ambiental, \u00e9 uma destrui\u00e7\u00e3o que atinge os corpos. Dados da Fiocruz mostram a neglig\u00eancia com a sa\u00fade das mulheres ind\u00edgenas: metade sofre de anemia grave, n\u00famero que chega a 66% na Regi\u00e3o Norte. A mortalidade por c\u00e2ncer de colo do \u00fatero \u00e9 80% maior do que entre mulheres n\u00e3o ind\u00edgenas de baixa renda. Falta acesso a exames, a tratamento e a pol\u00edticas p\u00fablicas b\u00e1sicas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A viol\u00eancia sexual tamb\u00e9m \u00e9 uma realidade brutal enfrentada pelas mulheres ind\u00edgenas. Em 2022, um <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rr\/roraima\/noticia\/2022\/04\/11\/garimpeiros-exigem-sexo-com-meninas-e-mulheres-yanomami-em-troca-de-comida-aponta-relatorio.ghtml\">relat\u00f3rio da Associa\u00e7\u00e3o Hutukara Yanomami apontou<\/a> que garimpeiros ofereciam comida, perfume e ouro em troca de sexo com mulheres e crian\u00e7as ind\u00edgenas. No mesmo ano, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rr\/roraima\/noticia\/2022\/04\/26\/menina-ianomami-de-12-anos-morre-apos-ser-estuprada-por-garimpeiros-afirma-lideranca.ghtml\">uma adolescente morreu ap\u00f3s ser estuprada<\/a> por garimpeiros numa comunidade na regi\u00e3o de Waik\u00e1s, uma das mais atingidas pela invas\u00e3o de garimpeiros ilegais na Terra Ind\u00edgena Yanomami.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-59314\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-2048x1366.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/08\/af795b8b-10a9316-1-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">IV Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas, rumo ao Congresso Nacional. Cr\u00e9dito: \u00a9 Pedro Ladeira \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Marchar \u00e9 existir, resistir e proteger o futuro<\/strong><\/h3>\n\n<p>A Marcha das Mulheres Ind\u00edgenas n\u00e3o \u00e9 apenas uma mobiliza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, \u00e9 um chamado coletivo \u00e0 humanidade. Um grito ancestral que rompe o sil\u00eancio e convoca \u00e0 responsabilidade. Ao reunir milhares de vozes, o movimento escancara a verdade: quem paga a conta da destrui\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o as mulheres. Seus corpos, seus filhos, suas \u00e1guas, suas florestas est\u00e3o em risco.<\/p>\n\n<p>A luta das mulheres ind\u00edgenas \u00e9 uma luta pela vida. Pela floresta viva. Pela continuidade de modos de existir que respeitam a M\u00e3e Terra. Apoiar essas lideran\u00e7as \u00e9 garantir um futuro ancestral, diverso e sustent\u00e1vel. <\/p>\n\n<p>Assine agora a peti\u00e7\u00e3o por uma <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/amazonia-livre-de-garimpo\/\">Amaz\u00f4nia Livre de Garimpo<\/a>. O tempo \u00e9 agora. Ajude a pressionar por a\u00e7\u00f5es concretas que acabem com o garimpo nas Terras Ind\u00edgenas e garantam o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade e ao territ\u00f3rio das mulheres ind\u00edgenas.<strong> <\/strong>Porque proteger o corpo das mulheres ind\u00edgenas \u00e9 proteger o planeta.<\/p>\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\"><\/h5>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Evento reuniu mais de 5 mil mulheres em Bras\u00edlia, mostrando a for\u00e7a das mulheres ind\u00edgenas no Brasil e no mundo<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":59310,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[23,43,60],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-59309","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-mobilizacao","tag-povos-e-territorios","tag-garimpo","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59309","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59309"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59309\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59315,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59309\/revisions\/59315"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59309"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59309"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59309"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=59309"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}