{"id":59559,"date":"2025-09-03T10:55:02","date_gmt":"2025-09-03T13:55:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=59559"},"modified":"2025-09-03T10:55:09","modified_gmt":"2025-09-03T13:55:09","slug":"acoes-de-desintrusao-fazem-garimpo-recuar-nas-maiores-terras-indigenas-da-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/acoes-de-desintrusao-fazem-garimpo-recuar-nas-maiores-terras-indigenas-da-amazonia\/","title":{"rendered":"A\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o fazem garimpo recuar nas maiores Terras Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Segundo monitoramento do Greenpeace Brasil, territ\u00f3rio Yanomami apresenta o melhor resultado, com 8,16 hectares de desmatamento para explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro no per\u00edodo;<\/em><\/p>\n\n<p><em>TI Sarar\u00e9 (MT), que passou por pelo menos quatro opera\u00e7\u00f5es de combate ao garimpo at\u00e9 maio, \u00e9 a mais pressionada pela atividade;<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-1024x724.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-59561\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-1024x724.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-300x212.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-768x543.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-1536x1086.png 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image-481x340.png 481w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/f202861f-image.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Localiza\u00e7\u00e3o das Terras Ind\u00edgenas monitoradas pelo Greenpeace Brasil.\u00a0 Cr\u00e9dito: Departamento de Pesquisa\/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Dados in\u00e9ditos de monitoramento do Greenpeace Brasil revelam que, no primeiro semestre de 2025, o garimpo foi for\u00e7ado a recuar em todas as terras ind\u00edgenas alvos das opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o sob a coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas. Nas TIs Yanomami e Munduruku, a redu\u00e7\u00e3o foi de 95,18% e 41,53%, respectivamente, quando comparadas ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Apesar da TI Kayap\u00f3 ter registrado um aumento de 1,93%, o territ\u00f3rio n\u00e3o registrou a abertura de novas \u00e1reas de garimpo ap\u00f3s o in\u00edcio da desintrus\u00e3o em maio. Em junho, a abertura de novas \u00e1reas de garimpo nos tr\u00eas territ\u00f3rios chegou a zero.\u00a0<\/p>\n\n<p>\u201cAs a\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o coordenadas pelo Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas t\u00eam se mostrado eficazes no controle da atividade garimpeira dentro dos territ\u00f3rios Yanomami, Munduruku e Kayap\u00f3, diferente de anos anteriores onde o crescimento estava descontrolado. Nossos dados de monitoramento apontam que em junho, a abertura de novas \u00e1reas de garimpo dentro desses territ\u00f3rios chegou a zero! E como resultado, n\u00f3s temos a diminui\u00e7\u00e3o dos impactos causados pelo garimpo na biodiversidade amaz\u00f4nica e a possibilidade dos povos ind\u00edgenas desenvolverem seus modos de vida de forma segura. Por isso, defendemos que a desintrus\u00e3o aconte\u00e7a tamb\u00e9m em outros territ\u00f3rios onde o garimpo \u00e9 uma amea\u00e7a.\u201d, afirma o porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil, Gr\u00e9gor Daflon.<\/p>\n\n<p>Em n\u00fameros absolutos, ao longo dos primeiros seis meses de 2025, foram perdidos cerca de 252 hectares de floresta para a atividade de garimpeira, frente aos 417 hectares perdidos nos mesmo per\u00edodo de 2024. A Terra Ind\u00edgena Yanomami foi a que apresentou o melhor resultados entre as tr\u00eas, com uma perda de 8,16 hectares de floresta; frente a 11,81 hectares na TI Munduruku e 232,1 na TI Kayap\u00f3 (que s\u00f3 foi alvo de desintrus\u00e3o em maio deste&nbsp; ano).<\/p>\n\n<p>O monitoramento de garimpo do Greenpeace Brasil foi realizado por meio da interpreta\u00e7\u00e3o de imagens de sat\u00e9lite de alta resolu\u00e7\u00e3o fornecidas pelo sistema Planet Labs, com resolu\u00e7\u00e3o espacial de 4,77 metros.<\/p>\n\n<p><strong>TI Sarar\u00e9 e a press\u00e3o pelo garimpo<\/strong><\/p>\n\n<p>Os dados mostram que a Terra Ind\u00edgena Sarar\u00e9 (MT), territ\u00f3rio tradicional dos povos Nambikwara, \u00e9 a mais pressionada pela explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro atualmente: ali, o garimpo j\u00e1 ocupa aproximadamente 4,38% dos 67 mil hectares do territ\u00f3rio.<\/p>\n\n<p>Entre janeiro e junho de 2025, foram identificados 773,02 hectares de novas \u00e1reas desmatadas pelo garimpo, o equivalente a cerca de 1.082 campos de futebol padr\u00e3o FIFA, mesmo tendo passado por pelo menos quatro opera\u00e7\u00f5es de combate ao garimpo at\u00e9 maio de 2025. O pico de devasta\u00e7\u00e3o ocorreu em janeiro, com 268,52 hectares, seguido por maio, com 174,86 hectares. As comunidades mais afetadas por essa expans\u00e3o s\u00e3o as aldeias Pivi, Serra da Borda e Paukalira.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"724\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-1024x724.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-59560\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-1024x724.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-300x212.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-768x543.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-1536x1086.png 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image-481x340.png 481w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2025\/09\/dff0f05c-image.png 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Garimpo na Terra Ind\u00edgena Sarar\u00e9 (Mato Grosso). Cr\u00e9dito: Departamento de Pesquisa\/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p>\u201cNa Terra Ind\u00edgena Sarar\u00e9, temos acompanhado a opera\u00e7\u00e3o de combate ao garimpo, protagonizada pelo Ibama e pela Pol\u00edcia Federal, e celebramos o desmantelamento dos mais 400 acampamentos de garimpo identificados, bem como a inutiliza\u00e7\u00e3o de 100 escavadeiras hidr\u00e1ulicas que potencializam a destrui\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. Esperamos que essas a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o possam evoluir para um processo de desintrus\u00e3o capaz de tamb\u00e9m desarticular a log\u00edstica e os fluxos financeiros, que em geral, viabilizam o retorno da atividade ap\u00f3s a desmobiliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de repress\u00e3o.\u201d, completa Daflon<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alian\u00e7a em Defesa dos Territ\u00f3rios<\/strong><\/h3>\n\n<p>Nos dias 13 e 14 de agosto, estiveram reunidas em Manaus, lideran\u00e7as Yanomami, Munduruku e Kayap\u00f3, que fazem parte da Alian\u00e7a em Defesa dos Territ\u00f3rios &#8211; articula\u00e7\u00e3o criada em dezembro de 2021, com povos oriundos das Terras Ind\u00edgenas mais afetadas pelo garimpo na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n<p>O encontro foi marcado pela conclus\u00e3o de que as a\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas que marcaram as opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o das tr\u00eas Terras Ind\u00edgenas foram, sem d\u00favida, efetivas. Ficou evidente tamb\u00e9m que os planos de p\u00f3s-desintrus\u00e3o ser\u00e3o fundamentais para garantir que esses territ\u00f3rios permane\u00e7am livres do garimpo. Na ocasi\u00e3o, as lideran\u00e7as receberam em primeira m\u00e3o os dados do monitoramento realizado pelo Greenpeace Brasil, que confirmam a rela\u00e7\u00e3o direta entre as opera\u00e7\u00f5es de desintrus\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o da atividade garimpeira em suas terras.<\/p>\n\n<p>Alessandra Korap Munduruku refor\u00e7ou a import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas que combinam a retirada dos invasores, com oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda: \u201cO povo Munduruku consegue viver sem garimpo. Temos terra, ca\u00e7a, pesca, artesanato, extrativismo. Mas sem investimento nessas alternativas econ\u00f4micas, o ind\u00edgena acaba indo para o garimpo. Precisamos de projetos de etnodesenvolvimento, turismo de base comunit\u00e1ria, cadeias produtivas que fortale\u00e7am nossa autonomia.\u201d<\/p>\n\n<p>Para Julio Ye\u2019kwana Yanomami, os sistemas de alerta s\u00e3o fundamentais para coibir o garimpo, mas \u00e9 essencial que o monitoramento seja realizado tamb\u00e9m pelos pr\u00f3prios ind\u00edgenas: \u201cN\u00f3s, povos ind\u00edgenas, precisamos estar sempre ativos na defesa do territ\u00f3rio, n\u00e3o apenas esperar pelo governo. Nossa terra \u00e9 grande e fiscalizar custa caro. N\u00e3o podemos depender apenas da Funai ou do governo. Queremos formar jovens para operar drones e realizar o monitoramento territorial por meio das associa\u00e7\u00f5es Yanomami.\u201d<\/p>\n\n<p>Ele tamb\u00e9m destacou os avan\u00e7os percebidos ap\u00f3s o in\u00edcio da desintrus\u00e3o, em 2023: \u201cDepois da desintrus\u00e3o, vimos a \u00e1gua voltar a ficar limpa, as crian\u00e7as retornando para a aldeia e mais seguran\u00e7a. A desintrus\u00e3o \u00e9 muito positiva, mas n\u00e3o basta apenas retirar o garimpo, \u00e9 preciso tamb\u00e9m criar alternativas econ\u00f4micas para as cidades vizinhas ao territ\u00f3rio e para os jovens.\u201d<\/p>\n\n<p>Patkore Kayap\u00f3 destacou que o garimpo n\u00e3o provoca apenas destrui\u00e7\u00e3o ambiental, mas tamb\u00e9m desuni\u00e3o entre as comunidades: \u201cHoje sofremos com rios contaminados, como o Rio Fresco e o Rio Branco, tomados pelo barro e pela lama. O garimpo traz fac\u00e7\u00f5es criminosas, drogas, armas e bebidas alco\u00f3licas. Quando os invasores saem, deixam para tr\u00e1s a terra revirada, maquin\u00e1rio queimado e \u00f3leo derramado. Precisamos recuperar o territ\u00f3rio com projetos sustent\u00e1veis que garantam nossa sobreviv\u00eancia e mantenham a floresta viva.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Territ\u00f3rio Yanomami apresenta o melhor resultado, com 8,16 hectares de desmatamento para explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro no per\u00edodo<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":59561,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[60],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-59559","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-garimpo","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59559","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59559"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59559\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59563,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59559\/revisions\/59563"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59561"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59559"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59559"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59559"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=59559"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}