{"id":6040,"date":"2018-11-12T07:37:07","date_gmt":"2018-11-12T10:37:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=6040"},"modified":"2019-11-06T05:20:08","modified_gmt":"2019-11-06T08:20:08","slug":"relatorio-segure-a-linha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/publicacoes\/relatorio-segure-a-linha\/","title":{"rendered":"Segure a linha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_6042\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6042\" class=\"size-medium wp-image-6042\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg-300x200.jpg\" alt=\"'Hold the Line' report. \u00a9 Marizilda Cruppe\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/2b37af3f-gp0stsncg.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-6042\" class=\"wp-caption-text\">A regi\u00e3o entre os estados do MA, TO, PI e BA, conhecida como MATOPIBA, \u00e9 considerada a vitrine do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p><\/div>\n<p>O debate acerca do avan\u00e7o da agropecu\u00e1ria sobre novas fronteiras no Cerrado tem se dividido em duas correntes. De um lado, h\u00e1 o discurso dominante a respeito da expans\u00e3o da cultura da soja, que tem como portadores as principais organiza\u00e7\u00f5es e lideran\u00e7as do setor empresarial ou a ele ligadas. Nele argumenta-se que tal atividade \u00e9 fundamentalmente ben\u00e9fica para a regi\u00e3o, cujas caracter\u00edsticas marcantes no per\u00edodo anterior \u00e0 chegada dos investimentos na produ\u00e7\u00e3o de soja eram justamente a baixa din\u00e2mica econ\u00f4mica e a precariedade dos indicadores sociais.<\/p>\n<p>A acentuada remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa, criticada por ambientalistas, \u00e9 reconhecida pelas organiza\u00e7\u00f5es e agentes ligados \u00e0quele setor, mas apresentada como uma esp\u00e9cie de \u201ccusto inerente ao progresso\u201d.<\/p>\n<p><strong>A expans\u00e3o do Agroneg\u00f3cio e a disputa pelo Cerrado<\/strong>:<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/904dd412-relatorio_greenpeace_matopiba.pdf\">&gt;&gt; Leia o relat\u00f3rio completo<\/a><\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s cr\u00edticas pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental, essas lideran\u00e7as reiteradamente afirmam que o setor cumpre o que est\u00e1 na lei, em uma refer\u00eancia \u00e0 alegada observ\u00e2ncia de destina\u00e7\u00e3o de terras com vegeta\u00e7\u00e3o nativa para a forma\u00e7\u00e3o das reservas legais, a ado\u00e7\u00e3o de instrumentos como o licenciamento ambiental agropecu\u00e1rio, quando exigido, ou o respeito \u00e0s normas de uso de agrot\u00f3xicos e demais insumos qu\u00edmicos entre outros temas. Os casos de des\u00adrespeito aos preceitos legais s\u00e3o tratados como mera exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E o posicionamento pol\u00edtico das organiza\u00e7\u00f5es do setor reivindicando o afrouxamento de alguns desses marcos legais, tamb\u00e9m n\u00e3o aparece nesse discurso. Essa narrativa encontra correspondentes no ambiente acad\u00eamico. Autores que tratam a tem\u00e1tica consideram que, apesar dos problemas econ\u00f4micos, pol\u00edticos e ambientais, o novo padr\u00e3o de acumula\u00e7\u00e3o instalado na agricultura brasileira e praticado na fronteira de expans\u00e3o dos cerrados \u00e9 predominantemente positivo. Mais que isso, muitos autores agregam que estaria em curso uma mudan\u00e7a de comportamento no setor, com a crescente ades\u00e3o a pr\u00e1ticas de conserva\u00e7\u00e3o como plantio direto, certa diversifica\u00e7\u00e3o em rota\u00e7\u00e3o de cultivos, novas tecnologias poupadoras de recursos, t\u00edpicas do que vem sendo chamada de agricultura de precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, tendo como portadores parte significativa dos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es parceiras, h\u00e1 o discurso oposto, no qual os aspectos negativos, certamente existentes, s\u00e3o mais enfatizados. Nessa segunda narrativa a \u00eanfase tem sido posta nos efeitos da expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria sobre o meio ambiente e sobre as comunidades tradicionais. Al\u00e9m da perda da vegeta\u00e7\u00e3o nativa e da eros\u00e3o da biodiversidade, o tema dos recursos h\u00eddricos vem ganhando relevo crescentemente.<\/p>\n<p>No Matopiba, esses temas al\u00e7aram o Cerrado ao primeiro plano no discurso de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que atuam no campo dos problemas ambientais, pois nesta regi\u00e3o est\u00e1 boa parte do que resta de vegeta\u00e7\u00e3o nativa do bioma. Tamb\u00e9m contribui para essa recente aten\u00e7\u00e3o o igualmente crescente interesse internacional por investimentos nessa \u00e1rea. A presen\u00e7a de grupos estrangeiros \u00e9 cada vez maior \u00e0 esteira dos processos de valoriza\u00e7\u00e3o de terras como ativo financeiro.<\/p>\n<p>A imagem que sobressai dessa nar\u00adrativa \u00e9 de uma regi\u00e3o cujos recur\u00adsos naturais v\u00eam passando por um processo acentuado de deple\u00e7\u00e3o sob formas violentas e com enormes preju\u00edzos para as comunidades que antes dependiam desses mesmos recursos para manter seus modos de vida. Igualmente forte \u00e9 a ima\u00adgem de um territ\u00f3rio que vai passan\u00addo gradativamente \u00e0s m\u00e3os e ao controle de grupos transnacionais, diminuindo a autonomia e a sobe\u00adrania do pa\u00eds sobre uma base de recursos absolutamente estrat\u00e9gicos nos quadros de um futuro fortemen\u00adte marcado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1\u00adticas e por certa escassez de alguns valiosos recursos dispon\u00edveis no lo\u00adcal, como a \u00e1gua, a terra e a biodiver\u00adsidade. Uma narrativa que se expressa por meio de publica\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es sociais como Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (CIMI), Rede Social de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, Action Aid, mas tamb\u00e9m encontrada em trabalhos cient\u00edficos de grande respaldo.<\/p>\n<p>Tendo por refer\u00eancia esta oposi\u00e7\u00e3o de narrativas, o objetivo deste trabalho \u00e9 verificar se existem evid\u00eancias na dire\u00e7\u00e3o dos argumentos expostos acima e que permitiriam p\u00f4r sob suspei\u00e7\u00e3o a narrativa dominante a respeito dos custos e dos benef\u00edcios da expans\u00e3o da soja no Matopiba e, ao mesmo tempo, levar perspectiva cr\u00edtica a uma melhor considera\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es e ambiguidades existentes, condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o melhor encaminhamento de alternativas e busca de solu\u00e7\u00f5es para os problemas elencados.<\/p>\n<p>O que se pretende demonstrar \u00e9 que a an\u00e1lise aprofundada da din\u00e2mica desencadeada com a expans\u00e3o da soja n\u00e3o corrobora o discurso predominante entre os agentes do setor e o senso comum de que o desmatamento representa um custo inerente ao progresso econ\u00f4mico e social da regi\u00e3o. Diferente disso, a pr\u00f3pria ideia de progresso econ\u00f4mico e social no Matopiba poderia ser posta em quest\u00e3o, \u00e0 medida que, juntamente com a eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da renda \u2013 e, sobretudo, por conta do modelo econ\u00f4mico pelo qual isso se d\u00e1 \u2013 estaria ocorrendo um aumento da desigualdade, a gera\u00e7\u00e3o de uma din\u00e2mica econ\u00f4mica fortemente concentrada e especializada e, pois, com baixa resili\u00eancia ambiental e baixa capacidade de cria\u00e7\u00e3o de empregos e de la\u00e7os econ\u00f4micos locais.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do custo ambiental haveria, portanto, um custo econ\u00f4mico e social de longa dura\u00e7\u00e3o que estaria sendo mascarado por aparentes ganhos de curto prazo. Em outras palavras, a regi\u00e3o estaria se transformando em um enclave de produ\u00e7\u00e3o de commodities, com efeitos positivos espacialmente limitados e sem benef\u00edcios duradouros para o tecido social do territ\u00f3rio, algo ainda oculto ao julgamento do senso comum e \u00e0 parte da literatura especializada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate acerca do avanc\u0327o da agropecua\u0301ria sobre novas fronteiras no Cerrado tem se dividido em duas correntes1. 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