{"id":6172,"date":"2015-09-27T10:22:07","date_gmt":"2015-09-27T13:22:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=6172"},"modified":"2025-07-02T04:37:42","modified_gmt":"2025-07-02T07:37:42","slug":"as-promessas-ambientais-do-brasil-para-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/as-promessas-ambientais-do-brasil-para-o-mundo\/","title":{"rendered":"As promessas ambientais do Brasil para o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Cumprir a lei florestal s\u00f3 em 2030, alcan\u00e7ar metas para energias renov\u00e1veis menores que as j\u00e1 praticadas e efetuar grandes investimentos em fontes f\u00f3sseis s\u00e3o algumas das contradi\u00e7\u00f5es<\/p>\n<div id=\"attachment_6174\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6174\" class=\"size-full wp-image-6174\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i.jpg\" alt=\"Deforestation and Water Crisis Banner in the Amazon. \" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i.jpg 1200w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/11\/46d0b31b-gp0stoy9i-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-6174\" class=\"wp-caption-text\">\u00c1rea rec\u00e9m desmatada em Roraima.<\/p><\/div>\n<p>Neste domingo, 27 de outubro, a Presidente Dilma anunciou, em assembl\u00e9ia da ONU, os planos que o Brasil deve submeter oficialmente como sua contribui\u00e7\u00e3o no combate \u00e0s mudan\u00e7as do clima \u2013 e as metas apresentam pontos de incoer\u00eancia preocupantes.<\/p>\n<p>Para o governo, chegaremos em 2030 emitindo 1,33 bilh\u00f5es de toneladas de carbono, n\u00famero 33% maior do que as proje\u00e7\u00f5es do que seria poss\u00edvel fazer segundo proposta de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Apesar de ficarem aqu\u00e9m do desej\u00e1vel, o formato de metas absolutas e o fato de apresentar n\u00fameros de redu\u00e7\u00e3o para os anos de 2025 e 2030 s\u00e3o bons indicadores. Por\u00e9m, na \u00e1rea de florestas, setor do pa\u00eds que mais emite gases que aquecem o planeta, o governo derrapa e a conta n\u00e3o fecha, o que coloca boa parte do plano em suspens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO discurso do governo impressiona a plateia, principalmente quando comparado com o deserto de promessas de muitos outros pa\u00edses. Mas quando olhamos com o cuidado necess\u00e1rio, a parte de florestas \u00e9 baseada em premissas falhas e continua permitindo o desmatamento, al\u00e9m de perder oportunidades no setor de energia\u201d, diz Marcio Astrini, do Greenpeace.<\/p>\n<p>Florestas<\/p>\n<p>Na parte de florestas, o plano se baseia em implementar a lei (c\u00f3digo florestal), mas s\u00f3 daqui 15 anos, deixando claro que at\u00e9 l\u00e1 permitir\u00e1 novos desmatamentos compensados com replantio. Para o governo, isso seria suficiente para reduzir drasticamente as emiss\u00f5es do setor. Mas a conta n\u00e3o fecha.<\/p>\n<p>Segundo estudo publicado na revista Science, os professores da Universidade Federal de Minas Gerais, Britaldo Soares e Raoni Rajao afirmam que a simples implementa\u00e7\u00e3o da lei de florestas n\u00e3o ser\u00e1 capaz de deter a perda de cobertura florestal, podendo, inclusive, permitir que mais de 88 milh\u00f5es de hectares sejam liberados para o desmatamento, aumentando nossa conta de emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Compensar \u00e1reas legalmente autorizadas indica que o desmatamento continuar\u00e1, e a taxas n\u00e3o determinadas. Al\u00e9m disso, o replantio de novas \u00e1reas desmatadas n\u00e3o compensam economicamente, visto que \u00e9 muito mais custoso do que preserv\u00e1-las. A proposta de novos desmatamento perde ainda mais sentido devido ao fato de que o Brasil j\u00e1 det\u00e9m \u00e1reas abertas em quantidade suficiente para assegurar o aumento da produ\u00e7\u00e3o de alimentos sem a necessidade de novas derrubadas de vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Soma-se a isso o problema de que o caminho escolhido pelo governo para resolver a situa\u00e7\u00e3o das florestas simplesmente ignora instrumentos como a cria\u00e7\u00e3o de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e terras ind\u00edgenas, que s\u00e3o seguramente a maneira mais eficiente de frear o desmatamento.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m da conta do plano para florestas n\u00e3o fechar, o anunciado traz um problema ainda mais grave, que \u00e9 moral, ao ter como meta cumprir a legisla\u00e7\u00e3o daqui a 15 anos (em 2030). Na pr\u00e1tica, isso significa que, em sua gest\u00e3o, o crime florestal vingar\u00e1 e ainda sentencia que os outros pr\u00f3ximos tr\u00eas mandatos presidenciais seguir\u00e3o o mesmo caminho. Tudo isso em um momento do pa\u00eds no qual as pessoas n\u00e3o aguentam mais ouvir falar em crime e m\u00e1 gest\u00e3o. O exemplo \u00e9 negativo e vem da Presidente. Lament\u00e1vel\u201d, completa Astrini.<\/p>\n<p>Energia<\/p>\n<p>Para energia, a meta de alcan\u00e7ar 23% das fontes e\u00f3lica, solar e biomassa na matriz el\u00e9trica de 2030 \u00e9 positiva, mas fica abaixo do ritmo atual de contrata\u00e7\u00e3o dessas fontes em leil\u00f5es. Para chegar nesse patamar, a contrata\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual necess\u00e1ria seria de 3,1 GW, mas, s\u00f3 em 2015, j\u00e1 contratamos 3,7 GW. A inten\u00e7\u00e3o de reduzir o consumo de eletricidade de 2030 em 10% por conta de medidas de efici\u00eancia energ\u00e9tica n\u00e3o representa novidade, pois j\u00e1 vinha do Plano Nacional de Efici\u00eancia Energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O que fica mal explicado \u00e9 a partir de quando e como o governo pretende mudar os rumos que vem adotando no setor at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, as medidas efetivas para o setor se concentraram em carboniz\u00e1-lo com pol\u00edticas como o subsidio da gasolina, que levou ao decl\u00ednio acentuado da ind\u00fastria da cana, nos descontos no IPI para incentivar o uso de carros em detrimento de investimentos em transporte p\u00fablico, na nega\u00e7\u00e3o de linhas de cr\u00e9dito para a energia solar distribu\u00edda e tecnologias de <em>smartgrids<\/em>. O plano decenal de energia, que \u00e9 a express\u00e3o mais clara da vis\u00e3o do governo para a \u00e1rea, prev\u00ea que 70% de investimentos do setor para a pr\u00f3xima d\u00e9cada ocorrer\u00e3o em fontes f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>\u201cPoderia ser mais ousado. Mas o problema maior \u00e9 que, no discurso, o plano apresenta um rumo, e na pr\u00e1tica, os investimentos do governo ocorrem em outro\u201d, afirma Astrini.<\/p>\n<p>Agricultura<\/p>\n<p>N\u00e3o ficou claro quais ser\u00e3o os resultados em termos de redu\u00e7\u00e3o para o setor. Iniciativas como a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de pastagens e a promo\u00e7\u00e3o de modelos que combinem florestas e agricultura, com baixo carbono, j\u00e1 existem e s\u00e3o bem-vindas, mas, at\u00e9 o momento, n\u00e3o sa\u00edram do papel. Dos bilh\u00f5es destinados anualmente para o setor, apenas uma \u00ednfima parcela tem como objetivo promover a diminui\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um setor dos mais importantes. Na pecu\u00e1ria, por exemplo, poderemos ter uma solu\u00e7\u00e3o matricial, que \u00e9 resolver o problema de emiss\u00f5es ent\u00e9ricas, al\u00e9m de liberar \u00e1reas para o desenvolvimento da agricultura e diminuir a press\u00e3o sobre a floresta.<\/p>\n<p>Eliminar o desmatamento, investir em renov\u00e1veis e na melhoria de nossa agricultura n\u00e3o \u00e9 um favor que fazemos ao mundo. \u00c9 um investimento na garantia do nosso desenvolvimento e um benef\u00edcio econ\u00f4mico ao pa\u00eds. Devemos perseguir estas metas independente do que os outros pa\u00edses far\u00e3o e de toda essa discuss\u00e3o em torno da crise clim\u00e1tica, pois \u00e9 vantajoso do ponto de vista social, econ\u00f4mico e para nosso desenvolvimento.<\/p>\n<p>Caso n\u00e3o cheguemos \u00e0 um acordo, seremos um dos pa\u00edses mais impactados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, o que trar\u00e1 consequ\u00eancias desastrosas para a economia, visto que boa parte dela \u00e9 baseada na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, vulner\u00e1vel ao clima, assim como nossa energia, que depende de estabilidade h\u00eddrica. Nesse contexto, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas cobrar\u00e3o uma conta que ir\u00e1 recair sobre os mais pobres. Acima de tudo, a quest\u00e3o clim\u00e1tica \u00e9 um problema social, ainda mais para o Brasil, e devemos liderar essa agenda. Qualquer falta de ambi\u00e7\u00e3o em clima prejudicar\u00e1 diretamente as popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cumprir a lei florestal s\u00f3 em 2030, alcan\u00e7ar metas para energias renov\u00e1veis menores que as j\u00e1 praticadas e efetuar grandes investimentos em fontes f\u00f3sseis s\u00e3o algumas das contradi\u00e7\u00f5es Neste domingo,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":6174,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-6172","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6172"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6172\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58396,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6172\/revisions\/58396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6172"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=6172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}