{"id":62200,"date":"2026-01-08T11:36:53","date_gmt":"2026-01-08T14:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=62200"},"modified":"2026-02-06T13:27:52","modified_gmt":"2026-02-06T16:27:52","slug":"retrocesso-associacao-das-gigantes-da-soja-abandona-a-moratoria-da-soja-e-coloca-a-amazonia-em-risco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/retrocesso-associacao-das-gigantes-da-soja-abandona-a-moratoria-da-soja-e-coloca-a-amazonia-em-risco\/","title":{"rendered":"Retrocesso: gigantes da soja abandonam a Morat\u00f3ria da Soja e colocam a Amaz\u00f4nia em risco \u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:22px\"><em>Ao deixar o mais bem-sucedido acordo de desmatamento zero do mundo, a ABIOVE exp\u00f5e a Amaz\u00f4nia e a credibilidade da soja brasileira.<\/em><\/p>\n\n<p>O Greenpeace Brasil manifesta profunda preocupa\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o com o an\u00fancio feito em 5 de janeiro pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de \u00d3leos Vegetais (ABIOVE), representando as <strong>maiores traders de soja do Brasil<\/strong>, de que ir\u00e1 se retirar da <strong>Morat\u00f3ria da Soja<\/strong> e deixar de honrar o compromisso de n\u00e3o adquirir soja proveniente de \u00e1reas desmatadas na Amaz\u00f4nia ap\u00f3s julho de 2008. Um retrocesso sem precedentes nos esfor\u00e7os de controle do desmatamento no Brasil, desmontando um acordo que por quase duas d\u00e9cadas provou ser capaz de conciliar produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, em linha com as metas clim\u00e1ticas brasileiras e internacionais.<\/p>\n\n<p>Apesar de o comunicado da ABIOVE n\u00e3o deixar claro quais traders acompanham a decis\u00e3o da associa\u00e7\u00e3o, a maior parte dos logos de suas associadas foi removida do site oficial do acordo, incluindo gigantes do setor e multinacionais como ADM, Bunge e Cargill.<\/p>\n\n<p class=\"has-text-align-center has-green-400-background-color has-background\"><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color\"><strong>Lista dos logos que \u201csumiram\u201d do <\/strong><a href=\"https:\/\/moratoriadasoja.com.br\/\"><strong>site da Morat\u00f3ria da Soja<\/strong><\/a>:<\/mark><br><br><strong>ADM DO BRASIL<\/strong> \/ AGREX  \/ AGR\u00cdCOLA ALVORADA <br><strong>AMAGGI <\/strong>\/ BTG PACTUAL  \/  <strong>BUNGE  \/  CARGILL  <\/strong>\/ CHS <br>CJ SELECTA \/ COFCO   \/  DUAL \/\u00a0 FIAGRIL \/ IMCOPA<br><strong>LOUIS DREYFUS COMPANY (LDC) <\/strong>\/  3TENTOS <\/p>\n\n<p>A sa\u00edda das empresas ocorre no contexto da entrada em vigor da <strong>Lei n\u00ba 12.709\/2024 do Mato Grosso<\/strong>, que restringe o acesso a benef\u00edcios fiscais estaduais a empresas que adotam padr\u00f5es ambientais volunt\u00e1rios mais ambiciosos do que os exigidos por lei, como a participa\u00e7\u00e3o na Morat\u00f3ria da Soja. \u00c9 fundamental esclarecer que <strong>a Morat\u00f3ria n\u00e3o foi encerrada por lei nem por decis\u00e3o judicial<\/strong>. O acordo segue legal e v\u00e1lido, tendo sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal como ben\u00e9fico para o meio ambiente e para a economia brasileira. Al\u00e9m disso, a constitucionalidade desta lei ainda est\u00e1 sob an\u00e1lise do STF e n\u00e3o foi julgada em definitivo. O Greenpeace Brasil atua como <em>amicus curiae<\/em> nesta a\u00e7\u00e3o e tem levado ao processo argumentos jur\u00eddicos sobre a inconstitucionalidade da lei, bem como argumentos t\u00e9cnicos sobre os riscos do fim da Morat\u00f3ria da Soja.<\/p>\n\n<p>A decis\u00e3o das traders, portanto, <strong>n\u00e3o \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o legal, mas uma escolha empresarial. <\/strong>Ao optarem por sair da Morat\u00f3ria, essas empresas se afastam de um acordo reconhecido internacionalmente como refer\u00eancia na agenda clim\u00e1tica e sinalizam que est\u00e3o priorizando o acesso a incentivos fiscais financiados com recursos p\u00fablicos em detrimento de compromissos reais com o desmatamento zero e o enfrentamento da crise clim\u00e1tica.<\/p>\n\n<p>Em vigor desde 2006, a Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um acordo entre empresas, sociedade civil e governo que impede a compra de soja produzida em \u00e1reas desmatadas na Amaz\u00f4nia ap\u00f3s julho de 2008. <strong>Entre 2009 e 2022, o desmatamento caiu 69% nos munic\u00edpios monitorados, enquanto a \u00e1rea plantada com soja no bioma cresceu 344%.<\/strong> Hoje, apenas 3,4% da soja produzida na Amaz\u00f4nia est\u00e1 fora das regras do acordo, um diferencial essencial para o acesso a mercados exigentes, como a Uni\u00e3o Europeia. A Morat\u00f3ria da Soja provou que \u00e9 poss\u00edvel expandir a produ\u00e7\u00e3o sem destruir florestas, reduzindo o desmatamento enquanto o setor crescia. Trata-se do acordo de desmatamento zero mais eficaz j\u00e1 criado.<\/p>\n\n<p>Apesar de seus resultados comprovados, a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/apos-forte-pressao-ruralista-moratoria-da-soja-que-regulava-a-comercializacao-de-soja-de-areas-desmatadas-e-suspensa\/?utm_source=p4&amp;utm_medium=organic&amp;utm_campaign=desmatamento&amp;utm_content=link&amp;utm_term=informar\">Morat\u00f3ria vem sendo alvo de ataques coordenados no Brasil<\/a>, por meio de propostas legislativas e <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/decisao-do-cade-em-manter-moratoria-da-soja-vigente-e-positiva-mas-greenpeace-brasil-alerta-que-medida-nao-e-definitiva\/?utm_source=p4&amp;utm_medium=organic&amp;utm_campaign=desmatamento&amp;utm_content=link&amp;utm_term=informar\">iniciativas que buscam enfraquecer o acordo<\/a>. Estudos indicam que o fim da Morat\u00f3ria pode levar a uma expans\u00e3o descontrolada da soja sobre a floresta. H\u00e1 um risco real do crescimento do desmatamento em larga escala na Amaz\u00f4nia, em um momento em que o bioma j\u00e1 se aproxima de pontos cr\u00edticos irrevers\u00edveis. Um levantamento preliminar do IPAM aponta que <strong>o desmatamento na Amaz\u00f4nia pode aumentar em at\u00e9 30% at\u00e9 2045 caso o acordo seja desmantelado<\/strong>, com impactos diretos sobre as metas clim\u00e1ticas do Brasil.\u00a0<\/p>\n\n<p class=\"has-action-yellow-500-background-color has-background has-medium-font-size\"><strong><mark style=\"background-color:#ffffff\" class=\"has-inline-color has-grey-900-color\">O que \u00e9 a Morat\u00f3ria da Soja ? <\/mark> <\/strong><br><br>Criada em 2006, a Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um acordo volunt\u00e1rio entre empresas, produtores, sociedade civil e governo que pro\u00edbe a compra de soja cultivada em \u00e1reas desmatadas na Amaz\u00f4nia ap\u00f3s julho de 2008.<br><strong>\ud83c\udf31 Por que surgiu?<\/strong><br>No in\u00edcio dos anos 2000, a soja era um dos principais vetores de desmatamento da Amaz\u00f4nia.<br><strong>\u270a O papel do Greenpeace<\/strong><br>O Greenpeace liderou uma campanha global de den\u00fancia, pressionando grandes compradores e impulsionando a cria\u00e7\u00e3o do acordo. Desde ent\u00e3o, atua no monitoramento, di\u00e1logo com o setor e defesa da Morat\u00f3ria.<br><strong>\ud83d\udcc9 Resultados comprovados<\/strong><br>A Morat\u00f3ria ajudou a reduzir drasticamente o desmatamento enquanto a produ\u00e7\u00e3o de soja crescia, tornando-se uma refer\u00eancia mundial em desmatamento zero.<br><br><strong>Menos desmatamento, mais produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br>   <strong>&#8211; 69%<\/strong> de desmatamento nos munic\u00edpios monitorados (2009\u20132022)<br>  <strong>+ 344%<\/strong> de crescimento da \u00e1rea de soja no bioma Amaz\u00f4nia (2009\u20132022)<br>  <strong>96,6%<\/strong> da soja amaz\u00f4nica hoje \u00e9 produzida <strong>em \u00e1reas j\u00e1 abertas<\/strong><br>  Apenas <strong>3,4%<\/strong> da \u00e1rea cultivada est\u00e1 fora das regras da Morat\u00f3ria<br><br><strong>Antes x Depois da Morat\u00f3ria<\/strong><br>   Antes: <strong>~30%<\/strong> da expans\u00e3o da soja sobre vegeta\u00e7\u00e3o nativa<br>   Depois: <strong>~3,4% <\/strong>da soja produzida na Amaz\u00f4nia est\u00e1 fora das regras do acordo<br><br><strong>A Morat\u00f3ria n\u00e3o travou o agroneg\u00f3cio, e sim orientou a produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br>    \u00c1rea plantada cresceu de <strong>1,64 milh\u00e3o ha<\/strong> (2007\/08) para <strong>7,28 milh\u00f5es   ha<\/strong> (2022\/23)<br>    Crescimento m\u00e9dio de <strong>403 mil hectares por ano<\/strong><\/p>\n\n<p>Em um momento cr\u00edtico para a Amaz\u00f4nia e para o clima global, enfraquecer a Morat\u00f3ria da Soja \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o oposta do que o mundo precisa. As decis\u00f5es tomadas agora pelas grandes empresas ter\u00e3o consequ\u00eancias duradouras para as florestas, para o clima e para a reputa\u00e7\u00e3o do Brasil no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n\n<p>Ao se retirarem da Morat\u00f3ria da Soja, as maiores traders rompem com um compromisso que sustentou por quase 20 anos a reputa\u00e7\u00e3o e a credibilidade da soja brasileira livre de desmatamento no mercado internacional. Sem um mecanismo equivalente, transparente e independente de controle do desmatamento, essas empresas assumem o risco e a responsabilidade de recolocar o desmatamento no centro da cadeia da soja.<\/p>\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fica agora a pergunta: essas empresas aceitam mesmo trocar o compromisso de desmatamento zero por um punhado de benef\u00edcio fiscal?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao deixar o mais bem-sucedido acordo de desmatamento zero do mundo, a ABIOVE exp\u00f5e a Amaz\u00f4nia e a credibilidade da soja brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":142,"featured_media":62207,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49],"tags":[46],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-62200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","tag-desmatamento","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/142"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62200"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62555,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62200\/revisions\/62555"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62200"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=62200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}