{"id":62332,"date":"2026-01-29T09:00:00","date_gmt":"2026-01-29T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=62332"},"modified":"2026-01-29T11:57:29","modified_gmt":"2026-01-29T14:57:29","slug":"visibilidade-trans-trabalho-e-dignidade-por-que-29-de-janeiro-e-sobre-direitos-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/visibilidade-trans-trabalho-e-dignidade-por-que-29-de-janeiro-e-sobre-direitos-e-futuro\/","title":{"rendered":"Visibilidade trans, trabalho e dignidade: por que 29 de janeiro \u00e9 sobre direitos e futuro\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-1024x683.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-62334\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-1024x683.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-300x200.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-768x512.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-1536x1024.png 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-2048x1366.png 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/01\/a99f5679-image-13-510x340.png 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption><div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ M\u00eddia Ninja<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p><em>O dia 29 de janeiro marca a import\u00e2ncia da visibilidade \u00e0s viv\u00eancias, lutas e conquistas da <\/em><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-respeito-transforma\/\"><em>popula\u00e7\u00e3o trans<\/em><\/a><em> no Brasil. Mais do que uma data simb\u00f3lica, \u00e9 um convite \u00e0 escuta e ao respeito.<\/em><\/p>\n\n<p><em>O Greenpeace Brasil acredita que a mobiliza\u00e7\u00e3o por justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um mundo saud\u00e1vel e seguro para todas as pessoas e formas de vida. Temos um compromisso com a diversidade e com a luta pela garantia de direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIAPN+, <\/em><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/jaquetas-feitas-a-partir-de-bandeira-do-greenpeace-brasil-sao-doadas-a-pessoas-lgbtqiapn\/\"><em>diretamente afetada pelos eventos clim\u00e1ticos extremos.<\/em><\/a><\/p>\n\n<p><em>Por isso, convidamos a ativista <strong>\u00c1gata Pauer<\/strong> para ocupar esse espa\u00e7o e compartilhar reflex\u00f5es com nossos leitores.<\/em><\/p>\n\n<p><em>\u00c1gata Pauer (<\/em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/agatapauer\/\"><em>@agatapauer<\/em><\/a><em>) \u00e9 CEO e fundadora da Ag\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o Leb\u00e1, do Portal Leb\u00e1 e ativista pelos direitos humanos. Al\u00e9m disso, \u00e9 comunicadora, criadora de conte\u00fado e consultora em Diversidade e Inclus\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n<p><strong>_<\/strong><\/p>\n\n<p>O dia 29 de janeiro marca, no Brasil, o <strong>Dia Nacional da Visibilidade Trans.<\/strong> Institu\u00edda em 2004 a partir da campanha \u201cTravesti e Respeito\u201d, lan\u00e7ada no Congresso Nacional por organiza\u00e7\u00f5es do movimento social, a data n\u00e3o nasce como uma celebra\u00e7\u00e3o abstrata, mas como um marco pol\u00edtico de afirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, da dignidade e dos direitos de pessoas trans e travestis em um pa\u00eds historicamente estruturado pela exclus\u00e3o e pela viol\u00eancia contra esses corpos.\u00a0<\/p>\n\n<p>Demarcar o 29 de janeiro \u00e9 reconhecer que a visibilidade n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesma. Ela \u00e9 instrumento de disputa narrativa, pol\u00edtica e institucional. \u00c9 uma resposta direta a um sistema que insiste em relegar pessoas trans e travestis \u00e0 marginalidade, ao desemprego, \u00e0 informalidade, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 morte. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um chamado para ampliar o enquadramento: n\u00e3o basta contar hist\u00f3rias de assassinatos \u2014<strong> \u00e9 preciso contar hist\u00f3rias de vida, de trabalho, de produ\u00e7\u00e3o intelectual, de lideran\u00e7a e de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/strong><\/p>\n\n<p>A realidade material da popula\u00e7\u00e3o trans e travesti no Brasil revela que a exclus\u00e3o do mercado de trabalho formal \u00e9 uma das engrenagens centrais da desigualdade. A dificuldade de acesso ao emprego digno, aliada \u00e0 perman\u00eancia em ambientes institucionais marcados por transfobia, empurra grande parte dessa popula\u00e7\u00e3o para a informalidade, para ocupa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias ou para trajet\u00f3rias interrompidas. N\u00e3o se trata de incapacidade individual, mas de um sistema que bloqueia oportunidades desde a escola at\u00e9 o mundo do trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, iniciativas como o <a href=\"https:\/\/www.transempregos.com.br\/\">TransEmpregos<\/a> e outras a\u00e7\u00f5es de empregabilidade trans cumprem um papel estrat\u00e9gico ao enfrentar, na pr\u00e1tica, a exclus\u00e3o estrutural. Elas demonstram que quando barreiras institucionais s\u00e3o removidas, pessoas trans e travestis ocupam postos de trabalho, constroem carreiras, inovam e fortalecem organiza\u00e7\u00f5es. Garantir dignidade passa, necessariamente, por garantir direitos trabalhistas, renda, estabilidade e reconhecimento profissional.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Falar de visibilidade trans tamb\u00e9m exige deslocar o olhar da l\u00f3gica da exce\u00e7\u00e3o para a l\u00f3gica da presen\u00e7a. O Brasil \u00e9 atravessado por trajet\u00f3rias de pessoas trans que quebram paradigmas todos os dias: profissionais que ocupam espa\u00e7os de decis\u00e3o, intelectuais que produzem conhecimento, lideran\u00e7as que reconfiguram pr\u00e1ticas institucionais.&nbsp; Exemplos como J\u00e9ssica Ferreira, Let\u00edcia Nascimento, Bruna Benevides, Jaqueline Gomes de Jesus, Neon Cunha, Leonardo Pe\u00e7anha, Bruno Ramos, Stefan Costa, Aron Giovanni, Jo\u00e3o W. Nery, entre tantas outras pessoas trans e travestis, mostram que a exclus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 destino, mas projeto social que pode e deve ser desmontado.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Valorizar essas trajet\u00f3rias n\u00e3o \u00e9 criar her\u00f3is individuais, mas disputar o imagin\u00e1rio social. \u00c9 afirmar que pessoas trans e travestis produzem ci\u00eancia, cultura, pol\u00edtica, cuidado, gest\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 romper com a narrativa \u00fanica da dor e da morte, sem negar a viol\u00eancia, mas recusando que ela seja o \u00fanico enquadramento poss\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fruto da atua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de organiza\u00e7\u00f5es e movimentos trans e travestis, que constroem agendas pol\u00edticas, produzem dados, formulam propostas e tensionam o Estado e a sociedade civil. Esses movimentos n\u00e3o apenas denunciam viola\u00e7\u00f5es, mas elaboram caminhos concretos para pol\u00edticas p\u00fablicas, inclus\u00e3o institucional e justi\u00e7a social. Eles s\u00e3o parte fundamental da constru\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Nesse debate, \u00e9 importante tensionar o uso recorrente da ideia de \u201calian\u00e7a\u201d. Muitas vezes, a no\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a pressup\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica de poder, na qual quem se diz aliado mant\u00e9m intactos seus privil\u00e9gios enquanto oferece apoio simb\u00f3lico. Pensar justi\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o trans e travesti exige ir al\u00e9m da alian\u00e7a e encarar a necessidade de trair pactos estruturais que sustentam a transfobia.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A intelectual Cida Bento, ao refletir sobre o pacto narc\u00edsico da branquitude, aponta como grupos dominantes constroem acordos silenciosos de prote\u00e7\u00e3o m\u00fatua para preservar privil\u00e9gios e excluir outros corpos e experi\u00eancias. Essa reflex\u00e3o ajuda a compreender que n\u00e3o existe um \u201cpacto da cisgeneridade\u201d formal, mas h\u00e1 pr\u00e1ticas sociais, institucionais e culturais que funcionam como pactos de manuten\u00e7\u00e3o da norma cisg\u00eanera. Romper com isso n\u00e3o \u00e9 apenas apoiar pessoas trans, \u00e9 trair conscientemente um sistema que naturaliza desigualdades.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Nesse sentido, a responsabilidade coletiva passa por escolhas cotidianas: quem lemos, quem seguimos, quem contratamos, quem promovemos, quem escutamos. Consumir produ\u00e7\u00f5es audiovisuais de pessoas trans, ler intelectuais trans e travestis, reconhecer suas autoridades e legitimar seus saberes \u00e9 parte concreta do processo de transforma\u00e7\u00e3o social.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O 29 de janeiro, portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas uma data de visibilidade. \u00c9 uma convoca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Garantir direitos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans e travesti \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para qualquer projeto de sociedade que se pretenda democr\u00e1tico, justo e sustent\u00e1vel. Sem trabalho digno, sem reconhecimento institucional, sem ruptura com pactos de exclus\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7o poss\u00edvel \u2014 apenas a reprodu\u00e7\u00e3o das mesmas viol\u00eancias sob novas narrativas.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Visibilidade, quando comprometida com direitos, \u00e9 ferramenta de mudan\u00e7a. Quando associada ao trabalho, \u00e0 dignidade e \u00e0 justi\u00e7a social, ela deixa de ser s\u00edmbolo e se torna estrutura.&nbsp;<\/p>\n\n<p><em><strong>Texto escrito por \u00c1gata Pauer (<\/strong><\/em><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/agatapauer\/\"><strong><em>@agatapauer<\/em><\/strong><\/a><em><strong>), CEO e fundadora da Ag\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o Leb\u00e1, do Portal Leb\u00e1 e ativista pelos direitos humanos.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 29 de janeiro marca a import\u00e2ncia da visibilidade \u00e0s viv\u00eancias, lutas e conquistas da popula\u00e7\u00e3o trans no Brasil. <\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":62334,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[50],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-62332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-greenpeace","tag-institucional","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62332"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62332\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":62345,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62332\/revisions\/62345"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62332"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=62332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}