{"id":628,"date":"2015-06-09T00:00:00","date_gmt":"2015-06-09T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-misterioso-caso-da-plantacao-de-ipe\/"},"modified":"2019-11-06T05:21:24","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:24","slug":"o-misterioso-caso-da-plantacao-de-ipe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-misterioso-caso-da-plantacao-de-ipe\/","title":{"rendered":"O misterioso caso da planta\u00e7\u00e3o de Ip\u00ea"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>Greenpeace exp\u00f5e mais um caso de fraude em plano de manejo da Amaz\u00f4nia para &#8216;lavar&#8217; origem suja de madeira<\/em><\/h4>\n<div>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div id=\"attachment_3387\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3387\" class=\"wp-image-3387 size-large\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/06\/GP0STONJ3_Medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"Caminh\u00e3o leva madeira ilegal durante a noite.\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/06\/GP0STONJ3_Medium_res-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/06\/GP0STONJ3_Medium_res-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/06\/GP0STONJ3_Medium_res-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/06\/GP0STONJ3_Medium_res.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-3387\" class=\"wp-caption-text\">Caminh\u00e3o de toras trafega a noite, quando a fiscaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 menos frequente.<\/p><\/div>\n<p>O ip\u00ea \u00e9 uma das esp\u00e9cies mais valiosas da Amaz\u00f4nia. Normalmente, \u00e9 poss\u00edvel encontrar 1 \u00e1rvore de ip\u00ea a cada 3-5 hectares (ou 3-5 campos de futebol). No entanto, um plano de manejo do Par\u00e1 apresentou um invent\u00e1rio florestal em que os ip\u00eas nascem aos borbot\u00f5es, com um volume 1300% maior do que a m\u00e9dia encontrada para a esp\u00e9cie!<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A Agropecu\u00e1ria Santa Efig\u00eania, situada no munic\u00edpio de Uruar\u00e1-PA, superestimou a presen\u00e7a de Ip\u00ea no invent\u00e1rio florestal da \u00e1rea com o objetivo de gerar cr\u00e9ditos excedentes para esquentar madeira ilegal. Os cr\u00e9ditos excedentes podem ser utilizados para legalizar madeira extra\u00edda, no caso Ip\u00eas, de \u00e1reas sem autoriza\u00e7\u00e3o, como terras ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o, ou podem ser vendidos para as serrarias da regi\u00e3o que utilizam esses cr\u00e9ditos com a mesma finalidade. Nos dois casos, \u00e9 crime ambiental previsto em lei.<\/p>\n<p>Em 2014, uma autoriza\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o florestal (Autef) emitida pela Sema para a Santa Efig\u00eania aprovou cerca de 12 mil metros c\u00fabicos de ip\u00ea, o equivalente a cerca de 600 caminh\u00f5es de madeira. De acordo com um parecer t\u00e9cnico da Universidade de S\u00e3o Paulo, que analisou o invent\u00e1rio do plano, o n\u00famero de indiv\u00edduos de Ip\u00ea encontrados na \u00e1rea licenciada foi de 1,01 \u00e1rvores por hectare, e, em rela\u00e7\u00e3o ao volume, o valor foi de 5,75 m\u00b3\/hectare. A literatura cient\u00edfica aponta, no entanto, que a densidade m\u00e9dia de indiv\u00edduos desta esp\u00e9cie na Amaz\u00f4nia fica entre 0,2 e 0,4 \u00e1rvores por hectare, e, em termos de volume por hectare, esse valor dificilmente supera 0,4 m, valores bem mais baixos do que o inventariado no plano.<\/p>\n<p>\u201cA explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira causa grave degrada\u00e7\u00e3o da floresta e abre caminho para a destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade e viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o local. As florestas n\u00e3o podem mais ser destru\u00eddas se queremos reduzir as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e garantir \u00e1gua para nosso futuro\u201d, diz Marina Lac\u00f4rte, da campanha da Amaz\u00f4nia do Greenpeace.<\/p>\n<p>Desde o ano passado, a campanha tem revelado fraudes como a do plano de manejo Santa Efig\u00eania. Em outubro, <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/Rastreamento-de-caminhoes-revela-destruicao-silenciosa-da-floresta\/\">uma investiga\u00e7\u00e3o que contou com a utiliza\u00e7\u00e3o de rastreadores por GPS monitorou rotas de caminh\u00f5es transportando madeira de \u00e1reas sem autoriza\u00e7\u00e3o<\/a> at\u00e9 as serrarias de cidades do oeste do Par\u00e1, como Santar\u00e9m, Uruar\u00e1 e Placas. Uma dessas serrarias que receberam a madeira ilegal foi a Comercial de Madeiras Odani Ltda, de Placas, no Par\u00e1, que recebeu parte dos cr\u00e9ditos justamente do plano de manejo da Agropecu\u00e1ria Santa Efig\u00eania.<\/p>\n<p>A den\u00fancia levou a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Par\u00e1 (Semas-PA) a realizar uma fiscaliza\u00e7\u00e3o no plano de manejo que confirmou as irregularidades na \u00e1rea. Na ocasi\u00e3o, a equipe n\u00e3o apenas concluiu que houve fraude no invent\u00e1rio florestal \u2013 especialmente para o Ip\u00ea \u2013 como tamb\u00e9m recomendou a suspens\u00e3o do plano e autuou a empresa.<\/p>\n<p>A vistoria e as multas n\u00e3o impediram a Agropecu\u00e1ria Santa Efig\u00eania de continuar movimentando os cr\u00e9ditos excedentes, o que indica que madeira ilegal \u201clavada\u201d com esses cr\u00e9ditos entrou no mercado nacional e internacional: \u00a099% do volume de ip\u00ea autorizado foi comercializado. Essa madeira foi destinada a diversas serrarias localizadas nos munic\u00edpios de Uruar\u00e1 e Placas, onde o monitoramento por sat\u00e9lite mostra uma enorme quantidade de \u00e1reas degradadas no entorno. Inclusive, os alertas de degrada\u00e7\u00e3o foram detectados na mesma \u00e9poca em que ocorreu a comercializa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos: de junho a dezembro de 2014.<\/p>\n<p>A Fazenda Santa Efig\u00eania \u00e9 cortada por uma estrada que adentra a Terra Ind\u00edgena (TI) Cachoeira Seca, do povo Arara. Boa parte da TI, inclusive os arredores dessa estrada, j\u00e1 sofreu e continua sofrendo in\u00fameras invas\u00f5es por parte de madeireiros. Imagens de sat\u00e9lite registram nessas \u00e1reas um intenso processo de degrada\u00e7\u00e3o t\u00edpico desse tipo de explora\u00e7\u00e3o. Fotografias realizadas durante sobrevoo do Greenpeace em h\u00e1 poucas semanas confirmam a retirada de madeira de dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena.<\/p>\n<h4><strong>Galeria de fotos:<\/strong><\/h4>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/greenpeacebrasil\/sets\/72157653885750638\/player\/\" width=\"605\" height=\"400\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h4><strong>Mercado internacional<\/strong><\/h4>\n<p>Os principais destinos internacionais da madeira amaz\u00f4nica s\u00e3o Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia (UE), China e Israel. Em 2013, s\u00f3 os pa\u00edses da UE importaram, em produtos de madeira tropical provenientes da Amaz\u00f4nia Brasileira, o equivalente a 148 milh\u00f5es de d\u00f3lares. A partir das den\u00fancias feitas pelo Greenpeace desde o ano passado, diversas empresas europeias cancelaram contratos de importa\u00e7\u00e3o com madeireiras brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cA explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria \u00e9 o primeiro passo para o desmatamento total dessas \u00e1reas. J\u00e1 passou da hora de dar um basta a essa situa\u00e7\u00e3o para acabarmos de vez com o desmatamento\u201d, afirma Marina Lac\u00f4rte, do Greenpeace. \u201cO governo brasileiro precisa revisar urgentemente todos os planos de manejo aprovados desde 2006 para tirar de circula\u00e7\u00e3o cr\u00e9ditos fraudados. Este \u00e9 o primeiro passo para uma reforma robusta no sistema de controle de madeira\u201d, completa.<\/p>\n<ul>\n<li>\n<h4><strong>Veja aqui o site da campanha\u00a0<a href=\"http:\/\/www.chegademadeirailegal.org.br\/?&amp;ref=link&amp;utm_source=referral&amp;utm_medium=p3&amp;utm_campaign=Forests&amp;utm_content=2015_06_09_link\">Chega de madeira ilegal<\/a><\/strong><\/h4>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p><a href=\"http:\/\/www.chegademadeirailegal.org.br\/?&amp;ref=link&amp;utm_source=referral&amp;utm_medium=p3&amp;utm_campaign=Forests&amp;utm_content=2015_06_09_bt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/bt-rast-assine.jpg\" alt=\"Junte-se a n\u00f3s\" width=\"168\" height=\"39\" name=\"Cont_2\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o podemos deixar que isso continue acontecendo. Voc\u00ea pode fazer muito mais para ajudar a acabar com a madeira ilegal de uma vez por todas, antes que essas fraudes destruam a floresta. <a href=\"https:\/\/junte-se-ao-greenpeace.org.br\/2014\/?appeal=12482&amp;utm_source=referral&amp;utm_medium=p3&amp;utm_campaign=Institucional&amp;utm_content=Blog_Madeira_09062015\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Junte-se ao nosso time pelas florestas<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Greenpeace exp\u00f5e mais um caso de fraude em plano de manejo da Amaz\u00f4nia para &#8216;lavar&#8217; origem suja de madeira.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":3387,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=628"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/628\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12995,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/628\/revisions\/12995"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3387"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=628"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}