{"id":63925,"date":"2026-05-27T16:38:48","date_gmt":"2026-05-27T19:38:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=63925"},"modified":"2026-05-27T17:18:40","modified_gmt":"2026-05-27T20:18:40","slug":"petroleo-na-amazonia-e-a-disputa-de-narrativas-sobre-desenvolvimento-e-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/petroleo-na-amazonia-e-a-disputa-de-narrativas-sobre-desenvolvimento-e-clima\/","title":{"rendered":"Petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia e a disputa de narrativas sobre desenvolvimento e clima"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-1024x768.jpeg\" title=\"asa de madeira sobre palafitas \u00e0s margens de um rio, cercada por vegeta\u00e7\u00e3o baixa e \u00e1rvores. O c\u00e9u aparece nublado, com nuvens densas ocupando grande parte da imagem. \u00c0 frente, a \u00e1gua barrenta do rio reflete a paisagem ribeirinha.\" alt=\"asa de madeira sobre palafitas \u00e0s margens de um rio, cercada por vegeta\u00e7\u00e3o baixa e \u00e1rvores.\nO c\u00e9u aparece nublado, com nuvens densas ocupando grande parte da imagem. \u00c0 frente, a \u00e1gua barrenta do rio reflete a paisagem ribeirinha.\" class=\"wp-image-63926\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-1024x768.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-768x576.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-1536x1152.jpeg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-1821x1366.jpeg 1821w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image-453x340.jpeg 453w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/05\/9ccc8995-image.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Casas de palafitas no Arraiol do Baillique, Amap\u00e1, regi\u00e3o localizada na Foz do Amazonas. <br>Foto: Tais Terra<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>Pesquisadora Marina Kuzuyabu comenta como os \u201cdiscursos de adiamento da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d s\u00e3o produzidos e protagonizados pelas petroleiras<\/em><\/p>\n\n<p>Somos seres de linguagem,  a forma como falamos das coisas muda toda a sequ\u00eancia de acontecimentos decorrentes de um evento. Gosto de revisitar\u00a0 uma afirma\u00e7\u00e3o do l\u00edder ind\u00edgena e ambientalista <strong>Ailton krenak<\/strong> que diz \u201c<em>fomos, durante muito tempo, embalados com a hist\u00f3ria de que somos a humanidade. Enquanto isso, nos alienamos do organismo do qual fazemos parte \u2014 a Terra \u2014 e pensamos que ele \u00e9 uma coisa, e n\u00f3s outra: a Terra e a humanidade\u201d.\u00a0<\/em><\/p>\n\n<p>Quando a linguagem opera para visualizar a natureza ao nosso redor como recurso, o que sobra para a sociedade? A pesquisadora <em>Marina Kuzuyabu <\/em>investiga justamente como discursos sobre \u201cdesenvolvimento\u201d, \u201cseguran\u00e7a energ\u00e9tica\u201d e \u201cnecessidade econ\u00f4mica\u201d moldam a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas. Seu estudo mostra que a disputa em torno do projeto n\u00e3o acontece apenas no campo ambiental ou t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m no campo simb\u00f3lico: na forma como imaginamos progresso, pertencimento e futuro para a Amaz\u00f4nia e para as popula\u00e7\u00f5es que vivem nela.\u00a0<\/p>\n\n<p>O artigo <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/14dNFbW5xlYXsCEWus6v4xKzjilLYHina\/view?usp=sharing\"><em>Oil exploration in the Amazon Basin: narratives of disinformation and<\/em><em> <\/em><em>climate obstruction<\/em><\/a> argumenta que a comunica\u00e7\u00e3o da Petrobras sobre a explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Foz do Amazonas utiliza estrat\u00e9gias de desinforma\u00e7\u00e3o e <em>\u201cdiscursos de atraso clim\u00e1tico<\/em>\u201d para legitimar o avan\u00e7o do projeto mesmo em contexto de emerg\u00eancia clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n<p>A pesquisa conecta o caso brasileiro a estrat\u00e9gias j\u00e1 documentadas em petroleiras globais como Petrobras, Exxon, Shell e BP, mostrando como essas pr\u00e1ticas aparecem adaptadas ao contexto amaz\u00f4nico e brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n<p>Conversamos com a pesquisadora sobre os bastidores do estudo, os impactos relatados pelas comunidades do Amap\u00e1 e como a disputa em torno da Foz do Amazonas revela conflitos sobre clima, territ\u00f3rio e futuro.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Por que voc\u00ea come\u00e7ou a pesquisar esse tema? Qual foi o grande inc\u00f4modo?<\/em><\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n<p>Eu estava muito a fim de entrar no campo da desinforma\u00e7\u00e3o e do greenwashing. A\u00ed, lendo artigos, os trabalhos, entrei no universo do petr\u00f3leo e g\u00e1s e das petroleiras. Tem muito trabalho publicado sobre como essas ind\u00fastrias do \u00f3leo e g\u00e1s que atuam para evitar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, evitar n\u00e3o,&nbsp; adiar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, n\u00e9? Eles usam os termos <strong>&#8216;adiar&#8217; e &#8216;obstruir&#8217;.<\/strong><\/p>\n\n<p>E a\u00ed, lendo sobre as t\u00e1ticas, s\u00e3o estrat\u00e9gias consideradas muito parecidas. Na \u00e9poca, isso foi em 2023, quando eu comecei a pesquisar mais intensamente esse tema da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na Amaz\u00f4nia, estava bem em evid\u00eancia e a\u00ed eu pensei: <strong><em>&#8220;Bom, a\u00ed deve ter alguma coisa parecida acontecendo&#8221;. <\/em><\/strong>E foi por a\u00ed.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Como voc\u00ea identificou essa narrativa de que \u201ca explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria\u201d?<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<p>Eu comecei com a coleta de dados, entendendo assim o que eu ia analisar. Peguei o per\u00edodo de 2021 a 2024 e puxei tudo o que a Petrobras tava falando sobre a Foz do Amazonas. Olhei as redes sociais e pedi para ver a <em>lei de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/em>, os comunicados, apresenta\u00e7\u00f5es, atas de reuni\u00f5es da Petrobras com as comunidades. Ent\u00e3o, peguei todo esse material e comecei a analisar e a\u00ed foi aquele trabalho de pesquisa, come\u00e7ar a atribuir, entender os padr\u00f5es ali.<\/p>\n\n<p>Eu identifiquei tr\u00eas padr\u00f5es recorrentes:<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 necess\u00e1rio;<\/li>\n\n\n\n<li>\u00c9 seguro e;<\/li>\n\n\n\n<li>Vai trazer oportunidades para o Amap\u00e1.<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;\u201cA explora\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria\u201d<\/strong><\/h3>\n\n<p>A partir desse argumento de ser necess\u00e1rio, a Petrobras afirma: &#8220;Em todos os cen\u00e1rios aliados ao Acordo de Paris, o petr\u00f3leo ainda \u00e9 essencial; a demanda por petr\u00f3leo continua essencial, e h\u00e1 muitos argumentos sobre seguran\u00e7a energ\u00e9tica, de que o petr\u00f3leo \u00e9 importante para garantir a seguran\u00e7a energ\u00e9tica.\u201d<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Se a gente n\u00e3o explorar, a gente corre o risco de virar importador de petr\u00f3leo. E tamb\u00e9m uma coisa bem expl\u00edcita, assim, esse \u00e9 o nosso neg\u00f3cio, a gente precisa explorar, <\/strong>a petroleira afirma.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Ent\u00e3o, essa parte da necessidade foi aparecendo conforme eu fui lendo os documentos; esses materiais foram aparecendo com recorr\u00eancia.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;\u201cA opera\u00e7\u00e3o \u00e9 segura\u201d<\/strong><\/h3>\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao argumento de seguran\u00e7a, a Petrobras se ancora muito na expertise dela em explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas. Uma narrativa de muitos argumentos na linha de que \u00e9 seguro, de que n\u00e3o vai ter impactos, e de que ela tem expertise e tecnologia.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O terceiro enquadramento mais comum \u00e9 que vai trazer oportunidades de desenvolvimento social e econ\u00f4mico para o Amap\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>E como que voc\u00ea analisou esse discurso atrelado ao desenvolvimento?<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<p>Eu fiz essa parte de olhar as informa\u00e7\u00f5es da Petrobras e fui fazer entrevistas em campo. Entrevistei 24 pessoas para entender o que tava sendo comunicado sobre o projeto e como as pessoas estavam reagindo. Primeiro que eu identifiquei que esses tr\u00eas enquadramentos \u2014 de que \u00e9 necess\u00e1rios, s\u00e3o seguros e v\u00e3o ser bons para o Amap\u00e1. Isso t\u00e1 nas comunica\u00e7\u00f5es no que se fala ali na regi\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Por\u00e9m, as pessoas demonstraram um grande ceticismo e uma vis\u00e3o de desenvolvimento muito diferentes. A Petrobras comunica assim: isso vai trazer desenvolvimento social e econ\u00f4mico para o Amap\u00e1, falando em gera\u00e7\u00e3o de empregos, infraestrutura&nbsp; e servi\u00e7os,&nbsp; mas se a gente pergunta para as pessoas: <em>&#8220;Bom, e esse desenvolvimento que a Petrobras vai trazer? Como que voc\u00ea entende isso?<\/em>&#8221; E a vis\u00e3o das pessoas sempre foi, at\u00e9 um ponto, uma vis\u00e3o muito diferente de que \u00e9 preciso ter oportunidades de emprego, criar oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos, de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p><strong>Por\u00e9m, elas veem o desenvolvimento de uma forma muito relacionada com a preserva\u00e7\u00e3o, com a conserva\u00e7\u00e3o, com a inclus\u00e3o da natureza.<\/strong><\/p>\n\n<p>Ent\u00e3o, um reconhecimento muito forte de que n\u00e3o basta s\u00f3 gerar empregos e destruir, gerar danos, porque eles se sentem muito conectados com a terra. As pessoas relataram assim: &#8220;Eu tenho preocupa\u00e7\u00e3o com os meus netos, eu tenho preocupa\u00e7\u00e3o com meus filhos, eu me preocupo com o futuro aqui da minha comunidade.&#8221; As pessoas veem que a vida delas e das comunidades, est\u00e1 em risco.<\/p>\n\n<p>Entre os comunit\u00e1rios, a vis\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o basta gerar empregos; o empreendimento precisa ser seguro, se n\u00e3o tiver seguran\u00e7a e se isso afetar modos de vida, colocar em risco a sobreviv\u00eancia, n\u00e3o cogitam esse tipo de desenvolvimento. Muitos com a vis\u00e3o de que a gente tem que explorar a bioeconomia, pensar em outros modelos de desenvolvimento que n\u00e3o este. N\u00e3o foram todos, assim, mas alguns levantaram a quest\u00e3o da crise clim\u00e1tica. Um entrevistado falou isso: \u00e9 um contrassenso esse projeto, n\u00e9? Ele n\u00e3o faz sentido nem hoje, nem daqui a 10 anos, quando a Petrobras vai efetivamente come\u00e7ar a ter esse petr\u00f3leo sendo comercializado em uma escala mais industrial.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Qual foi um dos maiores medos relatados pela comunidade?<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<p>Um ponto que me chamou muita aten\u00e7\u00e3o foi a quest\u00e3o da viol\u00eancia, do ass\u00e9dio, das amea\u00e7as contra as pessoas que se colocam contra o empreendimento, contra o projeto. Essa narrativa de que vai gerar empregos \u00e9 t\u00e3o forte que gera uma situa\u00e7\u00e3o para as pessoas que se colocam contra, como se elas fossem contra o desenvolvimento, como se elas fossem contra o progresso. Isso s\u00f3 se encontra na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o contra o projeto em si, n\u00e9? Ent\u00e3o, isso criou uma situa\u00e7\u00e3o de muita preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>Muitas pessoas disseram: &#8216;Eu evito tomar parte em discuss\u00f5es quando eu n\u00e3o sei com quem estou falando.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Acho que esse \u00e9 um ponto super relevante para a gente destacar. E a outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o a um eventual acidente. Justamente pelas condi\u00e7\u00f5es ali, por ser uma \u00e1rea da maior extens\u00e3o de manguezais do Brasil .Sabe-se que, caso aconte\u00e7a um vazamento, aquele \u00f3leo n\u00e3o vai conseguir ser extra\u00eddo; ent\u00e3o, o dano, o preju\u00edzo que ele pode gerar s\u00e3o irrepar\u00e1veis.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Como os comunit\u00e1rios se informam?&nbsp;<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<p>A maioria em grupos de WhatsApp. Muitas pessoas entrevistadas disseram que sentem esse problema, essa falta de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o status do projeto. Ent\u00e3o, naquela \u00e9poca, a autoriza\u00e7\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha sido emitida.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p><strong>Elas diziam: &#8220;A Petrobras esteve aqui em 2022 e nunca mais voltou.&#8221; A gente n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es oficiais p\u00fablicas para a gente acompanhar o projeto.<\/strong><\/p>\n\n<p>Essa falta de informa\u00e7\u00e3o gera um sentimento de estarem \u00e0 parte, apartados. \u00c9 como se eles nem sequer tomassem parte, nem se informassem; eles t\u00eam esse direito. Muita informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo circulada pelos pol\u00edticos. Dos 24 entrevistados, 10 tiveram contato j\u00e1 com a Petrobras, outros n\u00e3o. E esses outros disseram: <em>&#8220;A gente se informa, n\u00e9, em outros meios.<\/em>&#8220;<\/p>\n\n<p>Eu encontrei muitas vezes o argumento de que \u00e9 preciso explorar para financiar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e investir em energia limpa. Acho que esse discurso se encaixa no formato de se mostrar parte da solu\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>O que voc\u00ea gostaria de ver mais inserido na comunica\u00e7\u00e3o desse tema?<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<p>Eu acho que justamente discutir a comunica\u00e7\u00e3o j\u00e1 seria um ponto. Porque, em um dos artigos que eu li, o autor falou o seguinte: Pra gente sair, conseguir fazer essa transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, precisa de um monte de coisa, mas ela passa tamb\u00e9m por uma <strong>supera\u00e7\u00e3o de discursos.<\/strong><\/p>\n\n<p>Falar mais sobre esses discursos, no sentido de n\u00e3o necessariamente desconstru\u00ed-los, mas, assim, de mostrar que esses discursos est\u00e3o a\u00ed h\u00e1 d\u00e9cadas, que est\u00e3o se repetindo.Vamos olhar com eles de uma forma mais cr\u00edtica, vamos entender como \u00e9 que esses discursos v\u00eam sendo usados historicamente pelas ind\u00fastrias.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Quais seriam as tr\u00eas coisas importantes para pessoas analisarem num discurso relacionado \u00e0 Foz do Amazonas?<\/em><\/strong><\/h3>\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Parte desse discurso do desenvolvimento de oportunidades sociais e econ\u00f4micas. Acho que esse \u00e9 um super ponto de aten\u00e7\u00e3o. Sempre que um grande empreendimento prometer que vai trazer desenvolvimento social e econ\u00f4mico para a regi\u00e3o, para o territ\u00f3rio, acho que vale se atentar: que modelo de desenvolvimento \u00e9 esse?\u00a0<\/li>\n<\/ol>\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li>A narrativa de necessidade. Acredito que, sempre que se entrar nesse tema, h\u00e1 outro ponto a que a pessoa deve ficar atenta, porque ele, ao mesmo tempo, \u00e9 sedutor no sentido de que parece real, parece verdadeiro. Mas quando ele t\u00e1 contextualizado, quando essas outras informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o trazidas para a mesa, ele tem esse efeito de desorientar. N\u00e3o fica claro.<\/li>\n<\/ol>\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Vale sempre se perguntar, mas e as pessoas dos territ\u00f3rios? Isso \u00e9 uma vis\u00e3o da empresa? E as pessoas dos territ\u00f3rios, que v\u00e3o ser diretamente impactadas, o que elas acham sobre isso? Ent\u00e3o acho que sempre \u00e9 buscar as vozes dos territ\u00f3rios, nessas comunica\u00e7\u00f5es, acho que pode ser um \u00f3timo ponto tamb\u00e9m.<\/li>\n<\/ol>\n\n<p>Em meio a discursos sobre progresso e necessidade, ouvir os territ\u00f3rios talvez seja o passo mais urgente.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Assine a peti\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/petroleo-na-amazonia-nao\/\"><strong>#Petr\u00f3leoNaAmaz\u00f4niaN\u00e3o<\/strong><\/a> e pressione pela prote\u00e7\u00e3o da Foz do Amazonas.<\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com a pesquisadora Marina Kuzuyabu analisa como narrativas sobre desenvolvimento e seguran\u00e7a energ\u00e9tica influenciam o debate sobre petr\u00f3leo na Foz do Amazonas.<\/p>\n","protected":false},"author":136,"featured_media":63926,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[64,68],"tags":[27],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-63925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-oceanos","category-povos-e-territorios","tag-oceanos","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63925"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63938,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63925\/revisions\/63938"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63925"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=63925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}