{"id":65710,"date":"2026-07-16T08:00:00","date_gmt":"2026-07-16T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=65710"},"modified":"2026-07-15T19:37:55","modified_gmt":"2026-07-15T22:37:55","slug":"sopa-de-letrinhas-do-mar-profundo-um-guia-para-as-negociacoes-da-autoridade-internacional-dos-fundos-marinhos-isa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/sopa-de-letrinhas-do-mar-profundo-um-guia-para-as-negociacoes-da-autoridade-internacional-dos-fundos-marinhos-isa\/","title":{"rendered":"Sopa de Letrinhas do Mar Profundo: um guia para as negocia\u00e7\u00f5es da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA)\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" title=\"image\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image-1024x576.png\" alt=\"No fundo do mar, corais, esponjas e pequenos organismos formam um ecossistema colorido e delicado. A imagem mostra a biodiversidade marinha em \u00e1guas profundas, ambiente amea\u00e7ado pela minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas.\" class=\"wp-image-65711\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image-1024x576.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image-300x169.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image-768x432.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image-510x287.png 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/93bfd3bb-image.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a9 Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><em>De ITLOS a UNCLOS, um guia r\u00e1pido pelas siglas e termos que decidem o futuro da minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas internacionais<\/em><\/p>\n\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 tentou entender uma not\u00edcia sobre minera\u00e7\u00e3o em mar profundo e travou na terceira sigla do par\u00e1grafo, n\u00e3o est\u00e1 sozinho. ISA, UNCLOS, ITLOS, UN, TMC: \u00e9 uma sopa de letrinhas de verdade e isso n\u00e3o \u00e9 acidental. Regimes internacionais complexos tendem a criar um alfabeto pr\u00f3prio e, como consequ\u00eancia, acabam afastando quem mais precisa entender o assunto: todos n\u00f3s.<\/p>\n\n<p>Com <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/greenpeace-brasil-lanca-nota-tecnica-em-defesa-dos-oceanos-durante-reuniao-do-isa\/\">in\u00edcio essa semana <\/a>e dura\u00e7\u00e3o at\u00e9 31 de julho, as reuni\u00f5es do Conselho e da Assembleia da <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/uma-nova-era-para-os-fundos-marinhos\/\">Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA),<\/a> na Jamaica, pretendem dar continuidade \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o de regras de licenciamento para a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=_6BhGS6ZVN4\">minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas<\/a>, atividade que corpora\u00e7\u00f5es e alguns pa\u00edses pressionam para liberar antes da defini\u00e7\u00e3o de salvaguardas ambientais.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O Greenpeace Brasil lan\u00e7ou uma <strong>nota t\u00e9cnica<\/strong> com alertas sobre os riscos da minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas e recomenda\u00e7\u00f5es para o posicionamento do Brasil.<\/p>\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-content-justification-center is-layout-flex wp-container-core-buttons-is-layout-16018d1d wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/10uahApFdIBvhYhGO1pVypjgJHuTaO7Af\/view?usp=sharing\">LEIA A AN\u00c1LISE<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n<p>Este guia de siglas e termos existe para te explicar quem \u00e9 quem, o que est\u00e1 sendo negociado agora, e por que as <strong>pr\u00f3ximas semanas em Kingston, na Jamaica,<\/strong> podem definir o futuro da minera\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas mais profundas e menos reguladas do planeta: as \u00e1guas internacionais, uma regi\u00e3o que \u00e9 patrim\u00f4nio da humanidade.&nbsp;<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>&nbsp;ISA \u2014<\/strong><em> <\/em><em>International Seabed Authority, em ingl\u00eas<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A <strong>ISA (Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, em portugu\u00eas)<\/strong> \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o da ONU respons\u00e1vel por criar regras e monitorar atividades nos fundos marinhos que ficam fora da jurisdi\u00e7\u00e3o de qualquer pa\u00eds. Essas \u00e1reas \u2014 cerca de metade da superf\u00edcie do planeta \u2014 s\u00e3o designadas <strong>patrim\u00f4nio comum da humanidade<\/strong>: n\u00e3o pertencem a nenhum Estado, mas a todos, o que na teoria significa que qualquer explora\u00e7\u00e3o de recursos ali <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/minerais-criticos-no-fundo-do-mar-por-que-a-mineracao-em-aguas-profundas-nao-vai-enriquecer-o-brasil\/\">deveria beneficiar toda a humanidade,<\/a> e n\u00e3o s\u00f3 quem tem tecnologia para chegar l\u00e1 primeiro.<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>UN \u2014 <\/strong><em>United Nations, em ingl\u00eas<\/em>&nbsp;<\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) \u00e9 a <a href=\"https:\/\/www.un.org\/pt\/rio\/recursos\/conheca-a-onu\">organiza\u00e7\u00e3o internacional <\/a>intergovernamental guarda-chuva \u00e0 qual a ISA est\u00e1 conectada. \u00c9 essa liga\u00e7\u00e3o com a ONU que faz com que a Autoridade seja reconhecida por praticamente todos os pa\u00edses do mundo. O reconhecimento, que tamb\u00e9m decorre de um tratado espec\u00edfico da ONU, \u00e9 o pr\u00f3ximo item da nossa lista.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>UNCLOS &#8211; <\/strong><em>&nbsp;<\/em><em>Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A ISA foi criada pela <strong>UNCLOS<\/strong>, a<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/canada\/en\/story\/75565\/global-deep-sea-mining-negotiations-are-starting-heres-what-you-need-to-know\/\"> Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar<\/a> (<em>United Nations Convention on the Law of the Sea, em ingl\u00eas<\/em>). Esse tratado, que foi finalizado em 198 e entrou em vigor em 1994, busca organizar como os pa\u00edses se relacionam com os oceanos. S\u00f3 quem assina e ratifica a UNCLOS participa como membro das reuni\u00f5es da ISA. Hoje s\u00e3o 172 Estados parte dessa conven\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p><em>Os participantes da ISA se organizam em dois grupos principais:<\/em><\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Conselho<\/strong>: \u00f3rg\u00e3o executivo, com 36 membros, onde acontecem as discuss\u00f5es t\u00e9cnicas mais aprofundadas, incluindo a negocia\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o (j\u00e1 falaremos sobre isso!).<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Assembleia<\/strong>: re\u00fane todos os 172 membros, que definem diretrizes gerais e elege cargos como o de Secret\u00e1rio-Geral.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Observadores<\/strong>: ONGs, cientistas, empresas e pa\u00edses participam, mas sem poder de voto, apenas acompanhando e pressionando de fora.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Todos os anos, os pa\u00edses se re\u00fanem em Kingston, na Jamaica, onde fica a sede da ISA. O Conselho tem duas reuni\u00f5es por ano, uma em mar\u00e7o e uma em julho. A Assembleia se re\u00fane uma \u00fanica vez, sempre em julho, ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Conselho. Em 2026, os encontros t\u00eam sido concentrados na negocia\u00e7\u00e3o do <strong>Mining Code <\/strong>(ou C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o), que vamos descobrir a seguir.<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" title=\"IFMH5572\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-1024x682.jpg\" alt=\"Tr\u00eas mulheres seguram um grande rolo de mensagens do Greenpeace dentro da sede da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. Ao fundo, aparecem o s\u00edmbolo da institui\u00e7\u00e3o e um painel com esp\u00e9cies das \u00e1guas profundas. O material re\u00fane 11.490 vozes de 91 pa\u00edses em defesa da prote\u00e7\u00e3o dos oceanos.\" class=\"wp-image-65712\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/a1ded11a-ifmh5572.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Let\u00edcia Carvalho, Secret\u00e1ria-Geral da ISA, com a equipe do Greenpeace.\u00a0\u00a9 Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mining Code &#8211;<\/strong> <em>O C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O<a href=\"https:\/\/isa.org.jm\/the-mining-code\/\"> C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o<\/a> \u00e9 o conjunto de regras que a ISA est\u00e1 tentando criar para regular a <strong>minera\u00e7\u00e3o comercial<\/strong> em \u00e1guas internacionais. Hoje s\u00f3 existem regras para a fase de explora\u00e7\u00e3o e pesquisa, n\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o comercial em larga escala.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>O encontro da ISA de julho pretende dar continuidade a negocia\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo. Nesse momento, diverg\u00eancias sobre prote\u00e7\u00e3o ambiental, fiscaliza\u00e7\u00e3o e reparti\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios precisam ser resolvidas. \u00c9 claro que o lobby das empresas tem atrapalhado a defini\u00e7\u00e3o de regras que atendam salvaguardas socioambientais.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um C\u00f3digo baseado em ci\u00eancia \u00e9 fundamental. Aprovar um texto sem abre a significa autorizar uma atividade de alt\u00edssimo impacto antes de saber, de fato, o que est\u00e1 em risco de desaparecer.<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n<p>Um dos nomes centrais dessa hist\u00f3ria \u00e9 <strong>Let\u00edcia Carvalho<\/strong>, ocean\u00f3grafa brasileira e atual Secret\u00e1ria-Executiva da ISA. Sua elei\u00e7\u00e3o foi vista, em certa medida, como um sinal de que a Autoridade poderia adotar uma postura mais cautelosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 defini\u00e7\u00e3o de regras para a minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>Em um momento cr\u00edtico onde iniciativas dom\u00e9sticas unilaterais tentam contornar o regime da ISA e fragilizar a negocia\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Minera\u00e7\u00e3o, o Greenpeace Brasil tem refor\u00e7ado a import\u00e2ncia de Carvalho cumprir esse mandato de forma transparente, agindo como verdadeira representante dos interesses coletivos dos pa\u00edses, e n\u00e3o sob a press\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o do lobby minerador.&nbsp;<\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" title=\"Night Confrontation with a Deep Sea Mining Ship in the at-risk Pacific Region\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-65713\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-768x513.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-1536x1025.jpg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-2048x1367.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-2046x1366.jpg 2046w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/07\/af8d7299-gp0styi00_pressmedia-2500px-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption aria-hidden=\"true\" class=\"wp-element-caption\">Ativistas do Greenpeace protestam ao redor do MV COCO, embarca\u00e7\u00e3o que coleta dados para a The Metals Company, uma das principais empresas interessadas na minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas. Esta \u00e9 sua \u00faltima expedi\u00e7\u00e3o antes da primeira solicita\u00e7\u00e3o de licen\u00e7a para minerar o fundo do mar no Pac\u00edfico.<div class=\"credit icon-left\"> \u00a9 Martin Katz \/ Greenpeace<\/div><\/figcaption><\/figure>\n\n<p>Atualmente, nenhuma empresa mina comercialmente o fundo do mar em \u00e1guas internacionais, tudo ainda est\u00e1 em fase de explora\u00e7\u00e3o e pesquisa. Isso torna ainda mais grave o que aconteceu em mar\u00e7o de 2025, quando os <strong>Estados Unidos<\/strong>, que n\u00e3o s\u00e3o signat\u00e1rios da UNCLOS e, portanto, n\u00e3o participam como membros da ISA, <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/empresa-de-mineracao-marinha-ignora-negociacoes-internacionais-e-ameaca-os-oceanos\/\">anunciaram que pretendem emitir licen\u00e7as de minera\u00e7\u00e3o comercial diretamente \u00e0s empresas<\/a> \u2014 principalmente \u00e0 <strong>TMC (The Metals Company)<\/strong> \u2014 sem passar pelo processo de autoriza\u00e7\u00e3o da ISA.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>TMC \u2014<\/strong> <em>The Metals Company<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 a principal mineradora <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/story\/76757\/5-things-deep-sea-mining-metals-company-tmc\/\">interessada em explorar comercialmente os n\u00f3dulos polimet\u00e1licos<\/a>, conhecidos como minerais cr\u00edticos localizados\u00a0 no fundo do mar. Est\u00e1 no centro de duas frentes de tens\u00e3o: a tentativa dos Estados Unidos de emitir licen\u00e7as diretamente \u00e0 empresa, sem passar pela ISA, e o processo aberto por sua subsidi\u00e1ria, a NORI, contra a pr\u00f3pria Autoridade no Tribunal Internacional pelo Direito do Mar(ITLOS).\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>CCZ \u2014<\/strong> <em>Clarion-Clipperton Zone (Zona Clarion-Clipperton)<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 a regi\u00e3o do Oceano Pac\u00edfico, entre o Hava\u00ed e o M\u00e9xico, onde est\u00e1 concentrada a maior parte dos n\u00f3dulos polimet\u00e1licos j\u00e1 mapeados e a maioria das <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-que-um-teste-de-mineracao-em-aguas-profundas-faz-com-a-vida-marinha\/\">licen\u00e7as de explora\u00e7\u00e3o j\u00e1 concedidas<\/a> pela ISA. \u00c9 onde\u00a0 a maior parte das empresas busca consegue licen\u00e7as de explora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e comercial.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>ITLOS \u2014 <\/strong><em>International Tribunal for the Law of the Sea<\/em>&nbsp;<\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O<a href=\"https:\/\/www.itlos.org\/en\/\"> Tribunal Internacional pelo Direito do Mar <\/a>\u00e9 o tribunal que julga disputas relacionadas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da UNCLOS. Voltou ao centro do debate em junho de 2026, quando passou a analisar a a\u00e7\u00e3o movida pela NORI (mineradora ligada \u00e0 TMC) contra a ISA, pedindo o encerramento de investiga\u00e7\u00f5es por fraude abertas pela Comiss\u00e3o Jur\u00eddica e T\u00e9cnica (LTC) da Autoridade em 2025, uma manobra enxergada como estrat\u00e9gia de intimida\u00e7\u00e3o institucional.<\/li>\n<\/ul>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>LTC \u2014<\/strong><em> Legal and Technical Commission (Comiss\u00e3o Jur\u00eddica e T\u00e9cnica)<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 o \u00f3rg\u00e3o da ISA respons\u00e1vel pelas avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e jur\u00eddicas que embasam as decis\u00f5es do Conselho, incluindo a an\u00e1lise de pedidos de contrato e a fiscaliza\u00e7\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es dos contratados. Atualmente, a LTC conduz uma investiga\u00e7\u00e3o sobre um poss\u00edvel descumprimento contratual por parte da mineradora NORI\/TOML, relacionado \u00e0 tentativa da TMC de buscar minera\u00e7\u00e3o de forma unilateral, fora do sistema da ISA. Um relat\u00f3rio completo dessa investiga\u00e7\u00e3o \u00e9 esperado justamente na reuni\u00e3o do Conselho de julho 2026, a mesma data em que o contrato de explora\u00e7\u00e3o da NORI est\u00e1 previsto para encerrar ou renovar.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Essa coincid\u00eancia de calend\u00e1rio \u00e9 um dos motivos pelos quais este encontro espec\u00edfico da ISA \u00e9 visto como particularmente decisivo.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Morat\u00f3ria-<\/strong> <em>A decis\u00e3o de pausa<\/em><\/h3>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>O Brasil integra um grupo de <strong>43 pa\u00edses<\/strong> que defendem uma <strong>morat\u00f3ria <\/strong>ou <strong>pausa precaut\u00f3ria<\/strong> na minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas internacionais.Na pr\u00e1tica, isso significa <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/brasil-na-conferencia-dos-oceanos-temos-orgulho-de-ser-uma-nacao-oceanica\/\">apoiar que as decis\u00f5es n\u00e3o sejam aceleradas<\/a> e que nenhuma minera\u00e7\u00e3o comercial comece antes que existam evid\u00eancias cient\u00edficas e salvaguardas ambientais mais s\u00f3lidas. O Brasil tem um compromisso com essa pausa at\u00e9 2033.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p>Esse posicionamento internacional, por\u00e9m, convive com uma press\u00e3o dom\u00e9stica em sentido oposto: o governo brasileiro tem passado por press\u00f5es internas para acelerar as condi\u00e7\u00f5es que facilitem a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/sem-transparencia-e-amplo-debate-pl-dos-minerais-criticos-pode-ser-votado-nesta-terca-feira-5\/\">minera\u00e7\u00e3o de <strong>terras raras e minerais cr\u00edticos<\/strong><\/a><strong>, <\/strong>inclusive no oceano brasileiro.&nbsp;<\/p>\n\n<p>O Brasil precisa de solu\u00e7\u00f5es que priorizem a circularidade de minerais e o respeito \u00e0s comunidades locais e aos povos do mar. O que acontece na nossa terra molda as nossas possibilidades para proteger o oceano l\u00e1 fora.<\/p>\n\n<p>Ajude a garantir que essa pausa n\u00e3o fique s\u00f3 no papel.\u00a0<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Assine a peti\u00e7\u00e3o <\/strong><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/parem-a-mineracao-em-aguas-profundas\/?utm_source=p4&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=oceanos&amp;utm_content=link&amp;utm_term=informar\"><strong>&#8220;Parem a Minera\u00e7\u00e3o em \u00c1guas Profundas&#8221;<\/strong><\/a><\/h3>\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As reuni\u00f5es da ISA, em Kingston, seguem at\u00e9 31 de julho e podem definir a cria\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo de minera\u00e7\u00e3o antes mesmo de se saber o real impacto ambiental dessa atividade. Entenda as siglas por tr\u00e1s dessas negocia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":136,"featured_media":65711,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[70,64],"tags":[45],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-65710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biodiversidade","category-oceanos","tag-mineracao","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65710"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65714,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65710\/revisions\/65714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65710"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=65710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}