{"id":67292,"date":"2026-09-26T09:00:00","date_gmt":"2026-09-26T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=67292"},"modified":"2026-09-25T17:49:30","modified_gmt":"2026-09-25T20:49:30","slug":"santuario-das-baleias-do-atlantico-sul-entra-em-votacao-apos-decadas-de-espera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/santuario-das-baleias-do-atlantico-sul-entra-em-votacao-apos-decadas-de-espera\/","title":{"rendered":"Santu\u00e1rio das Baleias do Atl\u00e2ntico Sul entra em vota\u00e7\u00e3o ap\u00f3s d\u00e9cadas de espera"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" title=\"image\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-1024x683.jpeg\" alt=\"Baleia-jubarte salta para fora da \u00e1gua no Atl\u00e2ntico Sul, com parte do corpo e uma nadadeira acima da superf\u00edcie do oceano. Ao redor, respingos de \u00e1gua se espalham sob um c\u00e9u claro.\" class=\"wp-image-67293\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-1536x1025.jpeg 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image-510x340.jpeg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/f5101d13-image.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a9 Fl\u00e1via Zagury \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><em>Vota\u00e7\u00e3o na Comiss\u00e3o Internacional da Baleeira pode decidir a cria\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio de Baleias do Atl\u00e2ntico Sul, proposta liderada pelo Brasil para proteger esp\u00e9cies que percorrem milhares de quil\u00f4metros entre diferentes pa\u00edses<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 28 de setembro e 2 de outubro, em Hobart, na Austr\u00e1lia, representantes dos pa\u00edses-membros da Comiss\u00e3o Internacional Baleeira (CIB) ter\u00e3o novamente diante de si uma decis\u00e3o aguardada h\u00e1 d\u00e9cadas: a cria\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/o-santuario-que-o-atlantico-sul-espera-ha-25-anos-pode-sair-do-papel-em-2026\/\"><strong>Santu\u00e1rio de Baleias do Atl\u00e2ntico Sul<\/strong>.<\/a> A proposta est\u00e1 entre os primeiros grandes temas da plen\u00e1ria da 70\u00aa reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o e prev\u00ea uma altera\u00e7\u00e3o nas regras da CIB para estabelecer este instrumento de prote\u00e7\u00e3o. A reuni\u00e3o come\u00e7a em 27 de setembro com encontros de comit\u00eas tem\u00e1ticos, enquanto a plen\u00e1ria acontece nos cinco dias seguintes.&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CIB re\u00fane atualmente <strong>89 pa\u00edses-membros<\/strong> e, segundo a an\u00e1lise mais recente da lista de elegibilidade disponibilizada pela CIB antes do in\u00edcio da reuni\u00e3o, 65 est\u00e3o designados como aptos a votar. Para aprovar a cria\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio, a proposta precisa alcan\u00e7ar uma maioria de tr\u00eas quartos dos votos. No cen\u00e1rio atual, isso significa chegar a <strong>49 votos favor\u00e1veis<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A matem\u00e1tica de votos ainda pode mudar at\u00e9 a vota\u00e7\u00e3o. O direito a voto depende da situa\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao pagamento de contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 Comiss\u00e3o e da valida\u00e7\u00e3o das credenciais dos governos participantes.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que est\u00e1 em jogo na vota\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Quantos votos s\u00e3o necess\u00e1rios?<\/strong> No cen\u00e1rio atual, s\u00e3o necess\u00e1rios o equivalente a 75% dos 65 pa\u00edses aptos a votar em 2026, isto \u00e9, o Santu\u00e1rio pode ser aprovado com 49 votos a favor.<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Quem pode votar?<\/strong> Todos os pa\u00edses identificados como eleg\u00edveis a voto, ou seja, que tenham pago suas contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 CIB e tenham apresentado credenciais v\u00e1lidas para a reuni\u00e3o. Dos 89 pa\u00edses-membros da CIB, a an\u00e1lise mais recente de elegibilidade indica 65 com direito a voto e 24 sem direito a voto neste momento. Na vota\u00e7\u00e3o, o pa\u00edses podem escolher entre aprova\u00e7\u00e3o, reprova\u00e7\u00e3o e absten\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>De quem \u00e9 a ideia de um Santu\u00e1rio de Baleias para o Alt\u00e2ntico Sul?<\/strong> O Brasil \u00e9 o principal proponente do Santu\u00e1rio e conta com o apoio de <strong>Argentina, Uruguai, \u00c1frica do Sul e Gab\u00e3o<\/strong> como copatrocinadores. Na lista de elegibilidade analisada para 2026, Gab\u00e3o e \u00c1frica do Sul aparecem atualmente sem direito a voto.<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>O Santu\u00e1rio j\u00e1 foi votado antes?<\/strong> Sim, algumas vezes. Na vota\u00e7\u00e3o mais recente, em 2024, quando a reuni\u00e3o da CIB ocorreu no Peru, o Santu\u00e1rio foi apreciado em plen\u00e1ria e ficou a apenas um voto da aprova\u00e7\u00e3o: eram necess\u00e1rios 41 votos favor\u00e1veis e a proposta recebeu 40. Dos pa\u00edses que votaram \u201csim\u201d naquele momento, 36 permanecem atualmente aptos a votar em 2026, segundo a an\u00e1lise de elegibilidade de 2026.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Por que 2026 pode ser decisivo?<\/strong> Al\u00e9m dos 36 pa\u00edses que votaram favoravelmente em 2024 e continuam eleg\u00edveis, h\u00e1 13 pa\u00edses que n\u00e3o participaram daquela vota\u00e7\u00e3o e aparecem atualmente com direito a voto. Atingir 49 votos \u00e9 poss\u00edvel, ainda que acomposi\u00e7\u00e3o torne a vota\u00e7\u00e3o particularmente apertada e n\u00e3o seja poss\u00edvel antecipar como qualquer governo votar\u00e1. Em 2026, a proposta completa 25 anos e pode ser celebrada na reuni\u00e3o que marca os 80 anos da CIB.\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Por que ainda precisamos de um Santu\u00e1rio?<\/strong> O Santu\u00e1rio \u00e9 uma oportunidade concreta de renovar o compromisso internacional com a prote\u00e7\u00e3o do oceano e de consolidar uma vis\u00e3o compartilhada de conserva\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o. Proteger a biodiversidade marinha \u00e9 mais importante do que nunca. Com a entrada em vigor do <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/imprensa\/momento-historico-tratado-global-dos-oceanos-entra-em-vigor\/\">Tratado Global dos Oceanos em janeiro de 2026,<\/a> os pa\u00edses podem fortalecer uma estrutura de governan\u00e7a do Atl\u00e2ntico aprovando o Santu\u00e1rio e abrindo caminho para a cria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas marinhas protegidas em \u00e1guas internacionais.<\/li>\n<\/ul>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" title=\"image\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-1024x575.png\" alt=\"Vista a\u00e9rea de duas baleias lado a lado no Atl\u00e2ntico Sul, respirando na superf\u00edcie do oceano, em \u00e1rea relacionada \u00e0 proposta do Santu\u00e1rio das Baleias do Atl\u00e2ntico Sul.\" class=\"wp-image-67294\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-1024x575.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-300x168.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-768x431.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-1536x862.png 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image-510x286.png 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/8a9910be-image.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a9 Tato Slerca \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma baleia n\u00e3o conhece fronteiras<\/strong><\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tr\u00e1s dessa din\u00e2mica diplom\u00e1tica existe uma realidade bastante concreta da natureza. <strong>Uma baleia n\u00e3o cabe dentro das fronteiras de um pa\u00eds.<\/strong> Ao longo de sua vida, pode<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/made-in-brasil-a-viagem-das-baleias-pela-costa-brasileira\/\"> atravessar \u00e1guas brasileiras, <\/a>territ\u00f3rios mar\u00edtimos de outros pa\u00edses e enormes extens\u00f5es de alto-mar. Para esses animais, o Atl\u00e2ntico Sul funciona como uma grande rota conectada.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os anos, baleias percorrem milhares de quil\u00f4metros pelo Atl\u00e2ntico Sul. Algumas deixam regi\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximas \u00e0s \u00e1guas ant\u00e1rticas e subant\u00e1rticas e seguem at\u00e9<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-baleia-franca-enfrenta-dupla-ameaca-com-o-aquecimento-dos-oceanos-pelo-el-nino-e-os-riscos-vindos-do-congresso\/\"> \u00e1reas mais quentes da costa brasileira<\/a>, utilizadas para reprodu\u00e7\u00e3o, nascimento e cuidado dos filhotes. Depois, fazem o caminho de volta.&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e3o deslocamentos que conectam ecossistemas separados por dist\u00e2ncias enormes e por limites pol\u00edticos que n\u00e3o existem para esses animais.<mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\"> <strong>Proteger uma baleia quando ela chega ao Brasil n\u00e3o garante, por si s\u00f3, a prote\u00e7\u00e3o de toda a rota que tornou essa chegada poss\u00edvel.<\/strong>\u00a0<\/mark><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies altamente migrat\u00f3rias exige pesquisa, monitoramento e coopera\u00e7\u00e3o internacional ao longo de suas jornadas. O documento-base do Santu\u00e1rio identifica o Atl\u00e2ntico Sul como uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica para migra\u00e7\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o de grandes baleias, conectando ecossistemas da Am\u00e9rica do Sul, da \u00c1frica e do Oceano Austral.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma proposta que atravessa d\u00e9cadas<\/strong><\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil anunciou, em 1998, a inten\u00e7\u00e3o de criar um santu\u00e1rio para baleias no Atl\u00e2ntico Sul. A proposta foi avaliada pela Comiss\u00e3o pela primeira vez em 2001 e, ao longo dos anos, passou a ter Argentina, \u00c1frica do Sul, Uruguai e Gab\u00e3o entre seus copatrocinadores. Desde ent\u00e3o, voltou diversas vezes \u00e0 discuss\u00e3o e \u00e0 vota\u00e7\u00e3o, sem alcan\u00e7ar a maioria qualificada necess\u00e1ria para sua aprova\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Estamos diante de uma oportunidade hist\u00f3rica de avan\u00e7ar na prote\u00e7\u00e3o das baleias e da biodiversidade marinha como um todo no Atl\u00e2ntico Sul. A aprova\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio de Baleias refor\u00e7a o compromisso dos pa\u00edses com a constru\u00e7\u00e3o de uma agenda de prote\u00e7\u00e3o para o Atl\u00e2ntico Sul, especialmente com a entrada em vigor do Tratado Global dos Oceanos e a realiza\u00e7\u00e3o da primeira COP sobre o tema em janeiro de 2027. A aprova\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio reitera que diferentes instrumentos internacionais podem se fortalecer mutuamente para ampliar a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade marinha e um oceano saud\u00e1vel para todos. &#8211; afirma <strong>Mariana Andrade<\/strong>, Porta-voz de oceanos do Greenpeace\u00a0 Brasil.\u00a0<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Santu\u00e1rio das Baleias do Atl\u00e2ntico Sul busca estabelecer uma grande regi\u00e3o oce\u00e2nica onde a ca\u00e7a comercial de baleias seja permanentemente proibida pela CIB, al\u00e9m de fortalecer pesquisa cient\u00edfica n\u00e3o letal, monitoramento de popula\u00e7\u00f5es e coopera\u00e7\u00e3o internacional. A proposta conecta \u00e1guas pr\u00f3ximas \u00e0 Am\u00e9rica do Sul e \u00e0 \u00c1frica ao limite do atual Santu\u00e1rio do Oceano Austral.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, a Comiss\u00e3o Internacional da Baleia reconhece dois santu\u00e1rios: o <strong>Santu\u00e1rio do Oceano \u00cdndico<\/strong>, criado em 1979, e o <strong>Santu\u00e1rio do Oceano Austral<\/strong>, estabelecido em 1994 ao redor da Ant\u00e1rtica. O Atl\u00e2ntico Sul permanece sem uma prote\u00e7\u00e3o equivalente estabelecida pela Comiss\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A costa brasileira faz parte dessa rota<\/strong><\/h2>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"573\" title=\"image\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-1024x573.png\" alt=\"Vista a\u00e9rea de duas baleias lado a lado no Atl\u00e2ntico Sul, respirando na superf\u00edcie do oceano, em \u00e1rea relacionada \u00e0 proposta do Santu\u00e1rio das Baleias do Atl\u00e2ntico Sul.\" class=\"wp-image-67295\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-1024x573.png 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-300x168.png 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-768x429.png 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-1536x859.png 1536w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image-510x285.png 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/09\/1b3453e3-image.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u00a9 Tato Slerca \/ Greenpeace<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa publicada em 2024 na revista cient\u00edfica<a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/mms.13146\"> <em>Marine Mammal Science<\/em> <\/a>evidencia a import\u00e2ncia das \u00e1guas brasileiras para as jubartes. O estudo analisou dados de telemetria por sat\u00e9lite de <strong>153 baleias-jubarte<\/strong>, obtidos entre 2003 e 2019 durante a temporada reprodutiva, entre agosto e dezembro, na costa brasileira.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os animais foram registrados ao longo de uma extensa faixa da costa, e os pesquisadores identificaram cinco \u00e1reas de concentra\u00e7\u00e3o de comportamentos associados \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o. Segundo os autores, os resultados demonstram que essas regi\u00f5es s\u00e3o vitais para atividades como acasalamento e cuidado de seus filhotes.&nbsp;<\/p>\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O dado \u00e9 importante porque mostra que a<strong> <mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\">presen\u00e7a das jubartes no Brasil n\u00e3o se restringe a um \u00fanico ponto do litoral.\u00a0<\/mark><\/strong><\/h4>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a temporada reprodutiva, esses animais utilizam diferentes regi\u00f5es costeiras e dependem das condi\u00e7\u00f5es desses ambientes para completar uma etapa fundamental de seu ciclo de vida.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conex\u00e3o vai muito al\u00e9m da costa brasileira, um estudo publicado em 2023 na <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-023-31358-5\"><em>Scientific Reports<\/em> <\/a>comparou fotografias de jubartes registradas no Brasil e na \u00c1frica do Sul entre 1989 e 2022.&nbsp;<\/p>\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ao analisar milhares de identifica\u00e7\u00f5es individuais, os pesquisadores encontraram<mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\"> <strong>seis baleias que haviam sido fotografadas nos dois pa\u00edses<\/strong>.<\/mark><\/h4>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro delas foram inicialmente registradas no Banco dos Abrolhos, no Brasil, e posteriormente identificadas na costa oeste da \u00c1frica do Sul. Outras duas foram observadas primeiro na \u00c1frica do Sul e depois no Brasil. Para os pesquisadores, os registros confirmam fotograficamente o interc\u00e2mbio de jubartes atrav\u00e9s do Atl\u00e2ntico Sul e refor\u00e7am a import\u00e2ncia da colabora\u00e7\u00e3o internacional para compreender os movimentos dessas popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A propor\u00e7\u00e3o de animais encontrados nos dois lados do oceano foi pequena \u2014 seis entre os <em>6.982 indiv\u00edduos identificados <\/em>no conjunto analisado \u2014, portanto, o estudo n\u00e3o significa que todas as jubartes brasileiras fa\u00e7am essa travessia. O que ele demonstra \u00e9 algo especialmente relevante para a conserva\u00e7\u00e3o:<mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\"> <strong>um mesmo indiv\u00edduo pode usar regi\u00f5es separadas por um oceano inteiro ao longo de sua vida<\/strong>.<\/mark><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Juntos, esses estudos constroem uma imagem muito mais completa, a mesma esp\u00e9cie que depende de \u00e1guas brasileiras para reprodu\u00e7\u00e3o pode atravessar milhares de quil\u00f4metros e utilizar ambientes sob diferentes jurisdi\u00e7\u00f5es ao longo da vida. Uma linha tra\u00e7ada em um mapa n\u00e3o interrompe a rota ecol\u00f3gica que mant\u00e9m esses animais vivos.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que proteger a rota importa<\/strong><\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baleias enfrentam diferentes press\u00f5es dependendo de onde est\u00e3o. Colis\u00f5es com embarca\u00e7\u00f5es, capturas acidentais, ru\u00eddo subaqu\u00e1tico, polui\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/petroleo-na-amazonia-nao\/\">, os efeitos da ind\u00fastria f\u00f3ssil, <\/a>a imin\u00eancia da<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/apoie\/parem-a-mineracao-em-aguas-profundas\/\"> minera\u00e7\u00e3o em \u00e1guas profundas<\/a> e altera\u00e7\u00f5es nos ecossistemas relacionadas \u00e0 crise clim\u00e1tica est\u00e3o entre as amea\u00e7as que explicam por que conservar uma esp\u00e9cie migrat\u00f3ria demanda uma perspectiva que ultrapasse pontos isolados da costa.&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma \u00e1rea pode ser essencial para reprodu\u00e7\u00e3o; outra, para alimenta\u00e7\u00e3o; e entre ambas existe um corredor de milhares de quil\u00f4metros pelo qual os animais precisam passar.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Greenpeace atua h\u00e1 d\u00e9cadas na defesa das baleias e dos oceanos, combinando mobiliza\u00e7\u00e3o p\u00fablica, incid\u00eancia e articula\u00e7\u00e3o internacional para ampliar a prote\u00e7\u00e3o desses animais e dos ecossistemas dos quais dependem. A vota\u00e7\u00e3o do Santu\u00e1rio de Baleias do Atl\u00e2ntico Sul \u00e9 mais um cap\u00edtulo dessa trajet\u00f3ria e uma oportunidade para transformar em decis\u00e3o pol\u00edtica o que a ci\u00eancia j\u00e1 mostra com clareza:<strong> proteger esp\u00e9cies migrat\u00f3rias exige coopera\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses e prote\u00e7\u00e3o ao longo de toda a sua rota.<\/strong><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para as baleias que cruzam o Atl\u00e2ntico Sul, essas fronteiras simplesmente n\u00e3o existem. Elas conectam \u00e1guas brasileiras, alto-mar, regi\u00f5es africanas e \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o em altas latitudes em uma mesma jornada. Garantir sua prote\u00e7\u00e3o significa reconhecer que baleias atravessam fronteiras, e sua prote\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m precisa atravess\u00e1-las.<\/p>\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Apoie as a\u00e7\u00f5es do Greenpeace pela prote\u00e7\u00e3o das <mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\">baleias,<\/mark> de suas <mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\">rotas migrat\u00f3rias<\/mark> e do <mark class=\"has-inline-color has-blue-green-800-color\">Atl\u00e2ntico Sul<\/mark>.<\/h3>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As baleias percorrem milhares de quil\u00f4metros entre a costa brasileira, o alto-mar e outras regi\u00f5es do Atl\u00e2ntico Sul. 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