{"id":699,"date":"2017-06-06T18:00:00","date_gmt":"2017-06-06T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-extensao-da-tragedia-da-lama-e-da-dor-na-foz-do-rio-doce\/"},"modified":"2025-07-02T04:37:26","modified_gmt":"2025-07-02T07:37:26","slug":"a-extensao-da-tragedia-da-lama-e-da-dor-na-foz-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/a-extensao-da-tragedia-da-lama-e-da-dor-na-foz-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"A extens\u00e3o da trag\u00e9dia da lama e da dor na Foz do Rio Doce"},"content":{"rendered":"<h4><em>Pesquisa mostra a abrang\u00eancia dos impactos da lama nas vidas de comunidades que vivem a 600 km da barragem que se rompeu, da Samarco; e como os preju\u00edzos sociais, culturais e emocionais s\u00e3o ignorados pela mineradora na hora de compensar os atigindos<\/em><\/h4>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/lama-em-linhares.jpg\"><br \/>\n<\/a><\/p>\n<div style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/lama-em-linhares.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl02_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/lama-em-linhares.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Chegada da lama em Linhares (ES) &#8211; Foto: Leonardo S\u00e1\/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>Mesmo separados por 600 quil\u00f4metros, os moradores na regi\u00e3o da foz do Rio Doce tamb\u00e9m foram gravemente impactados pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o (MG). Para al\u00e9m das perdas financeiras, as comunidades t\u00e3o dependentes do rio v\u00eam sofrendo consequ\u00eancias sociais, afetivas e culturais em fun\u00e7\u00e3o das profundas altera\u00e7\u00f5es causadas pela lama da Samarco em seus modos de vida.<\/p>\n<p>Depois de 15 dias percorrendo o leito do Rio Doce desde Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), o primeiro a ser atingido, a lama da Samarco chegou ao munic\u00edpio de Linhares (ES) na manh\u00e3 do dia 20 de novembro de 2015, para encontrar o mar na tarde do dia seguinte. Para avaliar a extens\u00e3o dos impactos na foz do Rio Doce, pesquisadores da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo avaliaram a extens\u00e3o desses impactos, no estudo <strong><a href=\"http:\/\/act.gp\/2se9Xwv\">Rompimento da barragem do Fund\u00e3o (SAMARCO\/VALE\/BHP BILLITON) e os efeitos do desastre na foz do Rio Doce, distritos de Reg\u00eancia e Povoa\u00e7\u00e3o, Linhares (ES)<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cA respons\u00e1vel pela trag\u00e9dia \u00e9 que est\u00e1 definindo o que \u00e9 dano e quem deve ser reparado, restringindo esse conceito a quem perdeu sua fonte de renda ou teve a estrutura da sua casa comprometida.Mas quando voc\u00ea conversa com os atingidos, percebe que os danos s\u00e3o mais extensos e profundos. A pesquisa fala da rela\u00e7\u00e3o fundamental das pessoas com o meio ambiente, sua condi\u00e7\u00e3o afetiva, de lazer e identidade, e isso precisa ser reconhecido como impacto, n\u00e3o s\u00f3 a dimens\u00e3o econ\u00f4mica\u201d, diz o soci\u00f3logo Hauley Vallim, um dos coordenadores do estudo. Segundo ele, \u00e9 preciso dar visibilidade para outras necessidades que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o tang\u00edveis, mas igualmente essenciais como comida e \u00e1gua pot\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar o objetivo do estudo, a investiga\u00e7\u00e3o contou com an\u00e1lises quantitativas e qualitativas, levando em conta a altera\u00e7\u00e3o das atividades rotineiras dos atingidos, como o conv\u00edvio laboral, familiar e social e os modos de lazer e conv\u00edvio social. O trabalho de campo quantitativo ocorreu entre os meses de agosto a outubro de 2016. No total, foram aplicados 385 question\u00e1rios em Reg\u00eancia e Povoa\u00e7\u00e3o, no munic\u00edpio de Linhares (ES). <strong>Confira a seguir um panorama dos principais impactos:<\/strong><\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/reuniao-moradores-foz.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl04_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/reuniao-moradores-foz.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"529\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o dos resultados do estudo para a comunidade de Reg\u00eancia &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<h4><strong>Preju\u00edzos na atividade pesqueira<\/strong><\/h4>\n<div style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/peixes-mortos.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl06_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/peixes-mortos.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Peixes mortos na praia de Reg\u00eancia: a pesca foi a atividade mais prejudicada na regi\u00e3o. Foto: Leonardo S\u00e1\/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>Para comunidades em que 98% baseavam sua dieta fortemente em peixes e mariscos \u2013 e que 66% pescavam o pr\u00f3prio alimento \u2013 o impacto da lama para a pesca local \u00e9 significativo. As tradicionais esp\u00e9cies de guaibira, manjuba, robalo e pescadinha garantem durante o ver\u00e3o uma renda relevante para as fam\u00edlias de pescadores atravessarem o ano. Pois o ver\u00e3o que se seguiu ao desastre foi igualmente desastroso. Mesmo o pescado capturado antes da chegada da lama n\u00e3o teve sa\u00edda ou foi vendido a pre\u00e7o muito baixo. Da mesma forma, at\u00e9 hoje os peixes das lagoas n\u00e3o contaminadas em Linhares n\u00e3o recuperaram seu valor de venda.<\/p>\n<div class=\"frame\">\n<p>Para os pescadores do mar, a pesca est\u00e1 interditada at\u00e9 onde a plataforma continental alcan\u00e7a 25 metros de profundidade. Na pr\u00e1tica, esta proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 inviabiliza o arrasto de camar\u00e3o \u2013 pesca notoriamente agressiva ao ambiente, e prof\u00edcua nesta \u00e1rea em quest\u00e3o \u2013 quanto a daqueles pescadores que, mesmo indo ao mar, o faziam em barcos sem a autonomia necess\u00e1ria para alcan\u00e7ar essa dist\u00e2ncia da costa.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/redes-pesca.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl08_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/redes-pesca.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Material de pesca sem uso come\u00e7a a degradar por falta de manuten\u00e7\u00e3o. Foto: divulga\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p>Os pescadores que respeitam a proibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguem mais exercer a profiss\u00e3o e est\u00e3o vivendo na depend\u00eancia do aux\u00edlio emergencial, um valor muito abaixo dos ganhos da atividade pesqueira. Inclusive, com a atividade parada, seus barcos, botes, remos e redes est\u00e3o estragando por falta de uso e manuten\u00e7\u00e3o. Outros tentam pescar em lagoas e rios pr\u00f3ximos, mas enfrentam dificuldades para vender o pescado devido ao temor de contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Preju\u00edzos na agricultura<\/strong><\/h4>\n<p>Em visita \u00e0 comunidade ribeirinha de Entre Rios, em 14 de novembro de 2015, os pesquisadores acompanharam o drama de uma fam\u00edlia que retirara a bomba de capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do rio h\u00e1 quase uma semana e assistia desde ent\u00e3o suas hortali\u00e7as, bananas, ab\u00f3boras, e demais plantios secarem, por falta de irriga\u00e7\u00e3o. Como a <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Blog\/rio-doce-guas-subterrneas-tambm-esto-contamin\/blog\/59171\/?__hstc=122591316.48d4ab13cf4e8e9665e283f30db84d24.1472741765563.1495217570940.1496784052010.21&amp;__hssc=122591316.1.1496784052010&amp;__hsfp=1826987353\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>pesquisa sobre \u00c1gua<\/strong><\/a> revelou, a contamina\u00e7\u00e3o chegou ao len\u00e7ol fre\u00e1tico e os altos n\u00edveis de ferro e mangan\u00eas prejudicam o desenvolvimento das plantas. Com a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o devido \u00e0 fragilidade do solo ap\u00f3s a chegada da lama, a situa\u00e7\u00e3o dos ribeirinhos tornou-se ainda mais cr\u00edtica com as novas dificuldades enfrentadas no processo de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Aumento nos gastos dom\u00e9sticos e perda da autonomia financeira (ou depend\u00eancia da Samarco)<\/strong><\/h4>\n<p>Devido ao aumento no gasto com \u00e1gua pot\u00e1vel e sem condi\u00e7\u00e3o financeira de arcar com ele, alguns moradores se viram na necessidade de sair das suas resid\u00eancias e morar de favor na casa de familiares. \u201cA gente estava ganhando doa\u00e7\u00f5es de pessoas comuns: fam\u00edlias e pessoas que se sensibilizaram. Precisamos comprar \u00e1gua mineral para as coisas mais b\u00e1sicas: fazer caf\u00e9, lavar o arroz, cozinhar. N\u00e3o recebemos nenhuma garrafa de \u00e1gua mineral da empresa Samarco. Estamos indo embora de Reg\u00eancia porque o consumo \u00e9 alto e n\u00e3o temos como pagar\u201d, relatou a comerciante Adriana a um dos entrevistados.<\/p>\n<p>Diante da situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica, os Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Esp\u00edrito Santo (MPF\/ES) e Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT), exigiram que a Samarco providenciasse aux\u00edlio emergencial imediato para todos os afetados pelo desastre. Nessa perspectiva, alguns moradores passaram a receber um cart\u00e3o mensal no valor de uma cesta b\u00e1sica, mais um sal\u00e1rio m\u00ednimo e 20% por dependente.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/rio-com-lama.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl10_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/rio-com-lama.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A \u00e1gua de p\u00e9ssima qualidade do Rio Doce representa um pesado custo extra para as comunidades locais, que precisam pagar por \u00e1gua mineral para suprir as necessidades b\u00e1sicas, como cozinhar. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>Amplia\u00e7\u00e3o dos conflitos entre vizinhos, amigos e familiares<\/strong><\/h4>\n<p>Se por um lado o aux\u00edlio emergencial foi um al\u00edvio moment\u00e2neo para alguns, o tratamento individualizado por parte da mineradora para com os atingidos foi desajustando as rela\u00e7\u00f5es familiares e sociais na regi\u00e3o. A discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e a invisibilidade das mulheres, crian\u00e7as e adolescentes; acusa\u00e7\u00f5es de favorecimento a algumas pessoas, enquanto outras teriam ficado de fora, ou seja, desconfian\u00e7a quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos cart\u00f5es da Samarco; d\u00favidas quanto \u00e0 atua\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as no que diz respeito \u00e0 transfer\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es e \u00e0 transpar\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es foram alguns dos problemas observados e relatados.<\/p>\n<h4><strong>Preju\u00edzo no com\u00e9rcio\/turismo<\/strong><\/h4>\n<p>Pequenos comerciantes locais tiveram preju\u00edzos com a interdi\u00e7\u00e3o das praias de Reg\u00eancia e Povoa\u00e7\u00e3o, que se tornaram impr\u00f3prias para o banho de mar. A proibi\u00e7\u00e3o pela Prefeitura foi sinalizada com placas para impedir o contato de pessoas com a \u00e1gua. Grande parte deste turismo est\u00e1 atrelado ao fato de as praias de Reg\u00eancia e Povoa\u00e7\u00e3o serem famosas por suas ondas, consideradas ideais para a pr\u00e1tica do surf e do bodyboard.<\/p>\n<p>Povoa\u00e7\u00e3o, de mais dif\u00edcil acesso ao p\u00fablico vindo da capital Vit\u00f3ria, \u00e9 um destino cobi\u00e7ado por atletas de bodyboard de todo o Brasil. Reg\u00eancia, do lado sul da foz do Rio Doce, desde a sua descoberta galgou a posi\u00e7\u00e3o de uma praia secreta e conhecida por poucos para uma das 10 melhores ondas do Brasil. Al\u00e9m do turismo, essa pr\u00e1tica esportiva tamb\u00e9m ficou prejudicada.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/surfe-regencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl12_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/surfe-regencia.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Famosa por suas ondas, a praia de Reg\u00eancia atra\u00eda surfistas de todo o pa\u00eds, incrementando o turismo e incentivando os moradores locais mais jovens no esporte. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>Preju\u00edzo no lazer comunit\u00e1rio<\/strong><\/h4>\n<p>Diante da quase aus\u00eancia de equipamentos p\u00fablicos de lazer, o rio e o mar eram os grandes atrativos, sobretudo para as crian\u00e7as e jovens. Aprender a nadar no rio, onde passavam tardes em churrasco e fazendo pescarias em fam\u00edlia ou amigos, tudo isso fazia parte da rotina dos moradores nos distritos estudados e afirma\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os familiares.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/praia-de-regencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl14_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/praia-de-regencia.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As crian\u00e7as est\u00e3o entre as mais afetadas pela falta de lazer, com a polui\u00e7\u00e3o do rio e das praias. Foto: Leonardo S\u00e1\/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>Desemprego e endividamento<\/strong><\/h4>\n<p>Em ambos os distritos pesquisados, havia uma profus\u00e3o de pequenas atividades supridas informalmente nos setores da constru\u00e7\u00e3o civil, servi\u00e7o dom\u00e9stico, jardinagem, alimenta\u00e7\u00e3o, pequenos reparos, que tamb\u00e9m foram impactadas pelo desastre, apresentando baixo desempenho.<\/p>\n<p>\u201cAntes da lama chegar eu tocava dois, tr\u00eas servi\u00e7os como pedreiro, porque as pessoas daqui e de fora estavam investindo na comunidade. Isso caiu 99% e as coisas est\u00e3o mais dif\u00edceis. Eu empregava at\u00e9 seis ou sete pessoas que trabalhavam comigo dentro da vila e hoje tenho um ajudante s\u00f3. Todos os outros est\u00e3o parados\u201d, relatou o pedreiro e agricultor Carlos, na entrevista realizada em setembro do ano passado.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/pescadores-regencia.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl16_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/pescadores-regencia.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Pescadores sem trabalho tentam atualmente obter fontes alternativas de renda. Fonte: Leonardo S\u00e1\/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>Abalo emocional e impactos na sa\u00fade<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com a Rede Nacional de M\u00e9dicos Populares, \u201cem alguns casos o sofrimento pode gerar o adoecimento ps\u00edquico\u201d. Nessa perspectiva, foram observados e relatados casos que podem configurar tipos espec\u00edficos, como: quadros depressivos, crises de ansiedade, problemas no sono e dores de cabe\u00e7a cr\u00f4nicas que merecem a aten\u00e7\u00e3o imediata de profissionais da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, alguns atingidos relataram que passaram a fazer uso de medicamentos controlados e\/ou analg\u00e9sicos ap\u00f3s o desajuste individual e social decorrentes do rompimento da barragem. No entanto, eles n\u00e3o receberam nenhum tipo de apoio social e\/ou psicol\u00f3gico e m\u00e9dico para lidar com a trag\u00e9dia pela empresa mineradora.<\/p>\n<h4><strong>Repara\u00e7\u00e3o ainda longe de ser obtida<\/strong><\/h4>\n<p>Como o estudo denuncia, o Estado tem se apresentado distante ou ausente para a popula\u00e7\u00e3o atingida na foz do Rio Doce. \u201cA situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica vivenciada pelos atingidos tem sido agravada em decorr\u00eancia do tratamento institucional dedicado \u00e0 gest\u00e3o do desastre. Ap\u00f3s um ano do rompimento da barragem, poucas a\u00e7\u00f5es para reparar o dano causado \u00e0 vida dos atingidos foram colocadas em pr\u00e1tica de forma eficiente pela empresa ou pelos poderes p\u00fablicos. A desinforma\u00e7\u00e3o, os boatos e os ass\u00e9dios foram e permanecem constantes na nova rotina da popula\u00e7\u00e3o atingida, e, dessa forma, a perspectiva de futuro continua abalada\u201d, escreveram os pesquisadores.<\/p>\n<p>&#8220;O estudo deixa evidente o quanto os atingidos da foz do Rio Doce s\u00e3o muitas vezes desconsiderados pela empresa Samarco e sua Funda\u00e7\u00e3o Renova, o que demonstra as limita\u00e7\u00f5es da empresa para tratar de maneira justa o desastre causado por ela pr\u00f3pria&#8221;, afirma Fabiana Alves, da Campanha de \u00c1gua do Greenpeace.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/mar-com-lama.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl18_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/mar-com-lama.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mar atingido pela lama da Samarco: para os atingidos, as \u00e1guas continuam turvas, sem perspectivas de melhoras no curto prazo &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<\/div>\n<h4><strong>\u201cF\u00e1bricas de Marianas\u201d<\/strong><\/h4>\n<p>Enquanto isso, o Congresso brasileiro planeja aprovar o Projeto de Lei 3729\/2004, que objetiva flexibilizar o licenciamento ambiental. O interesse n\u00e3o \u00e9 tornar o processo mais efetivo e respons\u00e1vel, apenas mais r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Caso a lei seja mudada para pior, como querem deputados, senadores e boa parte do governo, todos n\u00f3s estaremos expostos a maiores riscos, afetando de forma direta popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis, como as comunidades da Foz do Rio Doce, e alimentando a possibilidade de ocorr\u00eancia de novos desastres ambientais, como foi em Mariana. Ele deixou um rastro de 21 mortos e arrasou com as esperan\u00e7as e a vida de centenas de fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Do ponto de vista econ\u00f4mico, o enfraquecimento do licenciamento tamb\u00e9m poder\u00e1 trazer efeitos negativos, alimentando conflitos sociais e aumentando o n\u00famero de contesta\u00e7\u00f5es legais contra empreendimentos, diminuindo a seguran\u00e7a jur\u00eddica para investimentos no pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa mostra a abrang\u00eancia dos impactos da lama nas vidas de comunidades que vivem a 600 km da barragem que se rompeu, da Samarco; e como os preju\u00edzos sociais, culturais e emocionais s\u00e3o ignorados pela mineradora na hora de compensar os atigindos.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":700,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[8],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-resista","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=699"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58798,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/699\/revisions\/58798"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/700"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=699"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}