{"id":752,"date":"2015-03-24T00:00:00","date_gmt":"2015-03-24T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/bebeu-agua-ta-com-sede-apague-a-luz\/"},"modified":"2025-07-02T04:37:48","modified_gmt":"2025-07-02T07:37:48","slug":"bebeu-agua-ta-com-sede-apague-a-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/bebeu-agua-ta-com-sede-apague-a-luz\/","title":{"rendered":"Bebeu \u00e1gua? T\u00e1 com sede? Apague a luz!"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"leader\"><em>Enquanto nossa matriz energ\u00e9tica se basear em usinas t\u00e9rmicas e hidrel\u00e9tricas, vamos viver o dilema entre ter \u00e1gua ou ter luz.<\/em><\/h4>\n<div>\n<div class=\"events-box small-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div id=\"attachment_3414\" style=\"width: 352px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3414\" class=\"wp-image-3414 \" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res-1024x683.jpg\" alt=\"Linhas de transmisss\u00e3o de energia el\u00e9trica.\" width=\"342\" height=\"228\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res-510x340.jpg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2015\/03\/GP0STOA8V_Medium_res.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 342px) 100vw, 342px\" \/><p id=\"caption-attachment-3414\" class=\"wp-caption-text\">Linhas de transmisss\u00e3o de energia el\u00e9trica.<\/p><\/div>\n<p>A crise energ\u00e9tica e a crise h\u00eddrica s\u00e3o duas margens do mesmo reservat\u00f3rio. Hoje j\u00e1 n\u00e3o dependemos 97% de hidrel\u00e9tricas para gerar eletricidade, como em 2001, quando sofremos o famoso Apag\u00e3o, mas ainda precisamos de muita \u00e1gua para acender as luzes do pa\u00eds. Naquela \u00e9poca, a escassez de chuvas e p\u00e9ssimos planejamento energ\u00e9tico e gest\u00e3o dos recursos h\u00eddricos obrigaram o Brasil a racionar o consumo emergencialmente e iniciar o que poderia ter sido uma guinada para a efici\u00eancia energ\u00e9tica e a diversifica\u00e7\u00e3o da matriz el\u00e9trica. Na pr\u00e1tica, o que aconteceu foi um tanto diferente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O legado do apag\u00e3o foi um programa de efici\u00eancia energ\u00e9tica que mal passa de um programa de etiquetagem e uma matriz que escolheu as usinas t\u00e9rmicas para poupar os reservat\u00f3rios e garantir o abastecimento em per\u00edodos de seca. Gra\u00e7as a essa mudan\u00e7a, atualmente, 66% da eletricidade vem de hidrel\u00e9tricas e 30% de termel\u00e9tricas. O que parece ter passado despercebido \u00e9 que as t\u00e9rmicas precisam de \u00e1gua para operar. Muita \u00e1gua.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros variam de acordo com o combust\u00edvel utilizado, mas s\u00e3o todos superlativos: algo entre 500 e 2.000 litros de \u00e1gua s\u00e3o consumidos a cada megawatt-hora gerado por termel\u00e9tricas, o que d\u00e1 para iluminar uma casa brasileira padr\u00e3o por 6 meses. Em 2013, geramos 172 mil GWh com usinas t\u00e9rmicas, ou uma vez e meia a eletricidade consumida por todas as resid\u00eancias do pa\u00eds. Derivamos da\u00ed um consumo de 151 bilh\u00f5es de litros de \u00e1gua, o equivalente a quase um ter\u00e7o de toda a \u00e1gua dispon\u00edvel, em 20 de mar\u00e7o, nos seis grandes reservat\u00f3rios que abastecem a Grande S\u00e3o Paulo. \u00c9 o suficiente para abastecer a capital de S\u00e3o Paulo por 96 dias.<\/p>\n<p>J\u00e1 passou da hora de priorizarmos: ou escolhemos a \u00e1gua para beber ou eletricidade para ligar a geladeira. \u00c1gua gelada, nem pensar. Precisamos investir em uma mudan\u00e7a de l\u00f3gica, que use menos \u00e1gua e libere esse precioso l\u00edquido para outros usos mais nobres, como o consumo humano.<\/p>\n<p>E como podemos fazer isso? Num cen\u00e1rio t\u00e3o extremo, nenhuma solu\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, muito menos indolor. Mas o Brasil pode passar por essa crise voltando-se para sua voca\u00e7\u00e3o natural: o sol e os ventos. Tanto a energia solar fotovoltaica quanto a e\u00f3lica t\u00eam baix\u00edssimo consumo de \u00e1gua, al\u00e9m de serem complementares entre si e gerarem mais energia justamente no per\u00edodo de seca, quando os reservat\u00f3rios precisam ser poupados. Melhor ainda: s\u00e3o as energias que podem ser entregues mais r\u00e1pido, com tempo de constru\u00e7\u00e3o das usinas entre 6 e 18 meses.<\/p>\n<p>Assim como \u00e9 preciso diversificar as formas de gerar eletricidade, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio olhar para al\u00e9m da oferta e cuidar da demanda de energia: o lado do consumidor. Isso significa investir seriamente em programas de efici\u00eancia energ\u00e9tica, racionalizando o uso da energia na ponta e reduzindo a press\u00e3o sobre o sistema el\u00e9trico; estimular a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda de energia nos telhados de casas e ind\u00fastrias, com pain\u00e9is fotovoltaicos que produzem mais eletricidade justamente nos per\u00edodos de pico de consumo no in\u00edcio da tarde; e em aquecedores solares para reduzir nossa depend\u00eancia dos chuveiros el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, segundo a ABRAVA (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de refrigera\u00e7\u00e3o, Ar-condicionado, ventila\u00e7\u00e3o e aquecimento) o calor gerado em 2013 pelos aquecedores solares instalados no Brasil equivale \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de 6.363 GWh, eletricidade suficiente para 3,3 milh\u00f5es de domic\u00edlios. A cidade de S\u00e3o Paulo, como refer\u00eancia, possui cerca de 3,6 milh\u00f5es de resid\u00eancias.<\/p>\n<p>O modelo de planejamento energ\u00e9tico baseado em grandes hidrel\u00e9tricas complementadas por t\u00e9rmicas est\u00e1 falido. O pr\u00f3prio Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, admite que a moderniza\u00e7\u00e3o do setor \u00e9 urgente. Dada as crises que vivemos, temos a oportunidade de inverter a l\u00f3gica e diversificar a matriz el\u00e9trica para uma menos poluente, sem combust\u00edveis f\u00f3sseis e com menos consumo de \u00e1gua, com solu\u00e7\u00f5es provadas e comprovadas, usando o sol e os ventos &#8211; estes sim, recursos renov\u00e1veis e ilimitados.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/AXX11-1103.pdf\">*Artigo publicado em 11\/3\/2015 no jornal Correio Braziliense<\/a>\u00a0e atualizado para o n\u00edvel atual dos reservat\u00f3rios<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto nossa matriz energ\u00e9tica se basear em usinas t\u00e9rmicas e hidrel\u00e9tricas, vamos viver o dilema entre ter \u00e1gua ou ter luz. <\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":754,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[6],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-transforme-a-sociedade","tag-clima","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=752"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/752\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58806,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/752\/revisions\/58806"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=752"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}