{"id":8016,"date":"2006-04-06T00:01:19","date_gmt":"2006-04-06T03:01:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=8016"},"modified":"2025-07-02T04:37:56","modified_gmt":"2025-07-02T07:37:56","slug":"comendo-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/publicacoes\/comendo-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Comendo a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Investiga\u00e7\u00e3o realizada pelo Greenpeace Internacional, da Holanda, sobre a expans\u00e3o da ind\u00fastria da soja no Brasil revela novas evid\u00eancias sobre a rela\u00e7\u00e3o entre multinacionais norte-americanas com o desmatamento, a grilagem de terras e o trabalho escravo na Amaz\u00f4nia. Ao construir silos e infraestrutura no cora\u00e7\u00e3o da floresta, financiar a abertura de estradas e comprar soja produzida em fazendas ilegais ou proveniente de desmatamento, inclusive com o uso de trabalho escravo, Cargill, ADM e Bunge est\u00e3o, ao mesmo tempo, estimulando e se beneficiando da invas\u00e3o da soja na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/03\/a21fefac-report-eating-up-the-amazon-port-final.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Confira aqui a \u00edntegra do relat\u00f3rio<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A floresta amaz\u00f4nica \u00e9 uma das regi\u00f5es mais ricas e de maior biodiversidade do planeta. Abriga cerca de 10% das esp\u00e9cies conhecidas de mam\u00edferos e 15% das esp\u00e9cies de plantas. \u00c9 tamb\u00e9m um dos ecossistemas mais amea\u00e7ados do mundo e est\u00e1 desaparecendo a um ritmo de mais de 18 mil km2 ao ano. Nos \u00faltimos 25 anos, uma \u00e1rea de floresta prim\u00e1ria maior do que os estados do Mato Grosso do Sul e do Rio de Janeiro, juntos, foi destru\u00edda para sempre na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o governo brasileiro adotou medidas importantes para combater a explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e o desmatamento na Amaz\u00f4nia. Ao mesmo tempo, uma nova e poderosa amea\u00e7a de destrui\u00e7\u00e3o da floresta surgiu na regi\u00e3o: a soja. Grandes investimentos por parte do setor de agroneg\u00f3cio norte-americano transformaram a Amaz\u00f4nia na mais nova fronteira agr\u00edcola do Pa\u00eds. At\u00e9 2004, cerca de 1,2 milh\u00e3o de hectares de florestas foram convertidas em planta\u00e7\u00f5es de soja. Apesar de representar apenas 5% do total da \u00e1rea cultivada com soja atualmente no Brasil e de muitos cultivos antigos ocuparem \u00e1reas j\u00e1 desmatadas, novos investimentos em estradas, silos e portos pela Cargill e outras empresas fazem com que seja mais lucrativo queimar \u00e1reas intactas de florestas do que comprar \u00e1reas j\u00e1 desmatadas, impulsionando assim a expans\u00e3o da soja na Amaz\u00f4nia a uma velocidade ainda maior. Esta expans\u00e3o tem um pre\u00e7o n\u00e3o apenas para a floresta, mas para as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e comunidades tradicionais, que s\u00e3o expulsas de suas terras para dar lugar \u00e0 soja, e para milhares de pessoas que s\u00e3o enganadas e for\u00e7adas a trabalhar na derrubada da floresta.<\/p>\n<p>Apesar de v\u00e1rias reportagens terem investigado um aspecto ou outro do fen\u00f4meno soja, at\u00e9 hoje n\u00e3o existia uma an\u00e1lise abrangente das causas e efeitos desta monocultura na Amaz\u00f4nia. Desde 2004, o Greenpeace Internacional, com sede na Holanda, iniciou esta an\u00e1lise, baseada em investiga\u00e7\u00f5es de campo, sobrev\u00f4os, entrevistas com comunidades afetadas, representantes da ind\u00fastria e pol\u00edticos, an\u00e1lise de imagens de sat\u00e9lite e dados de exporta\u00e7\u00e3o, e monitoramento de navios para o mercado internacional. A investiga\u00e7\u00e3o, que durou dois anos, foi al\u00e9m dos campos de soja e das florestas na Amaz\u00f4nia, e identificou a cadeia da soja desde as decis\u00f5es iniciais em salas de reuni\u00f5es de empresas nos Estados Unidos at\u00e9 chegar \u00e0s prateleiras de restaurantes, lanchonetes e supermercados da Europa, passando pela destrui\u00e7\u00e3o da maior floresta tropical do planeta. Este relat\u00f3rio apresenta nossas descobertas preliminares. \u00c9 o retrato de uma ind\u00fastria vigorosa e devastadora, e inclui novas evid\u00eancias da responsabilidade das empresas norte-americanas e do papel involunt\u00e1rio de consumidores europeus na destrui\u00e7\u00e3o da floresta, na grilagem de terras, expuls\u00e3o de comunidades locais e uso de trabalho escravo na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Muitos atores, nacionais e internacionais, t\u00eam sido c\u00famplices na dconvers\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica em monoculturas de soja. No entanto, nossas evid\u00eancias apontam, repetidamente, para tr\u00eas multinacionais norte-americanas do setor do agroneg\u00f3cio como respons\u00e1veis por esta destrui\u00e7\u00e3o \u2013 Archer Daniels Midland (ADM), com sede em Decatur, Illinois; Bunge Corporation, baseada em Saint Louis e, mais importante, a Cargill, com sede em Minnesota. Fornecendo desde sementes e fertilizantes at\u00e9 a infraestrutura necess\u00e1ria para armazenamento e transporte da soja, estas empresas agem como im\u00e3 para atrair novos produtores para a Amaz\u00f4nia. Elas n\u00e3o apenas impulsionam a expans\u00e3o da soja, mas fecham tamb\u00e9m elos importantes na cadeia da destrui\u00e7\u00e3o ilegal da floresta, grilagem de terras e trabalho escravo, tornando a soja produzida na Amaz\u00f4nia extremamente barata para consumidores europeus, e dispendiosa para todos os outros. As evid\u00eancias coletadas pelo Greenpeace mostram como a Cargill e seus aliados se alimentam da destrui\u00e7\u00e3o da floresta, construindo portos, silos e outras obras de infraestrutura, financiando a abertura de estradas em \u00e1reas de florestas e comprando soja produzida em fazendas envolvidas com grilagem de terras, desmatamento ilegal em \u00e1reas protegidas e trabalho escravo.<\/p>\n<p>A grande maioria desta soja \u00e9 exportada para a Europa para ser usada como ra\u00e7\u00e3o animal e garantir que produtos como o Chicken McNuggets e outras carnes continuem com os pre\u00e7os baixos e abundantes para os consumidores europeus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Investigac\u0327a\u0303o realizada pelo Greenpeace Internacional, da Holanda, sobre a expansa\u0303o da indu\u0301stria da soja no Brasil revela novas evide\u0302ncias sobre a relac\u0327a\u0303o entre multinacionais norte-americanas com o desmatamento, a grilagem&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":8017,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[22],"p4-page-type":[15],"class_list":["post-8016","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-greenpeace","tag-florestas","p4-page-type-publicacoes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8016"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8016\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58810,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8016\/revisions\/58810"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8016"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=8016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}