{"id":86361,"date":"2026-10-26T17:08:42","date_gmt":"2026-10-26T20:08:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=86361"},"modified":"2026-10-26T17:08:45","modified_gmt":"2026-10-26T20:08:45","slug":"povos-indigenas-lancam-carta-contra-a-mineracao-em-terras-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/povos-indigenas-lancam-carta-contra-a-mineracao-em-terras-indigenas\/","title":{"rendered":"Povos ind\u00edgenas lan\u00e7am carta contra a minera\u00e7\u00e3o em Terras Ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Carta divulgada em Semin\u00e1rio denuncia a ofensiva extrativista e reivindica o direito dos povos ind\u00edgenas de decidir sobre seus territ\u00f3rios.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Greenpeace Brasil participou do encontro, ao lado de organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e institui\u00e7\u00f5es aliadas.<\/em><\/p>\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" title=\"image\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-86362\" style=\"aspect-ratio:1.5012468827930174;width:602px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image-510x340.jpeg 510w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image-768x512.jpeg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image-300x200.jpeg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2026\/10\/22211e14-image.jpeg 1050w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ind\u00edgenas reunidos no Semin\u00e1rio \u201cEsta Terra Tem Dono: Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas Livres de Minera\u00e7\u00e3o\u201d. Cr\u00e9dito: \u00a9Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os territ\u00f3rios ind\u00edgenas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 venda. N\u00e3o s\u00e3o jazidas \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do mercado, espa\u00e7os vazios para a expans\u00e3o do capital ou zonas de sacrif\u00edcio em nome de uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que mant\u00e9m a mesma l\u00f3gica de explora\u00e7\u00e3o da natureza e dos povos. Essa \u00e9 a mensagem central da carta divulgada por organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas ao final do II Semin\u00e1rio \u201cEsta Terra Tem Dono: Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas Livres de Minera\u00e7\u00e3o\u201d, realizado entre 20 e 22 de outubro de 2026.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coordenado pela Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (APIB), o semin\u00e1rio reuniu lideran\u00e7as das sete organiza\u00e7\u00f5es regionais que comp\u00f5em a articula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es aliadas, indigenistas e socioambientais, para debater as amea\u00e7as da minera\u00e7\u00e3o e do garimpo aos territ\u00f3rios, aos modos de vida e \u00e0 autonomia dos povos ind\u00edgenas. O Greenpeace Brasil participou do encontro, contribuindo para o debate sobre os impactos do modelo extrativista e a necessidade de garantir os direitos dos povos diante dos interesses econ\u00f4micos sobre seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carta final \u00e9 um posicionamento pol\u00edtico diante de uma ofensiva que ganha for\u00e7a com a corrida global por minerais cr\u00edticos, estrat\u00e9gicos e terras raras. Sob o argumento de que esses recursos s\u00e3o necess\u00e1rios para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, territ\u00f3rios ind\u00edgenas voltam a ser tratados como fronteiras dispon\u00edveis para a explora\u00e7\u00e3o, enquanto os povos que os protegem h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es s\u00e3o colocados diante de novas amea\u00e7as \u00e0 sua integridade f\u00edsica, cultural, espiritual e territorial.<\/p>\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o pode repetir a l\u00f3gica colonial<\/strong><\/h2>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00edtio, cobre, n\u00edquel, ni\u00f3bio e terras raras est\u00e3o no centro de uma disputa global por recursos considerados estrat\u00e9gicos para a transforma\u00e7\u00e3o das matrizes energ\u00e9ticas. Mas a mudan\u00e7a na fonte de energia n\u00e3o representa, por si s\u00f3, uma mudan\u00e7a no modelo de desenvolvimento. Quando a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica depende da abertura de novas fronteiras de explora\u00e7\u00e3o, da viola\u00e7\u00e3o de direitos e da destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas, ela reproduz a l\u00f3gica colonial que historicamente transforma os territ\u00f3rios em fontes de mat\u00e9ria-prima e deixa para as popula\u00e7\u00f5es locais os custos socioambientais dessa explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 essa contradi\u00e7\u00e3o que as lideran\u00e7as ind\u00edgenas denunciam. Enquanto governos e empresas apresentam a minera\u00e7\u00e3o como caminho inevit\u00e1vel para a sustentabilidade, os povos ind\u00edgenas alertam que o discurso verde n\u00e3o pode servir de justificativa para aprofundar a viol\u00eancia, a contamina\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O documento denuncia ainda os impactos j\u00e1 provocados pelo garimpo e pela minera\u00e7\u00e3o, incluindo a contamina\u00e7\u00e3o por&nbsp; metais pesados como merc\u00fario e chumbo; bem como a destrui\u00e7\u00e3o de lugares sagrados. S\u00e3o consequ\u00eancias de um modelo que concentra os benef\u00edcios econ\u00f4micos e distribui os&nbsp; impactos entre povos e comunidades que historicamente protegem a floresta e seus ecossistemas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais recados da carta \u00e9 que os povos ind\u00edgenas n\u00e3o aceitam ser tratados como obst\u00e1culos ao desenvolvimento econ\u00f4mico. A autodetermina\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito fundamental: cabe aos pr\u00f3prios povos decidir sobre seus projetos de vida, suas formas de organiza\u00e7\u00e3o e o que pode ou n\u00e3o acontecer em seus territ\u00f3rios.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, as lideran\u00e7as rejeitam consultas realizadas apenas para legitimar decis\u00f5es j\u00e1 tomadas pelo Estado ou por empresas. A consulta livre, pr\u00e9via e informada precisa respeitar os protocolos aut\u00f4nomos de cada povo e garantir a possibilidade real de recusa. Consultar n\u00e3o pode ser uma formalidade para viabilizar empreendimentos, mas um instrumento para assegurar o direito de decidir.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A participa\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil no semin\u00e1rio refor\u00e7a a import\u00e2ncia de enfrentar um modelo de explora\u00e7\u00e3o que desconsidera as dimens\u00f5es sociais, ambientais, culturais e espirituais dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como destaca o porta-voz da Frente de Povos Ind\u00edgenas do Greenpeace Brasil, Danicley de Aguiar:<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cToda e qualquer a\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ind\u00edgenas nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas produz impactos no mundo material e no imaterial, provocando um desequil\u00edbrio na cosmovis\u00e3o e cosmopol\u00edtica dos povos ind\u00edgenas. Apesar de prever os impactos sobre o mundo imaterial, o processo de licenciamento segue ignorando tais impactos. O recado \u00e9 claro: a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bem-vinda. Com lei ou sem lei n\u00e3o haver\u00e1 minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas. Autodetermina\u00e7\u00e3o se exerce, e \u00e9 esse caminho que os povos ind\u00edgenas trilharam desde 1500.\u201d<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alerta \u00e9 especialmente importante diante das decis\u00f5es pol\u00edticas que buscam ampliar a explora\u00e7\u00e3o de minerais cr\u00edticos sem o devido respeito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos. Projetos que definem o futuro dos territ\u00f3rios n\u00e3o podem avan\u00e7ar com base na l\u00f3gica da constru\u00e7\u00e3o de maiorias conjunturais, e seguir impondo dor e sofrimento aos mais de 300 povos ind\u00edgenas do Brasil.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica verdadeiramente justa precisa ir al\u00e9m da substitui\u00e7\u00e3o de fontes de energia. Deve enfrentar as desigualdades hist\u00f3ricas, reduzir a press\u00e3o por novas fronteiras extrativas e respeitar os direitos de quem protege os ecossistemas fundamentais para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico. N\u00e3o existe justi\u00e7a clim\u00e1tica quando a resposta \u00e0 crise ambiental reproduz as viol\u00eancias que contribu\u00edram para produzi-la.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Leia na \u00edntegra<\/strong> <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2026\/10\/organizacoes-frente-ofensiva-extrativista-e-defesa-autodeterminacao\/\"><strong>a carta final<\/strong><\/a> <strong>do II Semin\u00e1rio \u201cEsta Terra Tem Dono: Territ\u00f3rios Ind\u00edgenas Livres de Minera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta divulgada em Semin\u00e1rio denuncia a ofensiva extrativista e reivindica o direito dos povos ind\u00edgenas de decidir sobre seus territ\u00f3rios.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":133,"featured_media":86362,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_planet4_optimize_post_is_variant":false,"_planet4_optimize_experiment_name":"","_planet4_optimize_variant_name":"","ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_seo_meta_title":"","p4_seo_meta_description":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[49,68],"tags":[43,45],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-86361","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-amazonia","category-povos-e-territorios","tag-povos-e-territorios","tag-mineracao","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/133"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=86361"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86361\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":86365,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/86361\/revisions\/86365"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/86362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=86361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=86361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=86361"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=86361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}