{"id":925,"date":"2016-11-25T14:43:00","date_gmt":"2016-11-25T14:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mais-de-20-de-todos-os-agrotoxicos-usados-no-brasil-sao-ilegais\/"},"modified":"2019-11-06T05:21:07","modified_gmt":"2019-11-06T08:21:07","slug":"mais-de-20-de-todos-os-agrotoxicos-usados-no-brasil-sao-ilegais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mais-de-20-de-todos-os-agrotoxicos-usados-no-brasil-sao-ilegais\/","title":{"rendered":"Mais de 20% de todos os agrot\u00f3xicos usados no Brasil s\u00e3o ilegais"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-content\">\n<h4 dir=\"ltr\"><em>Brasileiros e brasileiras est\u00e3o consumindo alimentos com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que nem especialistas no tema sabem o que \u00e9 ou o que pode ser.<\/em><\/h4>\n<p dir=\"ltr\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP0STQ26C_Low_res_with_credit_line.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl02_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/GP0STQ26C_Low_res_with_credit_line.jpg\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame reset-padding\">\n<p>\u00c9 isso mesmo. O dado alarmante foi revelado por Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria Qu\u00edmica (ABIQUIM) e convidado a compor a mesa de debate de audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Reforma Agr\u00e1ria do Senado desta quinta-feira (24).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O tema da audi\u00eancia era contrabando e falsifica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e seus impactos na economia. Poss\u00edveis embargos internacionais \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e perdas de arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1rias avaliadas em um milh\u00e3o de d\u00f3lares no \u00faltimo ano preocupam. Mas nada se compara ao risco que a sociedade corre ao estar sujeita a esses agrot\u00f3xicos ilegais.<\/p>\n<p>Questionada se existe uma an\u00e1lise capaz de dizer os riscos \u00e0 sa\u00fade causados por essas subst\u00e2ncias piratas, S\u00edlvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG), respondeu: \u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar os riscos ou o que tem dentro desses produtos contrabandeados\u201d. E afirmou que se fossem feitos por uma empresa, ela seria a terceira ou quarta maior do mercado nacional.<\/p>\n<p>Resumindo: al\u00e9m de representar um grande risco econ\u00f4mico, trata-se de um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. Brasileiros e brasileiras est\u00e3o consumindo alimentos com subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que nem especialistas no tema sabem o que \u00e9 ou o que pode ser.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do risco alimentar vem forte dentro dessa discuss\u00e3o. Durante debate nesta quarta-feira (23) da Comiss\u00e3o Especial do Projeto de Lei 6299\/2002, que visa enfraquecer a legisla\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos com o objetivo de facilitar seu uso e libera\u00e7\u00e3o, Elo\u00edsa Dutra Caldas, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Toxicologia da Universidade de Bras\u00edlia, lembrou que o Brasil n\u00e3o tem um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico voltado \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de riscos de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas legais usadas nas lavouras. \u201cMeu sonho \u00e9 que o Brasil tenha uma ag\u00eancia avaliadora de riscos\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Para os agrot\u00f3xicos regulamentados existe o Limite M\u00e1ximo de Res\u00edduos (LMR), que estipula por lei a quantidade permitida de res\u00edduo de um pesticida espec\u00edfico no alimento. No entanto, n\u00e3o \u00e9 um indicador de sa\u00fade, e sim puramente agron\u00f4mico, n\u00e3o levando em conta o uso cruzado de diferentes subst\u00e2ncias. Por sua vez, o \u00edndice de Ingest\u00e3o Di\u00e1ria M\u00e1xima (IDM), al\u00e9m de obter seus resultados por meio de testes em ratos e n\u00e3o em seres humanos, n\u00e3o considera o consumo cumulativo de pesticidas ao longo da vida de uma pessoa.<\/p>\n<p>Se o uso legal e licenciado de agrot\u00f3xicos j\u00e1 apresenta brechas em suas an\u00e1lises, imagine ent\u00e3o produtos contrabandeados ou at\u00e9 falsificados, que s\u00e3o produzidos pelos pr\u00f3prios traficantes em fazendas ilegais. E pensar que estes comp\u00f5em mais de 20% de todos os insumos qu\u00edmicos aplicados nas lavouras brasileiras \u00e9 assustador.<\/p>\n<p>Segundo <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/IBOPE-tema-Alimentacao-deve-mudar-o-voto-do-brasileiro\/\">pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace<\/a>, 81% da popula\u00e7\u00e3o brasileira considera que a quantidade de agrot\u00f3xicos aplicados nas lavouras \u00e9 \u201calta\u201d ou \u201cmuito alta\u201d. As pessoas n\u00e3o querem mais comer comida com pesticidas \u2013 ainda mais sabendo que parte significativa deles \u00e9 ilegal e sem qualquer controle.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de tentar flexibilizar, \u00e9 preciso endurecer a legisla\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos e caminhar para a redu\u00e7\u00e3o gradual de seu uso at\u00e9 se ver livre da aplica\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos nos campos. Por isso, o Greenpeace e outras organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/Esta-no-Congresso-projeto-para-reduzir-uso-de-agrotoxicos\/\">apresentaram no in\u00edcio de novembro ao Congresso o Programa Nacional de Redu\u00e7\u00e3o do Uso de Agrot\u00f3xicos (PNARA)<\/a> em forma de sugest\u00e3o de Projeto de Lei.<\/p>\n<h4><strong>Agricultura da concilia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h4>\n<p>Os \u00faltimos dias no Congresso Nacional mostram que o debate sobre o modelo de produ\u00e7\u00e3o de alimentos do pa\u00eds est\u00e1 se tornando quest\u00e3o cada vez mais relevante para a sociedade civil, que quer consumir comida sem agrot\u00f3xicos. Com o espa\u00e7o que sistemas alternativos de produ\u00e7\u00e3o v\u00eam tomando e as cr\u00edticas crescentes da sociedade sobre o uso de pesticidas, o agroneg\u00f3cio se coloca na defensiva e passa a adotar um discurso mais brando no lugar da radicaliza\u00e7\u00e3o de costume.<\/p>\n<p>Durante audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da C\u00e2mara dos Deputados nesta ter\u00e7a-feira (22), Rodrigo Justus, da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA), em tom conciliador, sugeriu que o Fundo Amaz\u00f4nia, al\u00e9m de servir para \u201cca\u00e7ar desmatador\u201d, tamb\u00e9m deveria investir em pesquisas de diferentes modelos de produ\u00e7\u00e3o sem uso de agrot\u00f3xicos, como o sistema agroflorestal ou agroecol\u00f3gico. \u201cEstamos abertos a novos modelos\u201d, afirmou.<\/p>\n<div class=\"events-box big-box left\">\n<div class=\"frame\">\n<div style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"open-img EnlargeImage\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/Screen-Shot-2016-11-25-at-13.51.26.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" id=\"ctl00_cphContentArea_epiEntryContent_ctl00_ctl04_Image1\" class=\"Thumbnail\" style=\"border-width: 0px;\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2018\/07\/Screen-Shot-2016-11-25-at-13.51.26.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Audi\u00eancia p\u00fablica da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da C\u00e2mara, dia 22 de novembro (\u00a9 Alan Azevedo \/ Greenpeace)<\/p><\/div>\n<p>Fernando Rebelo, do IBAMA, defendeu que a inten\u00e7\u00e3o de quem incentiva a produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 de acabar com o modelo convencional. \u201cN\u00e3o queremos quebrar o agroneg\u00f3cio. Se um executivo da Coca-Cola, h\u00e1 30 anos, dissesse que a empresa precisaria produzir suco, ele ia ser mandado embora. Hoje, o suco e a \u00e1gua mineral v\u00e3o salvar a Coca-Cola\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A analogia cai como uma luva sobre o agroneg\u00f3cio. Em alguns anos, quando a vontade da maioria for contra consumir produtos qu\u00edmicos em seus alimentos, o setor que movimenta cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) pode de fato quebrar caso n\u00e3o se adapte \u00e0 demanda nacional e internacional.<\/p>\n<p>Vale lembrar que o Brasil utiliza muitos agrot\u00f3xicos proibidos na Uni\u00e3o Europeia e em diferentes pa\u00edses como China, Estados Unidos e \u00cdndia, o que limitar\u00e1 cada vez mais as exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os e tamb\u00e9m de carne, uma vez que a alimenta\u00e7\u00e3o animal se d\u00e1 por meio da soja e do milho quimicamente tratados.<\/p>\n<p><span id=\"docs-internal-guid-1dc5882d-9c2a-fd50-29ee-4b29b183873c\">\u201cVer o setor do agroneg\u00f3cio tomando a defensiva frente a uma disputa que est\u00e1 perdendo \u00e9 um bom sinal para n\u00f3s. Se quiserem conciliar interesses por uma agricultura respons\u00e1vel, sustent\u00e1vel e que n\u00e3o ofere\u00e7a riscos \u00e0 sa\u00fade humana, muito que bem. Mas no fundo as ideias s\u00e3o inconcili\u00e1veis. O que queremos mesmo \u00e9 o fim do uso dos agrot\u00f3xicos\u201d, defende Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m de representar um grande risco econ\u00f4mico, trata-se de um grave problema de sa\u00fade p\u00fablica. 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