{"id":9570,"date":"2019-06-21T23:04:12","date_gmt":"2019-06-22T02:04:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=9570"},"modified":"2019-11-06T05:19:35","modified_gmt":"2019-11-06T08:19:35","slug":"mulheres-indigenas-debatem-mudancas-climaticas-para-garantir-protecao-territorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/mulheres-indigenas-debatem-mudancas-climaticas-para-garantir-protecao-territorial\/","title":{"rendered":"Mulheres ind\u00edgenas debatem mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para garantir prote\u00e7\u00e3o territorial"},"content":{"rendered":"<h4>Mais de quarenta representantes de oito povos ind\u00edgenas discutiram como suas vidas j\u00e1 s\u00e3o drasticamente impactadas pelo superaquecimento do clima<\/h4>\n<div id=\"attachment_9579\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9579\" class=\"size-large wp-image-9579\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-1024x575.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"575\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-300x168.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-768x431.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-2048x1150.jpg 2048w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/Maysa-Guajajara_TI-Caru-510x286.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-9579\" class=\"wp-caption-text\">As severas altera\u00e7\u00f5es ocorrem em diversos aspectos da vida: na produ\u00e7\u00e3o de alimentos, na sa\u00fade, na cultura, no modo de vida&#8230;<\/p><\/div>\n<p>O aumento da \u201cquentura\u201d, o desaparecimento de animais e de diversas frutas nativas, a perda de ro\u00e7as inteiras, a eclos\u00e3o de doen\u00e7as n\u00e3o-comuns, a alta incid\u00eancia de inc\u00eandios e as mudan\u00e7as no seus modos de vida tradicional s\u00e3o algumas das altera\u00e7\u00f5es que 44 mulheres ind\u00edgenas de cinco povos do Maranh\u00e3o (Krikati, Aw\u00e1, Gavi\u00e3o, Ka\u00b4apor e Guajajara), um do Par\u00e1 (Temb\u00e9), um do Tocantins (Krah\u00f4) e um de Roraima (Macuxi) afirmam j\u00e1 impactar severamente o dia-a-dia de suas comunidades.<\/p>\n<p>Reunidas em Carolina (MA), entre os dias 12 e 14 de junho, para a realiza\u00e7\u00e3o da oficina intitulada \u201cMulheres ind\u00edgenas e o impacto das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u201d, elas se debru\u00e7aram sobre temas ainda n\u00e3o muito conhecidos, como desenvolvimento econ\u00f4mico, globaliza\u00e7\u00e3o e economia verde. Jovens ou anci\u00e3s, muitas delas participavam pela primeira vez de um evento como aquele e a timidez de falar em p\u00fablico ou para driblar as dificuldades de falar na l\u00edngua do \u201ccara\u00ed\u201d (n\u00e3o ind\u00edgena) eram expl\u00edcitas.<\/p>\n<p>Com a presen\u00e7a de muitas crian\u00e7as e beb\u00eas &#8211; o que, certamente, n\u00e3o ocorreria em uma reuni\u00e3o de lideran\u00e7as masculinas \u2013, o encontro foi marcado pela diversidade tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao tempo de contato com a sociedade n\u00e3o ind\u00edgena. O povo Aw\u00e1, por exemplo, \u00e9 de recente contato, de cerca de 40 anos; enquanto o povo Guajajara j\u00e1 est\u00e1 em contato com a nossa sociedade h\u00e1 mais de 400 anos.<\/p>\n<p>Elas compartilharam diversas viv\u00eancias, como o trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o realizado no entorno de alguns territ\u00f3rios para que a vida da floresta seja respeitada e o apoio aos maridos no monitoramento dos territ\u00f3rios &#8211; os Guardi\u00f5es da Floresta. Tamb\u00e9m demonstraram suas preocupa\u00e7\u00f5es com a finitude dos bens naturais e a necessidade de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura (l\u00edngua, dan\u00e7as, rituais, modo de vida) e, especialmente, das anci\u00e3s e anci\u00e3os.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos problemas e desafios, as participantes focaram bastante energia em solu\u00e7\u00f5es (que muitas vezes j\u00e1 empregam em seus territ\u00f3rios), como o reflorestamento, a manuten\u00e7\u00e3o de viveiros com sementes nativas e plantas medicinais, a cria\u00e7\u00e3o de abelhas, a produ\u00e7\u00e3o de mel, a agroecologia, as trocas de sementes, a revitaliza\u00e7\u00e3o de rios e nascentes, as brigadas contra inc\u00eandio, o cuidado com a espiritualidade e os seus Encantados e, claro, a cont\u00ednua e permanente prote\u00e7\u00e3o da M\u00e3e-Terra, suas \u00e1guas e matas.<\/p>\n<lite-youtube style=\"background-image: url('https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/vB7XaBrS1ks\/hqdefault.jpg');\" videoid=\"vB7XaBrS1ks\" params=\"rel=0\"><\/lite-youtube>\n<p>Abaixo, seguem os incr\u00edveis testemunhos de sete destas \u201cguerreiras\u201d:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Acari Aw\u00e1-Guaj\u00e1, Terra Ind\u00edgena Alto Turia\u00e7u<\/strong><\/p>\n<p><strong> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9571\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/e26fdfb0-acari-awa-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/strong>\u201c\u00c9 importante a gente repassar os conhecimentos que a gente aprende para as nossas parentes, porque nem sempre n\u00f3s, mulheres, temos esta oportunidade, esta autonomia de sair da aldeia e participar de discuss\u00f5es como essa. As mulheres t\u00eam seu pr\u00f3prio conhecimento e elas tamb\u00e9m nasceram pra lutar. \u00ad\u00adEnt\u00e3o, \u00e9 preciso que a gente esteja junto com os homens, defendendo nossa cultura, que est\u00e1 amea\u00e7ada. O jabuti, por exemplo, t\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o. O mutum tamb\u00e9m. Raramente a gente v\u00ea estes bichos. E isso \u00e9 muito triste. No ano passado, fizemos uma ro\u00e7a de mandioca. Mas foi um ano perdido porque o inverno foi muito longo e perdemos a colheita toda. Por isso \u00e9 importante respeitar os territ\u00f3rios ind\u00edgenas, porque a gente preserva a terra e a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p><strong>Edilena Krikati, Terra Ind\u00edgena Krikati, Conselheira da Coordena\u00e7\u00e3o das Organiza\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia Brasileira (Coiab)<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9572\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/20d2fe92-edilena-krikati-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/strong>\u201cN\u00f3s, mulheres, somos as primeiras a sentir e observar os impactos e as mudan\u00e7as relacionadas ao clima no nosso cotidiano porque temos uma rela\u00e7\u00e3o especial com a natureza e o territ\u00f3rio. Somos n\u00f3s tamb\u00e9m que guardamos as sementes e passamos estes e outros conhecimentos para as novas gera\u00e7\u00f5es. Inclusive os diferentes modos de fazer a prote\u00e7\u00e3o territorial. A gente precisa se adaptar mais \u00e0 natureza e n\u00e3o intervir tanto, fazendo grandes desmatamentos, mudando as paisagens, construindo barragens, estradas. E n\u00e3o percebemos o quanto isso \u00e9 ruim pra nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. N\u00f3s, ind\u00edgenas, tiramos da natureza tudo o que precisamos pra comer, pra viver e pra estar l\u00e1. Se isso faltar, a gente passa a n\u00e3o existir mais porque a nossa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 um todo, n\u00e3o \u00e9 em partes. N\u00f3s somos s\u00f3 um, que estamos l\u00e1 naquele conjunto maior. N\u00e3o estamos fora da natureza\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Maria Bet\u00e2nia Mota de Jesus Macuxi, Terra Ind\u00edgena Aningal (RR), Secret\u00e1ria Geral do Movimento de Mulheres do Conselho Ind\u00edgena de Roraima (CIR)<\/strong><\/p>\n<p><strong> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9573\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ec8dee6-maria-betania-macuxi-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/strong>\u201cS\u00e3o muitos os impactos que a gente sente nas aldeias devido ao avan\u00e7o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Hoje, n\u00e3o tem mais peixe suficiente nos rios pro consumo do povo ind\u00edgena. A gente n\u00e3o sabe mais quando come\u00e7a e nem quando termina o inverno. As enchentes que acontecem agora n\u00e3o eram t\u00e3o comuns antes. As nossas planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o mais abundantes como eram. O garimpo ilegal nos Yanomami, por exemplo, j\u00e1 contaminou muitos ind\u00edgenas com merc\u00fario&#8230; E tudo isso nos deixa muito tristes porque n\u00f3s cuidamos e protegemos nossos territ\u00f3rios. N\u00e3o s\u00f3 pra n\u00f3s, mas pra todos os brasileiros. Estamos estudando e cada vez mais entendendo as causas das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como os combust\u00edveis f\u00f3sseis, a pecu\u00e1ria, o desmatamento, a minera\u00e7\u00e3o, as hidrel\u00e9tricas. Todas as graves altera\u00e7\u00f5es no clima s\u00e3o causadas pelas a\u00e7\u00f5es humanas. Todo este desequil\u00edbrio. Seria importante que estas pessoas que est\u00e3o destruindo a natureza, se sensibilizassem, de verdade, porque n\u00e3o podemos viver sem a natureza\u201d.<\/p>\n<p><strong>Maria Helena Gavi\u00e3o, Terra Ind\u00edgena Governador, coordenadora da Amima (Articula\u00e7\u00e3o de Mulheres Ind\u00edgenas do Maranh\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9574\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/a0ee1df4-maria-helena-gaviao-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>\u201cAs mulheres sentem muito mais as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, na aldeia, na ro\u00e7a. E tudo tem mudado muito rapidamente. Antes, em abril, j\u00e1 tinha passado a chuva. Hoje, chove at\u00e9 julho. N\u00e3o sabemos mais quando vai come\u00e7ar nem quando vai parar de chover. A gente fica perdido. N\u00e3o sabe quando deve come\u00e7ar a fazer a ro\u00e7a. E quando a gente fala de clima, a gente fala de prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, a gente fala de Bem Viver. T\u00e1 tudo interligado. Quando a gente t\u00e1 no mato, a gente sente a energia da mata, da floresta. \u00c9 muito forte e muito bom. Por isso que a gente tem que preservar. Sem esse conhecimento a gente n\u00e3o vive. E isso \u00e9 passado de gera\u00e7\u00e3o pra gera\u00e7\u00e3o. Sem floresta, a gente n\u00e3o tem vida. \u00c9 nossa casa, nossa hist\u00f3ria, nossa origem&#8230; Tudo depende da floresta. Os n\u00e3o ind\u00edgenas n\u00e3o t\u00eam esta liga\u00e7\u00e3o com a natureza. Acham que o capitalismo, os empreendimentos, o dinheiro \u00e9 vida. Mas n\u00e3o \u00e9! Sem \u00e1gua, como vamos viver? E o que \u00e9 mais vital, t\u00e1 tudo sendo amea\u00e7ado, destru\u00eddo, todo dia\u201d.<\/p>\n<p><strong>S\u00f4nia Guajajara, coordenadora da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9575\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/b817019f-sonia-guajajara-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/>\u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o como um an\u00fancio de um per\u00edodo ainda mais dr\u00e1stico, com secas e enchentes, altera\u00e7\u00f5es severas que exigem conversas e cuidados de n\u00f3s, mulheres, pra lidar com estes danos. E as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o causadas pela a\u00e7\u00e3o das pessoas e por este plano de progresso, que dizem que \u00e9 um progresso econ\u00f4mico, mas \u00e9 um grande regresso em rela\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental e, principalmente, \u00e0 nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia e modo de vida. \u00c9 claro que as pol\u00edticas p\u00fablicas que n\u00e3o protegem e n\u00e3o respeitam o meio ambiente, que s\u00f3 priorizam o vi\u00e9s econ\u00f4mico e o lucro, v\u00e3o aumentar cada vez mais as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e causar mais destrui\u00e7\u00e3o e desmatamento. O atual governo Bolsonaro \u00e9 totalmente alinhado com o que aumenta as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, como as mineradoras, a ind\u00fastria madeireira, as monoculturas, o agroneg\u00f3cio. Por isso lutamos contra este modelo de destrui\u00e7\u00e3o, que se baseia na explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. No Brasil, a maior causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 o desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, que inclui os inc\u00eandios. Precisamos pressionar o governo para fazer pol\u00edticas que protegem o meio ambiente, o que n\u00e3o acontece hoje. Por isso temos uma guerra, uma briga grande a\u00ed, e estamos na mira dos assassinatos, das amea\u00e7as, da criminaliza\u00e7\u00e3o, porque estamos lutando com for\u00e7as poderosas econ\u00f4micas e pol\u00edticas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Suluene Guajajara, Terra Ind\u00edgena Arariboia, integrante da Coordena\u00e7\u00e3o e Organiza\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas no Maranh\u00e3o (Coapima)<\/strong><\/p>\n<p><strong> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9576\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/e4289a55-suluene-guajajara-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/strong>\u201cEstamos mostrando o nosso olhar sobre como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas impactam diretamente nossa aldeia, na sa\u00fade, na cultura e na produ\u00e7\u00e3o. Isso reflete tamb\u00e9m em mudan\u00e7as no nosso modo de vida. Tivemos um inc\u00eandio muito grande na TI Arariboia, que destruiu mais de 60% da floresta, em 2015. De l\u00e1 pra c\u00e1 todo ano acontece inc\u00eandio. Isso leva nossas ca\u00e7as, nossos p\u00e1ssaros, e quando vamos fazer a Festa da Menina Mo\u00e7a, j\u00e1 n\u00e3o encontramos mais as ca\u00e7as que precisamos pra realizar a festa. E por que o inc\u00eandio entrou? Porque houve desmatamento, teve explora\u00e7\u00e3o de madeira. Isso impacta nossa cultura. Nossas ro\u00e7as tamb\u00e9m n\u00e3o produzem como antes porque a terra t\u00e1 queimada, o solo n\u00e3o produz. E o calor&#8230; a gente sente que o sol t\u00e1 muito mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s que antes. Nossos rios est\u00e3o secando. O n\u00e3o ind\u00edgena fez carvoaria na nascente do Rio Buruticupu e ele t\u00e1 muito fraco agora. E, pra n\u00f3s, o rio \u00e9 sagrado. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pra beber que a gente pega \u00e1gua, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pra pescar. Ali vive outro povo, Encantado, que depende de n\u00f3s. O nosso contato com o povo Encantado depende da \u00e1gua. E n\u00e3o queremos perder o que a gente tem de sagrado. Com a diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o na ro\u00e7a, a comunidade tem que comprar alimentos industrializados na cidade. Hoje temos muito mais hipertensos, temos problemas card\u00edacos, muitos casos de diabete. S\u00e3o doen\u00e7as n\u00e3o tratadas por n\u00f3s, causadas pelos alimentos industrializados e pelo contato direto com o mundo externo. Tem doen\u00e7as que o paj\u00e9 cura, mas c\u00e2ncer o paj\u00e9 n\u00e3o cura\u201d.<\/p>\n<p><strong>Valdilene Alves Temb\u00e9 Ka\u00b4apor, Terra Ind\u00edgena Alto Turia\u00e7u<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-9577\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/6c699783-valdilene-tembe-kaapor-150x150.png\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 a primeira vez que participo de um debate como este, que \u00e9 importante pra toda a nossa comunidade. A gente tem at\u00e9 vergonha de falar na frente de todo mundo, mas \u00e9 assim que come\u00e7a. Porque acredito que n\u00f3s, mulheres, temos que participar da luta pelo territ\u00f3rio, porque ele est\u00e1 em perigo com o desmatamento, que tem avan\u00e7ado muito. A gente, l\u00e1 na aldeia, n\u00e3o tem mais bacuri nas nossas terras, e nem outros frutos. Os brancos destru\u00edram tudo pra fazer estrada. Mas n\u00e3o vamos mais deixar acontecer isso\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de quarenta representantes de oito povos ind\u00edgenas discutiram como suas vidas j\u00e1 s\u00e3o drasticamente impactadas pelo superaquecimento do clima<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":9579,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ep_exclude_from_search":false,"p4_og_title":"","p4_og_description":"","p4_og_image":"","p4_og_image_id":"","p4_seo_canonical_url":"","p4_campaign_name":"","p4_local_project":"","p4_basket_name":"","p4_department":"","footnotes":""},"categories":[3],"tags":[6,22],"p4-page-type":[16],"class_list":["post-9570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-proteja-a-natureza","tag-clima","tag-florestas","p4-page-type-blog"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9570"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9935,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9570\/revisions\/9935"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9570"},{"taxonomy":"p4-page-type","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/wp-json\/wp\/v2\/p4-page-type?post=9570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}