{"id":9779,"date":"2019-07-01T11:06:26","date_gmt":"2019-07-01T14:06:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/?p=9779"},"modified":"2024-04-01T11:57:22","modified_gmt":"2024-04-01T14:57:22","slug":"na-vida-real-a-catastrofe-de-chernobyl-esta-longe-do-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/blog\/na-vida-real-a-catastrofe-de-chernobyl-esta-longe-do-fim\/","title":{"rendered":"Na vida real, a cat\u00e1strofe de Chernobyl est\u00e1 longe do fim"},"content":{"rendered":"<h4>Trinta anos depois, as consequ\u00eancias da explos\u00e3o do reator nuclear ainda s\u00e3o realidade<\/h4>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-9782 size-full\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/0d22a0b3-6c532595-chernobyl-season-1-hbo-series-all-cmyk.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/0d22a0b3-6c532595-chernobyl-season-1-hbo-series-all-cmyk.jpg 600w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/0d22a0b3-6c532595-chernobyl-season-1-hbo-series-all-cmyk-300x194.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/0d22a0b3-6c532595-chernobyl-season-1-hbo-series-all-cmyk-510x329.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>A miniss\u00e9rie da HBO, que trata do pior acidente nuclear da hist\u00f3ria, conquistou o primeiro lugar entre os 250 melhores programas de TV no IMDB, o Internet Movie Database, maior base de dados da web sobre cinema e programas de televis\u00e3o. A s\u00e9rie encerrou em seu quinto cap\u00edtulo, mas as consequ\u00eancias reais desse desastre ainda afetam muitos outros personagens, d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>Chernobyl, uma mistura de document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o baseada em fatos reais, teve um cuidado minucioso com detalhes que v\u00e3o das roupas que as pessoas usavam na \u00e9poca aos sinais de tr\u00e2nsito e meios de transporte aut\u00eanticos, passando pela reprodu\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es que mostram o sacrif\u00edcio de volunt\u00e1rios para impedir que a cat\u00e1strofe fosse ainda pior e pelo recorte da total incompreens\u00e3o dos moradores locais diante da intensidade do acidente.<\/p>\n<p>Para muitos, a cat\u00e1strofe n\u00e3o foi uma apenas uma hist\u00f3ria, mas uma realidade com<a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/energia\/o-legado-de-chernobyl\/\"> efeitos que s\u00e3o sentidos at\u00e9 hoje<\/a>.<\/p>\n<p>Quase 350.000 habitantes foram retirados do local ap\u00f3s o acidente. Hoje, 30 anos depois, mais de 5 milh\u00f5es de pessoas ainda vivem em \u00e1reas oficialmente consideradas contaminadas pela radia\u00e7\u00e3o. Segundo estimativas conservadoras da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, <strong>os efeitos de Chernobyl podem causar ainda mais 9.000 mortes<\/strong>. Dez reatores do mesmo tipo usados \u200b\u200bem Chernobyl ainda est\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o na R\u00fassia.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil afirmar com precis\u00e3o todo o impacto gerado por Chernobyl no que diz respeito \u00e0 perda de vida, principalmente por conta da imprecis\u00e3o de dados relacionados \u00e0s consequ\u00eancias da exposi\u00e7\u00e3o interna \u00e0 radia\u00e7\u00e3o. A exposi\u00e7\u00e3o interna \u00e9 o que entra no corpo pela alimenta\u00e7\u00e3o ou pela respira\u00e7\u00e3o e \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o muito mais dif\u00edcil de ser rastreada do que a exposi\u00e7\u00e3o externa. Uma \u00fanica part\u00edcula de material radioativo pode permanecer dentro de um pulm\u00e3o por tempo indeterminado e causar s\u00e9rios riscos \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>De acordo com uma pesquisa do Greenpeace, o n\u00famero de mortes por c\u00e2ncer causadas por Chernobyl est\u00e1 pr\u00f3ximo de 100 mil. Embora a origem do c\u00e2ncer possa ter diversas causas al\u00e9m da radia\u00e7\u00e3o, estimativas cient\u00edficas apontam que essas causas foram desencadeadas, disseminadas e exacerbadas pela radia\u00e7\u00e3o do acidente. E o fato de pessoas ainda viverem em \u00e1reas contaminadas, recebendo doses di\u00e1rias de contamina\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de mortes continuar\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>Cabe ent\u00e3o a pergunta: <strong>por que ainda estamos comendo cogumelos e frutas vermelhas contaminados com radia\u00e7\u00e3o e construindo novas usinas nucleares?<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_9783\" style=\"width: 1209px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9783\" class=\"wp-image-9783 size-full\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f.jpg\" alt=\"Moradores de Novozybkov, na R\u00fassia, vendendo produtos locais. \u00a9 Denis Sinyakov \/ Greenpeace\" width=\"1199\" height=\"795\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f.jpg 1199w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f-768x509.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/8ff75df5-gp0stpl9f-510x338.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1199px) 100vw, 1199px\" \/><p id=\"caption-attachment-9783\" class=\"wp-caption-text\">Moradores de Novozybkov, na R\u00fassia, vendendo produtos locais. \u00a9 Denis Sinyakov \/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>Em 2016, eu estive em Novozybkov, uma cidade no sul da R\u00fassia impactada pela contamina\u00e7\u00e3o. Logo ap\u00f3s o desastre, os moradores estavam para ser transferidos, mas no come\u00e7o dos anos 1990 &#8211; com a crise econ\u00f4mica &#8211; os planos para a cidade foram limitados \u00e0s a\u00e7\u00f5es de descontamina\u00e7\u00e3o. O Greenpeace coletou amostras de Novozybkov e de outras vilas da regi\u00e3o de Bryansk.<\/p>\n<p>N\u00f3s nos encontramos com Victor Alekseivich Khanaev, um cirurgi\u00e3o do hospital central da regi\u00e3o de Novozybkov, que nos disse: \u201cNo in\u00edcio, logo ap\u00f3s o acidente, as pessoas estavam assustadas e com medo, e a\u00ed seguiam o que m\u00e9dicos e autoridades recomendavam. Mas o medo uma hora desaparece, ele n\u00e3o dura para sempre. E depois de um tempo, passou a ser imposs\u00edvel para os moradores locais abrirem m\u00e3o do que cultivavam em seus jardins &#8211; especialmente quando a situa\u00e7\u00e3o financeira mal cobria os custos b\u00e1sicos para prover o pr\u00f3prio sustento\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_9784\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9784\" class=\"wp-image-9784 size-full\" src=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r.jpg\" alt=\"Moradores do distrito de Rokitne, na regi\u00e3o de Rivne, com batatas cultivadas localmente. \u00a9 Denis Sinyakov \/ Greenpeace\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r.jpg 1200w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.greenpeace.org\/static\/planet4-brasil-stateless\/2019\/06\/1996fd41-gp0stpl9r-510x340.jpg 510w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-9784\" class=\"wp-caption-text\">Moradores do distrito de Rokitne, na regi\u00e3o de Rivne, com batatas cultivadas localmente. \u00a9 Denis Sinyakov \/ Greenpeace<\/p><\/div>\n<p>As pessoas rapidamente voltaram a colher cogumelos e frutas vermelhas na floresta, a manter o gado, e tudo continuava contaminado pela radia\u00e7\u00e3o. E o mais alarmante \u00e9 que os produtos provenientes dessas atividades &#8211; frutas vermelhas e cogumelos de Chernobyl &#8211; s\u00e3o vendidos para outras regi\u00f5es; ningu\u00e9m est\u00e1 imune a produtos radioativos entrando em suas casas.<\/p>\n<p>\u201c<strong>Energia nuclear segura, gerada por reatores refrigerados a \u00e1gua, simplesmente n\u00e3o pode ser criada<\/strong>\u201d, escreveu o acad\u00eamico Valery Subbotin, no in\u00edcio dos anos 1990.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil imaginar qualquer outro setor da atividade humana em que um erro possa ter consequ\u00eancias t\u00e3o extensas e duradouras. O alto pre\u00e7o da energia at\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 pago pelos governos, nem pelas empresas, mas sim por pessoas comuns, que pagam esse custo gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Rashid Alimov \u00e9 ativista do Greenpeace na R\u00fassia<\/em><br \/><em>Texto traduzido para o ingl\u00eas por Nicholas Hyder<\/em><\/p>\n<div class=\"EmptyMessage\">Block content is empty. 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