Na manhã desta sexta-feira, o
Greenpeace bloqueou o porto da Cargill, em Santarém, impedindo o
descarregamento de soja amazônica por cerca de três horas e meia. A
soja, que é exportada para a Europa como alimento animal, é
cultivada em áreas desmatadas da floresta Amazônica. Além disso, o
porto da Cargill em Santarém foi construído de forma ilegal
(1).
VEJA OS VÍDEOS DA AGRESSÃO CONTRA OS
ATIVISTAS:
Vídeo 1 e
Vídeo 2
Cinco alpinistas subiram nas pontes do porto e foram recebidos
com uma reação violenta dos empregados do porto e de produtores de
soja da região, que jogaram pedras, rojões e jatos de água contra
os ativistas. O navio do Greenpeace, que bloqueava o porto, também
foi invadido e pichado pelos sojeiros.
Quatro pessoas do Greenpeace foram feridas, entre elas uma
ativista norte-americana que caiu da ponte enquanto segurava uma
faixa com os dizeres "Fora Cargill", um ativista que foi atirado na
água, um fotógrafo alemão que foi atingido por um rojão no peito e
um fotógrafo brasileiro que teve um dedo quebrado por um suposto
segurança do porto. Após a ação, 16 ativistas do Greenpeace foram
detidos pela polícia, inclusive dois jornalistas. Todos foram
liberados até o fim da noite. Nenhum sojeiro foi preso.
A violência contra o Greenpeace deve continuar na cidade. No fim
da tarde, os sojeiros fizeram uma carreata em frente ao porto de
Santarém, chamando, com um carro de som, a população para
participar do protesto contra o Greenpeace.
Paulo Adário, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace,
sofreu ameaça de morte dos sojeiros enquanto era detido pela
polícia. Os produtores gritavam que ele não chegaria vivo à
delegacia.
"Empresas norte-americanas como a Cargill estão
devorando a Amazônia para cultivar soja. A carne alimentada com
essa soja termina nas prateleiras dos supermercados e restaurantes
fast food pela Europa e outros países. Nossos voluntários
continuarão a protestar pacificamente para proteger a floresta
tropical mais preciosa do mundo que está sendo destruída para
alimentar frangos, porcos e vacas", disse Paulo Adário, coordenador
da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
A soja é agora uma das causas principais do desmatamento da
Amazônia brasileira. No total, uma área estimada em 1,2 milhão de
hectares do que costumava ser floresta já foi - em sua maioria
ilegalmente - destruída para o cultivo de grãos de soja. Os
sojeiros também estão envolvidos em atividades ilegais como
apropriação de terra e escravidão. (2)
Recentes investigações do Greenpeace reunidas no relatório
'Comendo a Amazônia' (3) mostram que o porto da Cargill não é
apenas ilegal, como também está sendo responsável por levar soja de
desmatamento ilegal para o mercado mundial (4). Eles operam 13
silos no bioma Amazônico - mais que qualquer outra companhia.
"Empresas norte-americanas como a Cargill devem parar de ver a
Amazônia como um lugar onde expandir seus negócios de soja. Ao
invés disso, devem vê-la como uma das maiores florestas tropicais
do mundo que precisa urgentemente de proteção", disse Gavin
Edwards, coordenador da campanha de Florestas do Greenpeace
Internacional.
A Cargill também não faz segredo sobre o fato de ajudar a
estabelecer sojeiros na Amazônia, alguns dos quais, envolvidos em
outras atividades ilegais, como grilagem e escravidão. A
multinacional diz que agora está fazendo esforço para não comprar
soja de sojeiros ligados a trabalho escravo, desmatamento ilegal e
massivo, mas, em reunião com o Greenpeace neste mês, a empresa se
recusou a parar de destruir a Amazônia.
Nas últimas semanas, o Greenpeace fez ações na Europa contra
importadores de soja que importam da Cargill na Amazônia, incluindo
a tentativa de evitar que navios de soja descarregassem em
Amsterdã.
O Greenpeace exige que a Cargill e a indústria alimentícia
européia garanta que a alimentação animal que eles compram não
contribua para a destruição da Amazônia e que nenhum dos produtos
da soja deles seja geneticamente modificado.
NOTAS:
(1) Em fevereiro de 2006, o segundo mais alto tribunal do Brasil
decidiu contra a Cargill, determinando que a empresa deve consentir
com a legislação brasileira e fazer uma avaliação de impactos
ambientais não apenas para o porto mas também para impactos nas
regiões vizinhas. A Cargill continua a lutar contra essa
determinação.
(2) A Cargill é a maior empresa privada dos EUA, com receita de
quase US$ 63 bilhões em 2003. É, sem dúvida, a maior no comércio
global de grãos e sistema alimentício, compra, transporte,
processamento de grãos, esmagamento, refinaria e distribuição pelo
mundo.
(3) Uma cópia em inglês do relatório "Comendo a Amazônia", que
documenta os problemas da soja na Amazônia está disponível em:
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/
amazonsoya.pdf
O sumário executivo em português pode ser lido em:
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/
comendoamz_sumexec.pdf
Um resumo em inglês sobre a Cargill está em:
http://www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/cargill.pdf
(4) Em um dos inúmeros casos do relatório, a soja enviada para o
terminal tem origem na fazenda Lavras, que está em terras ilegais e
parte delas foi desmatada para o cultivo de soja. O Greenpeace tem
uma cópia do contrato entre a Cargill e os proprietários das
fazendas, os irmãos Cortezia.