Notícia - 4 - ago - 2009
Após cinco anos de pressão, empresa se compromete com a proteção das florestas do Canadá
Kimberly-Clark decide proteger a floresta boreal
A fabricante de lenços de papel e papel higiênico Kimberly-Clark
anunciou hoje que não pretende utilizar mais qualquer fibra
proveniente de florestas ameaçadas ou importantes para conservação.
O Greenpeace, que trabalhou com a empresa na definição dos pontos
de sua política, também anuncia o fim de sua campanha de cinco anos
contra a Kimberly-Clark, detentora das marcas Kleenex, Scott e
Huggies.
"O dia de hoje representa uma vitória para o Greenpeace e para
todas as florestas primárias, em especial para a floresta boreal",
afirmou Richard Brooks, do Greenpeace do Canadá. "Esta nova relação
entre Kimberly-Clark e Greenpeace representa uma diminuição
significativa na pressão da indústria de papel sobre as
florestas."
A empresa se comprometeu em aumentar a utilização de fibras
certificadas e recicladas nos próximos dois anos. Pelo menos 40% de
toda a matéria-prima utilizada na América do Norte virá de uma
dessas fontes, um aumento de 70% em relação ao consumo em 2007. "O
uso de fibras certificadas e recicladas, além de ser ambientalmente
responsável, continuará fornecendo produtos de qualidade aos nossos
clientes e consumidores. Agradecemos o Greenpeace por ter nos
ajudado a desenvolver padrões de produção mais sustentáveis", disse
Suhas Apte, vice-presidente da área de sustentabilidade da
Kimberly-Clark.
A Kimberly-Clark se comprometeu também em zerar gradualmente a
utilização de celulose da floresta boreal do Canadá sem selo de
origem até 2012. A floresta do Canadá é a maior e mais antiga da
América do Norte, abriga animais selvagens ameaçados e é um
santuário para milhões de aves migratórias. Além disso, a floresta
é o maior estoque terrestre de carbono do planeta, armazenando o
equivalente a 27 anos de emissões globais de gases-estufa.
A empresa ainda afirmou seu compromisso em dar preferência à
reciclagem de fibras já usadas ao invés das sobras virgens; a não
usar madeira proveniente de áreas de conflito ou retirada
ilegalmente; apoiar iniciativas para identificação e mapeamento de
florestas ameaçadas e importantes para conservação; apoiar a
certificação de origem da fibra, financeiramente e no
desenvolvimento de políticas; e disponibilizar publicamente os
relatórios que permitam a verificação do cumprimento do acordo e
que balizem o cancelamento de contratos com os fornecedores que não
respeitem as novas normas.
"Essa vitória é a prova de que quando empresas responsáveis e
Greenpeace se unem, os resultados podem ser bons para os negócios e
excelentes para o planeta", disse Scott Paul, do Greenpeace dos
EUA. "Os esforços da Kimberly-Clark são um desafio para seus
concorrentes. Espero que outras empresas estejam atentas a esse
novo rumo do mercado e também decidam se adequar."