Rainbow Warrior

Página - 7 - abr - 2010
A história do Rainbow Warrior, um navio que o Greenpeace comprou para ser usado sobretudo em campanhas contra a caça de baleias, ganhou ares de mito em 1985, quando foi afundado pelo serviço secreto francês enquanto estava ancorado no Porto de Auckland, na Nova Zelândia.

20/06/1995 - Rainbow Warrior navega para o Atol de Moruroa, para protestar contra testes nucleares. © Greenpeace / Steve Morgan

O atentado, que empregou bombas para abrir um buraco no casco do barco, aconteceu dias antes de o Rainbow Warrior zarpar, na liderança de uma pequena força naval pacifista, rumo ao atol de Muroroa, onde a França realizava testes nucleares. O ataque causou uma morte, do fotógrafo português Fernando Pereira, que estava a bordo.

O Rainbow Warrior foi adquirido pelo Greenpeace em 1977. Na época, ele se chamava Sir William Hardy e estava encostado num atracadouro em Londres. Primeiro navio diesel-elétrico construído na Inglaterra, em 1955, foi usado como navio de pesquisa pelo Ministério da Agricultura e Pesca do país. Ele custava 44 mil libras, muito dinheiro para o Greenpeace na época, o que levou ao lançamento de uma campanha de arrecadação de fundos. Em oito meses, a organização conseguiu juntar 10% para a entrada. Faltava o resto, e o World Wildlife Fund (WWF) veio em socorro do Greenpeace, com uma doação de 40 mil libras.

Totalmente remodelado, o navio ganhou o nome de Rainbow Warrior – ou Guerreiro do Arco-Íris. Era uma referência à profecia da índia cree Olhos de Fogo, que previu a destruição do ambiente pela ação dos homens e o surgimento de uma raça de guerreiros defensores do planeta, os Guerreiros do Arco-Íris. Em 1978, pintado de verde, com um arco-íris na proa e ostentando orgulhosamente as bandeiras do Greenpeace e das Nações Unidas – para caracterizar o internacionalismo de sua tripulação de 24 pessoas –, ele levantou âncora.

O Rainbow Warrior esteve envolvido em várias campanhas baleeiras. Uma das mais famosas foi no Peru em 1982, quando cinco ativistas se prenderam ao arpão do baleeiro Victoria 7 logo após descarregar uma baleia morta, para ser processada no porto de Paita, no Peru. Os ativistas e o capitão, acorrentado a outra parte do baleeiro, foram presos e o navio foi ocupado por guardas peruanos. Na época, o Greenpeace afirmava que voltaria a ocupar baleeiros até o Peru respeitar a moratória da caça de baleias, que no mesmo ano proibiu a caça comercial entre os países signatários da Comissão Internacional da Baleia (CIB). Como resultado direto dessas ações, o governo peruano fez um acordo para que fosse interrompida a caça desses cetáceos.

Rainbow Warrior II

O navio, construído em 1957, foi comprado pelo Greenpeace em 1987 e passou dois anos em reforma para se tornar uma embarcação própria para ações. Logo após seu lançamento, em 1989, o Rainbow Warrior II iniciou um longo tour de informação por toda a Europa, seguido por viagens para Nova York e Auckland. Sua primeira e única visita ao Brasil aconteceu em 1992, durante a Eco-92, para a abertura do escritório da organização no Brasil.

Veja a câmera ao vivo do Rainbow Warrior.

O novo Rainbow Warrior

Em 2011, a frota de navios do Greenpeace terá um novo membro, o Rainbow Warrior III. O navio foi projetado com a última tecnologia ecologicamente correta disponível para ser um exemplo de como lidar com o maior desafio imposto à humanidade nos últimos tempos: o combate ao aquecimento global.

É a primeira vez que a organização opta pela construção de um novo navio, em vez de reformar uma embarcação já utilizada. Isso porque, mesmo em épocas de crise financeira global, o Greenpeace acredita que vale a pena investir em uma embarcação de alta tecnologia e desempenho, que tenha como prioridade a proteção do ambiente. 

Ele será prioritariamente um veleiro (usando energia dos ventos no lugar de combustíveis fósseis), com a opção de mudar suas operações para motor, no caso de condições climáticas adversas, por exemplo. Toda a engenharia foi projetada para ser eficiente energeticamente e o casco foi desenhado para proporcionar o máximo de aproveitamento do combustível. O calor criado pelos geradores será reaproveitado no aquecimento da água utilizada a bordo e para o preaquecimento das máquinas.