Para ajudar o Brasil a dominar o mercado global de commodities agrícolas, incluindo carne, o governo federal está investindo em todos os elos da cadeia de abastecimento – desde a produção na fazenda até o mercado internacional
O Brasil oferece US$ 41 bilhões em linhas de crédito para impulsionar a produção agropecuária
Em julho de 2008, o presidente Lula anunciou o Plano Agrícola e Pecuário 2008/09, que liberou $41 bilhões em linhas de crédito para incrementar a produção do setor agropecuário. 85% deste financiamento foram designados para a agricultura industrial.
A expansão da pecuária no Brasil está concentrada na região Amazônica, onde a falta de governança significa terra e mão-de-obra baratas.

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Diversos relatórios do Banco Mundial, do governo brasileiro e de institutos de pesquisa, e análises do Greenpeace, mostram de forma consistente que a pecuária ocupa cerca de 80% de todas as áreas desmatadas na Amazônia brasileira.
O maior incentivo econômico para a expansão do setor pecuário na Amazônia é a falta de governança: fatores contribuintes incluem corrupção, desorganização, capacidade limitada e falta de coordenação entre diferentes setores do governo. O Greenpeace cruzou informações de satélite com autorizações de desmatamento entre 2006-2007 e constatou que mais de 90% da destruição florestal no período eram completamente ilegais.
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O Brasil oferece US$ 41 bilhões em linhas de crédito para impulsionar a produção agropecuária
Através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), órgão financeiro vinculado ao Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o governo brasileiro têm formado alianças estratégicas com as cinco maiores empresas da indústria pecuária.
Entre 2007 e 2009, estas empresas – responsáveis por mais de 50% das exportações brasileiras de carne – receberam US$ 2,65 bilhões do BNDES, em troca de ações para o governo brasileiro.
Três empresas receberam a maior parte do investimento público: a Bertin, uma das maiores comercializadoras de couro do mundo; a JBS, a maior comercializadora de carne do planeta (com controle de pelo menos 10% da produção global de carne), e a Marfrig, a quarta maior comercializadora mundial de carne.
A expansão destes grupos é, efetivamente, uma joint-venture (empreendimento conjunto) com o governo brasileiro.
Estas empresas vêem a crise financeira como uma oportunidade para aumentar sua participação no mercado global. Sem o dinheiro do governo brasileiro, sua habilidade de continuar construindo um império comercial global, voltado para a exportação de produtos pecuários da Amazônia, poderia ter sido reduzida.
Para reforçar a participação brasileira no mercado global, o governo está disponibilizando recursos para expandir a infra-estrutura de processamento de produtos pecuários na região Amazônica.
Em uma avaliação de concessão de crédito para a Bertin, o IFC, o braço para empréstimos privados do Banco Mundial, alertou para os riscos de aumentar o desmatamento ao expandir a capacidade dos frigoríficos na região. Um auditor do Banco Mundial concluiu: ‘O projeto [de expandir o frigorífico Bertin em Marabá] representa um grave risco ao meio ambiente e à reputação do Banco’. Mesmo assim, o IFC investiu US$ 90 milhões no projeto da Bertin em um dos lugares mais arriscados da Amazônia

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