A vida por um fio

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Notícia - 11 - mai - 2010
Relatório da ONU mostra que governos falharam na proteção da biodiversidade; espécies correm risco de extinção em todo o planeta

Espécie de sapo da família Dendrobatidae, ainda não catalogada, no Parque Cristalino (MT). ©Greenpeace / Daniel Beltra

O Terceiro Panorama Global da Convenção da Biodiversidade (CBD), avaliação sobre o estado de conservação da ONU lançada ontem, mostra que os países signatários fracassaram em honrar o compromisso de salvar as espécies do mundo.

Em 2002, líderes globais se comprometeram a reduzir os índices de perda de biodiversidade em todo o mundo até 2010. Hoje, oito anos depois, um apocalipse ambiental começa a mostrar suas caras. Em 2006, a quantidade de espécies de vertebrados era um terço do número registrado em 1970. Mais de um quarto das espécies vegetais está sob perigo de extinção. E o ritmo não dá sinais de cansaço.

A Convenção da Biodiversidade da ONU trata da proteção da diversidade biológica. Mas proteção é o que menos se vê por aí. Segundo o documento, os habitats estão cada vez mais degradados, tanto em extensão quanto em integridade, e espécies que já estavam ameaçadas estão mais perto do fim. “A CBD deveria ser chamada de Convenção da Vida: é a vida de todas as espécies, inclusive da humana, que está em debate. O fracasso das metas mostra que não temos mais tempo a perder”, afirma Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.

As tradicionais ameaças às florestas tropicais persistem: o gado e as plantações destinadas à produção de alimentos e biodiesel provocam o desmatamento em larga escala. “Os principais agentes da perda da biodiversidade em escala global estão, eles sim, 'protegidos' por políticos e governos”, diz Adario. “É o caso do Brasil onde a bancada da motosserra conspira para mudar o código florestal e reduzir a política de proteção ambiental que o país levou anos para construir”. No mundo, houve significativa diminuição da perda de florestas tropicais e de manguezais e a criação de áreas protegidas, mas não em escala suficiente para garantir a preservação de espécies ameaçadas.

Há muito a fazer. A iminente perda drástica de biodiversidade pode causar efeitos em cadeia. Na Amazônia, por exemplo, a soma do desmatamento e das queimadas, aliada às mudanças climáticas, pode levar toda a floresta a uma morte generalizada, em um círculo vicioso de incêndios e secas. 

No quadro revelado pela CBD, a humanidade demonstra operar na contramão da sua própria existência. A biodiversidade sustenta o funcionamento dos ecossistemas, que prestam serviços à sociedade. “Falar de biodiversidade não é falar de ‘bichinhos’ ou de ‘plantinhas’, mas da vida neste planeta azul. Para interrompermos essa perda, precisamos de ação imediata, e não de palavras bonitas”, explica o diretor. 

O Greenpeace defende a formação de uma rede global de áreas protegidas – terrestres e marinhas – e políticas nacionais coerentes com a proteção da vida. Essas áreas protegidas servem também de proteção ao clima, já que a destruição do patrimônio ambiental, principalmente das florestas, tem grande peso no aumento das emissões de gases que geram aquecimento global. 

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