Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Petrolífera Total e Ministro de Minas e Energia juntos?

    Postado por Thiago Almeida - 14 - jun - 2018 às 15:00

    Está na agenda oficial do Ministro de Minas e Energia (MME): hoje, às 16:00, ele estará com a petrolífera francesa Total para discutir os projetos da empresa no Brasil. A Total pretende explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia e já teve seu Estudo de Impacto Ambiental (EIA) rejeitado quatro vezes pelo Ibama.

    Ativistas do Greenpeace protestam com uma mancha de óleo gigante em frente ao escritório da Total, no Rio de Janeiro. A empresa pretende explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia, no norte do Brasil. O protesto deixou claro aos funcionários da petrolífera que o risco de derramamento é alto - e a empresa não está preparada para lidar com isso. É necessário que a Total desista do projeto. Foto: João Laet/Greenpeace

    Desde janeiro de 2017 o Greenpeace faz uma campanha internacional para que a Total fique longe dos Corais da Amazônia. Esse novo ecossistema, único, pouco conhecido e recém revelado ao mundo já está ameaçado pela ganância de empresas petrolíferas como a Total. Um derramamento de petróleo na área poderia causar danos irreversíveis a esse sistema recifal.

    A Total insiste em dizer que pode retirar petróleo de maneira segura na área, o que não é verdade. O mar na região tem algumas das correntes mais fortes do mundo: ⅓ das tentativas de perfuração no passado foram frustradas por acidentes mecânicos. O processo de licenciamento ambiental deve ser baseado em estudos, informações e dados técnicos. Porém, a petrolífera entregou dados incorretos e incompletos ao Ibama para tentar conseguir a licença. As informações sobre os possíveis impactos do projeto são mais do que suficientes para negar a licença ambiental para a Total, mas o Ibama deu à empresa uma quinta chance de aprovar o projeto.

    Ficam as questões: o que o MME e a Total estão discutindo nesse encontro? Vão falar sobre licenciamento ambiental, que é uma atribuição do Ibama, que responde ao Ministério do Meio Ambiente? Vão discutir sobre como favorecer ainda mais as petrolíferas estrangeiras que atuam no Brasil? O MME sabe o que está em jogo na bacia da Foz do Amazonas ou conhece somente os argumentos da Total?

    O processo de licenciamento ambiental, feito pelo Ibama, é público e pode ser consultado na internet. Cobramos transparência do Ministério de Minas e Energia e da Total em relação a esse encontro. Queremos saber o que foi discutido e quais os reais objetivos da reunião. No lugar de ceder às pressões da petrolífera, o ministro deveria cobrar da Total mais investimentos em novas energias renováveis.

    O movimento pela defesa dos Corais da Amazônia já tem mais de 2 milhões de pessoas - governo e petrolíferas deveriam ouví-las. Leia mais >

  • Todo dia é Dia do Meio Ambiente

    Postado por Asensio Rodriguez* - 5 - jun - 2018 às 11:10

    O Dia do Meio Ambiente é sempre um bom momento para refletirmos sobre o que estamos fazendo com a natureza, que afinal permite a vida da humanidade nesse planeta. Este ano, a reflexão é ainda mais importante, porque em poucos meses a população decidirá sobre as pessoas que conduzirão o futuro político do Brasil.

    Ao mesmo tempo, quando pensamos em todas as ameaças que o meio ambiente tem sofrido, especialmente nos últimos anos, fica claro que não temos tempo a perder. Não podemos abrir a guarda um minuto que seja para que os inimigos da natureza atuem.

    Basta lembrar como a maquinação entre os interesses da Bancada Ruralista e de um governo fraco e impopular ameaçam fazer o Brasil andar para trás 20 anos em dois, no que se refere à proteção ao meio ambiente. São interesses poderosos em jogo, que na maioria das vezes atuam nas sombras, em meio a conchavos e acordos poucos transparentes, completamente à margem dos interesses reais da sociedade.

    Mas a boa notícia é que indivíduos, organizações da sociedade civil, como o Greenpeace, e outros atores, como celebridades e influenciadores, atuando de forma ativa, estão conseguindo fazer frente, e muitas vezes paralisando, os avanços dos interesses poderosos contra a natureza. Juntos temos conseguido vitórias importantes, apesar do contexto extremamente desfavorável.

    Por isso, neste Dia do Meio Ambiente, além de seguir apontando todas as ameaças que existem, acredito que é também importante celebrar o poder das pessoas.

    Mobilização em Ipanema, no Rio de Janeiro, pela preservação da floresta Amazônica e contra os retrocessos ambientais do governo Temer. Foto: Júlia Mente/Greenpeace

    Lembremos, ainda no ano passado, da luta conjunta contra a extinção da Reserva Nacional de Cobres e Associados (RENCA), que uniu milhares de pessoas e centenas de organizações em todo Brasil no #TodosPelaAmazônia. O governo foi obrigado a recuar da sua proposta e isso se deveu justamente à capacidade de organização da sociedade.

    Mais recentemente, a bancada ruralista vem tentando enfiar goela abaixo da sociedade seu "Pacote do Veneno", que flexibiliza as regras sobre agrotóxicos, incluindo a cara de pau de tentar transformar "agrotóxico" em "defensivo agrícola", como se a simples mudança de nome alterasse o efeito sobre a saúde. Mas, novamente, a sociedade organizada tem confrontado este absurdo. Ao ponto em que os congressistas defensores desta flexibilização não conseguirem até o momento botar essa pauta em votação. E, se depender de todos nós, não conseguirão.

    Voluntários de várias cidades do Brasil fizeram atividades no dia 28 de janeiro, com quebra-cabeças gigantes para chamar atenção à ameaça que os corais sofrem da indústria do petróleo. Foto: Kamila Oliveira/Greenpeace

    Um último exemplo do poder da ação direta e decidida da sociedade são os mais de 2 milhões de pessoas que se juntaram à campanha liderada pelo Greenpeace em defesa dos corais da Amazônia. Ali, também, os interesses corporativos trazem uma grande ameaça ao ecossistema de corais existente na foz do rio Amazonas e que são ainda relativamente pouco conhecidos pela ciência. Uma mobilização gigante e permanente, não apenas no Brasil, mas também em outros países, tem conseguido impedir que a empresa francesa Total e a inglesa BP sigam com seus planos de explorar petróleo na região.

    Tudo isso para mostrar que na verdade o Dia do Meio Ambiente é todo dia. Temos de estar sempre vigilantes, conscientes e prontos para atuar contra os interesses que querem destruir a natureza e a vida.

    Eles nunca descansam.

    Nós também não.

    *Asensio Rodriguez é Diretor Executivo do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Para defender os Corais da Amazônia, ativistas barram reunião da Total

    Postado por Thaís Herrero - 1 - jun - 2018 às 10:21 1 comentário

    Mais de 250 ativistas do Greenpeace e da ANV-COP21 interromperam a reunião anual da petrolífera Total para se fazer ouvir e defender os Corais da Amazônia

    Escalador com banner em defesa dos Corais da Amazônia. Ativistas foram à reunião anual da Total para defender esse ecossistema único. (Foto: ©Greenpeace/ANV-COP21)

     

    Era para ser mais uma reunião anual comum, na qual empresários e empresárias da Total passam o dia discutindo o balanço e o futuro da petrolífera. Reunidos em Paris na manhã desta sexta-feira (01/06), eles tiveram uma grande surpresa. E cancelaram o evento.

    Mais de 250 ativistas do Greenpeace e da organização ANV-COP21 interromperam a reunião para protestar pacificamente em defesa dos Corais da Amazônia. A Total planeja explorar a costa do Brasil a qualquer custo, ignorando mesmo as novas descobertas obtidas na expedição científica que o Greenpeace e cientistas fizeram em abril e maio deste ano. 

    A primeira surpresa da reunião foi o surgimento de escaladores que, do alto do palco do evento, abriram banners com a frase "Defenda os Corais da Amazônia" em diferentes idiomas. Enquanto isso, fora do prédio, outros ativistas e músicos faziam uma batucada no estilo brasileiro. Essas pessoas vieram de dez diferentes países para representar as mais de 2 milhões de assinaturas na petição que pede para a Total desistir dos seu planos.

    "Na frente de seus próprios acionistas, a Total se considera uma 'grande responsável da energia'. Mas me pergunto se é responsável explorar petróleo a quase 2 mil metros de profundidade, em condições de correntes marinhas extremas e perto de um recife recém-descoberto", questiona Thiago Almeida, especialista em Energia do Greenpeace Brasil.

    Para Pauline Boyer, porta-voz da ANV-COP21, a abertura de novas áreas para exploração petrolífera, como planeja a Total, é um absurdo diante do contexto climático no qual vivemos. "As emissões de gases de efeito estufa precisam ser drasticamente reduzidas. Protestos pacíficos como este são essenciais para denunciar a falta de ação por parte de multinacionais como a Total", acrescentou.

    Vindos de dez países diferentes, ativistas foram à reunião da Total para que a empresa ouça, de uma vez por todas, que explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia é irresponsável. (Foto: ©Greenpeace)

     

    A mobilização de hoje faz parte da campanha do Greenpeace que, desde janeiro de 2017, tenta barrar o projeto de petrolíferas que querem perfurar a região próxima aos Corais da Amazônia. No caso de um vazamento de óleo, não apenas o recife estará ameaçado, mas também a costa da Guiana Francesa e os manguezais da região. Dezenas de comunidades dependem dos recursos pesqueiros ali para sobreviver. 

    Há anos a Total quer ter seu projeto na foz do Amazonas aprovado – ainda que 2 milhões de pessoas, cientistas e até o governo brasileiro mostrem sua oposição a ele. Na quarta-feira (30/05), o Ibama publicou uma nota em que questiona a qualidade dos dados do Estudo de Impacto Ambiental da Total. O órgão diz ainda que a empresa está com dificuldade de mostrar como agiria em caso de um vazamento de petróleo.

    Escaladores na reunião anual da Total levaram a mensagem de mais de 2 milhões de pessoas que são contra a exploração de petróleo perto dos Corais da Amazônia. (Foto: ©Greenpeace) Leia mais >

     

  • Seguindo as pegadas do boi na Amazônia

    Postado por Rosana Villar - 30 - mai - 2018 às 16:40

    Documentário, que estreia nesta semana na Mostra Ecofalante, em São Paulo, revela como opera a cadeira da pecuária na Amazônia -

    Sob a Pata do Boi - Trailer from ((o))eco on Vimeo.

     

    Não é de hoje que o caminho do boi vem deixando pegadas na Amazônia. Estamos falando de um setor que ocupa mais de 60% das áreas desmatadas da floresta e, dessa maneira, responsável por boa parte das emissões de gases do efeito estufa do Brasil. O documentário “Sob a Pata do Boi”,que estreia nesta quinta-feira (30), na Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, revela como opera a cadeira da pecuária na Amazônia.

    Não seria exatamente um spoiler dizer que a pecuária é, ainda hoje, uma poderosa ferramenta de destruição e grilagem de terra na floresta, usada sem embaraço ou economia. Mas se todo mundo está cansado de saber, porque não conseguimos mudar este cenário? 

    Esta e outras questões estarão no centro do debate que será conduzido na sequência da exibição filme, e terá as participações de Adriana Charoux, da campanha de Amazônia do Greenpeace,  Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), e Marcelo Isensee e Sá, diretor do longa. 

    A farra do boi na Amazônia

    Desde 2009 o Greenpeace Brasil atua investigando e expondo os impactos causados pela expansão da criação bovina na Amazônia. Naquele ano publicamos o relatório “A farra do boi na Amazônia", que deu origem ao Compromisso Público da Pecuária, assinado pelos maiores frigoríficos do país. Em 2015 lançamos o relatório Carne ao Molho Madeira, mostrando que os principais supermercados do Brasil não garantem a seus clientes que a carne vendida nas gôndolas respeite o meio ambiente e os direitos humanos. E, este ano, iniciamos uma campanha global para incentivar a redução do consumo de carne, como medida possível para reduzir o impacto do setor no clima. 

    Mas mesmo com toda a movimentação por parte do setor e dos consumidores, a realidade no campo pouco mudou, é o que destaca o documentário. Esperamos a sua participação, a entrada é gratuita.

    Serviço:

    “Sob a Pata do Boi” (Exibição do filme e debate)

    Centro Cultural São Paulo

    Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade. São Paulo

    31 de maio (Qui) – 19h30

    Entrada gratuita (sujeito a lotação)

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  • Mais uma vez, a Total não fez sua lição de casa

    Postado por Thaís Herrero - 29 - mai - 2018 às 18:02 2 comentários

    O Ibama publicou um novo parecer sobre o projeto da petrolífera. Ainda há muitas pendências para que o Ibama considere a perfuração perto dos Corais da Amazônia uma operação segura. Nós não temos dúvidas disso

    Banco de rodolitos coberto por algumas esponjas-do-mar descobertos dentro do bloco onde a Total quer explorar petróleo. Eles estão a 180 metros de profundidade e 120 km da costa brasileira. (Foto: ©Greenpeace)

    Pela quarta vez, o Ibama está questionando fortemente a qualidade do Estudo de Impacto Ambiental da petrolífera Total, que quer explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia. E deu mais tempo para a empresa esclarecer alguns pontos sobre seu estudo, que é repleto de falhas. "O parecer do Ibama é claro ao mostrar que a empresa não apresentou dados que possibilite continuar o processo de licenciamento", diz Thiago Almeida, especialista em Energia do Greenpeace Brasil.

    Até agora, a empresa não conseguiu demonstrar como prospectaria petróleo de maneira segura na bacia da foz do Rio Amazonas. Uma das novidade deste Parecer Técnico (n° 73) é que o órgão está considerando as descobertas sobre os Corais da Amazônia feitas pelo Greenpeace e um time de cientistas na expedição entre abril e maio deste ano.

    A expedição mostrou que existe um banco de rodolitos em um dos blocos da Total, fato que a empresa nunca havia publicado. Agora, a Total terá que explicar o porquê.

    Enquanto o Greenpeace navegava pela costa do Brasil e da Guiana Francesa, ficou provado que a área coberta pelos o recifes é maior do que os estudos anteriores demonstraram. Foram observadas possíveis novas espécies de peixes, além da descoberta de que os Corais da Amazônia se estendem até a Guiana Francesa, uma área que poderia ser impactada no caso de um derramamento de petróleo. Nenhuma dessas informações está contemplada no EIA da Total.

    A Total já demonstrou sua incapacidade de fazer um Estudo de Impacto Ambiental completo e que mostre de forma clara os riscos da operação na região da Foz do Rio Amazonas. Desde que descobrimos que existe uma formação recifal dentro de um dos blocos da empresa, o EIA atual deveria ser considerado inválido porque não traz essa informação. É inaceitável ter exploração de petróleo ali, permitindo arriscar esse ecossistema.

    Em 50 dias de expedição, descobrimos novas informações sobre os Corais da Amazônia, em uma amostra de que ainda há muito a ser revelado e estudado sobre esse ecossistema. Como disse Thiago Almeida, "devemos priorizar a pesquisa científica naquela região e não a exploração de petróleo.

    "Novamente a empresa apresenta um relatório cheio de pendências e incertezas, demonstrando que a exploração de petróleo ali não é segura e coloca os Corais da Amazônia em risco", disse Thiago.

    A seguir, destacamos alguns trechos do documento do Ibama:

    "Neste sentido, são notórias as dificuldades encontradas pela empresa para solucionar questões técnicas para a realização da perfuração, em especial aquelas ligadas a apresentar um Plano de Emergência Individual que seja exequível e compatível com a extrema sensibilidade ambiental da região. Sensibilidade esta já identificada, mas também potencial, visto que a área ainda apresenta lacunas científicas expressivas, em especial em relação ao chamado Sistema Recifal da Foz do Amazonas."

    "Conforme exposto no parecer, foram identificadas pendências em diversos itens da quarta revisão do EIA, em especial no Plano de Emergência Individual. Neste se destaca a dificuldade da empresa em apresentar uma logística que atenda a um cenário de emergência, bem como a ausência, até o momento, de um acordo bilateral entre Brasil e França, essencial para um adequado atendimento a um acidente que envolva o derramamento de óleo."

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  • Vem aí a 7a Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

    Postado por Rodrigo Gerhardt - 25 - mai - 2018 às 17:40

    Com entrada gratuita, a Mostra mais importante do gênero na América do Sul está imperdível, com 121 filmes de 31 países que serão exibidos em diversas salas de São Paulo, incluindo o vídeo de realidade virtual do Greenpeace que simula sensorialmente a visita à uma aldeia Munduruku - 

    Chico Mendes - Foto: Divulgação

     

    A tradicional Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental está pronta e chega em sua sétima edição maior em importância e tamanho. São 121 filmes de 31 países, muito deles inéditos, para quem ama cinema e natureza. Este ano, o homenageado será Chico Mendes, em função dos 30 anos da morte do líder seringueiro, com uma seleção especial de filmes dedicados à sua memoria.

    O evento vai de 31/5 a 13/6 em diversas salas de cinema e espaços culturais da cidade de São Paulo - confira a programação completa. Um dos destaques é a retrospectiva  histórica do polêmico diretor alemão Werner Herzog com 18 filmes,  que já considerada a maior do diretor já realizada no Brasil. 

    Outra atração imperdível é a primeira experiência multissensorial de realidade virtual capaz de reproduzir uma vivência dentro de uma aldeia indígena na Amazônia. A cápsula instalada no Cine Olido exibirá o filme "Munduruku - A Luta para Defender o Coração da Amazônia", permitindo ao público visitar e “sentir” a aldeia Sawré Muybu, às margens do rio Tapajós, a partir de estímulos táteis, auditivos e olfativos. 

    A Mostra Internacional Contemporânea tem ainda filmes assinados por nomes como Jia Zhangke, Julien Temple D. A. Pennebaker e Wang Bing. E a Competição Latino-Americana traz 28 títulos representando oito países da região. 

    Além dos filmes, será possível participar de uma série de debates sobre temas como preservação, povos e lugares, consumo, trabalho e cidades, além de workshops.

     
  • Diário de Bordo - Histórias de Esperanza

    Postado por Tiago Batista - 24 - mai - 2018 às 10:10

    Fui convocado a ir para Belém do Pará, com a missão de receber os doadores do Greenpeace no navio Esperanza que acabou de voltar de uma expedição na região dos Corais da Amazônia.

    Fui cheio de expectativas, pra mim era tudo novo, sou novo no time do Greenpeace, e finalmente viveria minha primeira experiência próximo a algo tangível, diferente do dia a dia do escritório.

    Na sexta-feira, véspera da visita ao Esperanza, fizemos nossa primeiro tour com treinamento para entender como seria a atividade. O navio, cheio de imponência, causava um impacto a primeira vista e a sensação de ser impactado seguia a cada descoberta, com tudo, não tinha como não imaginar a alegria e a agonia de ficar meses a bordo.

    Sábado, dia 19 de maio, às 8h.  Cheguei no Esperanza, a fila já estava formada antes mesmo da visita começar. Voluntários corriam de um lado para o outro. A equipe organizando todos os detalhes, o gerador para de funcionar e os computadores de cadastro é desligado. E assim segue... Com o povo ansioso e feliz de ver o navio Esperanza por ali.

    Logo se escuta um grito de guerra que dizia: "Eu seguro sua mão na minha, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinho" repetido três vezes, com um grande coro, foi de arrepiar. Era a equipe do Diálogo Direto, eles que são desafiados a conscientizar as pessoas sobre a importância de doar para os projetos do Greenpeace. A fila olhava e o grito de guerra e se contagiava.

    O navio estava aberto, os grupos seguiram conhecendo a história dos corais e fazendo a visita nesta “ferramenta” de 72 metros, um grande instrumento utilizado para defender as belezas naturais em todo o mundo.

    Não perdi tempo, eu queria falar com as pessoas, entender as histórias. Então era só me aproximar de alguém, que eu já começava a bater papo.

    As histórias seguiam com relatos incríveis. O "João" veio com os dois filhos e decidiu tornar o "Guilherme", o filho mais novo, um doador, para amenizar a culpa que ele sentia por ser um funcionário de uma terceirizada contratada pela petroleira Total para contribuir com o projeto de exploração da região.

    A dona Maria me mostrou a carteirinha de doadora, ela contribui desde 2000 e chamou para tomar um café na casa dela, do outro lado do rio e garantiu que eu não ia me arrepender. Deu água na boca, mas tive que deixar para uma próxima... #chatiado

    Conheci também o Pedro, que se apresentou como traficante, um traficante de conhecimento, que muitos chamam de professor. Apaixonado pela natureza, usa de meios diferentes para transmitir sua paixão para os adolescentes.

    Para o primeiro dia, eu havia convidado uma doadora para fazer um tour especial com a Helena, bióloga  brasileira que acompanhou a expedição. Que papo gostoso!!! Fomos a cabine principal, ela perguntou de tudo, a Helena respondeu diversas curiosidades, gravamos um vídeo que eu já estou ansioso pra ver e este encontro finalizou com aquele abraço apertado, como uma mãe orgulhosa e feliz em encontrar a filha bióloga que volta de uma grande vitória (Não vencemos ainda, mas estamos cada vez mais perto).

    O sábado terminou, o corpo estava cansado, mas o coração já estava ansioso pelas surpresas que o domingo reservava.

    Bom dia, domingo, 20 de maio de 2018. Estou aqui, vendo o sol brilhar nas águas barrentas do Rio que não sei o nome ainda. A fila está o dobro de ontem, o professor intitulado traficante passa para trazer um pão de queijo, ele já entrega pedindo desculpas, dizendo que está murcho, mas na real, foi um dos melhores que já provei.

    Passei na tenda das crianças, lá eu encontrei um garotinho, ele desenhou o navio do Esperanza e também fez um peixe todo colorido que ele chamou de dourado. Na hora que passei por lá, tinha uma menininha, com o pai do lado, eles só falavam inglês, mas ela estava montando uma tartaruga com massinha de modelar, e fez um coração pra pôr do lado. Aiai.. respiro fundo e penso: "há esperança, obrigado, Esperanza"

    Falei com muita gente! Pessoas cultas e bem instruídas, pessoas simples e bem decididas. Lembro do papo com um agricultor, ele ressaltava que deveríamos estar em Brasília, onde as leis estão sendo afrouxadas. Não titubeei, e logo o informei que estamos lá, mostrei matérias e falei das dificuldades então ele tomou a decisão de ser um doador.

    O dia foi corrido, o tempo passou voando, mas consegui um tempinho pra entrevistar a Ana Paixão, uma professora universitária, voluntária e doadora; Ela estava imensamente emocionada, pertencia ao grupo de voluntários recém formado que contribuiu para o evento em Belém acontecer. Ela olhava pra fila e chorava dizendo: "Meu Deus, como eu sonhei com este dia, como o nosso Pará precisava disso!" O cansaço e o calor tomava conta de todos, mas a cada situação dessa, as forças se revigoravam e o desejo que dava era de expandir a visita até a meia-noite.

    Última hora, fila imensa, cai a chuva e ninguém saia da fila, as pessoas falavam do Greenpeace com paixão. Um botton, um adesivo, fazia a felicidade de quem deposita a confiança nesta organização.

    Quatro senhoras chegam, todas com mais de 70 anos e super elegantes, vieram me pedir um favor: gostariam que eu conseguisse a liberação pra elas fazerem a visita mesmo depois da fila ser encerrada, pelo menos para serem as últimas. Falo com o responsável, e não há como negar.. elas contaram que juntas ajudavam as comunidades ribeirinhas a tirarem seus documentos e utilizarem dos programas sociais. Elas contam que em 2000, um dos navios do Greenpeace parou o Rio, fechou a passagem das barcas impedindo que levassem grandes toras de madeira pra serem entregues para os navios internacionais. A polícia apreendeu tudo e doou para a construção de casas para as famílias ribeirinhas.

    Foi um fim de semana rico de vivência e experiência. Falei com todo tipo de gente, do mais simples ao doutor, aprendi com todos, e registrei hoje aqui para multiplicar essa experiência e levar um pouquinho a cada um de vocês.

    Após ver a união de voluntários correndo para todos os lados, doadores orgulhosos e dispostos a contribuir pra ver este projeto acontecendo, funcionários dedicados e trabalhando com paixão e a população de Belém contemplada com a visita e entendendo a razão de toda essa movimentação, consigo dizer, com propriedade, em nome do Greenpeace, que #SomosPorTodos

    Mesmo a distância, "Eu seguro sua mão na  a minha, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinho. Luz, paz, amor, Greenpeace!"

    Eu sou Tiago Dias, trabalho no Relacionamento com Doadores e também defendo os Corais da Amazônia



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  • Você que bebe Sprite e gosta de florestas precisa saber algumas coisas

    Postado por Laura Colombo - 23 - mai - 2018 às 8:53

    Floresta devastada na Argentina

    Não há nada como uma bebida gelada num dia quente. Talvez você, como eu, já tenha buscado uma lata de Sprite para satisfazer sua sede e se refrescar um pouco. Mas talvez você, como muitas outras pessoas, não saiba que a sua lata de Sprite está ligada à destruição de florestas nativas na Argentina.

    Eis aqui o que você precisa saber sobre isso - e o que fazer para ajudar a impedir esse desmatamento.

    1) A Sprite e seu fornecedor têm um grande desmatamento em suas mãos

    Eles compram suco de limão concentrado de uma empresa chamada La Moraleja S.A.. Essa exportadora de cítricos, com sede na Argentina, desmatou 3 mil hectares de floresta nativa no norte do país. Só que  a Coca-Cola, que é dona da Sprite, declarou publicamente que a sustentabilidade deve estar no centro de todas as suas decisões e ações, uma responsabilidade que a empresa diz levar muito a sério.

    2) O desmatamento causado pela Sprite é completamente contra a lei

    Em 2007, a Argentina aprovou a Lei de Floresta Nacional, protegendo vastas faixas de florestas do país. A área desmatada pela La Moraleja está dentro de um importante corredor entre a floresta Chaco e floresta tropical de Yungas, que é protegida por essa lei.  

    Então, não só o desmatamento da Sprite é completamente irresponsável como também é ilegal.

    3) A Sprite sabe que essa destruição ilegal aconteceu - e não fez nada

    O Greenpeace expõe a destruição florestal da La Moraleja desde 2013. Quando descobrimos que a empresa é uma fornecedora do Sprite, nos reunimos diretamente com os representantes da Sprite para falar sobre as práticas ilegais da sua fornecedora.

    A Sprite retornou nossos pedidos com um grande silêncio.

    Então, no ano passado, elevamos a pressão. Mais de 300 mil pessoas em todo o mundo assinaram a petição que pedia para a Sprite reflorestar a mata que eles destruíram e adotar uma política de desmatamento zero. Em novembro, a La Moraleja perdeu seu certificado de sustentabilidade da Rainforest Alliance, uma das certificadoras ambientais mais conhecidos.

    4) A fornecedora da Sprite quer reflorestar apenas metade do que destruiu

    Mesmo depois da pressão de 300 mil pessoas e a perda da sua certificação ambiental, a La Moraleja só se comprometeu a restaurar 1,4 mil hectares de floresta. Isso é menos do que a metade do que ela desmatou.  Temos certeza de que a Sprite não se importaria se você decidisse pagar apenas metade do preço pelos seus produtos, né?

    Um compromisso de reflorestar qualquer área menor do que 3 mil hectares não é o bastante. Nós não podemos descansar até que a Sprite e sua fornecedora restaurarem tudo que eles destruíram.

    5) A Sprite ainda tem uma chance de fazer a coisa certa para as florestas, as pessoas e o planeta

    Até agora, a Sprite colocou seus lucros na frente do futuro do planeta. A floresta que ela destruiu não só é crucial para a vida selvagem que vive lá como também é uma das melhores defesas que temos contra as mudanças climáticas. O público jovem de quem Sprite mata a sede é que vai pagar o preço por não protegermos as florestas.

    Mesmo assim, dá tempo de a Sprite se tornar a líder sustentável que diz ser.

    Se a Sprite realmente se importa com o planeta, ela pode mostrar isso restaurando a floresta que La Moraleja destruiu e adotando uma política de desmatamento zero. Essa é a única maneira de garantir que seus fornecedores e sua linha de produção não contribuam para o desmatamento em qualquer lugar do mundo. Leia mais >

    Pessoas como você podem fazer a pressão ainda mais forte. Assine a petição e mostre que você quer que a Sprite refloreste o que destruiu.

  • A rica biodiversidade dos Corais da Amazônia

    Postado por Thaís Herrero - 22 - mai - 2018 às 10:30

    Hoje é o Dia da Biodiversidade (22/5). Os Corais da Amazônia representam muito bem essa data por serem um ecossistema único de biodiversidade, cientistas o chamam de farmácia submarina. Porém, sua existência já está ameaçada pela indústria do petróleo.

    Corais encontrados na Guiana Francesa, durante expedição do Greenpeace em maio de 2018. A descoberta de que os Corais da Amazônia se estendem até esse país prova que ainda sabemos pouco sobre ele. (Foto: ©Greenpeace)

    Uma das características mais marcantes dos Corais da Amazônia é sua rica biodiversidade. Isso vale tanto para os seres que formam o recife (esponjas-do-mar, rodolitos e corais) quanto para os peixes e outras espécies que circulam pela região e têm no recife um importante local para se abrigar, se alimentar e se reproduzir.

    Esse recife é como um ponto de encontro de muitas espécies que vêm de diferentes (e opostos) locais do oceano. Prova disso é um artigo publicado em abril chamou os Corais da Amazônia de "corredor de biodiversidade". Foram encontrados ali tanto espécies de peixes que são originários do sul do oceano Atlântico quanto do Caribe. O artigo foi resultado dos estudos feitos na primeira expedição que o Greenpeace fez aos Corais da Amazônia, em 2017.

    Peixes nadam junto à formação de rodolitos nos Corais da Amazônia. Essa foto foi capturada pelo Greenpeace em 2017, quando fazíamos a expedição que mostrou as primeiras imagens do ecossistema debaixo d'água. (Foto ©Greenpeace)

     

    Como a existência dos Corais da Amazônia foi confirmada só em 2016, ainda há muito ali para ser estudado. Ainda assim, os números sobre a biodiversidade que habita ali são impressionantes:

    - Existem ali pelo menos 40 espécies diferentes de corais, como corais-negros e corais-moles.


    - Sobre as esponjas-do-mar são pelo menos 60 espécies por ali, algumas delas de até 2 metros de altura! E dessas 60, é possível que 29 sejam totalmente desconhecidas pela ciência até hoje. Estamos diante de possíveis novas espécies que podem – e devem – ser estudadas.

    - Na expedição científica que fizemos este ano, a bordo do navio Esperanza, encontramos uma formação recifal de muitas, muitas esponjas-do-mar. Os cientistas disseram que podemos chamar aquela área de "recife de esponjas". Algumas imagens que fizemos mostram até seis espécies diferentes juntas.

    Várias esponjas-do-mar são avistadas na área norte do recife dos Corais da Amazônia (Foto: ©Greenpeace)

     

    - Na expedição de 2017, vimos três peixes-borboletas que, segundo os cientistas que estavam conosco, têm potencial de serem novas espécies. Não foi possível identificá-los apenas pelas imagens e, para provar se são espécies novas ou não, precisaríamos de amostras dos DNA desses bichos.

    - Cientistas estão estudando as bactérias encontradas na água e nos Corais. É possível que ali existam novas espécies que podem, inclusive, ser usadas na fabricação de remédios. Por isso, os cientistas estão chamando os Corais da Amazônia de "farmácia submarina". 

    - A riqueza de vida também é provada pelas 73 espécies de peixes típicos de recifes, além de lagostas e estrelas-do-mar.

    Lagosta encontrada nos Corais da Amazônia durante a primeira expedição do Greenpeace à região, em 2017. (Foto: ©Greenpeace)


    - Toda essa vida marinha habita uma região que era considerada inóspita e improvável permitir a existência de um recife. Por isso, os Corais da Amazônia são verdadeiros vencedores e muito especias.

    Só que, infelizmente, toda essa riqueza está ameaçada pela exploração de petróleo. A empresa francesa Total pretende perfurar a região próxima aos Corais da Amazônia para buscar petróleo. Por isso, estamos há mais de um ano defendendo esse ecossistema e exigindo que a Total desista desse plano e fique longe dos Corais da Amazônia.

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  • 5 coisas que você precisa saber sobre os Corais da Amazônia

    Postado por Diego Gonzaga - 21 - mai - 2018 às 14:30

    Depois de 40 dias de expedição científica, o que descobrimos sobre esse ecossistema que não para de nos supreender.

    Já faz tempo que assumimos aqui nosso crush pelos Corais da Amazônia. E nossa segunda expedição para estudá-los e vê-los debaixo d'água acabou há alguns dias. A conclusão é que esse caso de amor só aumenta conforme conhecemos esse ecossistema mais e mais. 

    No começo de abril, o navio Esperanza chegou ao Brasil e nosso time embarcou com muitas perguntas sobre os Corais da Amazônia. Por 40 dias, navegamos em um mar agitado e enfrentamos um clima hostil na costa norte do Brasil e da Guiana Francesa. Todo o esforço valeu a pena. Voltamos para casa sabendo muitos segredos dos Corais.

    1. Os Corais da Amazônia são maiores do que imaginávamos

    Imagem dos Corais da Amazônia na Guiana Francesa (©Greenpeace)


    Os primeiros estudos sobre o ecossistema estimavam que sua área era de 9,5 mil quilômetros quadrados. Mas o artigo publicado em abril, e fruto da nossa expedição de 2017, mostra que estávamos subestimando esse tamanho: Os Corais da Amazônia podem ter 56 mil quilômetros quadrados – o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Isso é seis vezes mais do que a primeira estimativa.

    2. Há Corais da Amazônia dentro de um dos blocos da Total

    Imagem dos Corais da Amazônia dentro de um dos blocos de exploração da empresa Total (©Greenpeace)


    O plano da petrolífera francesa Total, de explorar petróleo perto dos Corais da Amazônia, sempre foi um absurdo. E agora que sabemos que o recife é maior do que imaginávamos, a ameaça também cresceu. Com o navio Esperanza, fomos até um dos blocos em que a empresa pretende perfurar e descobrimos que ali existe uma formação recifal. Nosso achado invalida o Estudo de Impacto Ambiental da empresa, que afirmava que a distância do recife mais próximo até a área de perfuração era de 8 quilômetros. Até o Ministério Público Federal do Amapá recomendou que o Ibama não deixe a Total começar a explorar petróleo ali.

    3. Os Corais da Amazônia se estendem até a Guiana Francesa

    Recife similar aos Corais da Amazônia encontrado na Guiana Francesa (©Greenpeace)


    Nós também não sabíamos até agora que os Corais da Amazônia iam tão longe! Provamos que há uma formação de recifes similar aos Corais da Amazônia no nosso país vizinho Guiana Francesa. Quando mergulhamos com nossas câmeras ali, descobrimos um fundo do mar cheio de vida! Isso mostra o quão especial é esse ecossistema. Se a Total explorar petróleo na costa do Brasil e um vazamento acontecer, há chances de que o óleo alcance as águas da Guiana Francesa, ameaçando uma parte do recife que ainda mal conhecemos.

    4. Um vazamento de petróleo na região seria devastador

    Várias esponjas encontradas na área norte do recife dos Corais da Amazônia. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace).

    Descobrir tudo isso não foi fácil. As condições climáticas na região dos Corais e as fortes correntes do mar ali foram grandes desafios de nossa expedição. Demoramos dias para conseguir usar nossas ferramentas e registrar o setor norte do recife. Se estar com um grande navio e fazer imagens é difícil naquela região, imagine conter uma mancha de petróleo vazando no meio do oceano?

    5. O número de defensores dos Corais da Amazônia só aumenta

    Equipe a bordo do navio Esperanza para a expedição aos Corais da Amazônia, na costa norte do Brasil. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    A melhor parte dessa nossa incrível jornada é saber que não estamos sozinhos. Mais de 2 milhões de pessoas ao redor do mundo estão falando para a Total ficar longe desse lugar incrível. E não vão desistir até que os planos de perfuração ali sejam finalmente cancelados. Nossa petição continua se disseminando e, se você já assinou, compartilhe com seus amigos.  Leia mais >

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