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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Alimentando a luta por um Tapajós Livre

    Postado por Bruno Leão* - 23 - jun - 2016 às 10:06

    Me chamo Bruno Leão, tenho 23 anos e sou voluntário do Greenpeace no grupo de Florianópolis. Nasci em Manaus, onde comecei meu voluntariado, em 2010. Mas desde 2013 vivo na capital catarinense, onde ajudei a fundar o grupo de voluntários da cidade. 

    Estou na aldeia Sawré Muybu para ajudar o time da cozinha durante as atividades realizadas pelos Munduruku e ativistas pela proteção do coração da Amazônia. Para nós, o dia começa bem cedo (por volta das 5h). Somos os primeiros a levantar e geralmente os últimos a ir dormir, pois nosso papel é garantir que todos os ativistas e Munduruku estejam bem alimentados, já que o trabalho é sempre muito pesado para todos. 

    Cozinha instalada na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku, para dar apoio a ativistas e indígenas durante atividades de proteção ao território e contra as hidrelétricas (©Greenpeace)

     

    Na cozinha não paramos nem um segundo, há sempre panelas para lavar, verduras para picar, pois a comida é feita em grandes quantidades. Somos responsáveis pela alimentação de mais de 50 pessoas! Mesmo assim, é muito legal ver o time da cozinha trabalhando unido, sempre muito animado, fazendo piada desde que acorda até a hora do jantar.

    É também na cozinha que temos contato com todos que estão aqui. Logística, jornalistas, caciques…todos passam por lá e temos a chance de conhecer, conversar, e ver a especificidades do trabalho de cada um, os seus costumes e culturas diferentes.

    Aqui na comunidade existem muitas crianças. Muitas mesmo! E elas estão sempre circulando em volta da cozinha, brincando, conversando e pedindo coisas. Nós as ensinamos a lavar os próprios pratos e tem sido muito engraçado. Até as que não alcançam a altura da pia se organizam para lavar seus pratos, mesmo que para isso alguém tenha que carregá-las.

    Conhecer voluntários de outros países também é algo muito legal.  Ver que mesmo estando em países muito distantes, com culturas muito diferentes umas das outras, somos muito parecidos. Que a paixão que nos move é a mesma: lutar por um mundo melhor para todos. 

    Foi pensando nisso que, junto com a campaigner de Floresta da Itália, a Martina, tivemos a ideia de reunir todos os voluntários para compartilhar nossas experiências, contar um pouco sobre nossos grupos e as ações que realizamos em nossas cidades e enviar uma mensagem para os voluntários que não puderam estar aqui para inspirá-los. Acredito que isso será incrível para os voluntários e estou muito orgulhoso de fazer parte disso.

    No fim, vir para o Tapajós está sendo uma escola.  Nem tudo é fácil, claro. Mas saber o porquê de estarmos aqui e ver que estamos todos lutando por um mesmo objetivo, faz qualquer dificuldade parecer pequena demais e qualquer esforço válido. Tudo o que posso hoje é me sentir agradecido, pois faço parte de uma luta legítima. É pelo futuro de todos que estamos aqui e todo o esforço faz diferença. 

    Junte-se a nós e assine a petiçãohttp://br.heartofamazon.org 

    *Bruno Leão é voluntário do Greenpeace Leia mais >

  • De volta à tragédia

    Postado por Fabiana Alves* - 23 - jun - 2016 às 9:25

    O Rio Doce continua com a tonalidade marrom causada pela lama (© Fabiana Alves / Greenpace)

    Nesse mês de junho, retornamos às margens do Rio Doce para verificar a situação da região e apresentar à sociedade estudos que serão desenvolvidos nos próximos seis meses sobre a fauna, flora e água locais, além dos direitos dos impactados.

    Aterrissamos em Belo Horizonte (MG) e logo seguimos para Mariana de carro para começar os encontros e reuniões com os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco, formada pela brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

    A cidade continua bonita e acolhedora, mas ao conversar com as pessoas, fica evidente o impacto que a destruição do subdistrito de Bento Rodrigues teve em Mariana. Dependente da produção mineral para seu sustento, a cidade está sendo afetada economicamente e o desespero por uma solução rápida começa a fervilhar.

    Bento Rodrigues não pode ser acessado sem a defesa civil de Mariana, que alerta para o risco do colapso da barragem de Germano – mostrando que pouco foi concretamente resolvido no local em termos de segurança. Um segundo colapso afetaria ainda mais um rio já tomado pelos rejeitos de mineração.

    Mais de 260 famílias continuam sem local certo para a reconstrução de suas casa. Essas pessoas recebem um salário mínimo e uma cesta básica da Samarco, que prossegue com a estratégia assistencialista, fácil e barata para resolver a situação, já que pagar o mínimo é mais fácil que criar uma estrutura que dê condições para o trabalhador retornar seus sustento original e recuperar perdas físicas. Alguns moradores de Mariana culpam os atingidos pela situação econômica, que degringolou com o congelamento das atividades da Samarco, em uma clara inversão da ótica entre culpados e atingidos.

    Nos outros municípios ao longo do Rio Doce impera o medo de uma possível contaminação da água. Em Governador Valadares (MG), onde não há outra fonte de captação de água que não seja o Doce, quem tem recursos compra água mineral, e ninguém mais consome peixe. O mesmo se repete em outras cidades, que também temem a contaminação dos alimentos irrigados com a água do rio. Linhares, no Espírito Santo, que sofre com a seca, além de não poder inaugurar o novo sistema de captação de água do Rio Doce, está exaurindo a água de suas famosas lagoas – agora barradas para não sofrerem contaminação.

    Os Krenak conhecem há muito a maneira de negociar da Vale, já que a empresa possui uma linha férrea que passa no meio de sua Terra Indígena demarcada. A aldeia recebe água potável da Vale, pois se recusa a utilizar a água do Doce. A única alternativa de captação de água existente é o rio Eme, que está seco devido à estiagem e ao desmatamento. A seca piora a situação dos Krenak, dos pequenos agricultores e pecuaristas que dependem da irrigação para o cultivo. A dimensão do estrago causado por Samarco, Vale e BHP são ainda imensuráveis.

    Quanto aos governos, a única política conjunta existente é o acordo interfederativo entre governo estadual, federal e Samarco, assinado em 2 de março, que não ouviu os atingidos e prefeituras afetadas pelo derramamento da lama, e deixou toda a solução nas mãos da empresa. O “Acordão”, como é chamado, está sendo questionado pelo Ministério Público Federal e diversas instituições, inclusive o Greenpeace, divulgaram uma carta de repúdio ao acerto.

    Acabamos em Vitória, Espírito Santo, onde a pesca na foz do rio está proibida desde fevereiro em resposta à recomendação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Enquanto não se comprova o grau de contaminação da água, não há pesca. E mesmo que houvesse, como afirmam os pescadores, a população não consumiria.

    Enquanto isso, discussões como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65 são levantadas no Congresso com o objetivo de enfraquecer o Licenciamento Ambiental para grandes obras com impactos ambientais e sociais. Vale lembrar também do novo Código de Mineração, que busca desburocratizar o processo, passando por cima de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas. Tudo em nome do progresso e desenvolvimento.

    Os estudos selecionados pelo edital público do Rio de Gente em parceria com o Greenpeace foram bem recebidos por todos na região e chegam em um bom momento, uma vez que cada pesquisa pode ser uma chance de resposta para as questões do moradores e atingidos. O rompimento da barragem da Samarco já é um dos maiores desastres do século, e deve servir para que dirigentes percebam que o impacto ambiental sempre será um impacto social e econômico.

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    *Fabiana Alves é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

  • O canto dos guerreiros

    Postado por Vânia Alves* - 22 - jun - 2016 às 18:13

     

    Eram cinco e meia da manhã na aldeia Sawré Muybu. A lua cheia e as poucas estrelas que teimavam em se demorar no céu iluminavam o local quando começamos a ouvir um canto suave de vozes masculinas vindo do barracão onde funciona a escola da aldeia.

    As vozes foram aumentando de intensidade e se transformando num canto vigoroso, acompanhado de pisadas fortes que ajudavam a marcar o ritmo. Eram os jovens guerreiros Munduruku que comemoravam a instalação de 10 placas que sinalizam os limites de seu território. O trabalho está sendo feito com a ajuda de voluntários do Greenpeace.

    Munduruku demarcam seu território com apoio dos voluntários do Greenpeace (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    Até meados de julho, outras 40 serão instaladas. A Terra Indígena Sawré Muybu ocupa uma área de aproximadamente 178 mil quilômetros quadrados no município de Itaituba, no Estado do Pará. Chegar até seus limites é um trabalho duro, que muitas vezes inclui longas caminhadas por dentro da mata, viagens de barco, subir em árvores altas, atravessar igarapés com lama até a cintura, entre outros desafios. “A gente faz essa dança e esse canto para dar disposição para o dia. O objetivo é trazer alegria”, conta Emerson Saw Munduruku, guerreiro e professor.

    Chegar aos limites do território é um trabalho duro e inclui viagens de barco e subir em árvores (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    A colocação das placas faz parte de uma série de outras atividades importantes para a luta contra a construção de hidrelétricas no Tapajós que os ativistas do Greenpeace estão desenvolvendo com os Munduruku.

    Se construída, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós alagará cerca de 400 quilômetros quadrados de floresta e diversos lugares importantes - como lagoas, pedrais, ilhas e corredeiras - para a sobrevivência dos Munduruku e de outras populações tradicionais que habitam o vale do rio Tapajós.

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Vânia Alves é jornalista do Greenpeace Leia mais >

  • De mãe para mãe: que vida terão nossos filhos?

    Postado por Rosana Villar* - 22 - jun - 2016 às 13:22

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

    Me tornei mãe há quatro anos e aqui, na aldeia Sawré Muybu, tenho a oportunidade de entrar em contato com uma outra visão de maternidade, ao conviver com as mães e crianças Munduruku.

    Me encanta a organização social da comunidade, onde as crianças tem liberdade para ir, vir e brincar quando quiserem. Quem acha que isso as torna “incontroláveis” não poderia estar mais enganado. Elas se auto-organizam em uma sociedade própria, onde os maiores cuidam dos menores e todos zelam uns pelos outros. Cuidar do irmão menor não é uma obrigação, mas um prazer e é comum ver meninas de menos de dez anos carregando seus irmãos pela aldeia, brincando e nadando no igarapé. E todas ajudam nos afazeres da família.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Aqui não existem brinquedos. O que não é um problema, pois o mundo é a brincadeira.  As folhas, os frutos, pedaços de pau, sementes, tudo se transforma no imaginário dos pequenos.

    Os gafanhotos tornam-se pipas, amarrados por linhas. Preso a um pedaço de corda, o velho garrafão de água, cortado ao meio, vira carro, barco, avião e os menores são puxados pelos maiores a toda velocidade. As risadas das crianças são som constante na aldeia.

    Subir na árvore, pendurar-se de cabeça para baixo, e balançar é uma das brincadeiras preferidas. As vezes a árvore parece um “pé de criança”, de tantas que se juntam nos galhos para assistir ao futebol dos adultos. A partida dos homens e a das mulheres, clássicos do fim de tarde.

    quarta-feira, 22 de junho de 2016

    © ANDERSON BARBOSA/FRACTURES COLLECTIVE

     

    Há também as travessuras, comuns às crianças de todo o mundo. Os pequenos daqui gostam de pegar os “branquelos” de surpresa, com a mão cheia de Urucum, e pintar-lhes os rostos.

    E há a liberdade.

    Elas transitam pela aldeia e são respeitadas e protegidas por todos os adultos. Penso na minha filha, que ela não pode fazer isso. Em todos os riscos que ela corre na cidade, todas as violências a que ela está exposta e este medo é compartilhado com as mães Munduruku. Para elas, lutar contra a construção da barragem de São Luiz do Tapajós não trata-se de proteger sua própria vida, mas o futuro de seus filhos. De proteger a liberdade e segurança deles, como um rio que corre livre.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Outro dia conversava com Aldira Akai Munduruku, professora de língua materna da comunidade. Ela me disse que nasceu na aldeia, mas passou boa parte da infância em uma cidade próxima chamada Jacareacanga, onde a vida era muito difícil. Seus filhos nasceram em Sawré Muybu. Mas caso a barragem seja construída, eles terão que se mudar e sua aflição ao falar sobre o assunto era quase tangível, de tão instalada.

    “As vezes lá as coisas faltavam. Aqui, a terra dá tudo e dinheiro não é um problema”. Na aldeia, os índios trabalham a terra, pescam, caçam, coletam frutos e ervas. O dinheiro que corre, é pouco. Mas o resultado de tanto serviço prestado salta aos olhos: uma imensidão verde sem fim, é floresta que não se acaba mais.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Me desconcentrei por alguns segundos e lembrei de uma foto que ví uma vez, de um grupo de mulheres indígenas sentadas numa calçada de concreto e barro de Altamira, com suas crianças no colo. Algumas das milhares de vítimas dos deslocamentos e inundações provocados por Belo Monte.  Quantas vezes teremos que ver estas mesmas cenas? Quantas crianças ainda vão deixar de viver livres? Quantos rios?

    Sinto o medo de Aldira, de Margarete e de outras mães Mundurukus. Mas também sinto meu próprio medo, e o de Marias, Graças e Camilas e tantas mães, sobre o futuro de seus filhos. Que mundo vamos deixar para eles?

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Rosana Villar é jornalista do Greenpeace Leia mais >

  • Estamos todos conectados

    Postado por Oliver Salge* - 22 - jun - 2016 às 9:16

     

    Munduruku realizam a sinalização de seu território (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

    Na última segunda-feira cheguei a aldeia Sawré Muybu para me unir aos outros ativistas do Greenpeace na campanha para salvar o coração da Amazônia. É minha segunda vez aqui, mas agora há um sentimento diferente no ar, uma euforia que vem junto com a esperança de que o trabalho que estamos fazendo sirva para ampliar a voz dos Munduruku em sua luta contra a construção de uma grande hidrelétrica em seu Rio da Vida.

    Foram quase três anos de trabalho e alguns meses de preparação para chegarmos até aqui e agora, finalmente, podemos ver as coisas acontecerem. 

    Na manhã do meu segundo dia acompanhamos os Munduruku em uma atividade na mata. Eles estão instalando placas para sinalizar seu território, que eles mesmo demarcaram, cansados de esperar uma ação do governo. Cinco barcos repletos de guerreiros e famílias Munduruku seguiram até o local, por um imponente Rio Tapajós de águas esverdeadas.

    Para alguns pode ser só uma placa, mas para o povo Munduruku é muito mais que isso. Simboliza o início de uma nova fase de sua longa luta, mas em um nível totalmente diferente. 

    Ontem trabalhava sozinho tarde da noite, no escritório de palha construído para receber ativistas e jornalistas na aldeia,  quando três adolescentes Munduruku chegaram ao barracão e começaram a olhar curiosos um quadro, onde colamos as imagens das ações que realizamos na Alemanha e na Holanda, em que utilizamos um banner que eles pintaram com suas mãos há mais ou menos oito semanas (e que está agora com a Siemens, em Munique). Expliquei para elas o que havia acontecido, que a Sandra, uma campaigner do Greenpeace Alemanha, falou com o chefe do Siemens sobre Tapajós e sobre a luta deles contra a usina e pediu para a empresa não se envolver no projeto. 

    Munduruku preparam faixa para protesto contra hidrelétricas (© Rogério Assis/Greenpeace)

    Os três adolescentes estavam felizes. Talvez começando a compreender que todo o trabalho é conectado e que muitas pessoas do Greenpeace pelo mundo estão trabalhando para ‎apoia-los e para proteger a Amazônia

    Parece que a ficha caiu, vi um sorriso nas rostos deles, e sinto fluir nas minhas veias a energia para continuar nosso trabalho aqui, juntos.

    Foi um momento importante para mim. É em horas como essas que vemos que todo o trabalho valeu a pena. Tem tanta gente que pode fazer o bem, e nós podemos usar nosso tamanho e influência para divulgar uma historia tão importante quanto esta. Pois não viemos aqui para fazer o trabalho, viemos para apoiar a luta dos Munduruku, e isso me deixa muito feliz. 

    Acho que em alguns anos vamos olhar para esse momento com um sorriso no rosto, contando muitas histórias, de quando começamos nossa jornada aqui.

    *Oliver Salge é da Campanha da Amazônia do Greenpeace Leia mais >

  • Protegendo a Amazônia: lado a lado com os Munduruku na luta por seu território

    Postado por Danicley de Aguiar* - 15 - jun - 2016 às 12:10 1 comentário


    Liderancas do povo Munduruku instalam a primeira de 50 placas nos limites da Terra Indigena Sawre Muybu, sinalizando o territorio que eles autodemarcaram. Os Munduruku pedem a demarcacao definitiva de sua terra. (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

    Hoje foi um dia especial na aldeia Sawré Muybu. Lideranças Munduruku instalaram as primeiras placas nas fronteiras do seu território tradicional para sinalizar que ali é território do povo Munduruku. As placas são semelhantes às utilizadas pelo governo brasileiro na demarcação oficial de terras indígenas.

    A ação consolida a iniciativa de autodemarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, localizada no município de Itaituba, no Pará, que aconteceu entre 2014 e 2015 com o apoio de diversos grupos aliados. Essa será a primeira de diversas atividades que se somarão à luta histórica desse povo na defesa de seu território e na proteção do rio Tapajos, no coração da Amazônia.

    Durante as últimas semanas, estivemos na Terra Indígena Sawré Muybu trabalhando junto com os Munduruku na preparação da aldeia para receber ativistas de diversas partes do mundo e lideranças indígenas do Tapajós. O objetivo é chamar a atenção global para os riscos que a construção de hidrelétricas no rio Tapajós oferece à floresta e seus povos.

    Estamos ao lado do povo Munduruku para impedir a construção da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós. Se realizada, a barragem poderá alagar pelo menos 400 km² de floresta e uma série de outros lugares importantes para a sobrevivência deste povo e de outras populações tradicionais que habitam o vale do rio Tapajós – como lagoas sazonais e perenes, pedrais, ilhas e corredeiras. No dia a dia com os Munduruku, é possível compreender por que eles resistem tão bravamente aos planos do governo brasileiro em barrar seu rio: ele é vital para a sua vida e sua cultura. Dele depende sua própria existência.

    • Confira a galeria de fotos da atividade:

    Demarcação de terra indígena Munduruku no coração da Amazônia 

    Por isso vamos juntos andar nos limites do território Munduruku espalhando as placas e, com elas, os sinais de que um outro caminho é possível. E, neste caminho, buscamos apoio de todos aqueles que acreditam em um mundo mais justo, no qual a Amazônia e seus povos tenham seus direitos respeitados e colocados acima de qualquer interesse. Os direitos têm de prevalecer sobre os interesses econômicos, que por tanto tempo têm marcado a política de construção de grandes hidrelétricas na Amazônia.

    Atualmente, o licenciamento da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós está suspenso pelo Ibama e o processo de demarcação da Sawré Muybu finalmente foi retomado pela Funai. Com este esforço, queremos que a terra indígena seja oficialmente reconhecida pelo governo e que a barragem seja cancelada de uma vez por todas.

    Por isso, convidamos todas as pessoas, de diferentes lugares do mundo, a se mobilizar em apoio a essa luta, pressionando o governo brasileiro e as empresas que insistem nos planos de barrar um dos últimos rios livres da Amazônia.

    Você pode se juntar aos Munduruku, a nós e a todas essas pessoas para manter o Tapajós vivo e livre e salvar o coração da Amazônia!

    Leia mais >

    *Danicley de Aguiar é ativista da Campanha Amazônia do Greenpeace

  • Energias renováveis tiveram, em 2015, um ano recorde de investimentos

    Postado por therrero - 3 - jun - 2016 às 19:04

    Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2016 mostra que o mercado de renováveis, como solar e eólica, está crescendo e ganhando importância no mundo todo

    Instalação de placas fotovoltaicas em escola municipal de Uberlândia (MG) (©Otávio Almeida/Greenpeace)

    O ano de 2015 foi marcante para o setor de energias renováveis. Novas instalações e o aumento da capacidade de geração bateram números recordes, levando a um índice de 147 gigawatts (GW) adicionados até dezembro.  Os investimentos na área também foram históricos: 286 mil milhões de dólares em eletricidade e combustíveis de origem renovável.

    Os dados são do Relatório da Situação Global das Energias Renováveis 2016, lançado pela RN21. O documento traz uma visão abrangente das tendências nos mercados, indústrias, investimentos e desenvolvimentos políticos no setor de energias renováveis em todo o mundo.

    O ano passado foi o segundo consecutivo em que energia solar e eólica, por exemplo, tiveram recordes de adição de capacidade de geração. Entre todos os países do planeta, 77% das novas instalações de fontes renováveis foram para gerar energia a partir do vento e da luz do sol.

    Em valores globais, a energia solar foi a campeã em investimentos, com 56% do total de verba investida em renováveis – ou, cerca de 161 bilhões de dólares. Esse montante é 12% maior do que o registrado em 2014.

    Empregos verdes

    Segundo o relatório, as fontes limpas de geração de energia – e o aquecimento desse setor – foram responsáveis por 8 milhões de empregos diretos e indiretos no ano passado. A fonte solar fotovoltaica e os biocombustíveis geraram o maior número de vagas no mercado de trabalho: 2,8 milhões e 1,7 milhão respectivamente.

    O Brasil, junto a China, Estados Unidos e Índia, figurou no ranking dos países que mais geraram empregos relacionados ao setor de renováveis. E essa já é uma tendência esperada. Em maio deste ano, o Greenpeace Brasil lançou um estudo que mostrou o potencial que a energia solar tem para a geração de empregos e a movimentação da economia brasileira. Se todos os incentivos possíveis a essa fonte forem incentivados, teríamos quase 4 milhões de vagas de trabalho ligadas ao setor de energia solar.

    Barrando o aquecimento global

    Como o relatório destaca, hoje, o mundo está adicionando mais capacidade de energia vinda de fontes limpas e renováveis do que o volume adicionado vindo de fontes fósseis. No final de 2015, as energias renováveis supriam 24% da demanda mundial. É um valor considerável quando olhamos a evolução nos últimos anos, mas precisamos de muito mais que isso.

    De acordo com compromissos firmados por 176 países na 21a Conferência do Clima, em dezembro de 2015, e segundo o que foi assinado no Acordo de Paris, o mundo precisa investir pesadamente em fontes limpas de energia nos próximos anos. E, assim, abandonar logo as fontes fósseis e poluentes. Essa é a forma que termos para barrarmos o aquecimento global e evitarmos os riscos das mudanças climáticas. 

    O Relatório da RN21 aponta que as renováveis estão ganhando espaço, mas precisamos nos focar nesse caminho e gerar cada vez mais energia sem que isso signifique poluição e gases de efeito estufa. O Greenpeace Brasil acredita e defende que podemos chegar a 100% de energias renováveis em todo o mundo até 2050. Queremos Renováveis Já! Leia mais >

  • Ajude-nos a solarizar o Brasil!

    Postado por icrepald - 31 - mai - 2016 às 12:14 1 comentário

    terça-feira, 31 de maio de 2016

    Por meio de um financiamento coletivo, vamos levar energia solar para mais duas entidades beneficentes!

    A nossa campanha de energia solar tem um grande desafio para os próximos anos: chegar a 2020 com um milhão de telhados solares no Brasil. Para esse sonho se tornar realidade, precisamos nos unir e trabalhar junto ao governo e à população para incentivar o conhecimento e uso da energia fotovoltaica. O Brasil é um dos países com maior incidência de luz do sol. Então, devemos aproveitar para disseminar essa fonte de energia limpa e 100% renovável!

    Pensando nisso, lançamos uma nova campanha na plataforma online Catarse que visa levar a energia fotovoltaica a duas instituições de caridade: a Casa Santa Gemma, localizada na cidade de Uberlândia (MG) e o Abrigo Paulo de Tarso, da cidade de Nazaré (BA).

    Essas instituições não foram escolhidas por acaso. Ambas fizeram parte do jogo Solariza, no qual internautas votavam em uma entidade beneficente para ganhar um sistema de energia fotovoltaica.  A Casa Santa Gemma ficou em segundo lugar e o abrigo Paulo de Tarso, em terceiro.

    Como acreditamos na importância de levar a energia solar para essas entidades, criamos a campanha “Energia Solar para todo o Brasil” e lançamos um financiamento coletivo como forma de levantar o dinheiro necessário para a instalação de placas solares em suas sedes.

    Em março, lançamos a primeira etapa do financiamento coletivo, mas infelizmente não alcançamos a meta. Agora, estamos somando ainda mais esforços para chegarmos ao objetivo final:começar a grande revolução energética para levar a energia solar de norte a sul do Brasil!

    Leia mais >

     Participe

  • Governo tem em mãos o documento para enviar ao Congresso e, assim, dar entrada na ratificação do acordo que irá diminuir as ameaças das mudanças climáticas

    Marcha Mundial pelo Clima, em São Paulo, dias antes do início da COP 21. A população foi às ruas pedir um acordo que garantisse um futuro seguro para todos nós. ( ©Zé Gabriel /Greenpeace) Leia mais >

    O Brasil está perto a dar um passo importante rumo à ratificação do Acordo de Paris, que regulamentará medidas de combate às mudanças climáticas. Está nas mãos da presidente Dilma Rousseff o início do processo que fará do acordo uma lei nacional, enviando-o para o Congresso Nacional.

    Esse acordo é resultado da Conferência do Clima, que aconteceu na França, em dezembro do ano passado. Mais de 190 chefes de estado de todo o mundo o assinaram em abril, em uma reunião das Nações Unidas. Agora, esses representantes de governo estão diante da responsabilidade de ratificá-los. Ou seja, de torná-los lei em suas nações.

    Segundo texto do Observatório do Clima, aqui no Brasil os documentos do Acordo de Paris foram preparados pelos ministérios do Meio Ambiente, das Relações Exteriores e da Ciência e Tecnologia e encaminhados à presidente Dilma Rousseff. Agora, cabe a ela enviá-los ao Congresso, onde o acordo irá tramitar em comissões especiais da Câmara e do Senado até ser votado como decreto legislativo. Em seguida, vai à sanção presidencial e é depositado formalmente na Convenção do Clima das Nações Unidas. Neste momento, o Brasil terá ratificado o acordo.

    A aprovação do governo brasileiro é essencial para o tratado climático entrar em vigor em todo o mundo ainda em 2016. Afinal, para isso, é preciso que o mesmo aconteça em pelo menos 55 países, que juntos representem 55% das emissões do planeta.

    O Acordo de Paris traz pontos importantes, como estabelecer o objetivo de não permitirmos um aquecimento superior à 1,5 graus Celsius. Também diz que devemos neutralizar as emissões dos gases que provocam o efeito estufa entre os anos de 2050 e 2100.

    O Brasil é o sexto maior emissor do planeta. E as duas principais causas para esse lugar no ranking são o desmatamento de florestas e nossa matriz energética – nos últimos anos, aumentou consideravelmente a porcentagem de térmicas a combustíveis fósseis, como carvão e gás natural, funcionando por aqui.

    “O Acordo de Paris é importantíssimo para barramos as mudanças climáticas. Transformá-lo em lei é um passo fundamental para que o governo firme, de uma vez por todas, o compromisso com um futuro mais seguro para todos nós”, diz Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. 

    “Se o governo está realmente comprometido em reduzir as emissões de gases que agravam o efeito estufa e tornar o acordo realidade, precisa aprovar logo a lei do Desmatamento Zero. E deve também parar de investir em energias sujas. Sabemos do grande potencial que o país tem para gerar energia limpa e renovável, com a solar e a eólica”, completa.

  • O Greenpeace e os ursos polares

    Postado por Asensio Rodrigues - 7 - mai - 2016 às 15:10 1 comentário

     

    Há mais de 40 anos, o Greenpeace vem lutando em todo o mundo, de forma independente, pela proteção do meio ambiente. No Brasil atuamos há 24 anos com importantes vitórias nas áreas de proteção à floresta, estímulo a fontes limpas e renováveis de energia e melhoria da qualidade de vida em nossas cidades. Uma parte disso pode ser vista no vídeo acima. Globalmente, entre as muitas vitórias que obtivemos em conjunto com nossos apoiadores e parceiros está a proibição à caça de baleias, decidida em 1986.

    Paul Watson, um dos primeiros membros do Greenpeace, recentemente escreveu um texto em sua página no Facebook com uma série de ataques injustos contra nós, acusando-nos de apoiar a caça esportiva e comercial de ursos polares.

    Vamos direto ao ponto: o Greenpeace não apoia e jamais apoiou a caça esportiva e comercial de ursos polares.

    Esta acusação é falsa, mas foi reproduzida por um website brasileiro que não nos procurou em momento nenhum para ouvir o nosso lado antes de publicar a história. Infelizmente, induzidas pelo texto com as falsas acusações de Paul Watson, muitas pessoas que se preocupam de forma justa com a preservação da vida animal estão questionando o trabalho sério que fazemos em favor do meio ambiente e até adotando atitudes extremamente agressivas contra o Greenpeace nas redes sociais.

    Uma busca no website do Greenpeace e em outros materiais institucionais mostra que jamais apoiamos a caça esportiva e comercial de ursos polares. É importante ter isto como referência antes de reproduzir as acusações de Paul Watson.

    O fato de ele ter sido uma das pessoas que esteve no Greenpeace desde os primeiros dias é usado como uma espécie de credencial para aumentar a credibilidade do que diz. Mas não deveria. Especialmente porque Paul Watson já saiu da liderança do Greenpeace há muitos anos, mais precisamente em 1977. Detalhes sobre esta história podem ser encontrados aqui. De nossa parte, respeitamos o seu passado, mas não podemos concordar com suas práticas atuais.

    No Greenpeace enfrentamos a todo momento muitos desafios para defender o ambiente e a vida. Lutamos diariamente com afinco e dedicação para manter nossa independência, que só é possível com o apoio direto das pessoas. Histórias falsas como esta são muito prejudiciais para os nossos esforços, mas acreditamos que o bom senso vai prevalecer.

    Estamos abertos para seguir conversando sobre isso. Qualquer dúvida que tiverem podem mandar diretamente para mim no email .

    Obrigado!

    Asensio Rodrigues
    Diretor Executivo
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