Greenblog


Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • O óleo que ninguém vê

    Postado por lmarques - 28 jul 2010 às 17:35

    Recebemos muitos e-mails de nossos colaboradores e do público em geral com questões sobre o vazamento do Golfo do México. Por mais que tenhamos notícias em nosso site e blog e nos sites internacionais, é nítida a impressão de que as respostas deixam espaço para dúvida.

    O ativista brasileiro João Talocchi esteve à frente dos trabalhos da equipe do Greenpeace no Golfo do México durante o vazamento de óleo. Por isso, consideramos uma ótima oportunidade ouvir dele sobre a atuação da organização no local.

    Em uma entrevista realizada dia 22 de julho, João revela os bastidores do maior desastre ambiental da história dos Estados Unidos. Vamos a ela:


    Qual tem sido a atuação do Greenpeace frente ao vazamento de óleo no Golfo do México?

    Desde a semana do acidente, no dia 21 de abril, o Greenpeace USA está no local.  Levamos conosco especialistas que lidaram com o vazamento da Exxon Valdez (Alasca, 1989) que entendem dos impactos do óleo. Atraímos mídia para os lugares onde ninguém ia, pois nem a BP, nem o governo americano, querem que as pessoas vejam o impacto real do óleo. Também organizamos protestos no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, ativistas foram presos ao pedir o fim da exploração de petróleo no Ártico. Na Bélgica, ativistas com óleo no corpo recepcionaram 18 representantes das maiores empresas petrolíferas com comissários da União Européia. A intenção é trabalharmos fortemente pelo fim deste tipo de exploração ao redor do mundo.

    Vocês encontraram resistência para investigar a área?

    A área do vazamento está fechada. Nenhum barco não-oficial pode chegar próximo, a um raio de dez quilômetros. O sobrevôo também é limitado. É difícil fotografar ou filmar o que esta acontecendo por água ou por ar. Em terra, devemos ficar a uma distância de 20 metros das barreiras de proteção, ou de onde os barcos da BP trabalham. Não conseguimos nos aproximar para ver as aves ou tartarugas que morrem e se acumulam perto das barreiras de proteção.Também é difícil ver o óleo perto da costa pelo excesso do dispersante Corexit, um produto químico fortíssimo usado para quebrar em pequenas partes as partículas do óleo. A mistura do óleo com o dispersante pode ser mais tóxica do que os dois produtos isoladamente, só que ninguém tem dados sobre isso. A impressão é de que existe muita coisa escondida.

    Como está a situação agora no Golfo do México?

    Não há mais óleo vazando da saída principal, o poço está fechado para testes. Se eles indicarem que a pressão continua alta, quer dizer que todo o óleo esta tentando sair pelo cano principal. Mas, se a pressão estiver baixa, significa que a saída fechou e o óleo esta escapando para outros lugares. Isto é um problema, pois fica difícil a identificação de onde pode estar o vazamento.

    Já existem conclusões dos danos que o vazamento causa ao local?

    O óleo impacta a zona costeira, as aves e, principalmente, a base da cadeia alimentar marinha, muito sensível a qualquer nível de toxidade. Com isso, você pode perder toda uma geração de peixes, por exemplo. Impacta também a economia, pois a maior parte dos frutos do mar consumido nos EUA vem desta região. Além disso, tem consequências para o turismo. Vários hotéis estão vazios. É verão e tempo de férias escolares nos EUA, as cidades costeiras deveriam estar cheias de gente aproveitando as praias.

    Vazamentos de petróleo em estações marítimas de perfuração são comuns?  

    Vazamentos ocorrem anualmente em diversas partes do mundo. Em 2001, aconteceu no Brasil, na Baía de Guanabara. Temos de considerar também vazamentos de óleo de navios, refinarias, tanques de armazenamento e motores de barco, que boa parte das vezes passam despercebidos. Acumulados, somam uma grande quantidade de litros de óleo no mar.  

    Este tipo de desastre pode acontecer na extração do petróleo do pré-sal brasileiro?

    Em todo tipo de perfuração de petróleo onde se força os limites da tecnologia há risco. No pré-sal, em maior profundidade, mais pressão e acesso mais complicado, se houver um acidente, a mitigação seria ainda mais complicada e o impacto, gigantesco. É como uma usina nuclear: você só precisa de um vazamento para gerar uma catástrofe.

    Quais serão os próximos passos do Greenpeace?

    O navio Arctic Sunrise está chegando ao Golfo do México para tentar contar as histórias que estão sendo omitidas. Ele leva cientistas para investigarem como está o fundo do mar após o desastre.

    Desde a data desta entrevista tivemos outros protestos. Na Nova Zelândia, ativistas sujos de óleo trouxeram o alerta de que o petróleo é ume energia suja e, em Londres, o Greenpeace fechou 50 postos de gasolina da BP.  Leia mais >

  • Congo: floresta ameaçada

    Postado por Edu Santaela - 28 jul 2010 às 13:40

    O Greenpeace na França acaba de produzir uma série de sete vídeos sobre extração ilegal de madeira no Congo. Nos episódios, a atriz francesa Marion Cotillard visita vilarejos no país africano em uma investigação sobre a cadeia de destruição das florestas da região. 

    No primeiro dos sete episódios, Marion chega à cidade de Oshwe acompanhada de Gregoire Lejonc, do Greenpeace. Lá descobrem os perigos que ameaçam as florestas antigas. No segundo episódio, Marion revela as dificuldades e as conseqüências de um país com uma governança precária. 

    A República Democrática do Congo possui a segunda maior floresta tropical do mundo, superada apenas pela Amazônia. Mais de 60% da população do Congo depende diretamente ou indiretamente das florestas do país para subsistência. 

    O Greenpeace acredita que é essencial manter intactas as florestas nativas. A proteção beneficia o ambiente e o povo congolês, através de fundos internacionais que pagam para evitar a destruição das matas.

    Novos episódios serão colocados no ar semanalmente. Confira os dois primeiros: Leia mais >

  • Isso não é normal...

    Postado por bcamara - 28 jul 2010 às 12:40


    ©Greenpeace

    Rios virando asfalto, morro virando moradia, floresta virando pasto. Num ritmo alucinante, esse é o caminho que o Brasil vem seguindo décadas a fio. O equilíbrio se foi. E as mudanças climáticas já batem à porta. Muita gente ainda ignora, mas é fato que alguma coisa está fora da ordem mundial. Enquanto cidades ficam debaixo d’água, os rios secam. Os alimentos são envenedados por toneladas de agrotóxicos e o ar está mais poluído do que nunca.

    Para dar uma pequena medida da bagunça, o jornal Estado de S. Paulo criou o site “Isso não é normal”. Pegou uma cidade – São Paulo –, um estado – Santa Catarina – e uma região – Nordeste – para mostrar o que anda de errado por ali. O raio-x paulistano e catarinense já estão no ar, e o nordestino será publicado em agosto.

    Inúmeros vídeos, reportagens, entrevistas e mapas interativos trazem informações que estão a olho nu, mas que são constantemente ignoradas. Os habitantes de Sampa, por exemplo, perdem, em média, um ano e meio de vida por causa do ar sujo que respiram. E é o próprio poder público quem dá o pontapé na desordem: a Câmara dos Vereadores, por exemplo, foi construída bem em cima do Rio Bexiga.

    Local onde foi registrado o primeiro furacão do Brasil, Santa Catarina também padece com eventos climáticos extremos. Enquanto o mar ensaia seu avanço pelo litoral, no interior, a seca já dá sinais de chegada. O estado é o quinto maior produtor de alimentos do país, mas a própria agricultura já sofre com estiagem, alagamentos e tornados. Como resposta a isso, Santa Catarina, em vez de baixar a cabeça para as leis ambientais, resolveu afrouxá-la ainda mais.

    Em tempos de PACs, petróleo e desmatamento, as anomalias devem continuar sem hora para acabar. Você já parou para pensar nisso? Leia mais >

  • O mico do pré-sal

    Postado por jtinoco - 28 jul 2010 às 11:31

    A entrevista de Haroldo Lima, diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), para o jornal O Globo nesta terça deixou muita gente de cabelo em pé. Lima afirma que o Brasil tem mais experiência em segurança de exploração de petróleo em alto-mar do que europeus.

    Em sua coluna de hoje, a jornalista Miriam Leitão lembra que a tecnologia de exploração é compartilhada mundialmente por diferentes empresas petrolíferas. Portanto, a chance de termos grandes dificuldades em conter eventuais acidentes é a mesma de empresas internacionais.

    Estas chances aumentam ainda mais se considerarmos que o plano brasileiro de contingência para exploração e produção de petróleo, previsto na lei 9.966 de 2000, sairá do papel com dez anos de atraso, mais pela urgência do tema, do que pelo tempo de preparo.  

    A maior pérola da entrevista, no entanto, é quando o diretor-geral da ANP parece descobrir a roda ao admitir que energias alternativas podem tornar dispensável o petróleo que temos aqui.  Segundo Lima, “temos que nos adiantar para evitar ficar com este mico”.

    Este é o real motivo por estarmos indo na contramão do mundo ao investir na exploração de uma fonte suja, incerta e perigosa, ao invés de aproveitar o enorme potencial de energias renováveis, o verdadeiro bilhete premiado do Brasil.

    Leia mais >

  • Desenvolvimento para quem?

    Postado por bcamara - 26 jul 2010 às 13:33

    Na encruzilhada de argumentos pela derrubada do Código Florestal, os ruralistas repetem exaustivamente a palavra desenvolvimento. Segundo eles, o agronegócio brasileiro é um dos principais responsáveis por o país ter subido as escadas do progresso nas últimas décadas, estar esbanjando no PIB e ter alcançado o topo dos rankings de exportação e produção mundiais. Apesar de essa turma adorar dizer que suas propostas são para os pequenos, estes não sentiram nem a brisa do progresso.

    Não é novidade. Mas na última sexta-feira, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) soltou novos números que corroboram o caminho que o Brasil está percorrendo. Segundo os dados, caso a desigualdade nacional fosse considerada na medição do Índice de Desenvolvimento Humano, o país perderia de cara 19% no IDH.

    É a primeira vez que o PNUD usa essa metodologia para regiões inteiras, levando em conta os abismos na renda, escolaridade e saúde da população. Na última divulgação do ranking de IDH, o Brasil ficou em 75º lugar. Comparado a outros países da América Latina, ele só barra o Equador e o Haiti.

    Com números assim, fica difícil enxergar tanto desenvolvimento bradado pelos ruralistas. Talvez eles estejam se referindo às suas próprias fazendas. Leia mais >

  • E se fosse aqui?

    Postado por bcamara - 26 jul 2010 às 12:51

    Após três meses e aproximadamente 10 milhões de litros de óleo espalhados a cada dia pelo Golfo do México, ninguém sabe ainda o tamanho do prejuízo causado pela British Petroleum. O tamanho da mancha, no entanto, está a olhos nus. No site If it was my home, a mancha pode ser “arrastada” por um mapa do mundo inteiro. Colocando-a bem em cima do Rio de Janeiro, por exemplo, dá para ver que o estado estaria transbordando óleo. Par fazer o teste, clique aqui. Leia mais >

  • Buva no dos outros é glifosato

    Postado por jtinoco - 26 jul 2010 às 11:57

    Agricultores brasileiros, tremei: ervas-daninhas contra-atacam! Graças ao uso excessivo do glifosato, herbicida da Monsanto, as lavouras transgênicas estão empesteadas de super-pragas, resistentes aos químicos letais. O problema, que começou nos Estados Unidos, já atinge 10,5% da área de plantação de soja, milho e algodão no Brasil.

    Entre as principais super-pragas estão a buva, o azevém, o capim amargoso e o leiteiro. O pesquisador Stephen Powles, especialista no assuntou, conversou com o jornal Zero Hora. Além do Paraná e do Rio Grande do Sul, estados mais afetados, Powles acredita que, em breve, o glifosato espalhará seus monstros para cima de lavouras no Mato Grosso, Goiás e Bahia.

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  • Ao infinito, profundo e além

    Postado por jtinoco - 23 jul 2010 às 15:49

    Vejam o mapa abaixo. Ele mostra o Golfo do México, local onde ocorreu o vazamento com a plataforma de petróleo Deepwater Horizon, há três meses (o exato ponto está representado pela estrela dourada).

    Os quadrados vermelhos revelam todas as plataformas de óleo e gás que estão sendo exploradas no momento por lá.

    Os pontos azuis e roxos, os primeiros águas profundas (até 3.500 metros), os segundos, águas profundíssimas (mais de 3.500 metros), mostram as plataformas já arrendadas para serem exploradas em breve.

    Assustador, não?


    O mapa foi gerado pelo Instituto de Recursos Mundiais, com dados do Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos, de Parques Nacionais e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

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  • Lixo amontoado, bumbum turbinado

    Postado por bcamara - 23 jul 2010 às 14:32



    Se nossas cabeças crescessem de acordo com o uso que fazemos de eletroeletrônicos, se nossas mãos inchassem a cada lâmpada que deixamos acesa e se nossas nádegas ganhassem volume com o lixo que produzimos, seríamos como um quadro de Tarsila do Amaral e deixaríamos qualquer mulher melancia no chinelo.

    No site Changing Habbits (Mudando Hábitos), essa é uma divertida forma de medir sua pegada ambiental. Funciona assim: você se cadastra, responde um breve questionário sobre seus hábitos e, no fim, vê quão deformadas estão suas escolhas. Cada parte do corpo corresponde a um aspecto da sua vida. Se você nunca deixa o carro na garagem e sua bicicleta já está encostada há séculos, por exemplo, seus pés ficam enormes. E assim por diante.

    Para ver a “cara” do seu consumismo, clique aqui. Leia mais >

  • BP: bilhões perdidos

    Postado por bcamara - 23 jul 2010 às 14:23

    A British Petroleum preferiu arriscar, e não mexeu no bolso para tomar medidas de prevenção de acidentes como o que ocorreu no Golfo do México. Agora, tem que pagar a conta. A facada é estimada em bilhões, que a empresa poderia usar de muitos, muitos outros modos. O site Visual Economics botou na ponta do lápis algumas coisinhas com que a BP poderia gastar essa bolada.

    Eis alguns itens da lista: doar uma casa nova a cada um dos 275 mil desabrigados pelo furacão Katrina; oferecer, por dez anos, água potável para 884 milhões de pessoas no mundo que não têm acesso a esse bem; três camisinhas para cada adolescente dos Estados Unidos; comprar uma ilha nas Bahamas. E por aí vai... Você tem alguma sugestão de como essa grana poderia ser melhor investida? Leia mais >

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