Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Participe do Dia Internacional da Biodiversidade

    Postado por Juliana Costa - 21 - mai - 2013 às 14:25

    Nesta quarta-feira, dia 22 de maio, comemoramos o Dia Internacional da Biodiversidade. E convidamos você para participar junto com a gente da mobilização online que faremos amanhã. Assim, você pode contribuir com a proteção da Amazônia, floresta tropical que possui a maior diversidade de espécies do planeta.

    Quer saber como participar?

    1. Assine a petição pela lei do Desmatamento Zero: www.ligadasflorestas.org.br
    2. Compartilhe esse link no Facebook e convide seus amigos para assinarem também
    3. Mande uma mensagem no Twitter com a hashtag #DiadaBiodiversidade e o link http://bit.ly/10JMi11
    4. Imprima a petição pelo Desmatamento Zero e colete assinaturas no seu trabalho, escola, família e depois nos envie. Para baixar, acesse aqui: http://bit.ly/10MmVjt
    5. Seguindo esses 4 passos você se tornará um herói do #DiadaBiodiversidade. E veja quem tem um obrigado especial a você. 

    Quer saber porque é importante sua participação?

    Em nenhum outro lugar do globo existem mais espécies de animais e plantas do que na floresta amazônica, que tem 60% do seu total localizado dentro do território nacional. Mas nós, brasileiros, só temos uma pequena ideia dessa exuberância viva – apenas 10% de todas as formas de vida que a Amazônia abriga já foram estudadas e catalogadas.

    No Brasil, já perdemos 18% de toda essa biodiversidade. Temos hoje 627 espécies animais ameaçadas de extinção, como o Mico-leão-de-cara-preta, o Peixe-boi-da-Amazônia e a Arara-azul-de-lear. Não podemos deixar que a floresta morra. É nosso dever, como cidadãos e herdeiros dessa riqueza, cuidar dela com carinho e respeito.

    Junte-se a nós e colabore para continuarmos com a campanha pelo Desmatamento Zero. Nós preparamos um material para você nos ajudar a divulgar:

     

    Formato: Quadrado Pequeno (200 x 200)


     

     
    Formato: Quadrado (250 x 250)


     


    Formato: Arranha-céu (120 x 600) 


     


    Formato: Arranha-céu (160 x 600) 


     


    Formato: Banner (468 x 58) 


     


    Formato: Cabeçalho (728 x 90)


     

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  • Tendência de desmatamento cresce, diz Imazon

    Postado por Nathália Clark - 21 - mai - 2013 às 12:35

    Desmatamento para plantio de soja ao longo da rodovia BR-163, no Pará, um dos estados que mais degradam a floresta (© Daniel Beltrá / Greenpeace).

     

    É sabido que a presença de nuvens compromete a detecção do desmatamento e da degradação florestal pelos satélites de monitoramento, tanto do governo quanto não governamentais. Mas neste último mês de abril, mesmo com metade (55%) da área da Amazônia Legal cobert por nuvensa, o SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento), do Imazon, detectou tendência de aumento do desmatamento de 84% em relação a abril de 2012, e um aumento de 88% no acumulado entre agosto de 2012 e abril de 2013 com relação ao mesmo período do ano anterior.

    Os Estados que mais tiveram cobertura de nuvem em abril foram Roraima (90%), Amapá (77%) e Pará (75%), sendo este último um dos mais desmatadores. Mesmo assim, o SAD conseguiu detectar 140 quilômetros quadrados de desmatamento na região da Amazônia Legal, contra 76 quilômetros quadrados detectados no mês de abril do ano passado.

    Já a degradação florestal acumulada entre agosto de 2012 e abril de 2013 totalizou 1.570 quilômetros quadrados, contra os 836 quilômetros quadrados do período anterior (agosto de 2011 a abril de 2012). Em abril de 2013, a maioria (73%) do desmatamento ocorreu no Mato Grosso, seguido por Rondônia (19%), Amazonas (6%), Pará (1%) e Roraima (1%).

    Em termos de emissões de gases do efeito estufa, os números de abril de 2013 significam um total de 2,5 milhões de toneladas de CO² equivalente lançadas na atmosfera. No acumulado do período, as emissões comprometidas com o desmatamento chegam a 88 milhões de toneladas de CO², o que representa um aumento de 55% em relação ao período anterior.

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  • "Los cocineros" solares

    Postado por Gabriele Fernandes da Costa* - 20 - mai - 2013 às 18:40

    Durante quinto encontro neste sábado, dia 18, o Juventude Solar teve workshop de fogões solares (©Mariana Stolze/Greenpeace)

     

    Neste sábado, tivemos o quinto encontro do Juventude Solar no Centro Comunitário Lídia dos Santos, no Morro dos Macacos. Foi um dia muito divertido e de muito aprendizado. Depois de termos construído lanternas solares, estávamos ansiosos para saber qual seria o conteúdo deste encontro. O que mais poderíamos construir para aproveitar a energia do sol? Logo descobrimos que seriam fogões solares.

    Iniciamos a manhã com uma dinâmica muito interativa. A ideia era nos aquecermos para começarmos empolgados a confecção dos fogões. Fomos divididos em três grupos, cortamos, colamos, tiramos medidas, tudo isso sem deixar de brincar. O espírito competitivo aflorou e inventamos nomes e músicas para os nossos times, um deles se chamava “Los cocineros”.

    A única timidez que se fez presente no sábado foi do astro-rei maior. Pois é, o único que não quis aparecer foi o sol e não conseguimos testar os fogões solares na prática. Mas o encontro não terminou desanimado, a satisfação de participar do Juventude Solar e de ver o resultado de um processo é enorme e basta para que a gente saia contente do Centro Comunitário. Com certeza, foi mais um dia de enorme aprendizado.

    Esse foi mais um encontro no qual conseguimos colocar a mão na massa e ver os benefícios da energia solar na prática. Agora é esperar o próximo final de semana com ansiedade para aprender ainda mais sobre energia solar. Espero que vocês também estejam ansiosos!

    *Gabriele Fernandes da Costa é uma das jovens que participa do Juventude Solar Leia mais >

  • Nossos jovens, nosso futuro

    Postado por Alan Azevedo - 20 - mai - 2013 às 15:47 1 comentário

    Anna Marcondes Faria, presidente do Centro Comunitário Lídia dos Santos, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro (©Otávio Almeida/Greenpeace)

     

    Tem quem acredite no trabalho de formiga, que de pouco em pouco consegue grandes transformações. Seguindo esta filosofia, Anna Marcondes Faria, de 76 anos, desenvolveu projetos sociais ao longo de anos para melhorar a qualidade de vida dos moradores da comunidade de Vila Isabel, no Morro dos Macacos, Rio de Janeiro.

    A história de Anna com a comunidade começou em 1958, ano em que se instalou em Vila Isabel com sua família. Ao perceber a situação precária do local, como a falta de luz e água, básicos para a vida, Anna se mobilizou integralmente em prol da comunidade e, a partir de um trabalho da Assossiação de Moradores do bairro, ela planejou e instalou o Centro Comunitário Lídia dos Santos

    Com o propósito de dar apoio à deficiência educacional aos jovens da comunidade, o Centro Comunitário começou acolhendo as crianças que saíam das creches. Posteriormente, outros jovens e adolescentes se integraram às atividades do local.

    Diversos projetos são responsáveis pela popularização do Centro Comunitário, como um programa que oferece às crianças de 4 a 10 anos educação, música, biblioteca, brinquedoteca e oficinas de arte. São 200 crianças em dois turnos. Outro sucesso foi o projeto de apoio a usuários de droga, que conseguiu recuperar muitos jovens dependentes. Segundo Anna, alguns já estão na faculdade ou até formados.

    Os jovens da comunidade tanto se interessam pelos projetos sociais promovidos pela organização que estima-se que pelo menos 16 mil jovens já passaram pelo Centro Comunitário. “O Centro se mantém, primeiro, com um grande esforço da diretoria, que tenta captar recursos de instituições que apoiem nossos projetos. Temos também nossas ações em parceria com a prefeitura, montamos bazar, comitês e eventos que ajudem a manter o nosso centro vivo”. O que Anna vende no bazar, realizado por ela todos os sábados, vai diretamente ao caixa do Centro Comunitário.

    As excursões também atraem os jovens e ajudam em sua formação: Anna organiza visitas à um sítio de Petrópolis de um colaborador, onde as crianças fazem atividades, se alimentam e dormem. “Lá é um sítio muito bonito. Tem café da manhã, tem as xícaras, eles ficam encantados de tomar café nas xícaras e almoçar na mesa, porque às vezes as casas são pequenas, não tem mesa pra fazer as refeições”. Segundo ela, eles investem muito em passeios para que as crianças saiam da comunidade e conheçam novos lugares, que talvez inspirem mudanças em suas vidas. Anna completa: “acredito que eles devem ter acesso ao lazer como todas as outras pessoas”.

    Com a pacificação, a comunidade está vivendo uma nova experiência em relação à luz, que passará a ser cobrada pela prefeitura. Como a maior parte da fiação funciona de maneira ilegal, os famosos “gatos”, muitos dos moradores não têm gastos com luz, o que permite o uso desenfreado de energia. “Quando não se paga, gasta a vontade. […] Este é um momento para as pessoas terem atenção no gasto excessivo e seu impacto no meio ambiente”, defende Anna. Com essa nova proposta da prefeitura, que tem como objetivo instalar medidores individuais em Vila Isabel para gerar contas de luz, o Centro Comunitário investe na conscientização do uso da energia elétrica.

    Portanto, para Anna, o projeto Juventude Solar chegou na hora certa, justamente no momento no qual é necessário economizar energia. Formar esses jovens, que por sua vez passarão conhecimento aos seus amigos e familiares, é uma maneira eficiente de conscientizar a comunidade dessas mudanças referentes ao uso de energia. “Apareceu esse projeto do Greenpeace que traz educação, que é o que mais a gente precisa aqui: educação. E o projeto mostra que na prática também podemos ser responsáveis com nosso planeta”.

    O Centro comemora trinta anos de trabalho e assistencialismo. Como diz Anna, “nem tudo são flores”, mas é inegável o sucesso alcançado pelo Centro Comunitário, que deixa como exemplo à todos os grandes resultados que um trabalho de formiga pode trazer. “Ontem foi a lanterninha, hoje a chaleira e a panela. Isso numa comunidade onde muitos cozinham à lenha por não terem um fogão ou dinheiro para o gás. Além da conscientização para o uso correto da energia. E isso, eu acho que vai ser uma revolução aqui na comunidade”.  Leia mais >

  • Gás de xisto, um tema controverso

    Postado por Ricardo Baitelo* - 20 - mai - 2013 às 14:25

    Gases que são liberados durante a exploração de gás de xisto prejudicam a respiração e podem contaminar seres humanos. (© Les Stone/Greenpeace)

     

    De umas semanas para cá, o assunto gás de xisto tem estado cada vez mais presente no noticiário. A nova “menina dos olhos” em termos energéticos no mundo, principalmente, nos Estados Unidos, país que desponta como um dos maiores exploradores e com um dos preços mais competitivos suscita debates e opiniões controversas.

    A possibilidade técnica de se usar o gás de xisto já é conhecida há muito tempo, mas o custo de exploração só a tornou viável nos últimos anos. Com novas descobertas e melhorias tecnológicas, o gás de xisto ganhou espaço nas matrizes energéticas nos últimos cinco anos e já vem substituindo derivados do petróleo tanto na indústria quanto no transporte. Seu preço cada vez mais competitivo é a razão para que este assunto e as consequências da exploração do gás estejam na pauta do dia.

    Um dos possíveis impactos econômicos é que com mais petróleo disponível, e com a queda do preço deste, projetos para a produção de petróleo que são muito caros se tornariam inviáveis. Até a exploração do pré-sal no Brasil poderia ser afetada por essa que de preços, segundo José Goldemberg, professor emérito da Universidade de São Paulo, em editorial no jornal O Estado de S. Paulo.

    Mas a questão aqui não é apenas econômica, não basta somente discutir como a exploração de gás afeta mercados e indústrias brasileiras e no mundo. Há um sério e grave problema ambiental envolvendo a exploração do gás de xisto: para fraturar as bacias sedimentares e extrair o gás, grandes quantidades de água tem de ser usada, misturada com areia e substâncias químicas que podem poluir lençóis freáticos. Além disso, o gás liberado não é metano puro, vem acompanhado de nitrogênio e de várias impurezas e outros componentes tóxicos.

    Outro agravante é o desconhecimento brasileiro sobre suas próprias bacias. A estimativa de reservas recuperáveis foi elaborada pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos e pela Agência Internacional de Energia e coloca o Brasil entre os dez maiores possíveis produtores. Entre dúvidas sobre tecnologia a ser aplicada, a infraestrutura necessária, os impactos ambientais e tantos outros pontos de interrogação remanescentes, a única certeza que fica é a de que o Brasil deve ir com calma, não achando que o sucesso norte-americano será facilmente replicável.

    Leia mais aqui. (editorial de José Goldemberg)

    *Ricardo Baitelo é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Ação ilegal e abuso de poder no MS

    Postado por Nathália Clark - 20 - mai - 2013 às 11:52

    Mais uma ação equivocada da Polícia Federal envolvendo indígenas, organizações que os defendem ou simples comunicadores no exercício legal de sua profissão ocorreu na tarde do último sábado (18), no município de Sidrolândia, Estado do Mato Grosso do Sul. A investida dessa vez teve como protagonista o jornalista do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Ruy Sposati, durante a desocupação de uma fazenda por indígenas do povo Terena. Assim como outros profissionais, ele cobria a ação no local, mas teve seus equipamentos de trabalho apreendidos.

    Sem uma razão explícita, alegando apenas “não conhecer o Cimi”, o delegado da PF, Alcídio de Souza Araújo, confiscou um computador e um gravador de audio. De acordo com Ruy, o delegado se negou a protocolar a apreensão ou a dar qualquer justificativa legal do ato e, em nenhum momento, apresentou qualquer ordem da Justiça ou de órgão competente para busca e apreensão de equipamentos, que seguiriam em posse da PF.

    Veja o vídeo da apreensão:

    Segundo o jornalista, ele chegou à ocupação por volta das 13h acompanhando uma comitiva de observadores externos composta por Cimi, Comissão Permanente de Assuntos Indígenas da Ordem dos Advogados do Brasil, Comissão Pastoral da Terra, Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Mato Grosso do Sul e outras instituições, que foram ao local para verificar possíveis violações de direitos humanos.

    Ainda segundo Ruy, por volta das 16h30, a Policia Federal chegou para ajudar a negociar a saída dos indígenas da fazenda, que teria conseguido uma liminar de reintegração de posse concedida pela Justiça. Os profissionais da imprensa presentes se aproximaram para acompanhar a conversa, permanecendo a uma certa distância para fotografar o local.

    Foi quando Ruy foi chamado pelo delegado Araújo. “Ele pediu minha identificação e iniciou a revista da minha mochila. Sem justificativa, tomou meu computador e gravador. Ele só dizia que atuava no estado há vários anos e nunca tinha ouvido falar do Cimi, como se isso fosse alguma justificativa para pegar minhas coisas”, afirmou. O jornalista se identificou como membro da imprensa e protestou contra a apreensão, mas nada adiantou.

    Advogados consultados pelo Blog do Sakamoto, um dos primeiros a noticiar o caso, afirmam que a ação de Araújo foi ilegal, pois não havia ordem judicial de busca e apreensão, o jornalista não cometeu nenhum ato que justificasse interrogatório e não há nada no Código de Processo Penal que embase seu comportamento.Ao contrário, o artigo 3º, item J, da lei 4.898 (Direito de Representação e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal), afirma que constitui abuso de autoridade “qualquer atentado aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional”.

    Ações como essa têm sido corriqueiras nos últimos dias, desde que os direitos indígenas têm sido atacados de forma constante na capital, pelo Congresso Nacional, e no campo. Práticas ilegais e irresponsáveis são reflexo da opção por um modelo de desenvolvimento ultrapassado e excludente, que visa o lucro a curto prazo de uma pequena parcela da população, em detrimento de direitos constitucionais de cidadãos brasileiros como os povos indígenas e quem os defende. Leia mais >

  • Desmatamento ameaça energia de Belo Monte

    Postado por Nathália Clark - 17 - mai - 2013 às 17:36

    Se a perda de vegetação nativa atingir 40% da Amazônia, em 2050, a capacidade de produção de energia em Belo Monte cairá para 25% (© Daniel Beltrá / Greenpeace).

     

    Em plena mudança do clima global, o valor das florestas para o equilíbrio do planeta ainda é contestado. Mas um estudo publicado nesta semana por pesquisadores brasileiros na revista americana PNAS demonstra que, sem as matas tropicais, nem mesmo a produção de energia elétrica pode se sustentar.

    A pesquisa comprova que, quanto mais floresta, maior será o potencial de usinas hidrelétricas localizadas na região amazônica. Isso porque a relação entre as florestas e a chuva é dinâmica: as árvores liberam vapor d'água, aumentando a precipitação. Menos árvores, menos água para gerar energia.

    Focado na usina de Belo Monte, o trabalho considerou a influência que a floresta tem na produção de chuva e como o desmatamento pode reduzir esse potencial. Nos níveis atuais de perda florestal, o volume de chuva é entre 6 e 7% menor do que com a cobertura florestal completa.

    Num cenário ainda pior, onde a perda de vegetação nativa atinja 40% do bioma, em 2050, o volume de chuva seria reduzido de 11 a 15%, fazendo com que a capacidade de produção de energia em Belo Monte caia a 25% da capacidade máxima da planta ou a 40% das próprias projeções da usina.

    Por outro lado, se houvesse uma recuperação de tudo o que já foi desmatado na Amazônia, a produção de Belo Monte chegaria a sua capacidade máxima instalada, de 11,2 mil megawatts. Belo Monte foi projetada para ser a terceira maior usina do mundo e suprir 40% do crescimento do Brasil em produção de eletricidade até 2019.

    “Acabar com o desmatamento deveria ser visto como uma questão de segurança energética nacional”, afirmou ao jornal Folha de São Paulo um dos autores do trabalho, Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

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  • Tempo é (mais do que) dinheiro

    Postado por Barbara Rubim* - 17 - mai - 2013 às 16:41

    Banner de 10 metros de comprimento em passarela da Radial Leste, São Paulo, cobrou a implementação de corredor de ônibus no local (©Greenpeace/Otavio Almeida)

     

    Um ditado muito popular no Brasil é que tempo é dinheiro. E se isso é verdade em algum lugar, esse lugar é São Paulo. Cidade em que o trânsito caótico é responsável pela perda de uma quantia equivalente a 1% do PIB do país. No ano passado, os prejuízos acumulados chegaram a algo como R$40 bi, o equivalente a soma dos valores gastos com as externalidades do trânsito e do que a cidade deixou de produzir enquanto fica parada.

    Essa é a conclusão de um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para chegar a esse valor, a FGV considerou alguns fatores, como o tempo que o cidadão perde parado no congestionamento, o gasto adicional com combustíveis e o aumento das despesas com a saúde, em decorrência da crescente poluição e da maior exposição da população a ela.

    Ao colocarmos tudo isso na balança, notamos que o prejuízo, despercebido no dia-a-dia, é grande. Pensar que cerca de 1/3 do combustível utilizado para abastecer o automóvel é perdido nos congestionamentos, é uma forma de tornar os prejuízos mais mensuráveis. Mas, sem dúvidas, o prejuízo pior é a perda de tempo, cujo valor nem sempre consideramos na hora de fazer as contas.

    São Paulo é a capital brasileira na qual as pessoas gastam mais tempo para realizar o percurso casa-trabalho-casa: são aproximadamente 43 minutos em cada deslocamento, um tempo que poderia ser dedicado ao trabalho ou à vida pessoal. O Greenpeace incentiva que os cidadãos brasileiros, não apenas os paulistanos, acompanhem a elaboração do Plano de Mobilidade de suas cidades. Para saber mais, acesse o site da campanha.

    O estudo da FGV deixa claro que está na hora de repensarmos a forma como os deslocamentos acontecem em São Paulo. Esse repensar envolve, necessariamente, investimentos em transporte coletivo e no não-motorizado, ou os paulistanos continuarão a perder cada vez mais tempo, dinheiro e qualidade de vida.

    Leia mais aqui.

    *Barbara Rubim é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Mobilização pelo sol

    Postado por Alan Azevedo - 15 - mai - 2013 às 14:30 1 comentário

    Retze Koen, coordenador do projeto Jugendsolar, em workshop de cozinha solar em Recife, durante visita do navio Rainbow Warrior (©Greenpeace/RPCI/Rodrigo Paiva)

     

    Quando o assunto é energia solar, o Brasil tem um papel primordial no incentivo desta fonte. Seu imenso potencial inaproveitado poderia trazer muitos benefícios ao país, ao meio ambiente e à população. E não somos apenas nós, do Greenpeace Brasil, que enxergamos todas essas oportunidades, Retze Koen, do Greenpeace Suíça, também concorda que o Brasil pode e deve aproveitar o que o Sol tem para nos oferecer. 

    Retze é coordenador do projeto Jugendsolar (Juventude Solar, em alemão) e é especialista em energia solar. 

    Greenpeace: Qual a importância e qual o papel do Brasil no cenário da energia solar?

    Retze: O Brasil tem um papel central devido ao seu potencial imenso de energia solar. Incentivar e promover o uso de energia solar no país é uma maneira de criar muitos empregos locais, especialmente para os jovens. Também é uma excelente oportunidade quando comparada com a mão-de-obra altamente especializada exigida para construir termelétricas a carvão ou usinas nucleares. Fica claro que essa energia pode gerar muitas oportunidades para todos e em vários lugares do país. Outro aspecto que deve ser ressaltado no papel que o Brasil deve desempenhar é o de evitar grandes plantas centralizadas de energia, como novos reatores nucleares e usinas de gás e carvão, e tornar a produção de energia mais limpa e segura.

    GP: Hoje, no Brasil, o uso da energia solar e de microgeradores nas residências ainda é limitado devido aos custos ou ao conhecimento que a população tem dos benefícios da energia solar. Como podemos mudar essa situação?

    R: Uma boa maneira é mobilizando os jovens, possibilitando que eles instalem painéis em escolas, em centros comunitários e clubes esportivos para aumentar o interesse da população pelo assunto e ao mesmo tempo ensiná-los para que possam se tornar técnicos no assunto. Além disso, os bancos podem ser incentivados a promover financiamentos para as pessoas que queiram instalar painéis fotovoltaicos ou térmicos. Outra solução é pressionar o Ministério da Educação para que ele inclua energias renováveis e eficiência energética no programa escolar.

    GP: Pensando a longo prazo, a energia solar pode trazer malefícios ao meio ambiente?

    R: Não, uma vez que basicamente o material dos painéis que utilizamos é areia de quartzo, muito comum e que não apresenta problemas. O desafio é trabalhar com os paineis de filme finos, que geralmente contêm substâncias tóxicas, mas que uma vez selados corretamente podem ser reciclados, sem causar danos ao meio ambiente.

    GP: A matriz energética brasileira está baseada em hidrelétricas, que podem ter impactos ambientais irreversíveis. A energia solar pode ser um bom contraponto nessa questão?

    R: A energia solar pode ajudar a limpar a matriz energética brasileira sem causar muitos impactos. Plantas de energias renováveis descentralizadas e limpas trazem benefícios e possibilidades para muitas pessoas, então, acho que um bom caminho é o de implementar pequenos projetos nas comunidades menores. Dessa forma, estamos espalhando conhecimento, criando empregos e mostrando tanto aos políticos quanto à população que a energia solar é uma possiblidade.

    GP: O Brasil está se tornando a quinta maior economia mundial. Para você, porque é tão difícil conciliar crescimento econômico com preservação ambiental? Você acha que é mais difícil para o Brasil lidar com esse desequilíbrio?

    R: Eu acredito que é um desafio para todos os países. Claro que para os países que estão crescendo mais rapidamente – como Brasil, China, Índia, África do Sul e Rússia – é uma questão que parece estar mais urgente do que nos antigos países industriais. Eles estão se desenvolvendo mais rapidamente e é difícil para o governo e para a sociedade civil acompanhar e providenciar proteção ambiental, direitos civis, boa educação, etc, tudo leva muito tempo para se desenvolver. Em países como o Brasil pode ser verdade que as pessoas não estão conscientes sobre os problemas da poluição, escassez de recursos e mudanças climáticas. Quando trabalhei na Rio+20, durante a vinda do Rainbow Warrior para o Brasil, com a cozinha solar, fiquei impressionado e surpreso pela reação do público e da imprensa. O fogão solar parecia ser algo novo para eles, eles estavam muito interessados. Leia mais >

  • Julgamento do caso irmã Dorothy é anulado

    Postado por Nathália Clark - 15 - mai - 2013 às 11:41

    A irmã Dorothy Stang, de 74 anos, foi assassinada em 2005 em Anapu, por seu trabalho em defesa da floresta e de suas comunidades (© Greenpeace / Alberto Cesar Araújo).

     

    Já se passaram oito anos do assassinato da irmã Dorothy Stang, ocorrido em Anapu (PA), em 12 de fevereiro de 2005. De lá para cá, os casos de violência, abusos e morte na Amazônia Legal só aumentam. Ainda assim, a justiça pena para punir os verdadeiros culpados. Exemplo contundente foi a decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de anular, nesta terça-feira (14), o julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, condenado a 30 anos pelo homicídio da missionária norte-americana. O réu, no entanto, será mantido preso.

    A decisão foi tomada por três votos a dois durante a conclusão do julgamento do Habeas Corpus iniciado em 11 de dezembro de 2012. Na ocasião, o relator, ministro Gilmar Mendes, votou pela concessão parcial do Habeas Corpus, confirmada nesta terça. Ricardo Lewandowski acompanhou o voto do relator, pela anulação do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Belém, mas mantendo a custódia cautelar de Vitalmiro Bastos.

    A decisão a favor do assassino se baseou no argumento de que o defensor público não teve tempo suficiente para defender adequadamente o réu. Já o ministro Celso de Mello e a ministra Cármen Lúcia votaram pela denegação do Habeas Corpus. Eles entenderam que a nomeação do defensor público só aconteceu em virtude de manobras de adiamento proposital por parte da defesa.

    O assassinato já havia sido julgado três outras vezes. A primeira foi em maio de 2007, na segunda, em maio de 2008, ele foi absolvido. “Bida”, como é mais conhecido, teve direito a novo júri pelo fato de a pena ter sido superior a 20 anos. Em 2009, a 1ª Câmara Criminal Isolada do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJ-PA) anulou o último julgamento. O terceiro júri foi marcado para abril de 2010, quando Vitalmiro foi novamente condenado.

    Amazônia, quintal da violência no campo

    Casos como o de irmã Dorothy não são fatos isolados. De acordo com a última edição do caderno “Conflitos no Campo no Brasil”, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Amazônia Legal concentra a maior parte dos casos de assassinato, ameaças de morte e outros abusos no meio rural brasileiro ocorridos em 2012. Compreendida entre os estados da região Norte do país, parte do Maranhão e do Mato Grosso, a área contabiliza 21 dos 36 casos de morte decorrentes da violência no campo.

    Do total de 1.364 episódios de disputa por terras, crises pela falta de água e ocorrências de trabalho escravo ou outras formas de violência registrados no ano passado pelo relatório, cerca de 46% ocorreram dentro dos limites amazônicos. O estado que registrou o maior número de assassinatos foi Rondônia, com oito mortes. No Pará, que foi o recordista no ano anterior (2011) e o segundo com mais homicídios em 2012, a CPT verificou seis vítimas.

    Os números demonstram como o modelo de desenvolvimento em vigor na região amazônica se baseia na violação dos direitos humanos e das leis ambientais. Danos causados a camponeses, indígenas, ribeirinhos e quilombolas por projetos de mineração, extração de madeira e megaempreendimentos, bem como a concentração de terras e os escassos avanços da reforma agrária no interior do país, são recorrentes na Amazônia hoje.

    Assine a petição.
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