Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Agosto de 2050: uma viagem ao Brasil do futuro

    Postado por Thaís Herrero - 23 - ago - 2016 às 19:00

    Como será a vida de um brasileiro daqui a 34 anos caso o país transforme sua forma de produzir e consumir energia? Ou seja, caso faça a [R]evolução Energética proposta pelo Greenpeace Brasil.

    É 24 de agosto de 2050 e o brasileiro Renan Válveis acorda para mais um dia que parece comum. Ao abrir as cortinas do quarto, fica feliz ao ver o dia ensolarado. Liga o chuveiro e a água sai quentinha graças ao sistema de aquecimento solar térmico que está no telhado de sua casa.

    No caminho para o trabalho, encontra sua vizinha exibindo a nova aquisição: um modelo popular de carro movido a eletricidade. Elen Étrica é uma mulher conectada às novidades e, claro, não ficaria de fora da popularização desse tipo de veículo. No Brasil de Renan e Elen, a gasolina e o diesel estão no passado. A eletricidade corresponde ao “combustível” de 25% do setor de transportes.

    “Meu pai mal pôde acreditar quando andou pela primeira vez no meu carro. Quando ele era jovem, era um objeto para poucos porque eram caros de mais e faziam suas contas de luz ficarem altíssimas", conta Elen. 

    Como ela instalou placas solares fotovoltaicas em seu telhado, boa parte da eletricidade que consome vem da luz do sol, e suas contas de luz estão vindo baixas, mesmo com o carro elétrico. 

    Ela não é a única brasileira que gera sua própria energia em casa. Agora cerca de 14% da eletricidade consumida no Brasil vêm de sistemas fotovoltaicos que geram energia solar – uma fonte limpa e renovável de energia. Desde os idos de 2015, quando essa fonte representava 0,01% da nossa matriz elétrica, foi um crescimento considerável. E só possível porque o governo passou a facilitar a compra de sistemas fotovoltaicos diminuindo alguns tributos. Como custam 20% menos do que em 2015, Elen pôde adquirir um.

    Ao se despedirem, Renan pensa que a novidade dela é até legal, mas prefere manter a rotina de pedalar para o trabalho. Quando chove, vai de ônibus, afinal, a qualidade do transporte público é muito melhor hoje do que nas décadas passadas. Há tempos os governantes passaram a investir nessa área e muitos brasileiros deixaram de usar carros particulares. Por isso, o trânsito da cidade está muito mais fluido e a qualidade do ar melhorou consideravelmente.

    Há três anos Renan trabalha na empresa Ventania, na qual é engenheiro projetista de turbinas eólicas – uma profissão impensável para seus avós. E os negócios vão cada dia melhor. A energia dos ventos é hoje a segunda principal fonte de eletricidade, responsável por um quarto da geração no Brasil. E Renan se sente orgulhoso, afinal, o Nordeste, região onde nasceu e vive, concentra 83% da capacidade instalada de geração eólica do país.

    Já no escritório, Renan abre seu site favorito e uma notícia chama atenção: “O Brasil alcança 47% de eficiência energética”. Segundo a reportagem, o cálculo compara o cenário do país em que vivemos em 2050, e o cenário caso os governantes, desde 2016, não tivessem apostado na eficiência energética.

    O texto explica que o Brasil aprendeu a evitar o desperdício entre a energia produzida e a consumida. E reduziu o consumo em muitos setores. As indústrias, por exemplo, não perdem mais energia em processos de aquecimento e aproveitam mais a fonte solar térmica. A população só encontra nas lojas eletrodomésticos com nível A de eficiência.

    O novo modelo de transportes de cargas, hoje baseado em ferrovias, também foi responsável por boa parte desse sucesso de eficiência. Nos últimos 30 anos, o Brasil protagonizou uma intensa migração do modelo rodoviário (que era caro, poluente e ineficiente) para um modelo baseado em ferrovias e eficiência logística, com o melhor aproveitamento das viagens.

    Uma lembrança vem à mente de Renan. Quando era criança, da janela do seu quarto ele observava o intenso fluxo de caminhões nas avenidas e nunca entendeu direito porque não via trens passando pela ferrovia ao lado das estradas. Agora adulto, esse cenário é justamente o oposto.

    No fim do dia, chega no celular de Renan a mensagem do amigo Fábio Massa: “Quer ir comigo ao Museu da [R]evolução Energética? Chego às 18h e vou de metrô.” Renan aceita o convite, afinal, ainda não conhecia aquele museu. Inaugurado há oito meses, foi construído para comemorar o primeiro ano em que o Brasil alcançou 100% de sua matriz energética limpa e renovável.

    O museu traz a história da ascensão e declínio dos combustíveis fósseis na geração de energia no Brasil. O petróleo foi fundamental para o início da nossa industrialização no começo do século XX, mas se mostrou uma fonte problemática demais diante da liberação de gases poluentes e do perigo de agravar as mudanças climáticas.

    A exposição sobre as usinas nucleares é a que Fábio acha mais comovente. O governo brasileiro desativou todas as suas usinas em 2049, mas ele ressalta com Renan que foi uma demora longa demais. “Como uma fonte com risco de contaminação e acidentes, que matou milhares de vidas em muitos países, demorou tanto tempo para ser vista como um absurdo pelos governos?”, questiona.

    Renan não assume, mas se emociona muito ao ver imagens do acidente na usina de Fukushima, no Japão, em 2011. Água radioativa foi despejada no mar por anos e anos após o desastre, que obrigou 145 mil pessoas a se deslocar. 

    Apesar de Renan Válveis e Fábio Massa conhecerem um cenário que foi por anos equivocado e de excessiva emissão de gases de efeito estufa por fontes fósseis, o passeio ao museu termina em um tom otimista. Afinal, aquele Brasil está no passado. 

    Os amigos saíram de lá especialmente felizes depois de conhecerem a história do povo indígena Munduruku, que vive na região do Rio Tapajós, no Pará. Durante o século XXI, esses índios foram ameaçados pelo planejamento de várias hidrelétricas que alagariam parte de suas terras e os obrigariam a abandoná-las. Isso faria com que eles perdessem séculos de cultura e tradição. Em 2016, o projeto da usina de São Luiz do Tapajós – que inundaria 376 quilômetros quadrados de florestas, incluindo parte de uma Terra Indígena – teve seu processo de licenciamento ambiental cancelado.

    São Luiz do Tapajós foi o primeiro projeto de centenas que não foram mais permitidos na Amazônia. Isso garantiu que os Munduruku e muitos outros povos tradicionais, indígenas, ribeirinhos e tantos outros pudessem manter seus modos de vida em harmonia com a floresta amazônica – que também se viu protegida de grandes devastações.

    Esse Brasil de 2050 era um sonho em 2016. Um sonho, mas que se mostrava possível graças a um estudo do Greenpeace Brasil. Nele, todo o caminho para chegarmos a uma matriz com 100% de energias limpas e renováveis foi apresentado. E os governos dos anos seguintes apostaram na Revolução Energética e nos benefícios ao país (e ao mundo) que ela traria.

    Ainda não temos certeza se a história de brasileiros como Renan Valvéis será realmente assim em 2050. Mas você pode ajudar a construir esse Brasil do futuro. Conheça o [R]evolução Energética e faça parte desse movimento por Renováveis Já! Leia mais >

  • Peça por Escolas Solares nas Eleições 2016!

    Postado por Heloísa Mota - 19 - ago - 2016 às 16:15

    Nestas eleições, queremos que os candidatos apóiem o projeto Escolas Solares. Mais de 50% das escolas do país são municipais. Isso significa que está na mão das Prefeituras solarizar mais da metade de todas as escolas brasileiras.

    Os benefícios vão muito além da economia de energia. Com a redução da conta de luz das escolas, é possível investir na própria instituição, melhorando a qualidade da educação, ou redirecionar a verba para outras áreas da cidade. Estas são ações perfeitamente possíveis e que podem ser implementadas no próximo ciclo de governo, por meio da adoção de um programa de solarização de escolas.

     

    Como posso cobrar meu candidato?

     

    1- Nas redes, use a nossa Lista Solar de Material Escolar e faça uma foto criativa usando as palavras: Escolas Solares! Publique sua foto no seu Facebook, Instagram e Twitter  com a hashtag  #Eleições2016

    2- Escolha seu candidato com cuidado e atenção: entre no site de todos, leia as propostas e pesquise seu histórico. Todo candidato disponibiliza um canal de comunicação para falar com os eleitores – normalmente um email ou um telefone. Então escreva para o seu candidato, ligue e faça-o ouvir o que você, cidadão, tem a dizer. O Greenpeace também vai trabalhar para pressionar e engajar os futuros prefeitos e prefeitas em compromissos ambientalmente responsáveis.

    3- É importante que seu candidato inclua o compromisso no plano de governo, com metas e próximos passos. Portanto, continue monitorando!

      Leia mais >

  • Peça por Escolas Solares nas Eleições 2016!

    Postado por Heloísa Mota - 19 - ago - 2016 às 14:40

    Nestas eleições, queremos que os candidatos apoiem o projeto Escolas Solares. Mais de 50% das escolas do país são municipais. Isso significa que está na mão das Prefeituras solarizar mais da metade de todas as escolas brasileiras.

    Os benefícios vão muito além da economia de energia. Com a redução da conta de luz das escolas, é possível investir na própria instituição, melhorando a qualidade da educação, ou redirecionar a verba para outras áreas da cidade. Estas são ações perfeitamente possíveis e que podem ser implementadas no próximo ciclo de governo, por meio da adoção de um programa de solarização de escolas.

     

    Como posso cobrar meu candidato?

     

    1- Nas redes, use a nossa Lista Solar de Materiais Escolares e faça uma foto criativa usando as palavras: Escolas Solares! Publique sua foto no seu Facebook, Instagram e Twitter pedindo com a hashtag  #Eleições2016

    2- Escolha seu candidato com cuidado e atenção: entre no site de todos, leia as propostas e pesquise seu histórico. Todo candidato disponibiliza um canal de comunicação para falar com os eleitores – normalmente um email ou um telefone. Então escreva para o seu candidato, ligue e faça-o ouvir o que você, cidadão, tem a dizer. O Greenpeace também vai trabalhar para pressionar e engajar os futuros prefeitos e prefeitas em compromissos ambientalmente responsáveis.

    3- É importante que seu candidato inclua o compromisso no plano de governo, com metas e próximos passos. Portanto, continue monitorando!

     

    Juntos, podemos mudar a política. Lembre-se, a cidade também é sua!

      Leia mais >

  • Junte-se a nós!

    Postado por Yuri Leone - 2 - ago - 2016 às 18:00

     

    terça-feira, 2 de agosto de 2016

    (©Julia Marubayashi/Greenpeace)

     
    O Coração da Amazônia pode sumir se não fizermos nada para mudar. É isso mesmo que você leu. O governo quer construir 42 usinas hidrelétricas na bacia do Rio Tapajós. Isso inundará uma área do tamanho da cidade de Belo Horizonte, fazendo com que toda a vida abundante naquela região seja destruída. Imagine quantos animais e plantas sumirão do mapa.

    Para que isso não aconteça, estamos lutando muito, mas precisamos de sua ajuda.

    terça-feira, 2 de agosto de 2016

    (©Julia Marubayashi/Greenpeace)

     

    Sabemos que pode ser difícil manter uma contribuição todo mês, mas uma única doação para esta campanha faz diferença neste esforço para proteger este santuário.

    Precisamos muito da sua participação para que o projeto das hidrelétricas na Amazônia seja cancelado!

    Ao doar 75 reais, você ganha a camiseta que representa toda esta luta para salvar o coração da Amazônia e passa a fazer parte desta campanha.

      Vista essa camisa você também
    As cores da camiseta são roxo e rosa. O rosa escolhido é vibrante, simboliza o senso de urgência e é a cor símbolo do boto que vive nas águas do Tapajós. O roxo foi escolhido por simbolizar o açaí. Esses duas cores contrastam de forma harmônica e por isso foram escolhidas para a campanha!

    O coração estampado, inspirado em uma folha da floresta e na arte do povo Munduruku, retrata a bacia do rio Tapajós, um dos mais importantes rios da região, responsável por pela abundância de vida. As linhas representam os rios, que funcionam como veias da Amazônia.

    Vista esta camisa você também! Faça parte da construção de um futuro verde e pacífico!

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  • Cardápio de ativismo - Salve o Tapajós!

    Postado por Bernardo Camara - 19 - jul - 2016 às 8:00

    Instalação de placas nos limites da Terra Indígena Sawré Muybu, Rio Tapajós, Pará, Amazônia. Foto: Anderson Barbosa/Greenpeace

     

    Você vê a Amazônia sendo destruída e fica roendo as unhas querendo fazer alguma coisa? Não faz ideia de por onde começar? Calma! Senta, que a gente tem uma lista de coisas que você pode fazer agorinha, daí mesmo da sua cadeira.

    A hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, prevista para ser instalada no coração da Amazônia, tem o potencial de desmatar quase 2 mil km2 de floresta. E, além disso, inundar uma parte do território do povo indígena Munduruku, atropelando a cultura e o modo de vida deste povo.

    Mais de 1 milhão de pessoas no mundo todo já disseram estar contra a hidrelétrica. A Siemens, porém, uma das principais fornecedoras de equipamentos para hidrelétricas do mundo, ainda não se posicionou contra a obra. Em vários países, milhares de ativistas têm enviado mensagens à empresa pedindo que ela se comprometa publicamente a se afastar do projeto. É hora de aumentar esta pressão. 

    Abaixo, um cardápio do que você pode fazer:

    1- Mandar um papo-reto para o CEO da Siemens, neste link. 

     

    2- Encher o Facebook da empresa de mensagens
    Abaixo, algumas sugestões. Ou você pode escrever seu próprio post.

    @SIEMENS, Já somos mais de 1 milhão dizendo NÃO à construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. Você tabém diz NÃO?

     @SIEMENS: Tecnologia verde é uma coisa, destruição da Amazônia é outra. Diga não à hidrelétrica de São Luiz do Tapajós!

     

    3- Inundar o Twitter da empresa de recados
    Aqui tem uns tweets prontinhos de sugestão, basta você clicar. Ou escrever com suas próprias palavras.

    • Ei, @Siemens_Brasil, não ajude a destruir o <3 da Amazônia! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/ #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29DOHH7

    • Respeite os direitos indígenas, @Siemens_Brasil! Não se envolva c/ a construção de  hidrelétricas na Amazônia! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/ #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29Ibtx6

    • @Siemens_Brasil não faça parte da destruição do <3 da Amazônia! #SalveOTapajós! https://br.heartoftheamazon.org/target-message/

    http://bit.ly/29WKjZ1

    • @Siemens_Brasil, faça a coisa certa: não ajude a construir hidrelétricas no Tapajós! https://br.heartoftheamazon.org/target-message #SalveOTapajós

    http://bit.ly/29Kbjsg Leia mais >

  • Mais um passo para o Acordo de Paris

    Postado por therrero - 13 - jul - 2016 às 14:46 1 comentário

    No fim de 2015, milhares de brasileiros foram às ruas exigir metas ambiciosas contra as mudanças climáticas. Foto: Zé Gabriel / Greenpeace

    Já eram mais de 22h quando uma boa notícia saiu da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (12/07): por unanimidade, os parlamentares aprovaram em plenário o projeto de decreto legislativo no qual o Brasil adere ao Acordo de Paris. Agora, faltam poucos passos para que o país ratifique o documento que regulamenta uma série de medidas de combate às mudanças climáticas. A proposição ainda precisa ser aprovada por comissões no Senado e, em seguida, receber a sanção presidencial para ser depositado formalmente na Convenção do Clima das Nações Unidas.

    Para que entre em vigor internacionalmente, o Acordo de Paris precisa ter pelo menos 55 ratificações, de países que somem 55% das emissões de gases de efeito estufa do mundo. Até agora, 19 países já o ratificaram, mas eles somam apenas 0,18% das emissões globais.

    Fruto da Conferência do Clima que aconteceu em dezembro do ano passado na França, o documento traz alguns pontos importantes para a luta contra as mudanças no clima. Ele estabelece como meta, por exemplo, não ultrapassarmos um aquecimento superior a 1,5 graus Celsius, além de propor que entre 2050 e 2100 sejam neutralizadas as emissões dos gases que provocam o efeito estufa.

    “O Acordo de Paris é um passo fundamental para superarmos o desafio das mudanças climáticas. O Brasil ainda ostenta o título de sexto maior emissor do planeta. É ótimo ver a ratificação do acordo avançando. Suas promessas precisam se tornar realidade logo, com outros passos importantes sendo a aprovação do projeto de lei pelo Desmatamento Zero e fortes incentivos à energia solar”, diz Pedro Telles, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.  Leia mais >

  • Alimentando a luta por um Tapajós Livre

    Postado por Bruno Leão* - 23 - jun - 2016 às 10:06

    Me chamo Bruno Leão, tenho 23 anos e sou voluntário do Greenpeace no grupo de Florianópolis. Nasci em Manaus, onde comecei meu voluntariado, em 2010. Mas desde 2013 vivo na capital catarinense, onde ajudei a fundar o grupo de voluntários da cidade. 

    Estou na aldeia Sawré Muybu para ajudar o time da cozinha durante as atividades realizadas pelos Munduruku e ativistas pela proteção do coração da Amazônia. Para nós, o dia começa bem cedo (por volta das 5h). Somos os primeiros a levantar e geralmente os últimos a ir dormir, pois nosso papel é garantir que todos os ativistas e Munduruku estejam bem alimentados, já que o trabalho é sempre muito pesado para todos. 

    Cozinha instalada na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku, para dar apoio a ativistas e indígenas durante atividades de proteção ao território e contra as hidrelétricas (©Greenpeace)

     

    Na cozinha não paramos nem um segundo, há sempre panelas para lavar, verduras para picar, pois a comida é feita em grandes quantidades. Somos responsáveis pela alimentação de mais de 50 pessoas! Mesmo assim, é muito legal ver o time da cozinha trabalhando unido, sempre muito animado, fazendo piada desde que acorda até a hora do jantar.

    É também na cozinha que temos contato com todos que estão aqui. Logística, jornalistas, caciques…todos passam por lá e temos a chance de conhecer, conversar, e ver a especificidades do trabalho de cada um, os seus costumes e culturas diferentes.

    Aqui na comunidade existem muitas crianças. Muitas mesmo! E elas estão sempre circulando em volta da cozinha, brincando, conversando e pedindo coisas. Nós as ensinamos a lavar os próprios pratos e tem sido muito engraçado. Até as que não alcançam a altura da pia se organizam para lavar seus pratos, mesmo que para isso alguém tenha que carregá-las.

    Conhecer voluntários de outros países também é algo muito legal.  Ver que mesmo estando em países muito distantes, com culturas muito diferentes umas das outras, somos muito parecidos. Que a paixão que nos move é a mesma: lutar por um mundo melhor para todos. 

    Foi pensando nisso que, junto com a campaigner de Floresta da Itália, a Martina, tivemos a ideia de reunir todos os voluntários para compartilhar nossas experiências, contar um pouco sobre nossos grupos e as ações que realizamos em nossas cidades e enviar uma mensagem para os voluntários que não puderam estar aqui para inspirá-los. Acredito que isso será incrível para os voluntários e estou muito orgulhoso de fazer parte disso.

    No fim, vir para o Tapajós está sendo uma escola.  Nem tudo é fácil, claro. Mas saber o porquê de estarmos aqui e ver que estamos todos lutando por um mesmo objetivo, faz qualquer dificuldade parecer pequena demais e qualquer esforço válido. Tudo o que posso hoje é me sentir agradecido, pois faço parte de uma luta legítima. É pelo futuro de todos que estamos aqui e todo o esforço faz diferença. 

    Junte-se a nós e assine a petiçãohttp://br.heartofamazon.org 

    *Bruno Leão é voluntário do Greenpeace Leia mais >

  • De volta à tragédia

    Postado por Fabiana Alves* - 23 - jun - 2016 às 9:25

    O Rio Doce continua com a tonalidade marrom causada pela lama (© Fabiana Alves / Greenpace)

    Nesse mês de junho, retornamos às margens do Rio Doce para verificar a situação da região e apresentar à sociedade estudos que serão desenvolvidos nos próximos seis meses sobre a fauna, flora e água locais, além dos direitos dos impactados.

    Aterrissamos em Belo Horizonte (MG) e logo seguimos para Mariana de carro para começar os encontros e reuniões com os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, pertencente à Samarco, formada pela brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton.

    A cidade continua bonita e acolhedora, mas ao conversar com as pessoas, fica evidente o impacto que a destruição do subdistrito de Bento Rodrigues teve em Mariana. Dependente da produção mineral para seu sustento, a cidade está sendo afetada economicamente e o desespero por uma solução rápida começa a fervilhar.

    Bento Rodrigues não pode ser acessado sem a defesa civil de Mariana, que alerta para o risco do colapso da barragem de Germano – mostrando que pouco foi concretamente resolvido no local em termos de segurança. Um segundo colapso afetaria ainda mais um rio já tomado pelos rejeitos de mineração.

    Mais de 260 famílias continuam sem local certo para a reconstrução de suas casa. Essas pessoas recebem um salário mínimo e uma cesta básica da Samarco, que prossegue com a estratégia assistencialista, fácil e barata para resolver a situação, já que pagar o mínimo é mais fácil que criar uma estrutura que dê condições para o trabalhador retornar seus sustento original e recuperar perdas físicas. Alguns moradores de Mariana culpam os atingidos pela situação econômica, que degringolou com o congelamento das atividades da Samarco, em uma clara inversão da ótica entre culpados e atingidos.

    Nos outros municípios ao longo do Rio Doce impera o medo de uma possível contaminação da água. Em Governador Valadares (MG), onde não há outra fonte de captação de água que não seja o Doce, quem tem recursos compra água mineral, e ninguém mais consome peixe. O mesmo se repete em outras cidades, que também temem a contaminação dos alimentos irrigados com a água do rio. Linhares, no Espírito Santo, que sofre com a seca, além de não poder inaugurar o novo sistema de captação de água do Rio Doce, está exaurindo a água de suas famosas lagoas – agora barradas para não sofrerem contaminação.

    Os Krenak conhecem há muito a maneira de negociar da Vale, já que a empresa possui uma linha férrea que passa no meio de sua Terra Indígena demarcada. A aldeia recebe água potável da Vale, pois se recusa a utilizar a água do Doce. A única alternativa de captação de água existente é o rio Eme, que está seco devido à estiagem e ao desmatamento. A seca piora a situação dos Krenak, dos pequenos agricultores e pecuaristas que dependem da irrigação para o cultivo. A dimensão do estrago causado por Samarco, Vale e BHP são ainda imensuráveis.

    Quanto aos governos, a única política conjunta existente é o acordo interfederativo entre governo estadual, federal e Samarco, assinado em 2 de março, que não ouviu os atingidos e prefeituras afetadas pelo derramamento da lama, e deixou toda a solução nas mãos da empresa. O “Acordão”, como é chamado, está sendo questionado pelo Ministério Público Federal e diversas instituições, inclusive o Greenpeace, divulgaram uma carta de repúdio ao acerto.

    Acabamos em Vitória, Espírito Santo, onde a pesca na foz do rio está proibida desde fevereiro em resposta à recomendação do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Enquanto não se comprova o grau de contaminação da água, não há pesca. E mesmo que houvesse, como afirmam os pescadores, a população não consumiria.

    Enquanto isso, discussões como a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 65 são levantadas no Congresso com o objetivo de enfraquecer o Licenciamento Ambiental para grandes obras com impactos ambientais e sociais. Vale lembrar também do novo Código de Mineração, que busca desburocratizar o processo, passando por cima de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas. Tudo em nome do progresso e desenvolvimento.

    Os estudos selecionados pelo edital público do Rio de Gente em parceria com o Greenpeace foram bem recebidos por todos na região e chegam em um bom momento, uma vez que cada pesquisa pode ser uma chance de resposta para as questões do moradores e atingidos. O rompimento da barragem da Samarco já é um dos maiores desastres do século, e deve servir para que dirigentes percebam que o impacto ambiental sempre será um impacto social e econômico.

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    *Fabiana Alves é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

  • O canto dos guerreiros

    Postado por Vânia Alves* - 22 - jun - 2016 às 18:13

     

    Eram cinco e meia da manhã na aldeia Sawré Muybu. A lua cheia e as poucas estrelas que teimavam em se demorar no céu iluminavam o local quando começamos a ouvir um canto suave de vozes masculinas vindo do barracão onde funciona a escola da aldeia.

    As vozes foram aumentando de intensidade e se transformando num canto vigoroso, acompanhado de pisadas fortes que ajudavam a marcar o ritmo. Eram os jovens guerreiros Munduruku que comemoravam a instalação de 10 placas que sinalizam os limites de seu território. O trabalho está sendo feito com a ajuda de voluntários do Greenpeace.

    Munduruku demarcam seu território com apoio dos voluntários do Greenpeace (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    Até meados de julho, outras 40 serão instaladas. A Terra Indígena Sawré Muybu ocupa uma área de aproximadamente 178 mil quilômetros quadrados no município de Itaituba, no Estado do Pará. Chegar até seus limites é um trabalho duro, que muitas vezes inclui longas caminhadas por dentro da mata, viagens de barco, subir em árvores altas, atravessar igarapés com lama até a cintura, entre outros desafios. “A gente faz essa dança e esse canto para dar disposição para o dia. O objetivo é trazer alegria”, conta Emerson Saw Munduruku, guerreiro e professor.

    Chegar aos limites do território é um trabalho duro e inclui viagens de barco e subir em árvores (©Anderson Barbosa/Greenpeace)

     

    A colocação das placas faz parte de uma série de outras atividades importantes para a luta contra a construção de hidrelétricas no Tapajós que os ativistas do Greenpeace estão desenvolvendo com os Munduruku.

    Se construída, a hidrelétrica de São Luiz do Tapajós alagará cerca de 400 quilômetros quadrados de floresta e diversos lugares importantes - como lagoas, pedrais, ilhas e corredeiras - para a sobrevivência dos Munduruku e de outras populações tradicionais que habitam o vale do rio Tapajós.

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Vânia Alves é jornalista do Greenpeace Leia mais >

  • De mãe para mãe: que vida terão nossos filhos?

    Postado por Rosana Villar* - 22 - jun - 2016 às 13:22

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

    Me tornei mãe há quatro anos e aqui, na aldeia Sawré Muybu, tenho a oportunidade de entrar em contato com uma outra visão de maternidade, ao conviver com as mães e crianças Munduruku.

    Me encanta a organização social da comunidade, onde as crianças tem liberdade para ir, vir e brincar quando quiserem. Quem acha que isso as torna “incontroláveis” não poderia estar mais enganado. Elas se auto-organizam em uma sociedade própria, onde os maiores cuidam dos menores e todos zelam uns pelos outros. Cuidar do irmão menor não é uma obrigação, mas um prazer e é comum ver meninas de menos de dez anos carregando seus irmãos pela aldeia, brincando e nadando no igarapé. E todas ajudam nos afazeres da família.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Aqui não existem brinquedos. O que não é um problema, pois o mundo é a brincadeira.  As folhas, os frutos, pedaços de pau, sementes, tudo se transforma no imaginário dos pequenos.

    Os gafanhotos tornam-se pipas, amarrados por linhas. Preso a um pedaço de corda, o velho garrafão de água, cortado ao meio, vira carro, barco, avião e os menores são puxados pelos maiores a toda velocidade. As risadas das crianças são som constante na aldeia.

    Subir na árvore, pendurar-se de cabeça para baixo, e balançar é uma das brincadeiras preferidas. As vezes a árvore parece um “pé de criança”, de tantas que se juntam nos galhos para assistir ao futebol dos adultos. A partida dos homens e a das mulheres, clássicos do fim de tarde.

    quarta-feira, 22 de junho de 2016

    © ANDERSON BARBOSA/FRACTURES COLLECTIVE

     

    Há também as travessuras, comuns às crianças de todo o mundo. Os pequenos daqui gostam de pegar os “branquelos” de surpresa, com a mão cheia de Urucum, e pintar-lhes os rostos.

    E há a liberdade.

    Elas transitam pela aldeia e são respeitadas e protegidas por todos os adultos. Penso na minha filha, que ela não pode fazer isso. Em todos os riscos que ela corre na cidade, todas as violências a que ela está exposta e este medo é compartilhado com as mães Munduruku. Para elas, lutar contra a construção da barragem de São Luiz do Tapajós não trata-se de proteger sua própria vida, mas o futuro de seus filhos. De proteger a liberdade e segurança deles, como um rio que corre livre.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Outro dia conversava com Aldira Akai Munduruku, professora de língua materna da comunidade. Ela me disse que nasceu na aldeia, mas passou boa parte da infância em uma cidade próxima chamada Jacareacanga, onde a vida era muito difícil. Seus filhos nasceram em Sawré Muybu. Mas caso a barragem seja construída, eles terão que se mudar e sua aflição ao falar sobre o assunto era quase tangível, de tão instalada.

    “As vezes lá as coisas faltavam. Aqui, a terra dá tudo e dinheiro não é um problema”. Na aldeia, os índios trabalham a terra, pescam, caçam, coletam frutos e ervas. O dinheiro que corre, é pouco. Mas o resultado de tanto serviço prestado salta aos olhos: uma imensidão verde sem fim, é floresta que não se acaba mais.

    Crianças na aldeia Sawré Muybu, do povo Munduruku

     

    Me desconcentrei por alguns segundos e lembrei de uma foto que ví uma vez, de um grupo de mulheres indígenas sentadas numa calçada de concreto e barro de Altamira, com suas crianças no colo. Algumas das milhares de vítimas dos deslocamentos e inundações provocados por Belo Monte.  Quantas vezes teremos que ver estas mesmas cenas? Quantas crianças ainda vão deixar de viver livres? Quantos rios?

    Sinto o medo de Aldira, de Margarete e de outras mães Mundurukus. Mas também sinto meu próprio medo, e o de Marias, Graças e Camilas e tantas mães, sobre o futuro de seus filhos. Que mundo vamos deixar para eles?

    Junte-se a essa luta e vamos juntos salvar o Rio Tapajós no <3 da Amazônia 

    *Rosana Villar é jornalista do Greenpeace Leia mais >

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