Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • COP23 chega ao fim com vácuo de liderança entre os países

    Postado por Fabiana Alves - 17 - nov - 2017 às 18:31

    Com alguns avanços nas regras que colocarão em prática o Acordo de Paris, falta ainda a ambição necessária para lidar com a emergência da crise climática que já está impactando os mais vulneráveis

    Manifestantes pedem ação imediata na Marcha do Clima, durante a COP23

     

    Após duas semanas de trabalho intenso na 23a Conferências das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP23), que reúne delegações de quase todos os países do mundo, avanços nas negociações para a implementação do Acordo de Paris em 2018 começam a adquirir forma, mas sem a ambição desejada e necessária diante da emergência climática. Alguns pontos importantes ainda estão em aberto, como o financiamento de ações em países em desenvolvimento por parte dos países desenvolvidos. De qualquer maneira, o que importa não é a linguagem rebuscada usada pelos diplomatas nas imensas salas de reuniões, mas se, em casa, os países irão colocar as negociações em prática por meio de políticas sustentáveis que conectem suas economias com o meio ambiente e com o compromisso de reduzir suas emissões de carbono. Isso se torna ainda mais importante para o Brasil, que se colocou como anfitrião para COP25, em 2019, mas promove atualmente uma agenda de retrocessos ambientais.

    As consequências de uma aumento de temperatura global acima de 1.5o C até 2100 podem ser ainda mais devastadoras do que já acontece no mundo. Ilhas como Fiji, que este ano presidiu a COP23, podem desaparecer. A presidência de Fiji trouxe o Talanoa Dialogue, diálogo facilitativo ligado a objetivos de longo prazo e para informar a preparação de contribuições nacionais (NDCs), ou seja, elevar as metas de redução de emissões estabelecidas por cada país. Espera que o espírito de Fji, uma ilha no Pacífico bastante impactada pelas mudanças climáticas, possa prevalecer e que os países consigam ser mais ambiciosos no ano que vem.

    Secas, furacões, ciclones e inundações estão cada vez mais comuns. Todas essas mudanças no clima já impactam os mais pobres e vulneráveis e criam uma nova espécie de injustiça social. Normas internacionais para evitar que isso aconteça estão sendo criadas e apoiadas, mas os impactados pelo aumento da temperatura global não podem esperar.

    Este ano o governo Trump oficializou a saída do Acordo, porém grande parte da delegação americana, composta por governadores e prefeitos, reafirmou o compromisso de, em seus mandatos, tomar atitudes em prol do meio ambiente e de uma economia sustentável. Trump se isola internacionalmente. Enquanto o presidente americano ruma sozinho de volta ao passado, vários países e estados anunciam que fecharão a indústria de carvão para geração de energia - uma aliança criada nesta COP, chamada “Powering Past Coal Alliance”, formada por Inglaterra, Canadá, México, França, Finlândia, Nova Zelândia, Itália, Dinamarca, El Salvador, os estados americanos de Washington, Óregon, e as províncias canadenses de Quebec, British Columbia e Ontário.

    O governo brasileiro foi campeão, não apenas do “Fóssil do Dia”, mas também da contradição entre o que é dito e negociado internacionalmente e o que é feito dentro do país. No meio da COP23, enquanto a diplomacia brasileira propunha alternativas em busca de consenso entre os países, e até se colocou como o anfitrião para a COP25, em 2019, o governo Temer propunha a “MP do Trilhão”, medida provisória que pode dar, se aprovada pela Câmara, R$ 1 trilhão em subsídios para a indústria do petróleo. Em vez de anunciar pacotes de incentivo às energias renováveis e defender o Desmatamento Zero para conter as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, o país toma esta atitude esquizofrênica que pode aniquilar a meta de 1,5 grau.

    O avanço no combate às mudanças climáticas deve acontecer com a melhoria da vida de cada pessoa, na busca de um Brasil e um mundo mais justo. O Greenpeace sai da COP23 para a vida real apoiando uma agricultura sustentável e sem agrotóxicos, o desmatamento zero, o uso e implementação de transporte coletivo limpo e o investimento na energia solar. O que se espera dos governantes que estiveram nos corredores gelados de Bonn é que retornem para casa e arregacem as mangas a caminho de um futuro mais justo para todos.   Leia mais >

  • Recifes da foz do rio Amazonas.Crédito obrigatório: Divulgação/Greenpeace

    Os Corais da Amazônia estão protegidos por mais um período de novas petrolíferas com interesses na região ©Greenpeace

     

     

    Decisão foi em razão da demora no processo de licenciamento ambiental para blocos no mesmo local por empresas do setor.

     

    O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) retirou blocos de exploração na bacia da foz do Amazonas da 15ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, que acontece em 2018. A oferta de blocos foi postergada para 2019.

     

    Ao longo deste ano, o Greenpeace expôs os riscos associados a projetos de petróleo na região, juntamente com a comunidade científica, comunidades locais e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A decisão é uma grande notícia para os Corais da Amazônia e impede, pelo menos por mais um ano, que novas empresas tentem explorar petróleo na região.

     

    Em 29 de agosto deste ano, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da francesa Total foi rejeitado pelo Ibama devido a preocupações relacionadas aos riscos e possíveis impactos de um derramamento de óleo nos corais, em espécies ameaçadas de extinção ou ainda nem descobertas que lá habitam, em países próximos, e em comunidades que dependem da saúde do oceano para viver. A Total e a britânica BP admitiram em seus estudos que há até 30% de chances de que o petróleo atinja o recife de corais em caso de derramamento de óleo. A Total ainda tem uma última chance para obter a licença com a apresentação de um novo estudo de impacto.

     

    As Rodadas de Licitações são leilões por meio dos quais o governo concede o direito de explorar e produzir petróleo e gás natural no Brasil. Foi na 11ª rodada, em 2013, que a Total e a BP obtiveram seus blocos para perfurar petróleo perto dos Corais da Amazônia. Depois disso, iniciou-se o processo de licenciamento ambiental, que inclui o EIA  e audiências públicas com as comunidades locais - as audiências públicas da BP estão sendo realizadas neste mês, nos dias 9, 11 e 13, em Belém, Macapá e no Oiapoque.

     

    A retirada da oferta de novos blocos na bacia da foz do Amazonas foi devido à demora no processo de licenciamento ambiental pelas empresas do setor. “Até agora a Total e a BP não foram capazes de apresentar estudos de impacto ambiental adequados para justificar a viabilidade de seus projetos, justamente porque não é possível. As petrolíferas não conseguiram provar que a perfuração perto dos corais não representará um grande risco para este bioma incrível e inexplorado, e nenhuma outra empresa conseguirá. Qualquer petrolífera que tentar perfurar a região enfrentará os mesmos problemas, e precisamos continuar trabalhando para impedir que a indústria do petróleo atue na região”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.

     

    O ano está quase no fim e temos muito a celebrar! Mais de 1,3 milhão de pessoas, a comunidade científica, o Ibama e as comunidades locais já disseram não aos planos da Total e da BP, e agora o CNPE retirou todos os blocos na região da 15ª rodada de licitação. Esta é mais uma mensagem clara para as empresas, que devem desistir imediatamente dos seus planos.

    Juntos, impedimos novas ameaças, e seguiremos trabalhando ainda com mais força para chegar a uma vitória definitiva, garantindo que a Total, BP e todas as outras empresas de petróleo fiquem longe dos Corais da Amazônia.

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  • Os Corais da Amazônia estão protegidos por mais um período dos interesses comerciais de novas petrolíferas ©Greenpeace

     

    Decisão foi em razão da demora no processo de licenciamento ambiental para blocos no mesmo local por empresas do setor.

    O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) retirou blocos de exploração na bacia da foz do Amazonas da 15ª Rodada de Licitação de Petróleo e Gás, que acontece em 2018. A oferta de blocos foi postergada para 2019.

    Ao longo deste ano, o Greenpeace expôs os riscos associados a projetos de petróleo na região, juntamente com a comunidade científica, comunidades locais e o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A decisão é uma grande notícia para os Corais da Amazônia e impede, pelo menos por mais um ano, que novas empresas tentem explorar petróleo na região.

    Em 29 de agosto deste ano, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da francesa Total foi rejeitado pelo Ibama devido a preocupações relacionadas aos riscos e possíveis impactos de um derramamento de óleo nos corais, em espécies ameaçadas de extinção ou ainda nem descobertas que lá habitam, em países próximos, e em comunidades que dependem da saúde do oceano para viver. A Total e a britânica BP admitiram em seus estudos que há até 30% de chances de que o petróleo atinja o recife de corais em caso de derramamento de óleo. A Total ainda tem uma última chance para obter a licença com a apresentação de um novo estudo de impacto.

    As Rodadas de Licitações são leilões por meio dos quais o governo concede o direito de explorar e produzir petróleo e gás natural no Brasil. Foi na 11ª rodada, em 2013, que a Total e a BP obtiveram seus blocos para perfurar petróleo perto dos Corais da Amazônia. Depois disso, iniciou-se o processo de licenciamento ambiental, que inclui o EIA  e audiências públicas com as comunidades locais - as audiências públicas da BP estão sendo realizadas neste mês, nos dias 9, 11 e 13, em Belém, Macapá e no Oiapoque.

    A retirada da oferta de novos blocos na bacia da foz do Amazonas foi devido à demora no processo de licenciamento ambiental pelas empresas do setor. “Até agora a Total e a BP não foram capazes de apresentar estudos de impacto ambiental adequados para justificar a viabilidade de seus projetos, justamente porque não é possível. As petrolíferas não conseguiram provar que a perfuração perto dos corais não representará um grande risco para este bioma incrível e inexplorado, e nenhuma outra empresa conseguirá. Qualquer petrolífera que tentar perfurar a região enfrentará os mesmos problemas, e precisamos continuar trabalhando para impedir que a indústria do petróleo atue na região”, afirma Thiago Almeida, especialista em energia do Greenpeace Brasil.

    O ano está quase no fim e temos muito a celebrar! Mais de 1,3 milhão de pessoas, a comunidade científica, o Ibama e as comunidades locais já disseram não aos planos da Total e da BP, e agora o CNPE retirou todos os blocos na região da 15ª rodada de licitação. Esta é mais uma mensagem clara para as empresas, que devem desistir imediatamente dos seus planos.

    Juntos, impedimos novas ameaças, e seguiremos trabalhando ainda com mais força para chegar a uma vitória definitiva, garantindo que a Total, BP e todas as outras empresas de petróleo fiquem longe dos Corais da Amazônia.

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  • Vereador Milton Leite promete zerar emissões de ônibus de São Paulo em vinte anos

    Postado por Greenpeace e parceiros* - 8 - nov - 2017 às 16:15

    Presidente da Câmara promete atender parcialmente à demanda de organizações sobre fim de poluentes, mas o texto que vai a votação ainda pode melhorar

    O presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo, Milton Leite (DEM), afirmou que o conteúdo do Projeto de Lei (PL) de sua autoria sobre os combustíveis da frota de ônibus vai contemplar a demanda das organizações de zerar as emissões de poluentes pelos ônibus, mas só daqui a 20 anos. O vereador fez essa declaração em reunião realizada hoje (8/11), na câmara, com representantes do projeto Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo. O PL deverá ser colocado para primeira votação amanhã.

    O projeto de lei, que vai substituir a legislação em vigor de zerar os poluentes dos ônibus até 2018, completamente ignorada pela prefeitura e pelas empresas, escalona a transição do diesel para combustíveis limpos ao longo dos anos. A meta para os próximos dez anos, segundo Leite, é reduzir as emissões a 50% de Gás Carbônico (CO2), 80% de Óxido de Nitrogênio (NOx) e 90% de Materiais Particulados (MP). Em 20 anos, essas porcentagens deverão ser de 100% de CO2,  95% de NOx e 95% de MP.  Haverá sanções de até  R$ 3.500,00 por mês para cada ônibus que não cumprir a lei. A transição dos combustíveis será monitorada por um comitê que contará com a participação de membros da sociedade civil.

    “Do nosso ponto de vista, o ideal é que a transição fosse realizada em no máximo dez anos e apresentamos estudos técnicos que mostram que essa é seria uma meta possível, economicamente viável e benéfica para a cidade. Entretanto, depois de cinco meses de discussões, esse é o texto possível para o presidente da casa”, diz Flavio Siqueira, representante do projeto Cidades dos Sonhos.

    O vereador acredita que a segunda votação seja marcada para dentro de duas semanas. “Não vamos aceitar nada abaixo disso, e ainda há bastante espaço para subir a ambição. Vinte anos para zerar as emissões dos ônibus é muito tempo. Agora vamos dialogar com todos os vereadores para não permitir retrocessos”, afirma Davi Martins, do Greenpeace.

    De acordo com estudo do Instituto Saúde e Sustentabilidade, mais de 4 mil mortes por ano em São Paulo são causadas pela poluição dos ônibus. A pesquisa revela ainda que eliminação dos poluente poderia evitar um impacto bilionário na economia relacionado a problemas de saúde.

    Entenda o caso:

    2009 -  Promulgada lei n. 14.933/09 de Política Municipal de Mudança do Clima, segundo a qual a cidade deveria ter 100% de sua frota de transporte público municipal movida a combustíveis limpos até 2018.

    2017 – A legislação foi sumariamente ignorada pelas empresas e pela prefeitura.

    Menos de 2% dos pouco mais de 14 mil ônibus que rodam na cidade são abastecidos com combustíveis não poluentes - três ônibus elétricos, 200 trólebus e 10 ônibus movidos a álcool.  

    Maio de 2017 – O vereador Milton Leite (DEM) apresenta Projeto de Lei (PL 300) para substituir os combustíveis da frota de diesel especificamente por biodiesel até 2037, sem deixar margem para utilização de outras tecnologias de combustíveis limpos.

    Maio de 2017 – Instituto Saúde e Sustentabilidade divulga estudo que mostra que 4.700 pessoas morrem, todo ano, em São Paulo em decorrência da inalação de material particulado vindo dos ônibus municipais e gera custos de R$ 54 bilhões com saúde da população.

    Agosto de 2017 – Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo iniciam campanha para uma transição completa dos atuais ônibus a diesel para combustíveis 100% limpos em menos de 10 anos com sanções para as empresas que descumprirem as metas. Com economia de 28% para os cofres públicos.

    Em audiência pública, vereador Milton Leite propõe substitutivo ao texto original. Abandona a definição da tecnologia a ser utilizada (biodiesel) e propõe uma meta de redução de apenas 20% de  gás carbônico (CO2), 60% de  Óxido de Nitrogênio  (NOx) e 70% de Material Particulado (MP), em 10 anos.

    Primeira reunião das organizações com o vereador Milton Leite, que se compromete a elevar as metas de redução de emissões, a impor sanções para as empresas que descumprirem a lei, incluir a sociedade civil e auditoria independente no monitoramento das empresas.

    Setembro de 2017 – Em nova audiência pública, os vereadores Milton Leite e Gilberto Natalini, apresenta novo texto prevendo uma meta ainda tímida: 40% de CO2, 70% de NOx e 80% de MP, em 10 anos e com sanções fracas pras empresas.

    Segunda reunião das organizações com o vereador Milton Leite. Os estudos de viabilidade técnica e econômica para uma transição completa são reiterados pelas organizações. Milton Leite não reconhece a validade dos estudos apresentados.

    Comitê Municipal de Mudança do Clima emite parecer sobre a necessidade e viabilidade de zerar as emissões de CO² em até 20 anos.

    Outubro de 2017 - Terceira reunião das organizações com vereador Milton Leite, com participação do vereador Gilberto Natalini. Milton Leite continua a ignorar os estudos técnicos apresentados e não define data para o fim das emissões de poluentes pelos ônibus.

    (Texto de: Cidade dos Sonhos, Greenpeace, Idec, Minha Sampa e Rede Nossa São Paulo)  Leia mais >

  • Bula!

    Postado por Fabiana Alves* - 7 - nov - 2017 às 16:20 1 comentário

    A saudação, que para a população de Fiji significa "vida", é a palavra que precisa permear as negociações e discursos da COP23, que começou nesta semana.

    Banner pede "Justiça climática, já! Fim do carvão", na Marcha pelo Clima, em Bonn na Alemanha. Mais de 25 mil pessoas foram às ruas para apoiar o fim dos combustíveis fósseis. (Foto: ©Fabiana Alves/ Greenpeace)

    Apesar do frio que faz em Bonn, na Alemanha, são coqueiros o símbolo da 23ª Conferência do Clima da ONU (a COP23), que está acontecendo nessa cidade alemã. Os coqueiros representam Fiji, o arquipélago no Pacífico que está presidindo as negociações sobre como combater o aquecimento global e dimininuir as emissões de gases de efeito-estufa.

    Ter Fiji na presidência de uma COP na Europa tem uma simbologia importante. Representa a urgência para a implementação do Acordo de Paris com regras para que a população dessa ilha e de tantos outros países não sofram ainda mais as consequências do aquecimento global.

    Fiji está na lista de países muito vulneráveis às mudanças climáticas. Já sofre com tempestades cada vez mais comuns, e corre o risco de desaparecer do mapa devido ao aumento do nível do mar e o aquecimento das águas do Pacífico.

    As negociações deste ano se dão em um momento crucial para tentarmos evitar consequências mais trágicas, resultados das mudanças climáticas. A COP deste ano precisa alcançar um progresso real nas diretrizes de implementação do Acordo de Paris.

    A Organização Meteorológica Mundial (OMM) mostrou o tamanho do nosso desafio e a urgência em combater o aquecimento global com novo relatório. O documento afirma que houve um recorde de aumento de temperatura em 2017: A temperaturas médias do nosso planeta estão 1,1 grau Celsius mais altas do que as temperaturas que tínhamos entre 1880 a 1900, quando começamos a queimar combustíveis fósseis e a medir as temperaturas da Terra.

    O recado ficou claro para os país que assinaram e ratificaram o Acordo de Paris. Eles devem implementar medidas ambiciosas para evitar que o mundo chegue a temperaturas acima de 2 graus Celsius até o fim do século – e que, de preferência, não ultrapasse 1,5 grau Celsius. Isso está estabelecido no Acordo, mas precisa estar na prática nos planos desses governos.

    A sociedade civil está fazendo sua parte ao demonstrar preocupação com investimentos governamentais em energia fóssil. No sábado, antes mesmo da abertura da COP, aconteceu a Marcha pelo Clima em Bonn. Vinte e cinco mil pessoas fora às ruas pedindo o fim da era do carvão e dos combustíveis fósseis.

    Já no primeiro dia da COP, foram as crianças da escola Kids for Earth que marcharam rumo ao centro de conferências onde acontece a conferência. Elas pediam que os governos "salvem o planeta e não o dinheiro". Essa é a geração que está dando um passo à frente e pensando no futuro, delas e das que virão. E estão mostrando que sabem o que deve ser feito para que tenhamos um futuro seguro.

    >> Leia mais: Relatório do Greenpeace mostra como mudanças climáticas vão agravar desigualdades sociais no Brasil

    A COP23 acontecerá até o dia 17 de novembro e mostrará ao mundo se governos estão representando avanços para implementar o Acordo de Paris. De acordo com Patricia Espinoza, Secretária Executiva da UNFCCC, “não temos mais o luxo do tempo”.

    "Bula", para a população de Fiji, é uma saudação que significa “vida”. E é essa palavra que esperamos encontrar nas entrelinhas das ações e discursos dos governantes que estão na COP23. É a vida, principalmente das populações mais vulneráveis, como os moradores de Fiji que temos a obrigação de salvar. A partir de hoje, sem mais demora.

    *Fabiana Alves é especialista em Clima do Greenpeace Brasil e está em Bonn, na COP23. Leia mais >

  • Muito gás carbônico na atmosfera. Pouca ambição em nossos governantes

    Postado por Greenpeace - 2 - nov - 2017 às 13:00

    Relatórios lançados nos últimos dias comprovam aumento histórico de emissões de gás carbônico e pouca ambição dos países signatário do Acordo de Paris para reverter o aquecimento global.

    Vista aérea de uma usina térmica a carvão na Alemanha. O país será a sede das negociações climáticas da COP 23, este ano. (Foto: ©Bernd Arnold/VISUM) Leia mais >

    Em alguns dias, começará mais uma rodada de negociações sobre como combater as mudanças climáticas – ou ao menos contê-las. Governantes e representantes de países do mundo estarão em Bonn, na Alemanha, para a 23ª Conferência do Clima da ONU, a COP 23.

    Duas notícias divulgadas nos últimos dias movimentaram o debate sobre o tema. E mostraram o quão desafiador será para nós construirmos um futuro mais seguro para as próximas gerações.

    O relatório da Organização Meteorológica Mundial (WMO, da sigla em inglês) mostrou que em 2016, as concentrações de gás carbônico (CO2) em nosso planeta foram recordes. O gás, que é um dos maiores responsáveis pelo aquecimento global, alcançou o maior nível dos últimos 800 mil anos. O rápido crescimento do CO2 na atmosfera está causando mudanças sem precedentes no sistema climático, segundo o relatório. E a ação humana foi considerada, junto ao fenômeno do El Niño, como a principal causa do aumento.

    A outra notícia veio da Unep, o braço ambiental da ONU. Mesmo que os  países que assinaram o Acordo de Paris cumpram todos os seus compromissos de redução de gases de efeito estufa, será improvável conter o aumento das temperaturas globais em 2 °C. A previsão é de que todo o esforço representará apenas um terço do que o mundo precisa fazer até 2030 – prazo colocado nas metas.

    "O Acordo de Paris foi só o começo. Precisamos de ações mais rápidas e corajosas. Lideranças precisam surgir em Bonn e aproveitar esse momento para tomar medidas mais fortes e pressionar outros a se responsabilizar a cumprir suas obrigações. Nós ainda podemos conter aquecimento do planeta em até 1,5 °C se trabalharmos juntos", disse a Diretora Executiva do Greenpeace Internacional Jennifer Morgan.

    "Quanto antes agirmos, melhor. A série de furacões, enchentes e secas que vimos neste ano vai só piorar se perdermos a nossa chance. A obrigação de todos os países que estarão em Bonn deve ser manter as fontes fósseis no chão", completa.

    >> Leia mais: Relatório do Greenpeace mostra como mudanças climáticas vão agravar desigualdades sociais no Brasil

    O Greenpeace pede para que os países presentes na COP 23 elevem a ambição para as ações de combate às mudanças climáticas. "A mensagem é clara: Nosso clima está mudando e governantes devem acelerar suas ações. E, mais do que isso, é hora de começarmos a falar sobre as responsabilidades dos emissores de carbono. Até agora, os poluidores estão evitando se responsabilizar pelos gases de efeito estufa que eles jogam na atmosfera. Isso deve mudar. Eles devem ser responsabilizados e devem contribuir com o combate às mudanças climáticas, seja por meio de investimentos em mitigação, apoio à adaptação ou a compensação de danos causados por eventos climáticos", acrescentou Jennifer.

  • Rio Doce: 2 anos de luta e lama

    Postado por Fabiana Alves* - 1 - nov - 2017 às 14:00

    O Greenpeace recorre às palavras de Martin Luther King para enviar uma mensagem aos atingidos pela lama da Samarco, que ainda esperam ser ressarcidos: “Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.”

    Em novembro de 2016, ativistas do Greenpeace e cerca de mil pessoas do Movimento dos Atingidos por Barragens fizeram um ato pedindo justiça depois do rompimento da barragem de Fundão. Agora, dois anos depois do desastre, pouca coisa mudou na vida dos atingidos. (Foto: © Julia Moraes/Greenpeace)

     No dia 5 de novembro de 2015, o Brasil parou para ouvir as notícias de que a Barragem de Fundão, no Distrito de Mariana, em Minas Gerais, havia se rompido. As sirenes, que deveriam alertar os moradores de Bento Rodrigues a tempo de eles evacuarem a área, não existiam. Foram o rádio, a tevê, e os telefones que trouxeram a notícia das mortes e da devastação. A empresa Samarco, pertencente à Vale e BHP Billiton, havia cometido um dos maiores crimes socioambientais do Brasil.

    Não houve presidente da República no local, nem um, nem dois dias após o rompimento da barragem. Não havia informação correta sobre a magnitude do desastre, e a lama foi destruindo mais de 600 km do já castigado Rio Doce. Por 15 dias, até a chegada da lama em Regência, na foz do rio, a lama desfilou aos olhos atônitos de futuros atingidos, que a esperavam. Agora, após 2 anos, eles ainda esperam ser ressarcidos pela empresa.

    Em novembro de 2016, o Greenpeace, junto ao Movimento dos Atingidos por Barragem, pediu por Justiça na região.  Ao longo de 2017, publicou estudos que comprovam a contaminação da água e da fauna, os problemas de saúde da população de cidades como Barra Longa, a violação de direitos dos Krenaks e dos atingidos da foz do rio, e a possibilidade de se reflorestar as margens da Bacia do Doce. Esses estudos aumentaram o coro da sociedade civil pedindo por medidas concretas por parte das empresas envolvidas e do governo.

    O promotor do caso Guilherme Meneghin, em entrevista ao Globo Repórter sobre o desastre, afirma que pouco foi feito na região pela Fundação Renova. A entidade foi criada em um acordo entre as empresas, o governo federal e o governo dos estado de Minas Gerais e Espírito Santo – e o acordo já foi extinto. O Ibama, em diversos relatórios, destaca a necessidade de aceleração da recuperação do leito do Rio Doce, que foi devastado pela lama.

    Após 2 anos, atingidos ainda aguardam nova moradia recebendo pouco da empresa para sobreviver. Apesar de serem os que mais sofrem com o crime da Samarco, são tratados com desdém e desrespeito por parte da opinião pública. Os que reclamam seus direitos são selecionados como “aproveitadores”. Na realidade, quem se aproveita dos recursos minerais brasileiros sem qualquer contrapartida à população e ao meio ambiente são as grandes empresas privadas, como Vale e BHP Billiton, que exploraram a região por anos, cometeram crimes e ainda fazem o mínimo para reparar os danos causados.

    O desequilíbrio de poderes entre empresa e sociedade civil no Brasil é visível em crimes como esse, além do descaso do poder público. Apesar de todo o sofrimento que a omissão do Estado e a dominação de mineradoras – como a Vale na região – causam, há uma ampla rede de organizações e mobilização civil para que o crime da Samarco nunca seja esquecido. A Aliança Rio Doce, o Movimento dos Atingidos por Barragens, o Greenpeace, o jornal A Sirene e a própria mobilização dos atingidos representam parte da resistência ao abusos cometidos na região.

    Nesses dois anos de desastre em que tão pouco foi feito, o Greenpeace recorre às palavras de Martin Luther King para passar uma mensagem aos atingidos:“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito”.

    Justiça ao Rio Doce, justiça aos atingidos, hoje e sempre.

    *Fabiana Alves é especialista do Greenpeace em Água  Leia mais >

  • Com lançamento previsto para 9 de novembro, novo documentário do Al Gore mostra os efeitos do aumento das temperaturas da Terra e os caminhos da negociação até o Acordo de Paris

    Cartaz do documentário, que estreia dia 9 de novembro no Brasil.

    Quando em uma das cenas finais de seu novo documentário, Al Gore questiona quanto tempo o movimento para combater a crise climática levará para triunfar, ele recorre a uma frase de Martin Luther King para responder "não muito". "Porque nenhuma mentira pode durar para sempre. Quanto tempo? Não muito porque o arco moral do universo é longo, mas este inclina-se em direção à justiça", cita. 

    Seu segundo documentário, chamado Uma Verdade Mais Inconveniente, estreia no Brasil no dia 9 de novembro e traz a mensagem esperançosa de que o movimento para combater o aquecimento do planeta – e cortar emissões de gases que agravam o fenômeno – está num ponto de virada. E vemos com exemplos da história que o caminho é longo, mas que chegaremos lá. Nesse ponto de virada já estiveram movimentos como o da abolição, como o movimento anti-apartheid décadas atrás e o do direito ao voto às mulheres. Esses movimentos, diz Al Gore, fizeram a sociedade escolher sobre o que era certo ou errado.

    O documentário mostra como as mudanças climáticas já estão afetando grande parte da população mundial. Seus efeitos são vistos em inundações em cidades ricas, como Miami Beach e Nova York. Mas também – e em maior gravidade – em países em desenvolvimento, como as Filipinas. Em 2013, o país asiático vivenciou o maior tufão já registrado na história, que deixou milhares de mortos e desabrigados. E retrata os caminhos até a assinatura do Acordo de Paris – e o seguido retrocesso, quando Donald Trump tirou os Estados Unidos do acordo. Mesmo assim, 169 países já ratificaram o acordo, e a mudança está a caminho.

    Assista ao trailer do filme.

    Cine-debate

    Na noite de 24 de outubro, o Greenpeace participou de uma sessão especial do documentário, seguida de um debate. Entre os convidados estavam Fabiana Alves, especialista em Clima do Greenpeace Brasil, Alfredo Sirkis, representando o The Climate Reality Project, André Nahur,  coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil e Delcio Rodrigues, da ClimaInfo como mediador.

    Entre os temas levantados por eles e pela plateia estiveram os retrocessos da agenda política atual. O governo brasileiro, apesar de ter assinado o Acordo de Paris, aprova no Congresso um pacote de retrocessos à legislação ambiental brasileira, que podem aumentar o desmatamento na Amazônia, um dos principais fatores de emissão do país.

    Para o Brasil, as consequências do aumento da temperatura global já estão acontecendo. E foi consenso entre os participantes e a plateia que as mudanças climáticas são um problema ambiental e social. Aumento da seca, diminuição da produção de grãos e inundações são apenas alguns exemplos de realidades que já acontecem aqui. O Nordeste seria uma das regiões mais afetadas no Brasil. E cidades como Santos e Rio de Janeiro poderiam ter parte de suas infraestruturas destruídas pelo aumento do nível do mar.

    Apesar do contexto negativo da política brasileira e da saída de Trump do Acordo de Paris, o mundo caminha para adotar políticas concretas que revertam as mudanças climáticas. O mundo deve resistir aos retrocessos e continuar o caminho em direção à diminuição das emissões de CO2 e às energias renováveis.  Leia mais >

  • Sentimos profundamente a perda de uma amiga e colega

    Postado por Greenpeace - 18 - out - 2017 às 18:34

    É com profunda tristeza que confirmamos que nossa querida amiga e colega Carolina Nyberg-Steiser, 29 anos, do Greenpeace Nórdico, faleceu em um trágico acidente na Amazônia

       

    Carolina estava viajando em um pequeno avião anfíbio, que caiu ao pousar no rio Rio Negro perto da cidade de Manaus, no Amazonas. As causas do acidente ainda não foram confirmadas. O acidente aconteceu na terça-feira, dia 17, às 10h50 de Manaus.

    Ela veio ao escritório do Greenpeace Brasil para aprender mais sobre nossa campanha de Amazônia e como trabalhamos para protegê-la. Carolina fez um sobrevoo para ver pela primeira vez a beleza da floresta.

    As outras quatro pessoas - todos brasileiros - que estavam a bordo, incluindo o piloto, sobreviveram, tiveram ferimentos leves e passam bem.

    Por respeito à família de Carolina, o Greenpeace não irá fazer novos comentários neste momento.

    Sentiremos profunda saudade de Carolina!

    Nossos sentimentos estão com a sua família.

    Patrik Eriksson, diretor de Programas do Greenpeace Nórdico

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  • Bem-vindo a Bordo

    Postado por Tiago Batista - 3 - out - 2017 às 18:37

    Em 1971, um velho barco de pesca uniu 12 ativistas para impedir que os Estados Unidos realizassem testes nucleares. Essa incrível expedição não conseguiu impedir o teste no Alasca, EUA. Mas aquele navio, batizado de Green Peace, foi a semente que levou adiante o sonho de um mundo melhor.

    Esses indivíduos ousaram sonhar grandes sonhos e a ideia de que poderiam mudar o mundo e fazer a diferença por um planeta mais verde e pacífico se tornou o Greenpeace. Entre as muitas ferramentas para ações e pesquisas, hoje a organização tem três barcos percorrendo o mundo, fazendo denúncias e alertando sobre os crimes ambientais que empresas e governos permitem que aconteçam.

    E por isso convidamos você, doador, a subir a bordo dos nossos navios e acompanhar nosso Diário de Bordo, acompanhando nossas vitórias, campanhas, projetos e desafios! Embarque com a gente!

    Conheça mais sobre cada um deles:

    Arctic Sunrise História e Facebook

     

    Rainbow Warrior História e Facebook

     

    Esperanza História e Facebook 

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