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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • “A PEC 215 é uma sandice política”

    Postado por Alan Azevedo - 28 - mai - 2015 às 9:44

    Senador Capiberibe: "a PEC vem criando uma instabilidade, uma ansiedade, uma angústia entre os povos indígenas e quilombolas de todo o País" (© Alan Azevedo / Greenpeace)

     

    Em seu segundo mandato como senador pelo Amapá, João Capiberibe (PSB), 68 anos, está esbanjando energia. Nas últimas semanas, assumiu o papel de pivô na articulação de um manifesto, lançado nesta terça-feira (27/05), que produziu um fato político de primeira grandeza: o documento expôs que a maioria do Senado Federal é contra a famigerada PEC 215, Proposta de Emenda Constitucional que, entre outros pontos polêmicos, transfere para o Congresso atribuições de oficializar Terras Indígenas, Unidades de Conservação e Territórios Quilombolas.

    Entrevistado pela reportagem do Greenpeace na própria terça 27, Capiberibe se mostrou favorável à causa dos povos tradicionais e reconheceu a importância dos território indígenas como mantenedores da floresta e, consequentemente, do equilíbrio climático global. O senador ainda cita a aprovação do novo Marco Legal da Lei de Acesso à Biodiversidade, que foi condicionante para o posicionamento do Senado contra a PEC 215, e os impactos socioambientais das hidrelétricas. “O fato de não reconhecerem os direitos dos povos indígenas e quilombolas significa não reconhecê-los como gente, como pessoas”, disse ele.

    Leia a seguir os melhores momentos da entrevista:

    Greenpeace - Na prática, a rejeição prévia do Senado enterra a PEC 215. Mas e a Comissão Especial da Câmara que analisa o texto, conhecendo o significado desse ato, continuará a trabalhar  e prosseguirá com a votação?

    João Capiberibe - Quando 42 senadores assinam um manifesto em apoio à sociedade civil contra a PEC 215, isso significa uma maioria absoluta que vai resistir caso a Câmara insista com essa invenção inconstitucional,  que do ponto de vista político parece uma sandice política. Eu tenho a impressão que ele [o manifesto] vai esmorecer muito os defensores dessa iniciativa lá na Câmara. Eu espero que sirva para isso, até para devolver a tranquilidade à Casa, já que a PEC vem criando uma instabilidade, uma ansiedade, uma angústia entre os povos indígenas e quilombolas de todo o País. Porque além dela ameaçar direitos, na prática ela tem um efeito perverso de paralisar os processos de demarcação e homologação de terras [indígenas] que já estão homologadas. Esse Manifesto é um marco histórico em relação à luta dos povos indígenas, é uma clara demonstração de que o Senado está absolutamente preocupado e antenado com a luta desses povos para garantir seus direitos constitucionais.

    GP - O senhor esteve no Acampamento Terra Livre durante a Semana de Mobilização Indígena (de 13 a 16 de abril), discursou a favor da causa e ajudou na articulação de um ato solene no Senado. Qual foi sua avaliação política sobre o evento?

    JC - Eu acho que a presença das lideranças indígenas aqui no Abril Indígena foi muito importante para sensibilizar os parlamentares, principalmente no Senado. Conseguimos uma solenidade no plenário do Senado em homenagem à luta dos povos indígenas com a participação de vários senadores. Houve não só uma maior sensibilidade, mas uma compreensão da luta desses povos, o que permitiu chegar a esse número expressivo de signatários se posicionando contrariamente à PEC 215.

    O senador compareceu ao Acampamento Terra Livre, realizado por mais de 1,5 mil indígenas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. 15 de abril de 2015 (© Alan Azevedo / Greenpeace)

     

    GP - Na semana passada, em audiência pública na Câmara dos Deputados que debatia os direitos indígenas e a PEC 215, a vice-procuradora geral da República Deborah Duprat acusou o Congresso de ser hostil com os índios e de nunca promover efetiva consulta e participação aos povos tradicionais no desenvolvimento de políticas públicas indígenas...

    JC - A gente sempre tem uma esperança de que os deputados possam modificar as condições de recebê-los [os índios e quilombolas]. O problema é principalmente esse desconhecimento e não reconhecimento do outro, que termina prevalecendo em alguns parlamentares. O fato de não reconhecerem os direitos dos povos indígenas e quilombolas significa não reconhecê-los como gente, como pessoas.

    GP - E esse não reconhecimento está muito claro nos processos políticos já que a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece que os povos tradicionais devem ser consultados em processos que afetem seus direitos. Mas desde a criação da PEC 215 acontece justamente o contrário.

    JC - Exatamente. E não são apenas essa iniciativas na Câmara que acabam confrontando as decisões da OIT, mas também o próprio poder executivo, quando decide construir uma hidrelétrica que atinge e impacta de forma muito negativa as comunidades indígenas. E o faz sem consultá-las. Isso contraria totalmente as decisões da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário. Então nós temos obrigação de respeitar. Ainda mais se assinamos, temos de honrar essa assinatura.

    GP - O senhor citou hidrelétricas. O processo de licenciamento da Usina de Tapajós, por exemplo, não contemplou em nenhum momento o povo indígena Munduruku, que habita a região há gerações.

    JC - E como se o impacto socioambiental não fosse suficiente, algumas hidrelétricas hoje, como a de Três Marias em Minas Gerais, das suas seis turbinas apenas uma funciona. Ou seja, não tem água, e essa hidrelétrica de Três Marias foi inaugurada em 1962. Naquele momento não passou na cabeça dos que tomaram a decisão de construí-la de que um dia faltaria água. Do mesmo jeito vai ficar a hidrelétrica do Alto Xingu, a [Usina de] Belo Monte – ou mesmo a do rio Tapajós. Hoje dificilmente alguém poderia afirmar que o rio Xingu vai secar. Mas com o avanço do desmatamento é seguro que vai acontecer em Belo Monte o que aconteceu com a Três Marias.

    GP - Para fechar: o senhor participou da COP19, em Varsóvia, e tem familiaridade com o tema mudanças climáticas. Estudos demonstram que as TIs são as Áreas de Proteção de maior eficiência contra o desmatamento, este um grande responsável pelas emissões de gás de efeito estufa. O senhor acha que esse pode ser um argumento pelos direitos indígenas?

    JC - Eu acho que no Senado nós já tivemos uma prévia na hora que votamos o Marco Legal da Lei de Acesso à Biodiversidade e Conhecimento Genético Associado. Naquele momento, nós repusemos vários direitos que haviam sido retirados pela Câmara das comunidades tradicionais. E nós já tivemos uma posição muito importante e avançada no Senado. Eu acho que a partir dali, do debate que foi feito e da decisão tomada em relação ao Marco Legal, terminou por fazer avançar essa posição pelos direitos indígenas no Senado. Eu acho que o Senado, essa legislatura, tem compromisso com o meio ambiente e reconhece o papel dos povos indígenas e das comunidades tradicionais na preservação da biodiversidade e mais do que isso, na preservação do clima do Planeta.  Leia mais >

  • Óleo, gelo e fogo

    Postado por Thiago Almeida - 27 - mai - 2015 às 9:58

    Imagem do filme "Uma canção de Óleo, Gelo e Fogo" © Greenpeace/KennardPhillips

     

    A destruição do Ártico está mais perto do que se imagina. A região pode ser ameaçada por uma plataforma de petróleo da Shell em menos de 5 semanas. E quando a exploração começar, existe 75% de chance de um ou mais vazamentos de larga escala acontecerem, de acordo com análise do governo dos Estados Unidos – o mesmo que dias atrás permitiu o acesso da Shell ao Ártico.

    Com o apoio dos artistas do grupo KennardPhillips, que denunciou a invasão americana no Iraque em 2002, o Greenpeace produziu o vídeo "Uma Canção de Óleo, Gelo e Fogo" para mostrar qual o objetivo da Shell no Ártico. Os artistas juntaram arte e gelo com fogo e óleo nesse vídeo incrível:

     

    A reputação dessa gigante do petróleo é um de seus maiores bens. E a Shell precisa desesperadamente do apoio do público, de políticos e investidores enquanto sua plataforma de exploração se aproxima do Ártico. Por isso que a empresa gasta milhões e milhões em propaganda massiva, promovendo a marca como responsável e ética.

    Mas o Greenpeace sabe que a Shell está longe disso. Nosso trabalho é expor ao mundo os planos dessa empresa irresponsável com a vida no planeta. E com a participação da sociedade civil, é possível impedir a destruição do Ártico.

    Entre no site, compartilhe o vídeo nas redes sociais, mostre para seus amigos e familiares. Espalhe essa mensagem. Salve o Ártico!

    *Thiago Almeida é da campanha Salve o Ártico do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Dia de Ação Global pelo Clima: mobilize-se!

    Postado por Marina Yamaoka - 25 - mai - 2015 às 11:00 1 comentário

    30 de maio é o 150o dia do ano. Também é o Dia das Bandeiras. Mas o que torna este 30 de maio especial não é nenhum destes fatos e, sim, a possibilidade de se mobilizar pela proteção do clima. O Greenpeace – e organizações como a Avaaz, 350.org, Friends of the Earth, a Climate Action Network – convidam para o Dia de Ação Global pelo Clima.

     

    Você terá a oportunidade de aprender sobre mudanças climáticas e possíveis soluções para combatê-las, além de poder compartilhar o que você já faz no dia a dia pelo clima! 

     

    Neste 30 de maio, diferentes atividades acontecerão ao redor do mundo para espalhar a mensagem de que enquanto os políticos discutem a portas fechadas, as pessoas nas ruas já estão agindo e construindo o mundo que querem. Para se mobilizar e engrossar o caldo, vale tudo: performance, encenação, palestra, flash mob e o que mais a criatividade permitir.

    No Brasil, pedimos que as pessoas contem o que já estão fazendo e compartilhem suas histórias para inspirar muitos mais a agir. Não se esqueça de usar a #eumudei e mobilize-se pelo clima!

     

    Contamos com a sua participação e divulgação! Baixe aqui os materiais do Dia de Ação Global.
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  • A importância dos mananciais

    Postado por Alan Azevedo - 24 - mai - 2015 às 16:25

     

    Mais um dos nove episódios sobre o seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões" está no ar. Dessa vez o geógrafo Arpad Spalding, coordenador de projetos do Instituto Kairós e atuante no grupo Boraplantar, um mutirão de plantio para recuperação das matas ciliares às margens de rios e nascentes do estado de São Paulo, explica o papel fundamental dos mananciais na crise hídrica.

    “Sem os mananciais, o reservatório do Cantareira nada faria além de armazenar água da chuva, como uma grande cisterna. Mas graças a essas áreas, o Cantareira é capaz de produzir água”, elucida Spalding, e denuncia: “a Sabesp não tem feito as ações necessárias para que os mananciais da região produzam água”.

    Assista ao terceiro vídeo da série; são apenas 4 minutos para entender mais sobre a crise da água e como ser um cidadão mais consciente de seu papel na comunidade.

    Assista também: Leia mais >

  • Rios e nascentes esquecidos

    Postado por Alan Azevedo - 23 - mai - 2015 às 17:00

     

    O segundo vídeo da série de nove do seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo pelo Greenpeace e organizações parceiras, vai debater o processo de empoderamento do cidadão em relação às questões públicas da cidade.  

    Quem fala é Adriano Sampaio, ativista ambiental que estuda as nascentes e rios de São Paulo através da sobreposição de mapas antigos dos percursos originais dos rios com o mapa da cidade hoje.

    Ele explora diariamente a cidade para (re)descobrir esses caminhos fluviais e registra o trabalho por meio de curtas e fotos publicados na página Existe água em SP.

    “A gente não tem que esperar o poder público. Todo dia que eu saio para ver os rios, eu vejo os canos contaminando as águas. Se eles quisessem parar, já teriam feito”, afirma Sampaio.

    São só três minutos. Assista, eduque-se em relação à água e mude a realidade de sua cidade.

    Assista também: Leia mais >

  • Água e Educação: nove vídeos para refletir

    Postado por Alan Azevedo - 23 - mai - 2015 às 14:00

     

    O seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo pelo Greenpeace, Instituto 5 Elementos, Namu, Nace Pteca, OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq e Sala Crisantempo, foi divido em nove partes, cada uma referente a um palestrante convidado.

    A programação, que tinha como objetivo dar visibilidade as práticas educativas com foco na temática da água e apresentar conhecimentos básicos sobre a questão, foi além ao analisar as ações socioeducativas e de mobilização possíveis para lidar com a crise. O seminário ofereceu um novo ponto de vista sobre participação e educação em relação à gestão e consumo de água pela sociedade, a fim de avançar no debate da crise hídrica.

    Para abrir a sequência de vídeos, começamos com André Biazoti. Formado em Gestão Ambiental pela ESALQ/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), atua na área de desenvolvimento local sustentável, agroecologia, agricultura urbana e gestão ambiental. Ele é Coordenador de Projetos no Instituto 5 Elementos e conselheiro no Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de São Paulo.

    “A água é um recurso hídrico ou um bem comum? Como que a nossa sociedade enxerga a água dentro do nosso paradigma de desenvolvimento?”. Esse é o tema que Biazoti aprofunda por cerca de 3 minutos. “A crise pode ser uma oportunidade para a gente resignificar a nossa relação com a água, e deixar de usá-la de maneira muito utilitarista”.

    Assista ao vídeo e compreenda melhor a questão da água e seu papel de cidadão no combate à crise hídrica. Leia mais >

  • A verdade sobre a Sabesp e os descontos para grandes consumidores

    Postado por Pedro Telles* - 22 - mai - 2015 às 17:24 1 comentário

    Em um importante passo rumo à transparência na crise hídrica que o estado de São Paulo enfrenta, a Pública e a Artigo 19 divulgam, na íntegra, 537 contratos firmados entre a Sabesp e grandes consumidores de água. Por meio dos contratos, a Sabesp dá a empresas e organizações que consomem mais de 500 mil litros de água por mês descontos especiais: quanto mais água usam, menos pagam por litro.

     

    Desde março o Greenpeace e milhares de cidadãos têm pedido o fim desses descontos, que são injustos por beneficiarem atores de grande poder econômico enquanto a população sofre com falta de água e aumentos na conta. Também trata-se de uma medida insustentável, que estimula o desperdício.

     

    O conteúdo dos contratos, que vinha sendo escondido pela Sabesp há seis meses, traz graves revelações: empresas que lucram bilhões de reais por ano acumulam milhões em descontos, enquanto cidadãos sofrem com aumentos em suas contas de água que já somam 22,7% desde dezembro de 2014. Ao longo de 2014, quando a crise já estava instalada, 36 novos contratos foram firmados, com nove deles tendo vigência até 2019.

    Nesta semana, o Ministério Público Estadual (MPE) também abriu uma investigação sobre o assunto, reforçando a necessidade de se questionar o planejamento hídrico da Sabesp.

    Assinem pelo fim dos descontos para grandes consumidores em nossa página www.aguaparaquem.org.br.

    Pedro Telles é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Governadores: acabem com o ICMS solar já!

    Postado por Marina Yamaoka - 20 - mai - 2015 às 15:41

    Desde fevereiro de 2014 as placas solares do Minha Casa, Minha Vida, em Juazeiro, já gerou cerca de 2.000.000 kWh de energia limpa, comercializada no mercado livre. O dinheiro desta venda é depositado na conta das famílias. Ao promover a capacitação de moradores na instalação das placas, a iniciativa também promoveu a união entre as pessoas e a inclusão social, já que aumentou a renda da população local., (©Greenpeace/Carol Quintanilha)

     

    Está no ar um abaixo assinado da Avaaz para pressionar os governadores a assinarem o convênio nº 16 do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária), que permite aos Estados eliminar o imposto ICMS que incide na geração de eletricidade por meio de painéis solares, tornando essa energia mais barata e contribuindo para sua popularização. 

    Ajude a fazer com que o Sol brilhe mais forte em todos os cantos do Brasil! Assine e divulgue a petição.

    O Brasil é, sem dúvida, um dos países mais ensolarados no mundo. Tanto Sol serve para muito mais do que bronzear os brasileiros no verão, toda a irradiação solar poderia ser aproveitada para gerar energia limpa e renovável e ainda aliviar a rede elétrica em tempos de crise.

    Até agora quatro Estados interessados em incentivar a energia solar isentaram seus cidadãos que optam por gerar sua própria energia de pagar o tributo: São Paulo, Pernambuco, Goiás e Minas Gerais. Eles representam 40% da população brasileira, que passa a ter a possibilidade de gerar sua própria energia de forma mais barata, sustentável e democrática. Vamos pedir que todos os governadores incentivem a energia solar no Brasil e, juntos, fazer a revolução solar!

    Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a desoneração do ICMS em todos os estados faria com que o país tivesse 55% a mais de sistemas instalados em 2023 do que o que seria alcançado se o cenário permanecesse o mesmo.

    Se você também quer um Brasil solar assine e compartilhe a petição! Leia mais >

    Ajude a derrubar o ICMS, assine a petição

  • Mais de mil sorrisos iluminados pelo Sol

    Postado por Marina Yamaoka - 11 - mai - 2015 às 23:02 1 comentário

    Hoje, mil e duzentas estudantes chegaram na Escola Estadual Oswaldo Aranha, no bairro de Artur Alvim, em São Paulo, e saíram de lá transformadas, com a certeza de que nunca mais olharão o Sol como antes. Durante a sexta-feira e o sábado - 8 e 9 de maio - foram instaladas 48 placas solares no telhado da escola que permitirão uma economia de 25% do gasto da escola com eletricidade. As placas e o Sol não foram os únicos que brilharam durante os dias de instalação, ainda tivemos diversão e muito conhecimento com os alunos que participaram de oficinas sobre energia solar.

     

    Contamos com a presença ilustre de 14 Multiplicadores Solares, jovens selecionados e treinados pelo Greenpeace para espalhar e multiplicar a mensagem de que a energia solar é a solução que o Brasil precisa em todos os cantos do País. Foram eles que subiram no telhado, botaram a mão na massa e nas placas e após terem concluído a instalação do sistema fotovoltaico, ainda realizaram oficinas e workshops com os estudantes que puderam entender como as placas, agora no telhado da escola Oswaldo Aranha, funcionam e aproveitam o potencial do Sol para gerar eletricidade limpa e renovável.

    A energia solar vai permitir mais atividades extracurriculares aos alunos da escola Oswaldo Aranha já que o valor economizado na conta de luz será revertido em mais Educação e Cultura. Aprendizado, multiplicação de conhecimento, sorrisos nos rostos de crianças, economia na conta de luz, energia limpa e renovável, tudo isso e muito mais, só foi possível graças a todas as pessoas que acreditaram neste projeto e que acreditam no potencial que a energia solar tem para transformar vidas e o Brasil.

    As instalações em duas escolas públicas - em Uberlândia e em São Paulo - as duas mil pessoas que financiaram coletivamente o projeto, os mais de mil inscritos para o projeto de Multiplicadores Solares e os 30 selecionados que já passaram conhecimento para, pelo menos, 1800 estudantes, todos esses números mostram que a energia solar quer e tem que ganhar espaço no Brasil. E nós, junto com vocês, vamos continuar trabalhando para que isso aconteça. Leia mais >

  • A partidarização das ciclovias e a proteção da vida

    Postado por Vitor Leal* - 8 - mai - 2015 às 16:52 1 comentário

    Sete anos atrás, quando comecei a ir de bike ao trabalho – e também para a feira, para a balada e até para casamentos – São Paulo não tinha ciclovias. Minto! Tinham alguns quilômetros dentro de parques e alguns pontos de ônibus dentro de ciclovias. A saga começa num dia de greve no Metrô quando eu, dentro de uma van com colegas do trabalho, num trânsito impossível, olhei para os carros que me cercavam e percebi algo confirmado pelas estatísticas: em quase todos, só havia uma pessoa. Ali mesmo decidi: não seria parte do problema. Renunciei a um direito-quase-dever: o de possuir um automóvel.

    Ponto de ônibus exatamente sobre uma ciclovia. (©Rachel Schein/Vá de Bike)

    O processo de ir pra rua foi parecido com o de muitas outras pessoas que usam a bicicleta como transporte. Conversei com amigos que já pedalavam e busquei informações na Internet (este, este e este são essenciais, e sempre dá para pedir uma ajuda ao Bike Anjo). Finalmente comprei uma bicicleta, que me acompanha até hoje, e fui para a rua pela primeira vez.

    Comecei a participar da Bicicletada e aprendi muito sobre a cidade. Mudei minha perspectiva sobre o tecido urbano. Tornei-me um melhor motorista e um melhor pedestre porque passei a entender o essencial: todo mundo está indo para algum lugar, todo mundo é trânsito, todo mundo tem o mesmo direito à cidade, seja passeando, seja trabalhando, seja de ônibus, à pé, de bicicleta, moto ou de carro. Entendi, pela primeira vez, que o outro não é um obstáculo e o trânsito não precisa ser competitivo – não somos pilotos de Fórmula 1. 

    Sozinhos éramos invisíveis, mas juntos, pedalávamos por respeito nas ruas. Não pedíamos ciclovias porque ciclovias são importantes, mas não o mais importante. O que traz a segurança é mais ciclista na rua, é respeito à vida. O que traz segurança é entender que somos todos responsáveis pelas vidas uns dos outros. Que o maior protege o menor. Assim como irei cuidar dos pedestres ao pedalar, também o motorista deve cuidar do ciclista ao dirigir. O que traz a segurança não são capacetes e afins .

    O que traz segurança, repito, não são as ciclovias. Até porque os 400 km prometidos pelo Haddad, ou mesmo os 1.500 km que definidos no novo Plano de Mobilidade de São Paulo, construído com a participação ativa da sociedade, não chega a 10% dos 17 mil quilômetros de vias da cidade. Eventualmente, o ciclista irá sair da ciclovia e, aí, só o respeito à vida, a legitimidade e o cuidado de todos com todos irá garantir a segurança.

    Willian Cruz e Priscila Cruz foram casar de bicicleta (©Vitor Leal)

    Mas ciclovias são importantes. Ciclovias são celeiros de novos ciclistas. É pela sensação de proteção nesses espaços segregados que pessoas que sempre quiseram pedalar e nunca se sentiram à vontade começam a transitar pela cidade. É com essa afluência de novos ciclistas, que são também pedestres, motoristas, usuários de táxi e de transporte público, que a segurança se dá. Eu, como motorista, tomarei mais cuidado com aquela pessoa na bike porque me identifico. Porque tenho uma amiga, um colega de trabalho, minha mãe, meu namorado, alguém que eu conheço e amo, pedala. E podia ser essa ciclista que está ali, pedalando na minha frente. Mais ciclistas na rua significa mais amor e cuidado no trânsito.

    Corta para 2015

    Já são 318,2 km de ciclovias entregues e novos trechos inaugurados a cada dia. E, enquanto uns fazem, outros tentam destruir. Ao mesmo tempo em que o atual prefeito trabalha para cumprir seu compromisso de 400km de ciclovias, vereadores, promotoras públicas e pré-candidatos à prefeitura, encastelados no discurso demagógico e falacioso de “sou a favor de ciclovias, mas tem que ter planejamento”, ignoram que São Paulo passou 30 anos fazendo planos cicloviários sem fazer de fato as ciclovias.

    Na tentativa de enfraquecer um adversário político, acabam minando uma política pública que salva vidas. Aquilo que é uma conquista para a humanização das cidades, para a proteção da vida, para a redução da poluição, aumento da saúde e qualidade de vida das pessoas e, acima de tudo, uma reivindicação de décadas do movimentos de ciclistas, acaba sendo partidarizada e jogada dentro de uma lógica política das mais mesquinhas. Pior: dizem falar em nome dos ciclistas, na pretensa intenção de defendê-los. Negligenciam o fato de que os ciclistas estão representados, discutem e influenciam o formato e os locais a receberem ciclovias. Daí as ciclovias tanto pedidas e finalmente entregues são taxadas de “Ciclovias do Haddad” quando, na verdade, elas são Ciclovias da Cidade. Da cidade que queremos.

    O que esses críticos das ciclovias, autoproclamados defensores dos ciclistas e do bom planejamento, ignoram – por negligência ou má fé – que, ao construir esse discurso, estão colocando vidas em risco. O discurso de ódio e inflamação da opinião pública, com pitadas de mentira (veja aqui) e desinformação, faz com que motoristas, já cansados e estressados de um trânsito que, sinto informar, só vai piorar, passem dos limites e ataquem quem não deveria ter que se defender.

    Ontem isso aconteceu comigo. Ontem, ao subir a rua dos Pinheiros, completamente parada pelo trânsito motorizado, deixando para trás carros e mais carros ansiosos por acelerar, tive uma conversa bizarra com uma motorista. Quando, mais para cima, o trânsito fluiu, ela passou ao meu lado buzinando loucamente, como se fosse eu o culpado por todo o estresse que ela estava vivendo. Logo à frente, parou no farol. Encostei ao seu lado e, calmo, perguntei se era ela quem havia buzinado. Ela abriu o vidro de seu carro de luxo e vociferou que eu não devia estar na rua: “devia ir para as ciclovias superfaturadas do PT”.

    Ouvi outro relato, do mesmo dia, de um motorista que, depois de colidir com uma bicicleta dentro da ciclovia, disse: “tem que morrer mesmo, esse povo de bicicleta”, “se não sair da frente, vou matar”. O discurso de ódio, da partidarização de uma política pública benéfica para a cidade, coloca em risco a vida das pessoas.

    Devemos sim discutir as ciclovias de São Paulo. Devemos sim falar sobre os problemas que nelas existem. Mas devemos fazer essa discussão sob a ótica da melhoria, transformando-as em política de Estado e não de um partido. Porque prefeitos se vão, mas a cidade fica. Porque mais bicicletas nas ruas significa um trânsito mais humano para todos, do pedestre ao motorista. Porque, pode parecer bobagem, mas ciclovias trazem  benefícios até para os motoristas, já que melhoram o fluxo dos automóveis. E, finalmente, porque devemos proteger a vida.

    Aproveito para desafiar você, que lê este texto, a parar por dez minutos ao lado de uma ciclovia e observar os rostos das pessoas nas bicicletas e das pessoas nos carros e responder o que é melhor para a cidade.

    *Vitor Leal é da campanha de clima e energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

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