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Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Mais de 20% de todos os agrotóxicos usados no Brasil são ilegais

    Postado por Alan Azevedo - 25 - nov - 2016 às 13:43

    É isso mesmo. O dado alarmante foi revelado por Fernando Figueiredo, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (ABIQUIM) e convidado a compor a mesa de debate de audiência pública da Comissão de Reforma Agrária do Senado desta quinta-feira (24).

    O tema da audiência era contrabando e falsificação de agrotóxicos e seus impactos na economia. Possíveis embargos internacionais às exportações brasileiras e perdas de arrecadação tributárias avaliadas em um milhão de dólares no último ano preocupam. Mas nada se compara ao risco que a sociedade corre ao estar sujeita a esses agrotóxicos ilegais.

    Questionada se existe uma análise capaz de dizer os riscos à saúde causados por essas substâncias piratas, Sílvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (SINDIVEG), respondeu: “Não é possível afirmar os riscos ou o que tem dentro desses produtos contrabandeados”. E afirmou que se fossem feitos por uma empresa, ela seria a terceira ou quarta maior do mercado nacional.

    Resumindo: além de representar um grande risco econômico, trata-se de um grave problema de saúde pública. Brasileiros e brasileiras estão consumindo alimentos com substâncias químicas que nem especialistas no tema sabem o que é ou o que pode ser.

    A questão do risco alimentar vem forte dentro dessa discussão. Durante debate nesta quarta-feira (23) da Comissão Especial do Projeto de Lei 6299/2002, que visa enfraquecer a legislação de agrotóxicos com o objetivo de facilitar seu uso e liberação, Eloísa Dutra Caldas, coordenadora do Laboratório de Toxicologia da Universidade de Brasília, lembrou que o Brasil não tem um órgão público voltado à avaliação de riscos de substâncias químicas legais usadas nas lavouras. “Meu sonho é que o Brasil tenha uma agência avaliadora de riscos”, disse ela.

    Para os agrotóxicos regulamentados existe o Limite Máximo de Resíduos (LMR), que estipula por lei a quantidade permitida de resíduo de um pesticida específico no alimento. No entanto, não é um indicador de saúde, e sim puramente agronômico, não levando em conta o uso cruzado de diferentes substâncias. Por sua vez, o índice de Ingestão Diária Máxima (IDM), além de obter seus resultados por meio de testes em ratos e não em seres humanos, não considera o consumo cumulativo de pesticidas ao longo da vida de uma pessoa.

    Se o uso legal e licenciado de agrotóxicos já apresenta brechas em suas análises, imagine então produtos contrabandeados ou até falsificados, que são produzidos pelos próprios traficantes em fazendas ilegais. E pensar que estes compõem mais de 20% de todos os insumos químicos aplicados nas lavouras brasileiras é assustador.

    Segundo pesquisa IBOPE encomendada pelo Greenpeace, 81% da população brasileira considera que a quantidade de agrotóxicos aplicados nas lavouras é “alta” ou “muito alta”. As pessoas não querem mais comer comida com pesticidas – ainda mais sabendo que parte significativa deles é ilegal e sem qualquer controle. Ao invés de tentar flexibilizar, é preciso endurecer a legislação de agrotóxicos e caminhar para a redução gradual de seu uso até se ver livre da aplicação de químicos nos campos. Por isso, o Greenpeace e outras organizações da sociedade civil apresentaram no início de novembro ao Congresso o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA) em forma de sugestão de Projeto de Lei.

    Agricultura da conciliação?

    Os últimos dias no Congresso Nacional mostram que o debate sobre o modelo de produção de alimentos do país está se tornando questão cada vez mais relevante para a sociedade civil, que quer consumir comida sem agrotóxicos. Com o espaço que sistemas alternativos de produção vêm tomando e as críticas crescentes da sociedade sobre o uso de pesticidas, o agronegócio se coloca na defensiva e passa a adotar um discurso mais brando no lugar da radicalização de costume.

    Durante audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (22), Rodrigo Justus, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em tom conciliador, sugeriu que o Fundo Amazônia, além de servir para “caçar desmatador”, também deveria investir em pesquisas de diferentes modelos de produção sem uso de agrotóxicos, como o sistema agroflorestal ou agroecológico. “Estamos abertos a novos modelos”, afirmou.

    Audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, dia 22 de novembro (© Alan Azevedo / Greenpeace)

    Fernando Rebelo, do IBAMA, defendeu que a intenção de quem incentiva a produção ecológica não é de acabar com o modelo convencional. “Não queremos quebrar o agronegócio. Se um executivo da Coca-Cola, há 30 anos, dissesse que a empresa precisaria produzir suco, ele ia ser mandado embora. Hoje, o suco e a água mineral vão salvar a Coca-Cola”.

    A analogia cai como uma luva sobre o agronegócio. Em alguns anos, quando a vontade da maioria for contra consumir produtos químicos em seus alimentos, o setor que movimenta cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) pode de fato quebrar caso não se adapte à demanda nacional e internacional. Vale lembrar que o Brasil utiliza muitos agrotóxicos proibidos na União Europeia e em diferentes países como China, Estados Unidos e Índia, o que limitará cada vez mais as exportações de grãos e também de carne, uma vez que a alimentação animal se dá por meio da soja e do milho quimicamente tratados.

    “Ver o setor do agronegócio tomando a defensiva frente a uma disputa que está perdendo é um bom sinal para nós. Se quiserem conciliar interesses por uma agricultura responsável, sustentável e que não ofereça riscos à saúde humana, muito que bem. Mas no fundo as ideias são inconciliáveis. O que queremos mesmo é o fim do uso dos agrotóxicos”, defende Rafael Cruz, da Campanha de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Durante a COP22, pessoas foram às ruas apoiar fontes de energia limpas, como a solar e a eólica. A marcha foi organizada pelo MCoalition for Climate Justice. (Foto: ©Jeremy Sutton-Hibbert/ Greenpeace)

    A 22a Conferência do Clima da ONU, que se deu em Marrakesh, acabou nesta sexta-feira (18/11) cumprindo a importante missão de manter vivo o espírito do Acordo de Paris. E entregou o básico do que era esperado em termos de decisões formais. Passou o recado de que governos e a sociedade civil de todo o mundo seguirão adiante enfrentando as mudanças climáticas, e deu alguns passos importantes apesar de não superar expectativas.

    A grande pergunta que assombrou a conferência foi sobre o futuro deste processo, e da ação climática como um todo, com a eleição de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos. Trump, que nega a ciência do clima e já ameaçou abandonar o Acordo de Paris, é evidentemente uma pedra no caminho.

    Pouco após o abalo inicial da notícia, porém, muitos governos – apoiados por fortes chamados de ONGs, movimentos e até empresas mais comprometidas com o clima – passaram a destacar que seguirão adiante. Um número expressivo deles inclusive aumentou o nível de seus compromissos.

    Vale citar os 48 países do Climate Vulnerable Forum que se comprometeram com a meta de 100% de energias renováveis, e a Marrakech Action Proclamation, que não traz novidades mas reforça o compromisso político. A situação dos EUA sem dúvidas é bem desafiadora, mas este não é um tema em que este país dá as cartas sozinho. Outros pesos-pesados (como a China) seguirão ativos e anunciaram que não aceitarão retrocessos.

    No que diz respeito às negociações em si, esta COP tinha como objetivo começar a construção de medidas para a implementação do Acordo de Paris, detalhando como acontecerá na prática aquilo a que o acordo promete (lembrando que o primeiro ciclo de compromissos do acordo começa a valer em 2020). É mais ou menos como o processo de regulamentação de uma lei depois que ela é aprovada. 

    Um dos pontos-chave era a definição da data em que todas as medidas devem estar definidas. Felizmente foi batido o martelo de 2018, apesar de alguns países inicialmente terem preferido um prazo mais longo ou flexível. Outro ponto importante era o de construir condições para que uma revisão do progresso marcada também para 2018 seja usada para estimular governos a elevar a ambição de seus compromissos nacionais. O chamado para isso se fortaleceu bastante, mas o tema segue em aberto nas negociações em si. Um terceiro tema de destaque é o de apoio financeiro a países em desenvolvimento, e esse infelizmente segue avançando lentamente, com promessas significativas mas praticamente nenhum avanço concreto com relação a como torná-las realidade.

    Sobre o papel do Brasil, houve atitudes louváveis e outras detestáveis. Por um lado, a COP e o que fizemos aqui foi importante para garantir o veto a novos subsídios a carvão que nosso Congresso havia aprovado em outubro. Esse veto ter acontecido durante a COP contribuiu para fortalecer a mensagem de que o mundo segue adiante no combate às mudanças climáticas. 

    Também vimos a volta do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, agora coordenado por Alfredo Sirkis com o apoio de Natalie Unterstell, que promoveram suas duas primeiras reuniões com a sociedade civil brasileira durante a conferência. E vimos a Moratória da Soja brasileira ser elogiada como grande exemplo de iniciativa de proteção às florestas em diversos eventos paralelos.

    Por outro lado, o Ministro da Agricultura Blairo Maggi falou barbaridades em vários momentos – incluindo uma ironia com assassinatos de ambientalistas e insistentes indicações de que não pretende agir mais com relação ao clima. O governo não divulgou os novos dados de desmatamento do PRODES, que geralmente saem antes da COP. E eles devem apontar para um aumento do problema.

    Houve também intensos debates entre organizações e movimentos brasileiros em torno da falsa solução dos offsets, por meio da qual tenta-se compensar (e não reduzir) emissões via proteção de florestas – um tema cheio de armadilhas que voltou à tona em tempos recentes. Nosso time de negociadores manteve a postura balanceada pela qual é conhecido, defendendo alguns pontos importantes mesmo sem se destacar tanto quanto ano passado, na COP de Paris – o que de qualquer forma não era muito favorecido pelo contexto e pauta de Marrakesh.

    Seguimos adiante. O desafio certamente aumenta com Trump na presidência dos EUA, mas a esperança felizmente segue firme. No Brasil e no mundo, mais do que nunca precisamos elevar a ambição com compromissos claros rumo a 100% de energias renováveis e desmatamento zero em nossas florestas.

    *Pedro Telles é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. Leia mais >

  • Dossiê produzido pelo Greenpeace mostra que é possível zerar as emissões de carbono e poluentes da frota de ônibus de São Paulo sem impactar a tarifa ao usuário e com benefícios para o clima, a saúde e a economia da cidade

    Na cidade de São Paulo, quase metade da fuligem que polui o ar é gerada pelos ônibus do transporte público Foto: Rafael Neddermeyer/ Públicas

     

    Usar combustíveis limpos e renováveis na frota de ônibus da cidade de São Paulo é obrigatório desde 2009 por meio da Política Municipal de Clima. Essa medida, no entanto, sempre foi negligenciada sob o argumento da inviabilidade técnica e financeira. O Greenpeace elaborou um dossiê que demonstra o oposto: além de viável – e mais eficiente que o veículo movidos a biocombustíveis –, a adoção dos ônibus elétricos em toda a frota é indutora de benefícios para a saúde, para a economia e para o clima. E sem pesar no bolso do usuário.

    A publicação Dossiê Ônibus Limpo: Benefícios de uma transição para combustíveis renováveis na frota de São Paulo foi produzida em agosto de 2016 a partir de levantamento de dados operacionais do sistema de transporte da capital, os custos de manutenção e das fontes disponíveis, de testes realizados por fabricantes de veículos em outras cidades, e de pesquisas em saúde ambiental.

    “Queremos elevar a discussão técnica e cobrar que a nova licitação de ônibus da Prefeitura de São Paulo incorpore a adoção gradativa de combustíveis limpos, como exige a Lei Municipal do Clima, que determina a transição completa até 2018”, diz Bárbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    A publicação também é uma forma trazer mais informações independentes para que a sociedade cobre por mudanças no setor. Afinal, quem não gostaria de um sistema de transporte público mais silencioso, moderno, sem aquela fumaça preta tóxica que mata cerca de 4.700 pessoas por ano na região metropolitana e contribui com o aquecimento global? Cerca de 47% do material particulado (fuligem) e 13% das emissões de CO2 que poluem o ar da capital paulistana são gerados pelos ônibus a diesel. Com emissão zero de os ônibus elétricos podem tornar essa realidade possível.

    Alguns dados do dossiê:

    - No caso dos ônibus elétricos puros, testes têm demonstrado que o custo de manutenção pode ser 25% menor e a economia com combustível pode chegar a 64,7% em comparação com os convencionais a diesel;

    - O leasing de baterias é uma alternativa para reduzir drasticamente o custo dos ônibus elétricos, aproximando-o do valor do veículo a diesel;

    - Por meio da tecnologia V2G (Vehicle to Grid), os ônibus não são apenas consumidores de energia, mas parte do sistema elétrico. Eles podem incorporar as fontes eólica e solar, servir de backup e fornecer energia à rede, tornando todo o sistema mais eficiente;

    - A redução na queima do diesel convencional poupa vidas e recursos: em dez anos, uma redução de 20% poderia evitar mais de 7 mil mortes e os cofres públicos economizariam R$ 53 milhões em gastos de saúde decorrentes de problemas cardiorrespiratórios.

    Faça aqui o download  

    Elétricos ou biocombustíveis?

    Na Conferência do Clima da ONU, no Marrocos, a participação do setor de transporte no combate às mudanças do clima foi um dos temas debatidos. No Brasil, ele é responsável por cerca de 46% das emissões relacionadas à queima de combustíves fósseis, mas é o setor que tem recebido menos atenção em relação aos usos de energia, na avaliação do ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho.

    Nesta quarta-feira (16), o governo brasileiro lançou, em parceria com outros 19 países, uma iniciativa de promoção dos biocombustíveis, sobretudo etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel de soja, como a solução para reduzir as emissões do setor. "Precisamos urgentemente encontrar soluções de curto e médio prazo para emissões de transportes e implantar todas as medidas sustentáveis que pudermos dispor", afirmou o ministro.

    Embora os biocombustíveis sejam uma tecnologia mais limpa comparada ao diesel, para um corte mais agressivo de emissões no setor de transporte, especialmente de passageiros nos centros urbanos, o mundo ruma rapidamente em direção aos veículos elétricos, e uma metrópole como São Paulo deve estar na vanguarda desse movimento”, afirma Bárbara Rubim, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.

    Em função disso, para a frota de ônibus coletivo nas cidades, os biocombustíveis podem ser encarados como uma solução paliativa, pois amenizam o problema agora, mas precisarão ser substituídos depois, quando metas mais agressivas de redução de emissões serão exigidas. Assim, o custo acabará sendo maior. "Além dos veículos, temos de considerar toda a infraestrutura necessária para atendê-los. Nosso dossiê mostra que os investimentos de aquisição dos ônibus elétricos se pagam em médio prazo, e essa infraestrutura elétrica, mais duradoura, irá promover uma modernização que beneficiará a cidade como um todo”, diz Bárbara.

    A meta brasileira é reduzir 37% das emissões de CO2 até 2025 e 43% até 2030. Para isso, alguns meios são ampliar a bioenergia sustentável na matriz energética para aproximadamente 18% do setor e aumentar em 45% a participação de energias renováveis na matriz energética brasileira.

     

    A licitação que definirá os ônibus de São Paulo nos próximos 20 anos precisa contemplar combustíveis limpos e renováveis Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil Leia mais >

     
  • Em declaração, Diretoras Executivas do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan e Bunny McDiarmid, disseram:

    "A prevenção de uma catástrofe climática acaba de ficar mais difícil, mas não impossível. O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, pode ser a ameaça mais infame e poderosa no que diz respeito a assuntos climáticos, mas não desistiremos. Trabalharemos ainda mais e convidaremos cada vez mais pessoas para se juntarem a este poderoso movimento. O risco é muito alto para as gerações atuais e futuras e o tempo é curto.

    Não permitiremos que a administração de Trump distraia o mundo ou roube-o do crescente impulso em direção à revolução por energia limpa e todos os benefícios que isso traz para o clima e para a saúde pública, emprego e segurança global.

    A transformação da energia renovável não pode ser freada". China, Índia e outros países estão competindo para serem as superpotências globais de energia limpa, e os EUA, como Donald Trump aprenderá, não quer ser deixado para trás.

    Pessoas em todo o mundo intensificarão seus trabalhos com os muitos campeões do clima nos EUA, como senadores, membros do congresso, governadores, prefeitos, CEOs, cidadãos e membros do Partido Republicano. O Greenpeace continuará a trabalhar com os milhões de pessoas em todo o mundo que acreditam que um planeta mais verde, seguro, pacífico e justo é possível." Leia mais >

  • O que rolou na reunião da Comissão Internacional da Baleia

    Postado por rgerhard - 8 - nov - 2016 às 15:45

    Apesar de mais uma rejeição à criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul, a reunião da Comissão Internacional da Baleia este ano trouxe alguns (fracos) avanços para a proteção dos cetáceos

    Foto: Todd Warshaw/Greenpeace

     

    Mais uma vez, a criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul foi negada. A reunião da CIB (Comissão Internacional Baleeira) realizada em outubro, na Eslovênia, rejeitou a proposta por 38 votos a favor, 24 contra e 2 abstenções, ou seja, 60% de aprovação, quando o necessário  era 75%. Mas nem tudo foi perdido. O Greenpeace acompanhou os debates.  Confira a seguir o balanço geral da reunião:

    Caça científica

    Foi aprovada uma resolução que estreita as lacunas usadas por países que ainda fazem a caça ilegal de baleias sob a desculpa de pesquisa científica (notoriamente o governo japonês). Há dois anos,  a “caça científica” praticada pelo Japão foi considerada uma quebra no acordo de proibição da caça comercial de baleias pela Corte de Justiça Internacional da ONU. Esta nova resolução deve significar que as cotas para pesquisa letal, distribuídas a cada país, agora devem ser aprovadas por um comitê da CIB e não podem mais ser manejadas pelos próprios países onde a “pesquisa” seria desenvolvida.

    Ainda não é uma medida que bane a pesquisa letal de baleias, mas é um passo em direção ao fim da justificativa da pesquisa científica. Como falamos anteriormente, a pesquisa sobre baleias é essencial para o entendimento destes animais, mas com a adoção de novas tecnologias a pesquisa letal não é justificável sob nenhuma forma.

    Proteção das vaquitas

    As vaquitas-marinhas (Phocoena sinus), pequenos botos dos mares, dominaram a cena na CIB. Todos os países-membros da Comissão concordaram que ações internacionais urgentes devem ser tomadas para proteger estes pequenos cetáceos. As vaquitas estão em perigo eminente de extinção. Elas são endêmicas do Golfo da Califórnia e menos de 60 indivíduos ainda podem ser encontrados na natureza. O Greenpeace Internacional vem lutando pelas vaquitas-marinhas há algum tempo e agora podemos finalmente estar em um momento de virada pela conservação destes animais!

    Baleias mantém os oceanos saudáveis

    Neste ano, houve muita discussão sobre o papel ecológico das baleias no equilíbrio dos oceanos.  Populações saudáveis desses animais são essenciais para a dispersão de nutrientes, suporte de ecossistemas inteiros e ainda combate ao aquecimento global.

    Durante a reunião, a comissão científica da CIB reconheceu formalmente estes benefícios ecológicos para a vida no planeta. Foi discutido que a caça comercial de baleias teria um grande impacto nos oceanos exatamente por diminuir o número destes animais e assim impedir estes benefícios essenciais para o equilíbrio oceânico. Mais que isso, os cientistas argumentaram que o excremento delas (coco de baleia mesmo) fertiliza o ambiente marinho e possibilita o crescimento de Phytoplancton, plantas marinhas microscópicas responsáveis pela produção de quase 70% do oxigênio que respiramos. ()

    Por fim, o Governo Brasileiro se ofereceu para sediar a próxima reunião da CIB em dois anos, mas ainda não há confirmação do local do evento.

    Ainda não foi desta vez que criamos o Santuário de Baleias do Atlântico Sul, mas esta reunião foi positiva para a conservação dos cetáceos e nos deu motivos para termos esperança que estamos no rumo certo. Até lá, continuaremos nos dedicando a enfrentar outras ameaças à sobrevivência das baleias, como o aquecimento global e a poluição dos mares.  Leia mais >

  • Criolo grava mensagem para lembrar um ano do desastre de Mariana

    Postado por Julia Zanolli - 3 - nov - 2016 às 16:08

    “Morre gente, morre planta, morre bicho”

    5 de novembro de 2015: a barragem da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, rompe e cria um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil.

    Cerca de 25 mil piscinas olímpicas de lama composta por rejeitos minerais tóxicos cobriram vilas inteiras, tiraram a vida de 19 pessoas, impactaram cerca de outras 2 mil e afogaram o Rio Doce.

    Até o momento, nenhuma das três empresas foi condenada e a Samarco está recorrendo de todas as multas aplicadas.

    Para lembrar um ano da tragédia, o rapper Criolo fez um texto original e, em parceria com o Greenpeace Brasil, gravou um vídeo com as imagens da região logo após o acidente.

     

    Histórico de luta

    Criolo já é aliado na luta por justiça para o Rio Doce. Ele faz parte do coletivo #SouMinasGerais, que, em parceria com o Greenpeace, promoveu shows beneficentes em Belo Horizonte e São Paulo. Com um público total estimado em mais de 13 mil pessoas e uma arrecadação de R$ 450 mil, os dois shows juntos contaram com a participação de diversos artistas como Caetano Veloso, Milton Nascimento, Jota Quest, Emicida, Tulipa Ruiz, Ney Matogrosso, Fafá de Belém, Maria Gadú, Mariana Aydar, Nando Reis, entre outros. Todos participaram voluntariamente dos shows.

    Os recursos obtidos pela iniciativa #SouMinasGerais foram destinados ao projeto coletivo #RiodeGente, com o propósito de garantir a realização de pesquisas independentes para monitorar e investigar as consequências do derrame de rejeitos em toda a extensão da Bacia do Rio Doce. Saiba mais. Leia mais >

  • Desastre em Mariana: uma tragédia ainda em curso

    Postado por rgerhard - 2 - nov - 2016 às 19:30

    Entre lembranças e a indignação de quem ainda sofre os efeitos da destruição pela lama, Seminário Rio de Gente apresentou estudos que revelam a dimensão dos impactos ambientais e sociais na bacia do Rio Doce

    Painel discute impactos sociais sobre os atingidos Fotos: Julia Moraes / Greenpeace

     

    No centenário Hotel Providência, antigo seminário de freiras e internato de moças que recebeu os desabrigados pela lama da mineradora Samarco logo após o rompimento da barragem de Fundão, pesquisadores, ambientalistas, estudantes, lideranças comunitárias e alguns dos atingidos se reuniram para discutir a dimensão dos impactos causados pelo desastre, um ano atrás.

    O Seminário Rio de Gente, realizado nos dias 31/10 e 1/11, apresentou as primeiras avaliações dos estudos independentes que foram financiados com recursos de doações obtidos com shows beneficentes um mês após a tragédia. Pesquisadores de universidades e institutos brasileiros vêm analisando o tamanho dos danos ambientais e sociais nas áreas de água, flora, fauna, saúde e direitos dos atingidos a partir de expedições à região para coletar dados e amostras.   

    Os estudos vieram suprir a carência por parte das comunidades de dados oficiais que ou não existem ou não são divulgados pelo poder público. E o que se pôde constatar são implicações profundas, abrangentes e de longo prazo não só para a natureza, mas para a vida das pessoas. Não bastasse quem perdeu tudo no rompimento da barragem, a lama de rejeitos continua a fazer estragos e a impor sofrimento.

    Contaminação em expansão

    No caso da água, por exemplo, diante da inviabilidade de captá-la no rio, a tendência é que muitos procurem poços artesianos de forma desesperada, sem avaliar sua qualidade. A realidade encontrada por pesquisadores do Instituto de Biofísica da UFRJ foi a de agricultores familiares usando a água dos poços em suas plantações e para consumo humano e dos animais sem saber que estão com níveis de ferro e manganês bem acima do permitido até mesmo para a irrigação.

    Ou seja, a contaminação da lama nos rios também chegou ao subterrâneo. “É uma água de péssima qualidade, com gosto, cheiro e cor. Embora os altos níveis desses metais não ofereça risco de toxidade no consumo das plantas, eles prejudicam o seu crescimento e podem inviabilizar o cultivo. Ouvimos muitos relatos de agricultores que estão passando dificuldades, sem fonte de renda, pois muitas de suas plantações morreram após serem regadas ou não estão se desenvolvendo ou dando frutos”, conta o pesquisador André Pinheiro de Almeida. Para a saúde humana, o risco da ingestão direta da água com excesso de manganês pode causar infertilidade e sintomas próximos ao Parkinson em longo prazo.

    Segundo ele, a recuperação da contaminação por metais não será algo fácil ou rápida. “O metal não vai deixar de ser metal nem vai sair do rio sozinho. Ao contrário, espera-se que com o período de chuvas a lama acumulada nas margens volte a lançar mais poluentes para as águas”, diz Almeida.

    A lama de rejeitos continua a contaminar as águas da bacia do Rio Doce

     

    A acumulação de metais pelos animais também é foco de atenção dos pesquisadores da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), pois, por meio da cadeia alimentar, a contaminação na água pode se espalhar pelo ambiente terrestre e afetar a biodiversidade. Os girinos, por exemplo, são larvas aquáticas de animais terrestres que podem acumular os poluentes em seus organismos e transmiti-los para os predadores. “Como é praticamente impossível impedir que os animais acessem as áreas contaminadas, o nosso trabalho é de observação de como esse processo de bioacumulação se expande. É um estudo de longo prazo”, afirma a doutora em Zoologia Flora Juncá.

    Muito além do bolso

    Do lado social, os efeitos da lama também se revelam devastadores para famílias que ainda lutam para recuperar suas vidas e fazer garantir seus direitos. Tanto pelos problemas de saúde físicos e emocionais causados pela lama quando pela quebra dos modos de vida, lazer e trabalho de quem tinha uma relação de interdependência com o rio.

    “A empresa segue a lógica econômica de reconhecer como impactos apenas os danos estruturais das casas ou de quem perdeu sua atividade de renda, mas quando você chega em campo e aprofunda  a investigação com as pessoas e entra em suas histórias, descobre que há danos intangíveis mais profundos que extrapolam a restrição da Samarco e estão sendo negligenciados”, diz Hauley Alvim, sociólogo, surfista e um dos pesquisadores do estudo sobre impactos sociais com os atingidos na foz do Rio Doce, em Regência (ES).

    Ele cita como exemplo o caso de um rapaz que é pescador, surfista, dono de pousada e pai. “Há uma sobreposição de danos que a empresa não reconhece. São histórias de quem teve rompida sua ligação com o ambiente e com a comunidade”, afirma.

    Lamaçal na justiça

    Ao avaliar o que foi feito no âmbito da justiça neste primeiro ano pós desastre, o promotor de Meio Ambiente do Ministério Público de Minas Gerais, Carlos Eduardo Ferreira Pinto, apontou como a tragédia socioambiental se tornou uma tragédia processual, a partir de disputas de competência na justiça que levam à protelação das medidas, e do “Acordão” firmado com a União e os governos de Minas e Espírito Santo que só serviu para blindar os responsáveis e terceirizar as consequências do desastre.

    “Precisamos rediscutir o acordo, que abriu caminho para a própria Samarco decidir o que fazer. Não são raros os descumprimento de obrigações, e as multas ambientais aplicadas são cosméticas, não trazem nenhum resultado para a comunidade, a empresa sempre recorre”, afirma. Apesar de o Acordo Interfederativo ter sido anulado, as empresas continuam atuando com base no que foi firmado nele.

     

    Promotor de Meio Ambiente do MP-MG fala ao público porque o desastre da Samarco não foi acidente

     

    A Fundação Renova, criada pela Samarco, Vale e BHP por meio do “Acordão” para ser a gestora de todas as ações de compensação e reparação, tem em seu conselho deliberativo apenas membros indicados pelas empresas. Na prática, é a Samarco decidindo o que é mais importante reparar e onde, quanto e quando aplicar os recursos, e não as comunidades estabelecendo suas prioridades. “Até o momento, o que está em andamento é a construção do dique de contenção na região de Bento Rodrigues. O argumento é de segurança, mas o que vemos são fortes indícios de uma grande estrutura de barragens que contemple um sistema maior de rejeitos, como já estava nos planos de expansão da empresa antes do desastre. O MP é totalmente contrário a isso”, denuncia o procurador.

    Cenas vivas de um rio morto

    No segundo dia do Seminário, os participantes se dividiram na parte da manhã em duas visitas de campo a locais onde as pesquisas de flora e saúde foram desenvolvidas. No caminho, foi possível ver como o desastre ainda se faz presente no "encontro das águas", do Ribeirão do Carmo com o rio Gualaxo, na lama que se acumula em suas margens e eliminou a mata ciliar, nas casas destruídas ou soterradas, nas marcas do barro nas árvores revelando o nível da onda marrom que as atingiu.

    "Encontro das águas": a lama do Ribeirão do Carmo continua chegando ao rio Gualaxo um ano após o rompimento da barragem de Fundão

     

    “O que mais me chocou nesse caminho foi ver o gado deitado sobre a lama ao lado do rio, bebendo aquela água suja, comendo o capim plantado pela Samarco para disfarçar o problema. Como o gado, vivem as pessoas, também de forma disfarçada. Para mim falta dignidade, e isso é o mínimo que qualquer um tem na vida”, disse a médica e presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina  Vormittag.

    “Eu não tinha me aproximado tão perto da água suja desde o desastre. Hoje foi um dos dias mais tristes da minha vida. Mas esse sentimento tem de ser exposto na medida em que estimula o trabalho. Temos que aproveitar as oportunidades como a deste encontro para estabelecer as ações futuras”, defendeu Shirley Krenak, uma das lideranças da comunidade indígena Krenak.

    Casa tomada pela lama no distrito de Gesteira

     

    Uma luta apenas começando

    No final do encontro, uma roda de discussão trouxe muitos momentos de lembranças doloridas, sentimentos sufocados e pedidos indignados de justiça, mas também ideias e propostas sobre como dar encaminhamento aos estudos e potencializar a força coletiva da comunidade em ações diretas. Entre as iniciativas, a de se criar núcleos catalizadores nos locais atingidos, criando uma rede de colaboradores do Rio Doce.

    “O desastre é tão grande que quando olhamos as consequências para todos a impressão é de ser impossível recuperar isso. Mas isso acredito que, com a mobilização de todos, de cada um, podemos fazer com que esse mal seja compensado mais rápido, e impedir que outras tragédias como essa aconteçam. Esperamos que esses estudos possam contribuir nessa direção”, diz Fabiana Alves, da campanha de Água do Greenpeace.

     

    Público debate como catalisar ações para promover a recuperação do Rio Doce

     

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  • Diagnóstico do desastre

    Postado por rgerhard - 27 - out - 2016 às 17:15 2 comentários

    Conheça os estudos independentes do seminário Rio de Gente que vão nortear os debates sobre os impactos sociais e ambientais da lama no Rio Doce

    Bento Rodrigues engolida pela lama Foto: Victor Moriyama/Greenpeace

     

    Pouco mais de um mês após 40 bilhões de litros de lama da Samarco causar um rastro de 650 km de destruição, a mobilização de organizações e artistas que gerou o projeto Rio de Gente conseguiu arrecadas cerca de R$ 450 mil reais em dois shows beneficentes. O acordo foi que esses recursos seriam investidos em estudos e monitoramento independentes para avaliar os reais impactos em toda a extensão do Rio Doce. Agora, um ano depois do desastre, chegou a hora da primeira “prestação de contas”.

    Os seis estudos selecionados nas áreas de água, fauna, flora, saúde, impacto sociais e direitos humanos, realizados por pesquisadores de diversas universidades brasileiras, ainda não estão prontos – a previsão é que as conclusões saiam em janeiro – mas os resultados parciais serão compartilhados durante o “Seminário Rio de Gente: os desafios da recuperação do Rio Doce”, que realizaremos nos dias 31/10 e 1/11, no campus da UFOP, em Mariana (MG).

    A intenção é que os novos dados ajudem a alimentar o debate com especialistas e a comunidade sobre como impulsionar a recuperação do Rio Doce. “Queremos ter uma discussão com a sociedade para que ela se aproprie desses estudos e os use em suas reivindicações, tendo mais embasamento para as medidas de reparação”, diz Fabiana Alves, da Campanha de Água do Greenpeace.

    Em todas as expedições, entrevistas e rodas de conversa realizadas, as equipes relataram que foram muito bem recebidas, seja pelos agricultores como os moradores das cidades visitadas. “Isso deixa claro a carência de apoio e o anseio de respostas por parte da população”, afirma Fabiana.

    Conheça a seguir os objetivos de cada pesquisa e o que elas pretendem responder.

    Que água é essa?

    Em julho deste ano, uma equipe de sete pesquisadores da UFRJ, sob a coordenação do doutor em Biofísica Ambiental João Paulo Machado Torres, realizou sua primeira expedição para detectar possíveis contaminações na água usada para irrigação e consumo animal nas propriedades de agricultores familiares da bacia do Rio Doce. Foram coletadas amostras em 48 pontos diferentes ao longo de 300 km da região para determinar a presença de metais pesados como chumbo, arsênio, mercúrio, manganês e cádmio.

    Ter dados confiáveis é o primeiro passo para avaliar os impactos reais na vida das pessoas e na natureza Foto: Todd Southgate / Greenpeace

    O que os animais revelam?

    Alguns bichos, por serem tão sensíveis ao lugar que vivem, funcionam como bioindicadores, ou seja, conseguem transmitir as condições ou alterações do ambiente natural. É por isso que pesquisadores da UFBA e da UEFS, liderados pela doutora em Zoologia Flora Juncá, se voltaram com tanta atenção para girinos, peixes, crustáceos e bivalves (animais que possuem duas conchas) expostos às áreas de rejeitos em 15 pontos da bacia do Rio Doce. Após coletar esse animais, eles analisam se esses animais estão acumulando metais em seus organismos.

    Como ter a floresta de volta?

    Quando a barragem se rompeu, a onda de lama varreu e soterrou o que estava pela frente, incluindo a vegetação e áreas agrícolas, criando uma grossa camada de barro e rejeito de mineração de ferro sobre o solo original. Qual a forma mais efetiva de recuperar as florestas nessas condições é o que a pesquisa conduzida pelo doutor em Biologia Vegetal e professor da Esalq/USP Ricardo Rodrigues e sua equipe pretende avaliar.

    Para isso, propriedades rurais da região servirão de experimento para testar diferentes metodologias de restauração. Elas serão comparadas, levando em conta os custos de implantação e manutenção e sua eficiência nas condições ambientais ali existentes. Para isso, integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) se propuseram a conseguir a mão-de-obra dentro do próprio movimento e as espécies da Mata Atlântica serão fornecidas por uma empresa de Governador Valadares, cujo viveiro pode produzir até um milhão de mudas por ano.

    Como fazer a floresta rebrotar da lama é um dos objetivos da pesquisa Foto: Victor Moriyama / Greenpeace

     

    O quanto a vida mudou?

    Nem só o ambiente foi alterado. O impacto da lama, além de causar 20 mortes, incluindo um aborto, alterou profundamente a vida das pessoas, mas quanto? Por meio de questionários e entrevistas, rodas de conversa e observações em espaços de interação, a investigação desenvolvida pela cientista social Flávia Amboss Merçon Leonardo, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento no Espírito Santo (GEPPEDES), busca traçar a dimensão social do desastre, mensurando o impacto no cotidiano, nos modos de trabalho e no lazer dos atingidos que vivem na região da foz do Rio Doce, no litoral do Espírito Santo.

    A lama também atingiu histórias de vidas que lutam para não desaparecer Foto: Todd Southgate / Greenpeace

    Quais os riscos para a saúde?

    Mesmo após a tragédia, a lama continua afetando os moradores, que sofrem com doenças de pele e problemas respiratórios, sem que a Samarco e os órgão oficiais divulguem dados confiáveis sobre os efeitos para a saúde. E é justamente isso que a avaliação conduzida pela doutora em Patologia e diretora do Instituto Saúde e Sustentabilidade, Evangelina Vormittag, pretende identificar. A intenção é que, com dados claros sobre os impactos na saúde física e mental, o estudo a partir de três mil habitantes de Bento Rodrigues e Barra Longa possa orientar as ações e auxiliar os governantes em suas escolhas sobre políticas e programas prioritários para reduzir os danos em saúde e a gravidade das repercussões futuras.

    Como amparar os mais fracos?

    Entre tantos afetados, o povo Krenak está entre os mais vulneráveis. Para avaliar os danos aos direitos humanos da comunidade indígena, a pesquisadora Leticia Soares Peixoto Aleixo, da UFMG, tem visitado as aldeias para estudar como a lama impactou a vida dos índios, identificar as consequências jurídicas e as medidas judiciais e extrajudiciais capazes de reparação a esse povo que vive às margens do Rio Doce e já foi tão castigado no convívio com a sociedade. Leia mais >

    O povo Krenak, às margens do Rio Doce, é uma das vítimas mais frágeis da tragédia Foto: Nicoló Lanfranchi / Greenpeace

     
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    Baleias e os Voluntários do Greenpeace: Uma velha história de amor e mobilização!
     

    Quando eu decidi fazer engenharia ambiental, lembro bem de um amigo me perguntando “ então quer dizer que você vai salvar as baleias?”. Trabalhar com meio ambiente vai muito além de salvar as baleias, aprendi isso nos 05 anos de universidade e nos 10 anos de experiência na área, mas não dá pra negar a forte conexão do tema com as antigas  imagens de ativistas em alto mar, em navios, lutando contra a caça de baleias. As baleias tornaram-se um ícone para o movimento ambientalista, e os voluntários e ativistas do Greenpeace fizeram parte disso desde a década de 70.

    Talvez por isso, há pouco mais de um mês, quando recebemos a notícia de que iríamos lançar uma mobilização para a criação do Santuário das Baleias, soubemos que poderíamos contar com toda a ajuda de nossos voluntários e ativistas para defender essa causa, mesmo  sabendo que a mobilização tinha data marcada para acabar. E estávamos muito certos.

     Quando mal esperávamos, nossos voluntários já organizavam palestras, mobilizações online, pontos verdes  e até seus próprios materiais de comunicação estilizados para falar sobre o assunto, e sempre que havia uma brecha, levavam os temas para praias e atividades com outras organizações.

     “ Engajamento? Sim, foi à definição encontrada para as atividades desenvolvidas pelo Grupo de Voluntários de São Luís. Houve reuniões, estratégias, chuva de ideias, flash mob social, vídeo e gifs super animados, confecção de camisas, plaquinhas e origamis de papel reciclado, tudo isso para expandir o número de pessoas conhecedoras da causa.”  O depoimento de Cynthia Carvalho, voluntária de São Luís do Maranhão, é uma representação clara de todo o envolvimento necessário para que uma atividade de mobilização aconteça da melhor forma, e o quanto exige comprometimento e planejamento dos nossos voluntários. “Como parte integrante desse grupo, friso que a ação, ou melhor, as ações voltadas para criação do Santuário das Baleias fortificaram a ideia de que pequenas atitudes em conjunto são capazes de alavancar não somente o grupo idealizador de cada atividade, mas uma cidade  que a partir do momento que toma conhecimento, questiona e se permite aprender sobre o Santuários das Baleias, bem como sobre o Greenpeace, a prova foram as metas alcançadas em assinaturas.”  Completa a jovem maranhense.

    Nas duas últimas semanas prévias à data em que a Comissão Internacional da Baleia votará a criação do Santuário entre 20 e 28 de outubro, na Eslovênia, nossos voluntários  de Salvador, São Luís do Maranhão, São Paulo, Florianópolis, Brasília e Manaus intensificaram as atividades nas ruas e os resultados vocês podem ver nesse álbum de fotos, com várias intervenções criativas que trouxeram o tema para mais perto dos brasileiros.

    Além dos voluntários, as pessoas que participaram das atividades também mostraram carinho à causa.“ Praticamente 100% das pessoas que abordamos toparam assinar a petição e tiveram reações ótimas. Ouvimos muitos “vocês estão de parabéns” e “que bom que existem pessoas fazendo esse trabalho de conscientização”, reações de admiração que dão um gás pra continuar. Também foi muito gratificante poder levar uma informação tão importante e que dificilmente chega para a maior parte da população. Esse trabalho de formiguinha e o contato com as pessoas é essencial, uma ONG não existe sem pessoas e sem elas a mudança não acontece.” garantiu Clara, voluntária de Florianópolis que realizou uma atividade com seu Grupo, no último sábado, na famosa Lagoa Conceição.

    Mas com tanta atividade assim, não pensem que a animação desses voluntários acabou não. No fim de semana em que a votação ocorria, os voluntários de Porto Alegre e São Paulo continuaram a mobilização para alertar a importância do momento para os brasileiros, e aproveitaram o tema para conectar diversas causas ambientais. No Rio de Janeiro, Júlia Rosa, voluntária que está organizando junto com a UNIRIO uma limpeza da Praia Vermelha para o próximo sábado, nos fez um convite difícil de negar “precisamos de voluntários com vontade de proteger a biodiversidade do mundo e nosso meio ambiente! Juntos podemos fazer  a diferença e mostrando às pessoas a importância da proteção dos Oceanos, seja com o descarte correto do lixo, seja apoiando a causa das baleias.Já fomos às ruas pressionar e pedir pela criação do Santuário a Comissão Internacional de Baleias. Neste próximo sábado vamos continuar falando desse assunto, e esperamos realizar essa atividade como uma comemoração da nossa vitória”.

    Mais uma vez, nossos voluntários mostram maturidade e autonomia liderando atividades criativas e cheias de energia, compreendendo cada dia mais que nossas causas estão todas conectadas. E nada como uma velha e antiga paixão, como a das Baleias, para despertar esse ativismo com tudo! Obrigada por se unir a nós seja assinando a petição, seja doando seu dinheiro, seja doando seu tempo para ouvir um voluntário e assinar a petição nas ruas e sendo um voluntário! Estamos todos juntos e engajados nessa causa.

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  • Habitat 3 e as cidades que queremos

    Postado por rgerhard - 13 - out - 2016 às 18:30

    Desembarcamos na grande conferência da ONU sobre desenvolvimento urbano sustentável para discutir o poder dos cidadãos no rumo das nossas metrópoles

    Compromissos para tornar as cidades melhores de se viver serão debatidos na capital equatoriana

     

    Nesta semana, de 14 a 20 de outubro, começa em Quito, no Equador, a Habitat III. Se você nunca ouviu falar sobre ela, é porque a grande conferência da ONU sobre moradia e desenvolvimento urbano só aconteceu duas vezes, em intervalos de 20 anos. A primeira em Vancouver, no Canadá, em 1976, e a segunda em Istambul, na Turquia, em 1996. Na capital equatoriana, cerca de 45 mil pessoas de todo o mundo se reunirão com a missão de estabelecer uma nova agenda urbana que torne nossas cidades melhores para se viver. Serão negociados compromissos em áreas como habitação, acessibilidade, inclusão social, saúde, meio ambiente, mobilidade, imigração, economia local, ou seja, tudo aquilo que afeta diretamente o nosso dia-a-dia, que define o modelo de cidade que queremos e que envolve atores que vão de governos a empresas, academia e os diversos segmentos da sociedade civil.

    O Greenpeace, que acredita no poder das pessoas para transformar a realidade, não poderia ficar de fora. Além de acompanhar as negociações e debater sobre as iniciativas em desenvolvimento sustentável urbano mais interessantes em prática pelo mundo, realizaremos um evento em parceria com as organizações Engajamundo e Ciudad Emergente, como parte da programação oficial dos networking events, para debater formas de ampliar a voz das pessoas nas decisões sobre o rumo das cidades.

    No dia 17, às 16h30, todos os credenciados na Habitat 3 estão convidados a participar do encontro “People power in cities: Finding ways to strengthen urban movements”, na Sala 2 da Casa de Cultura Equatoriana Benjamín Carrión para discutirmos, juntos, como empoderar cidadãos e fortalecer os movimentos urbanos para que sejam agentes de transformação. Estarão presentes representantes do Brasil, México, Alemanha e Rússia para compartilhar ideias e experiências de engajamento coletivo.

    “Enquanto a ONU se esforça para chegar, com dificuldade, a um documento final que seja significativo, muita gente já está transformando a realidade das cidades na prática por meio de organizações e movimentos urbanos. E nós estamos ao lado dessas pessoas. Vivemos um momento em que as soluções concretas têm de acontecer o mais rápido possível”, afirma Pedro Telles, do projeto Megacidades do Greenpeace Brasil. A seguir, ele avalia a expectativa de resultados para esta conferência.

    Qual a importâcia da Habitat 3?

    Estamos na terceira grande conferência da ONU  para discutir questões de habitação e de desenvolvimento urbano sustentável. Ela é importante por ser um momento em que a comunidade internacional se reúne para olhar com mais atenção o processo de desenvolvimento das cidades. A gente sabe que o crescimento rápido das cidades tem sido determinante em relação às mudanças do clima e à perda de biodiversidade. Temos que agir com firmeza para superar os desafios socioambientais que enfrentamos, e mesmo que o resultado oficial das negociações não pareça muito promissor, temos que fortalecer movimentos que trabalham pela mudança.

    Como avalia o rascunho dessa “Nova Agenda Urbana” sendo negociada na Habitat 3?

    Por mais que ela contemple princípios importantes em relação ao enfrentamento das mudanças climáticas, pobreza e desigualdade, e direitos humanos, é um documento superficial, frágil. O processo de negociação resultou em compromissos vagos, sem números ou datas, apenas intenções. E a gente sabe que quando isso acontece há poucas chances de se chegar a algo concreto. Ao mesmo tempo, a conferência cria um momento para ongs, movimentos sociais e cidadãos do mundo inteiro se encontrarem e discutirem, juntos, as mudanças que já estamos construindo. As conferências da ONU têm esse poder de unir pessoas do mundo todo em torno de uma pauta comum. Estamos indo para lá para aprender e construir com os outros. Queremos fortalecer o trabalho que está acontecendo.

    O Acordo de Paris para o clima terá implicações no rumo das cidades?

    Sim, já está influenciando os debates, está presente em grande parte das conversas. Principalmente no âmbito da ONU, ninguém ignora o Acordo de Paris. Mas apesar de sua influência, ele está pouco refletido no documento em negociação da Habitat 3. Ainda está muito superficial, não foi no nível do detalhe que poderia ter ido, que é o de mostrar concretamente como transformar o Acordo de Paris em realidade nas cidades. As cidades são as maiores emissoras de gases de efeito estufa – são o problema e também a solução.

    Por que o Greenpeace se voltou para as questões urbanas?

    As cidades estão crescendo muito rápido. Metade da população hoje é urbana e chegará a 70% na metade do século. São onde a maioria das pessoas vive e gera impactos. Em muitos casos governos locais estão avançando mais rapidamente na criação de soluções que governos nacionais ou o nível internacional. E algumas cidades concentram tanto poder econômico e político que, se você interfere nelas, induz transformações no país ou no mundo todo. São Paulo é um exemplo disso, como Berlim, Bankok, Moscou e Cidade do México, para citar algumas das cidades que o Greenpeace tem buscado atuar, por meio do projeto Megacidades.

    O que o Greenpeace entende como empoderamento dos cidadãos e como isso pode resolver os problemas das cidades?

    Existem duas esferas de empoderamento. A primeira é quando pessoas mudam seus hábitos cotidianos, transformando a forma como elas vivem para melhor. A segunda é quando elas se organizam e passam a ter capacidade, juntas, de desafiar e pressionar governos e empresas a promover mudanças em larga escala. É fundamental trabalhar as duas formas de empoderamento. Mas enquanto temos visto muito debate em relação à primeira, a adoção de hábitos mais sustentáveis pelas pessoas, sentimos que precisamos avançar mais na segunda questão, em como o cidadão e os movimentos sociais podem se juntar para aumentar sua força coletivamente, porque para o tamanho dos desafios que vivemos é preciso mudar muita coisa rápido.

    Por sua importância política e econômica, São Paulo é uma das Megacidades que podem influenciar muitas outras no país e no mundo Leia mais >

     

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