Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Prefeito João Doria, você vai cumprir a lei?

    Postado por rgerhard - 20 - fev - 2017 às 10:00

    Nesta segunda-feira (20/2), publicamos um anúncio no jornal Folha de S.Paulo para questionar publicamente o prefeito de São Paulo, João Doria. Queremos saber se ele exigirá ônibus abastecidos com combustíveis 100% renováveis a partir de 2018, como determina a Política Municipal de Mudança do Clima (Lei 14.933/2009)

     Nos próximos meses, a Prefeitura assinará novos contratos com as empresas responsáveis pelo sistema de ônibus coletivo de São Paulo. É a grande oportunidade de por essa medida em prática, pois os contratos duram décadas, com grande impacto para a população.

    Por reduzir ou até zerar as emissões de poluentes, os combustíveis renováveis, como energia elétrica, etanol e biodiesel (B100), salvam milhares de vidas por ano. Em São Paulo, 47% da fuligem que recobre a cidade é gerada pelos ônibus. Consequentemente, menos doenças e mortes causadas pela poluição também poupam bilhões para os cofres públicos no longo prazo, sem falar nos benefícios para o clima.

    É simples garantir que a lei seja cumprida: basta que os novos contratos definam um cronograma para a transição dos combustíveis dos ônibus, assim como já existe o que prevê a renovação da frota, mas estabelecendo multas altas ou outras sanções firmes para quem não cumprir a medida. A partir de 2018, é possível ter toda a frota limpa até 2020. E como demonstramos em nosso relatório Dossiê Ônibus Limpo, esta transição é possível sem a necessidade de aumentar a tarifa.

    Temos conversado com as equipes da Secretaria de Mobilidade e Transportes e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, mas os secretários não apresentaram ainda uma posição definitiva da Prefeitura sobre o assunto. Também enviamos há algumas semanas uma carta solicitando reunião com o prefeito João Doria, mas não recebemos resposta.

    Então, perguntamos publicamente: Prefeito João Doria, você vai cumprir a Lei e garantir ônibus movidos 100% a combustíveis renováveis?

     

  • Os Corais da Amazônia surpreenderam nossa expectativa e imaginação

    Postado por Thaís Herrero - 16 - fev - 2017 às 10:00 1 comentário

    O navio Esperanza cumpriu sua primeira missão e a campanha pelos corais da Amazônia continua. Saiba o que encontramos ao longo da nossa expedição.

    Depois de 20 dias de expedição pela costa norte brasileira, o Greenpeace cumpre a primeira parte da sua missão: mostramos ao mundo os recifes de Corais da Amazônia! E seguimos com nossa campanha para defender esse bioma da ameaça do petróleo.

    Saímos do Amapá e navegamos por 1.649 milhas náuticas (algo em torno de 3 mil quilômetros). Ficamos a mais ou menos 100 quilômetros da costa brasileira, indo e vindo pelas áreas dos recifes – e cruzamos a linha do Equador 4 vezes.

    Pelo Esperanza passaram 48 pessoas, entre tripulação, jornalistas, cientistas e a equipe dos escritórios do Greenpeace pelo mundo. No total, fizemos 8 mergulhos com o submarino, sendo o mais profundo a 220 metros da superfície. O que vimos superou nossas expectativas e nossa imaginação. E o que fizemos foi história.

    A seguir, um resumo do que encontramos. Tudo isso só mostra o quanto a região dos recifes de corais da Amazônia é incrível e guarda segredos que ainda precisamos conhecer – e respeitar. 

    Mosaico de biodiversidade

    Esponjas amarelas, entre outras espécies, se misturam a algas e rodolitos (Foto: ©Greenpeace)

    A cada mergulho que fizemos, registramos um número maior de espécies. Encontramos arraias, caranguejo-aranhas, piraúnas, chernes, lagostas, peixes-mariquitas, entre tantos outros. Algumas delas, nem imaginávamos poder ver ali.

    Também encontramos diferentes habitats. Nesta região está uma estrutura recifal enorme, com uma heterogeneidade de paisagens muito maior do que os cientistas previam. Vimos ali bancos de esponjas, bancos de rodolitos, jardins de esponjas e jardins de corais negros.

    Por ser uma área de transição entre a fauna do Brasil e do Caribe, essa variedade foi uma surpresa boa e mostra a complexidade da vida marinha ali. 

    Peixes ameaçados

    Ao lado da anêmona, um peixe cherne, uma espécie ameaçada de extinção. (Foto ©Greenpeace)

    Entre os tantos peixes que vimos passar por perto de nosso submarino e nossa câmera, estavam espécies que estão ameaçadas de extinção, como o cherne e cioba. Isso só prova o quanto os recifes de corais da Amazônia precisam ser defendidos .

    Possíveis novas espécies

    Um peixe-borboleta. Nossa expedição encontrou possíveis novas espécies desse tipo de peixe. (Foto: ©Greenpeace)

    Os cientistas da expedição comemoram a documentação de três possíveis novas espécies de peixes: dois de peixe-borboleta e um de budião-sabão. Segundo Ronaldo Francini Filho, docente da Universidade Federal da Paraíba, essas são espécies bem diferentes no Atlântico. “O próximo passo é continuar o estudo, tentar encontrar esses peixes e estudá-los de acordo com o seu DNA. Só assim teremos certeza de que são uma espécie até então não catalogada pela ciência”. 

    Muito maior

    Conjunto de ouriços-do-mar (Foto: ©Greenpeace)

    A estimativa inicial era de que a região dos recifes de corais da Amazônia tivesse 9,5 mil quilômetros quadrados. Nessa expedição, que nem chegou a percorrer todo o território conhecido, pudemos ver que isso é pouco. “Há indícios para que a área seja duas ou três vezes maior que isso”, disse Ronaldo Francini Filho.

    Paredão de rocha
    Os mapas que mostram a geologia do fundo do mar onde estão os recifes de corais da Amazônia são superficiais e sem detalhes. Mas nossa expedição encontrou um paredão, apelidado de Falha do Joel, de cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros de comprimento. É uma estrutura completamente inesperada e mostra que sabemos pouco sobre a geologia da região onde empresas de petróleo já querem explorar.

    A defesa continua

    Tripulação abre mensagem no Esperanza, em defesa dos Corais (Foto: ©Marizilda Cruppe /Greenpeace)

    As imagens que vimos aqui, segundo Thiago Almeida, da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, deixam claro o quanto único é esse bioma. “Essa expedição mostrou o quão pouco sabemos sobre nossos oceanos e o quão importante é protege-los. Nós temos que evitar que a exploração de petróleo ameace esse único, novo e intocado bioma”, disse. 

    A expedição acabou por enquanto, mas a campanha precisa de mais e mais pessoas ao redor do mundo defendendo os Corais da Amazônia. Vamos juntos pressionar as empresas Total e BP para que elas cancelem seus planos de explorar petróleo na foz do Rio Amazonas. Faça sua parte, assine e compartilhe a petição.

    ASSINE A PETIÇÃO

     
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  • Só amor: os defensores dos Corais da Amazônia entram em ação

    Postado por rgerhard - 15 - fev - 2017 às 18:20 3 comentários

    Com muita diversão e encantamento, os voluntários do Greenpeace se juntaram ao público de várias capitais do país para pedir a proteção desse tesouro natural.  E as ações continuam nos próximos fins de semana. Confira:

     

    A foto com os corais foi uma das ações realizadas em várias cidades, como Belo Horizonte.

     As primeiras imagens dos Corais da Amazônia embaixo d´água foram reveladas ao mundo pela expedição do navio Esperanza no Brasil, numa viagem emocionante, entre 23 de Janeiro a 10 de Fevereiro. As imagens surpreenderam toda a tripulação, além das milhares de pessoas em todo o mundo (já são mais de  500 mil assinaturas em nossa petição).

    Quem passa pelo nosso ponto verde pode personalizar a própria camiseta com os Corais da Amazônia

    Para garantir que o Brasil todo tivesse a oportunidade de admirar esses corais tão especiais na foz do Rio Amazonas, nossos voluntários foram para as ruas no último fim de semana (11 e 12/2), contar para a todos os brasileiros o quão importante (e divertido!) é tornar-se um Defensor dos Corais da Amazônia!

    Os voluntários de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Belo Horizonte e Brasília usaram atividades lúdicas para mostrar às pessoas as primeiras imagens dos Corais da Amazônia e toda a biodiversidade da região, como as baleias, tartarugas, peixe-boi, lontras e peixinhos fofos,  emocionaram a população local. “Todos os grupos estão de parabéns, as atividades foram lindas. A recepção do público em Belo Horizonte  foi demais. Ver, não só os adultos, mas as crianças se interessando pelos corais e toda a biodiversidade da foz do Amazonas foi massa demais. Até me emocionei”, disse Alison Vidon, 29 anos, voluntário de Belo Horizonte, e um dos Escudeiro dos Corais da Amazônia.

    Os Escudeiros dos Corais são voluntários experientes que estão organizando e coordenando atividades dos Defensores dos Corais da Amazônia junto aos Grupos Locais de Voluntários.

    Turma de voluntários nas ruas de Manaus.

     

    Atividade em Belo Horizonte, acima. E Grupo de Voluntários de Salvador, abaixo.

     

     

    Nem o sol de rachar que brilhou no fim de semana em São Paulo desanimou a turma que levou a Campanha para as ruas. Teve voluntária  que ganhou até uma “tatuagem” solar, brincando de pintura com as crianças em plena Praça da República, no centro histórico de São Paulo.

    Grupo de voluntários de Brasília.

     

    Grupo de voluntários do Rio de Janeiro.

     

    Mas ainda não acabou a diversão! Nos próximos fins de semana, mais atividades vão acontecer em São Luis do Maranhão, Porto Alegre, Florianópolis, Imbé e Recife e já no clima de Carnaval, cheio de energia e muito amor para defender esses corais. Fantasias de carnaval, camisetas e muitas atividades estão sendo preparadas com carinho. Preparem-se!

    Valeu Escudeiros e Defensores dos Corais!  Vocês são uma inspiração para toda a equipe do Greenpeace Brasil!

     

    Diversão e aprendizado com a criançada em Belo Horizonte

     

    Próximas atividades agendadas:

    Dia 18/2

    Porto Alegre (RS)

    Onde: Cidade Baixa Rua João Alfredo 235

    Quando: 18h

    Dia 19/2

    Recife (PE)

    Onde: Orla de Boa Viagem

    Quando: 9h30

    Porto Alegre (RS)

    Onde: Praia de Ipanema

    Quando: 16h

    Dia 25/2

    São Luis (MA)

    Onde:  Contação de histórias para crianças no Shopping São Luís

    Quando: 16 horas

    Imbé (RS)

    Onde: Tenda do SESC - próximo a avenida Santa Rosa

    Quando: 9h Leia mais >

  • A descoberta de um paredão misterioso

    Postado por Thaís Herrero - 14 - fev - 2017 às 18:20

    Durante nossa Expedição para ver os corais da Amazônia, encontramos uma formação geológica inesperada que surpreendeu os cientistas e mostra o quão pouco sabemos sobre a região

    Caterina Torresani, tripulante do Esperanza, opera a câmera submarina para observar o fundo do mar. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    A expedição do Espenraza no Brasil guardou uma surpresa para o final: uma descoberta geológica que muda tudo o que sabemos sobre a região da costa norte do Brasil.

    Os mapas que mostram a geologia do fundo do mar onde estão os recifes de corais da Amazônia são superficiais e sem detalhes. Falam basicamente sobre fundos arenosos, fundos lamosos e fundos com fragmentos de corais e algas calcárias. Mas vimos aqui muitos fundos com rocha, o que não era esperado.

    Veja as primeiras imagens dos Corais da Amazônia de baixo d'água

    Em nossa expedição, a bordo do Esperanza, temos as coordenadas geográficas de onde estão os recifes de corais e é por elas que nos guiamos. E há um aparelho muito importante: um sonar, que percebe por meio de ondas a estrutura do fundo do mar. É por ele que sabemos a profundidade e se estamos em cima de áreas mais planas ou mais montanhosas.


    Esse sonar nos indicou uma estrutura totalmente inesperada: no penúltimo dia de nossa expedição, na região sul dos recifes, nos demos conta de que estávamos em cima de um grande paredão rochoso com cerca de 70 metros de altura e 10 quilômetros de comprimento. “Apelidamos o paredão de Falha do Joel, uma homenagem ao capitão. Foi ele quem mapeou o paredão em nossa viagem”, conta Nils Asp, docente da Universidade Federal do Pará.

    Vimos o paredão apenas com uma câmera submersa, mas ao que tudo indica, ele é feito de rocha ígnea e maciça, provavelmente granito. E no topo dele havia alguns corais. “Se comprovarmos que é realmente granito, vai ser algo bem importante. Não existe nenhum relato desse tipo de rocha numa área de 50 mil quilômetros quadrados aqui na plataforma em que estamos”, diz Nils.

    Equipe a bordo do Esperanza opera imagens da câmera submarina, que mostra imagens do fundo do mar em tempo real. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace) Leia mais >

     A descoberta também se conecta à própria existência dos recifes da Amazônia. “Esses pontos rochosos podem ter colaborado para que os recifes existissem aqui”, diz Nils. 

    Segundo Nils, se temos rocha, a topografia da bacia aqui da foz do Amazonas é diferente do que se imaginava – e mais complexa. E mostra que sabemos pouco sobre a região e precisamos conhecê-la melhor. “Isso pode ter implicações grandes até mesmo para a ecologia ou para a geologia do petróleo. Dá indícios sobre como essa região se formou e pode impactar nos planos da empresas petrolíferas que querem explorar a região”, ele afirma.

    Agora sabemos que a região dos recifes da Foz do Rio Amazonas é mais complexa do que imaginávamos. E, por isso, mais do que nunca juntamos forças para nossa campanha Defenda os Corais da Amazônia crescer. E, assim, evitar que empresas explorem a região.

    Thaís Herrero é jornalista, do time de comunicação do Greenpeace, a bordo do Esperanza.

  • Diário de bordo: golfinhos voltam para a despedida

    Postado por Juliana Costta - 14 - fev - 2017 às 11:00

    Não temos imagens dos golfinhos que nadaram com a gente de noite, mas temos esses que nos visitaram durante o dia. (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Chegando ao fim da nossa expedição a bordo do Esperanza, nosso coração ficou bem apertado. Foram mais de 20 dias no navio, 480 horas convivendo juntos. Muitas manhãs começando entre 4h30 e 7h30 para que acompanhássemos os mergulhos de submarino, ou a câmera submersa que ia ao mar, ou para apenas conversar e conhecer mais sobre os recifes de corais com os cientistas. Com todo esse trabalho desenvolvemos amizades, criamos vínculos e vivemos situações que serão boas memórias para toda a vida. A nossa última noite foi só mais uma delas.

    Alguns momentos que sentiremos falta são simples: trabalhar no lounge (a nossa sala de estar) ouvindo as piadas dos bem humorados pilotos do submarino e cientistas. Ou andar pelo navio e encontrar o Eric sorrindo e perguntando “Como está seu dia, querida?”. Sentiremos falta de quando tentávamos nos equilibrar no balançar do navio e todo mundo se olhava com cumplicidade, no maior estilo “tá difícil aqui também”. Esses pequenos momentos fazem a gente até esquecer do cansaço e deixam o dia mais leve.

    Ondas no mar ao nosso redor, no meio do Atlântico (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    E bem na nossa última noite a bordo, tivemos feliz coincidência. Depois do show dos golfinhos dos nossos primeiros dias, nossos companheiros do mar vieram dizer adeus.

    Já passava das 20h e conversávamos na parte externa do navio, aproveitando a noite iluminada pela lua. Ouvimos gritos “Golfinhos na proa! Noctilucas na proa!” e lá saímos correndo para vê-los. (Mais sobre os noctilucas nesse blog aqui)

    Era uma cena incrível. Os golfinhos muitos e eram todos pequenos. Ao redor deles, víamos brilhos verdes, como vaga-lumes. Infelizmente, nossas câmeras não conseguiram registrá-los. Ficaram apenas na memória. Atônitos, entendemos que era um presente de despedida que o mar, talvez Iemanjá, Netuno ou Poseidon nos davam por estarmos ali com a campanha Defenda os Corais da Amazônia.

    Pôr do sol com chuva na região dos corais da Amazônia (Foto: ©Marizilda Cruppe/Greenpeace)

    Afinal, aquele mar por onde tanto navegamos tem mais do que golfinhos saltitantes. Ali há muita beleza e mistérios, vidas marinhas preciosas que ainda não conhecemos tão bem. São corais, esponjas, rodolitos, arraias, peixes, caranguejos entre tantos e tantos outros seres que vimos e registramos. E tudo ali merece nossa atenção e nossa defesa.

    Se demorarmos muito para agir, empresas petrolíferas começarão a explorar a região em busca de petróleo. Um derramamento ali poderia ser desastroso e ameaçaria todas essas belezas que vimos a bordo do Esperanza. E é por isso que daqui do navio estamos mostrando ao mundo o que vemos. Esperamos que, mesmo quem não esteve com a gente, tenha se emocionado e embarcado nessa aventura. 

    Daqui a pouco o navio Esperanza deixa o Brasil, e nós continuamos em busca de mais defensores dos corais da Amazônia por todo o mundo.

    ASSINE A PETIÇÃO

    Juliana Costta é Social Media do Greenpeace e está a bordo do Esperanza, pelo menos por enquanto. Leia mais >

  • Histórias de vida que movem os navios do Greenpeace

    Postado por rgerhard - 10 - fev - 2017 às 16:05

    Conheça e se inspire em alguns dos personagens que alimentam suas vidas de propósito ao navegar pelo mundo em prol das mais diferentes causas pelo planeta, como a defesa dos Corais da Amazônia

    Passar 24 horas por dia durante semanas em um navio com várias pessoas significa que você realmente conhece um ao outro. Além dos cientistas visitantes e da equipe de campanha do Greenpeace que estão a bordo pela expedição em busca dos Corais da Amazônia, a tripulação do navio é composta por 19 pessoas. É um pessoal abnegado, que passa três meses navegando, e 3 meses em terra, alternando seus trabalhos entre os três navios do Greenpeace. E eles são de todos os cantos do mundo, e com diferentes realidades de vida. Conheça algumas das suas incríveis histórias:

    O marinheiro Bala, das Ilhas Salomão.

     Bala, marinheiro, das Ilhas Salomão

    Bala começou a trabalhar como voluntário do Greenpeace nas Ilhas Salomão em 2007, lutando contra projetos ilegais de exploração madeireira por lá. Um dia, o Esperanza veio a sua cidade e a única coisa que sabia era que tinha que se envolver com o trabalho no navio de alguma forma.

    Se ofereceu para trabalhar a bordo e as 3 semanas se transformaram em 3 meses. O resto é história. Agora ele é um marinheiro experiente, tendo trabalhado como contramestre em algumas expedições. O contramestre é o encarregado de gerenciar todos os marinheiros no convés e manter as coisas em ordem.

    Bala adora estar no navio, que chama de casa. Seus colegas de tripulação são a sua família. Quando não está em alguma tarefa, ele pode ser encontrado facilmente na sala-de-estar, seja jogando dardos ou conversando com um dos membros da equipe de campanha em um canto. Ele adora ouvir as histórias das pessoas. E também é um apaixonado pelo trabalho que Greenpeace e seus navios podem fazer. Tendo crescido perto da floresta, e sendo esta expedição atual na Amazônia, ele sente uma conexão real e o desejo de proteger esta área.

    Infelizmente, em seu lar nas Ilhas Salomão, sua comunidade já está sentindo os efeitos da mudança climática e do aumento do nível do mar. Quando ele vai para casa, gosta de compartilhar o que aprendeu em suas viagens com as campanhas do Greenpeace para mostrar que há pessoas trabalhando para proteger o meio ambiente.

    Uma das atribuições da oficial Kei Jie é auxiliar na rota do navio

     Kai Jie, de Taiwan, terceiro-oficial

    Kai Jie sempre teve uma paixão pelos oceanos. Estudou Biologia Marinha na universidade, onde tomou consciência do Greenpeace. Mas mesmo como cientista marinha, você não passa muito tempo no mar.  Muito trabalho é feito em laboratórios. Então, quando em 2012 ela teve a oportunidade de estar a bordo do Esperanza como assistente de cozinha por duas semanas, percebeu que estar no mar era o que realmente queria fazer da sua vida.

    Depois de se formar, Kai Jie se matriculou na Escola Naval para se capacitar como oficial. Ela ganhou alguma experiência no mar em dois anos atuando em navios comerciais antes de finalmente retornar ao Greenpeace. Ela diz que não é muito boa em engajar as pessoas cara a cara, então, trabalhar nos navios é uma maneira de fazer sua contribuição para proteger os oceanos.

    Esta viagem é realmente seu primeiro contrato como 3o oficial. E que viagem de estreia! Como uma ex-cientista marinha, estar em uma expedição explorando um recife de coral nunca documentado antes é algo verdadeiramente especial. "Todos os meus amigos da universidade estão realmente com ciúmes por eu ver este lugar único em primeira mão", diz ela, com orgulho.

    Kim Yeonsik é o segundo-oficial no Esperanza

     Kim Yeonsik, da Coreia do Sul, segundo-oficial

    Kim está em uma busca de encontrar a verdadeira felicidade. Tendo passado a sua jovem vida sonhando em se tornar um jornalista, ele o fez realidade apenas para descobrir que gostava mais da ideia de ser jornalista do que realmente ser um. Interrompeu o trabalho de jornalista após três anos e começou sua busca por um outro propósito novamente.

    Percebeu que realmente queria era era viajar pelo mundo – então, entrou para a Escola Naval e se tornou um marinheiro. Logo, conseguiu um emprego em um navio de carga. Em pouco mais de 5 anos, Kim visitou 36 países e mais de 48 portos. Suas viagens o inspiraram a escrever um livro sobre as experiências que vivenciou. Após publicá-lo, ele se tornou uma celebridade na Coréia do Sul, sendo convidado para programas de TV para falar sobre as histórias do livro. Ele chegou a pensar que isso era o que sempre quis. Mas Kim ainda não estava satisfeito. "Isso foi apenas felicidade a curto prazo, eu precisava de algo mais sustentável."

    Foi assim que ele encontrou o Greenpeace: em um trabalho para atuar em navios para uma organização cuja causa ele realmente acreditava e ainda viajaria pelo mundo. No ano passado, Kim rumou para o Ártico a bordo de outro navio da organização, o Ártico Sunrise. Ele conta que, ironicamente, aprendeu a navegar por grandes icebergs, mas não viu um único sequer quando estava lá.  Constatou, pessoalmente, que eles estão desaparecendo devido às mudanças climáticas.

    Entre várias atribuições, Chirs também pilota os botes do Esperanza.

     Christine, marinheira de convés, da Alemanha

    Christine pode sempre ser encontrada com um sorriso enorme no rosto. Seu riso contagiante levanta o espírito mais mareado dos passageiros.

    Ela trabalha com o Greenpeace desde 2003, inicialmente fazendo a logística de operações do Greenpeace Alemanha. Era seu sonho de ter uma chance de trabalhar em um dos navios, embora tenha se aplicado para isso várias vezes, sem sucesso.

    Nunca ocasião, quando cobria a posição de uma pessoa fazendo logística para o Greenpeace em San Francisco, nos EUA, o Rainbow Warrior, outro navio da organização, veio para a cidade. Durante a sua estadia, Christine conheceu o capitão, que a convidou para se juntar à tripulação durante o deslocamento para San Diego, por 2 semanas.

    Seu trabalho lá não era dos mais glamorosos: limpar o freezer de estocagem de lixo. Em certo momento, esfregando um canto da leixeira enquanto ondas fortes atingiam o casco do navio, ela se pegou rindo da situação. “Pensei comigo mesma que se podia me divertir mesmo estando até os cotovelos na sujeira, então era porque este era o modo de vida a qual eu estava destinada a ter”, conta.

    Depois de alguns trabalhos mais estranhos em outros navios, ela novamente se candidatou e conseguiu finalmente um contrato de 3 meses navegando com o Greenpeace. Primeiro para a África Ocidental e depois para o Ártico. Ela se sente feliz por fazer parte dessas incríveis viagens. "Eu não gostaria de estar em outro lugar," diz, sempre sorrindo. Leia mais >

  • Colocando mais gasolina na motosserra

    Postado por Marcio Astrini - 10 - fev - 2017 às 14:58

    Desmatamento no Pará (© Daniel Beltrá / Greenpeace) Leia mais >

    No final do ano passado, a Amazônia estampou os jornais do país e do mundo com uma infeliz manchete: desmatamento aumenta 29%.  Pior, essa triste notícia não vinha sozinha. Nos últimos quatro anos, é a terceira vez que o desmatamento aumenta na região. A pergunta que fica é “o que fazer, então?”.

    A resposta parece óbvia: aumentar a fiscalização e a proteção nas florestas. Mas parece que não é bem assim que pensam alguns dos ministros do governo Temer. Nesta semana, trancado em uma sala refrigerada em Brasília, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB/RS), tramava junto aos ruralistas do estado do Amazonas uma maneira de diminuir Áreas Protegidas recentemente demarcadas, fazendo assim a alegria dos grileiros de terras da região, e ligando o modo “dane-se” para a floresta. Detalhe, a negociata toda se dava sem nem mesmo um aviso ao Ministério do Meio Ambiente.

    Como se não bastasse, há alguns dias o Conselho de Defesa Nacional pediu a retirada de um processo que havia sido enviado à ONU para reconhecer o Parque Nacional da Serra do Divisor, na fronteira do Acre com o Peru, como patrimônio natural da humanidade junto à Unesco. A vantagem desse tipo de reconhecimento é o aumento na proteção do parque e a possibilidade de atrair investimentos em turismo sustentável, por exemplo.

    Leia mais em matéria do jornal “O Estado de São Paulo”

    Assim, o governo vai, motivado por interesses, colocando gasolina nas motosserras que destroem a floresta, causando um prejuízo imenso aos brasileiros e ao mundo, em detrimento do lucro condenável de poucos.

    Mande um recado ao presidente Temer e ao ministro Eliseu Padilha. Diga a eles que a Amazônia precisa de proteção, e não de mais desmatamento. Você pode copiar a mensagem abaixo ou criar a sua própria.

    Ao Excelentíssimo Presidente da República Michel Temer /  Ao Excelentíssimo Ministro da Casa Civil Eliseu Padilha

    O desmatamento da Amazônia vem crescendo ano após ano. No entanto, o governo não está tomando nenhuma atitude para controlar essas taxas de destruição florestal. Muito pelo contrário, recentes iniciativas como a tentativa de reduzir áreas de Unidades de Conservação mostram aparente desinteresse do governo em resolver a questão do desmatamento.

    A sociedade pede que o governo abandone seus planos de enfraquecer a proteção de nossas florestas. A Amazônia precisa de preservação e não de mais destruição.

    Para enviar ao presidente Temer, acesse aqui.

    Para escrever ao ministro Padilha, utilize o endereço .

    *Marcio Astrini é coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil

  • Muitas línguas e um só propósito: a defesa dos Corais da Amazônia

    Postado por rgerhard - 10 - fev - 2017 às 10:20

    Desde o início da expedição, 48 pessoas de 20 diferentes nacionalidades passaram pelo navio Esperanza, do Greenpeace, para ajudar a mostrar ao mundo este novo bioma já ameaçado pelo petróleo

    Tripulação multicultural do Esperanza na Amazônia ©Marizilda Cruppe/ Greenpeace

     Joel, o capitão do navio Esperanza, é norte-americano; o primeiro-comandante, Martti, é finlandês; o segundo-comandante é o sul-coreano Kim; e a terceira-comandante é Kai-Jie, de Taiwan.

    Nossa comida é feita na cozinha de Babu, um indiano que gosta de nos observar saborear seus pratos cheios de temperos. A paramédica Caterina vem da Itália. No grupo de engenheiros há dois búlgaros. Entre os marinheiros do convés, chamados “deckhands”, as nacionalidades não se repetem: estão representados Alemanha, Filipinas, Ilhas Salomão, África do Sul e Argentina.

    Esses são apenas alguns membros da tripulação, que revelam a grande diversidade de nossa expedição. Durante os 20 dias de viagem pela região onde estão os recifes da Amazônia, 48 pessoas passaram pelo Esperanza, num total de 20 nacionalidades diferentes.

    Além da tripulação, fazem parte desta expedição cientistas brasileiros e jornalistas da França, Estados Unidos e Brasil. A equipe da campanha Defenda os Corais da Amazônia é composta por ativistas de diferentes escritórios do Greenpeace pelo mundo, como Reino Unido, França e Alemanha.

    Estar neste navio é, portanto, experimentar um encontro de culturas, sotaques, hábitos e histórias de vidas. Cada pessoa aqui tem a sua particularidade. E o respeito por tudo isso é o que faz do navio Esperanza o local que passamos a chamar de casa.

    É incrível como a harmonia flui entre todos, pois não há barreiras. Estamos trabalhando pelo mesmo propósito e não há diferenças nas línguas faladas que impeçam que as descobertas sobre os recifes sejam compartilhadas e que amizades sejam feitas.

    Segundo o marinheiro Bala, que vem das Ilhas Salomão, ele se sente feliz a cada novo grupo de pessoas que chega no navio. “Estar aqui e conviver com tantas pessoas de diferentes lugares e culturas abre a cabeça de todos nós. É uma honra para mim que vim de uma vila muito pequena”, conta.

    Estamos mais do que trabalhando pela defesa dos Corais da Amazônia, estamos provando como uma união entre povos é possível e enriquecedora.

    Cada uma dessas 48 pessoas, do seu jeito, com sua habilidade ou função, ajudou a revelar ao mundo as primeiras imagens dos recifes de corais da Amazônia e fazê-los famosos. E um dos resultados deste esforço é que esta diversidade a bordo se refletiu e multiplicou no espaço digital. Em 18 dias já reunimos mais de 440 mil assinaturas globalmente por meio de petições lançadas no Brasil, Argentina, Holanda, França, Espanha, Reino Unido, Bélgica e Luxemburgo. Quando atingimos as 200 mil assinaturas, portanto, nada mais natural agradecer por meio desta diversidade. Veja o video abaixo:

     

    Esse engajamento global é muito significativo porque é juntos que conquistaremos a força suficiente para mostrar às empresas de petróleo que não aceitamos que elas ponham em risco este bioma ainda pouco conhecido em função da exploração da região.

    Os corais da Amazônia são um tesouro que pertence aos brasileiros, mas também são um patrimônio do planeta. Precisamos defendê-lo, não só a bordo do Esperanza, mas em todos os cantos do mundo.

    Faça parte dessa missão. Assine a petição e compartilhe!

    Thais Herrero é jornalista do time de comunicação do Greenpeace a bordo do Esperanza Leia mais >

  • Diário de bordo: Aniversariante no comando

    Postado por Juliana Costta - 9 - fev - 2017 às 18:50

    Ao completar meus 25 anos em alto-mar, ganhei um navio de presente

    O Esperanza é o maior navio do Greenpeace © Will Rose/ Greenpeace

     Todo dia 7 de fevereiro, desde 1992, é um dia de celebração para mim. Afinal, foi quando a minha querida e falecida mãe (de quem sinto muita falta) me deu à luz. A celebração destes meus 25 anos, no entanto, foi muito diferente de qualquer outra comemoração anterior: desta vez, eu estava a bordo do Esperanza, o maior navio do Greenpeace.

    Meu dia começou às 5h30 da manhã. Logo me deparei com uma querida mensagem de “happy birthday” no quadro branco que fica no mess room (o refeitório). É nesse quadro que usamos para passar importantes comunicados a todas e todos no navio.

    O segundo presente foi o desenho que um dos pilotos do submarino fez de mim. Fiquei super emocionada. Ninguém nunca havia feito antes um desenho meu. Ele ainda adicionou um traço de pintura do povo Munduruku, que eu tanto admiro. Não vejo a hora de eles terem suas terras demarcadas.

    Do capitão às marinheiras, recebi abraços e felicitações. O contramestre Eric e a marinheira Christine mencionaram que eles tinham uma surpresa para depois. Obviamente fiquei curiosa, mas eles mantiveram o mistério por horas.

    No final da tarde, eu estava na área de convivência do navio quando a marinheira Chris me chamou. Ela pediu que a Thaís, nossa jornalista a bordo, me acompanhasse e levasse um celular. Seguimos Chris até a ponte de comando. Lá estava Martti, o 1º oficial, me aguardando. Foi então que Cristine anunciou: “Juliana, em nome de toda a tripulação, te desejamos um feliz aniversário! E como presente, nós vamos te deixar pilotar o Esperanza!” Fui tomada por uma onda de felicidade. Quando eu imaginaria pilotar um navio do Greenpeace?

    Recapitulando para que você, leitor, entenda melhor: neste ano, completo cinco anos trabalhando no Greenpeace como analista de mídias sociais. Desde que entrei, ouço falar sobre a incrível experiência de estar em um navio e como ele é parte do DNA da organização. A vontade de embarcar cresceu em mim conforme o tempo passava. No final do ano passado, recebi a informação que iria passar dez dias no Esperanza e esses dez dias viraram vinte. E aqui estou eu, no leme do navio.

     

    Juliana Costta recebe as instruções para a rota do navio.

     Voltando à ponte de comando, Martti me ensinou como pilotar o navio de acordo com os instrumentos. Avisou que eu estaria sob a supervisão dele e de Otto – uma pequena tartaruga de madeira colada nos painéis. Otto é o piloto automático.

    Martti explicou que estávamos com a correnteza nos levando para bombordo a 0,9 nós. E deu a ordem: “Mantenha o navio a 295 graus a bombordo”. Apenas respondi “ok”, e tomei uma bronca da Chris: “Você tem que repetir o que ele disse”. Então, entoei cheia de orgulho: “295 graus a bombordo”. Parece fácil, mas não é.

    Peguei o timão – esqueça o modelo clássico, aquela roda imensa que você viu nos desenhos do Popeye – ele tem o formato de um semicírculo do tamanho de uma laranja. E, assim, assumi o comando do navio. Fiz o melhor para chegar a 295 graus a bombordo. Consegui. Conforme o navio se movimentava, chegamos a 4,9 nós de velocidade. Chegar até ali é fácil, manter é que é difícil. O timão é bem sensível ao toque. Após 5 minutos olhando a bússola e compensando a corrente marinha para me manter na missão, Martti anunciou o fim da minha grande experiência. Com um sorriso de orelha a orelha e um grande abraço, agradeci  a todos: Martti, Chris, Bala e Eric. Os dois últimos se juntaram à nós na ponte no final do meu comando para ver como eu estava me saindo.

    O pequeno timão do Esperanza

     Aprendi que a responsabilidade de pilotar um navio com 40 pessoas é grande, e que demanda muita calma. Ser uma mulher jovem ali também tem um significado importante, uma vez que a ponte de comando é um lugar normalmente dominado por homens.

    Ao voltar para a área de convivência, encontrei o capitão. Ele me parabenizou por eu ter conseguido manter uma linha quase reta. As condições, ele disse, não estão fáceis. “Estou orgulhoso”, elogiou. Em tom de brincadeira, perguntei se deveria investir na carreira de capitã e recebi total apoio!

    Quando achava que o dia não poderia me surpreender mais, Kim apareceu. Ele é um sul-coreano de 28 anos, terceiro engenheiro do navio e dono de uma voz encantadora. Seu presente para mim: pegou o violão e tocou uma música coreana. Não entendi a letra, mas sua voz doce fez toda a sala se encantar.

    No final da noite, ganhei ainda um delicioso bolo de chocolate, com direito a um “parabéns para você” bilíngue e simultâneo, com todos a bordo cantando em português e outros em inglês. Meu coração de manteiga mole desmanchou e as lágrimas rolaram.

    Os melhores presentes não vêm em caixas com laços de fita. Eles vêm embalados em gestos feitos de coração quando estou rodeada de pessoas queridas.

    Em uma data tão especial quanto o próprio aniversário, poder estar em uma expedição internacional, responsável por produzir as primeiras imagens subaquáticas que a humanidade já viu de um cantinho oculto do planeta, no fundo do oceano, os Corais da Amazônia, e ainda pilotar o navio do Greenpeace em meio a tanto carinho, fez esse dia realmente inesquecível.

    Obrigada tripulação do Esperanza. Obrigada Greenpeace.

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    Juliana Costta está a bordo do navio Esperanza e é social media do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Seis cientistas embarcaram com o Greenpeace para nos orientar nesta expedição e ver conosco as primeiras imagens dos recifes de corais na região da foz do rio Amazonas. Conheça um pouco cada um deles

     

    Fabiano Thompson (esq), da UFRJ, se prepara para descer com o piloto Kenneth Jozeph Lowick ©Marizilda Cruppe /Greenpeace

     

    Fabiano Thompson – oceanógrafo, doutor em Bioquímica pela Universidade de Ghent, na Bélgica, e professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

    Quando Fabiano Thompson era adolescente, seu pai queria que ele se tornasse um profissional liberal. Talvez advogado. Mas assim que soube que existia um curso de oceanologia em uma universidade, Fabiano descobriu que era isso que queria para ele, já que sempre se interessou pelo mar e seus mistérios. Foi a escolha certa. Tanto que ele é um dos principais responsáveis pelos estudos e expedições que desvendaram finalmente os recifes de corais da Amazônia, entre 2011 e 2016.

    Fabiano é o elo entre os cientistas que estão na expedição do Greenpeace. Quando estudava na universidade, conheceu Nils Asp e Eduardo Siegle. Anos depois, conheceu Ronaldo Francini e foi orientador de Juline Walter e Ana Carolina Soares.

    Eduardo Siegle – oceanógrafo, doutor em Ciência Marinha pela Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.

    Desde criança, por frequentar praias, o mar atraía Eduardo, que queria saber mais sobre aquela imensidão azul. “Na adolescência, comecei a ler sobre oceanos e essa curiosidade foi ficando mais aguçada, até descobrir que havia faculdades de oceanografia”, conta. Hoje, sua especialidade são as correntes marinhas. Por isso, quando ele fez o mergulho de submarino, viu muitos bancos de areia no fundo do mar e achou aquilo ótimo. “A forma como a areia se dispõem mostra como as correntes se dão. É super importante para minha linha de estudo”.

    Estar na expedição do Greenpeace, para ele, é uma experiência única. “Mostrar os recifes de corais da Amazônia para o mundo é importante para que eles recebam a importância que merecem”, afirma.

    Ronaldo Francini Filho, biólogo, doutor em Ciências Biológicas pela USP e professor da Universidade Federal da Paraíba.

    O interesse pela Biologia está no sangue da família Francini. O pai de Ronaldo estuda borboletas e formigas. Sua mãe, a genética de abelhas, e o irmão mais velho é biólogo e fotógrafo de natureza. Não demorou muito para que Ronaldo fizesse sua primeira expedição científica: aos 4 anos de idade, junto ao pai, pela Mata Atlântica e pela Amazônia.

    Aos 20 anos, quando já estudava Biologia, acompanhou o pai em mais uma viagem, na qual ele coletaria formigas urtigas. “Aquela foi a primeira vez que vi uma equipe trabalhando com mergulho autônomo no mar, fazendo pesquisa marinha. Me senti extremamente atraído por aquilo e, desde então, não parei mais de estudar os oceanos”, conta. “Minha primeira motivação para fazer parte da expedição do Greenpeace foi a aventura e o espírito de explorador. Acho que grande parte da tripulação do Esperanza deve ter esse sentimento”.

    Nils Asp, oceanógrafo, doutor em Geologia Costeira pela Universidade de Kiel, na Alemanha, e professor da Universidade Federal do Pará

    Durante sua infância, Nils Asp gostava de voltar da escola e assistir aos programas de Jacques Costeau. O famoso explorador dos oceanos aguçou seu interesse pelos mistérios do oceano. Hoje, ele dá aulas e estuda Geologia Marinha e está na expedição do Greenpeace ajudando, principalmente, a mapear os recifes e onde estão os melhores pontos para mergulharmos. Nils tem passado muitas horas olhando mapas e usando o GPS para que nossa viagem com o Esperanza seja a mais produtiva possível. A partir dessa observação, ele avalia a topografia e as características dos recifes.

    Juline Walter, bióloga e pós-doutoranda da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Juline Walter estuda partes invisíveis dos recifes de corais da Amazônia. Ela é especialista em comunidades microbianas, analisando que tipo de microrganismo vive nas esponjas recém-descobertas na região da foz do Rio Amazonas. “Os microrganismos são um importante indicativo sobre a saúde dos recifes. Há muitos deles no mundo em risco por conta das mudanças climáticas, em função da acidificação dos oceanos. Comunidades microbianas são uma peça chave para entender como as mudanças estão afetando essas estruturas”, explica.

    Sobre a experiência da expedição, ela se diz “extasiada”. “O que estamos fazendo aqui é expandir os horizontes do conhecimento e quebrar os paradigmas do que a gente sabia até pouco tempo atrás”.

    Ana Carolina Soares, bióloga e mestre em Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Ana Carolina é de Bento Ribeiro (RJ) e está prestes a se mudar para São Paulo para começar seu doutorado. Seus objetos de estudo também são microscópicos, porém fundamental para o ecossistema marinho. Ela estuda a diversidade de comunidades microbianas associadas a sistemas recifais. Ou seja: bactérias, vírus e fungos que vivem associados a esponjas, corais, rodolitos e até peixes.

    Ela esteve na expedição de 2014, que confirmou a existência dos recifes de corais na foz do Rio Amazonas, quando foram coletadas amostras das espécies que vivem ali. “Estar no Esperanza e poder ver os recifes no fundo do mar é totalmente diferente. É uma oportunidade incrível para nosso estudo. Estou muito contente”.

    Juline Walter (sentada), Ana Carolina Soares (camisa listrada), e Ronaldo Francini Filho (camisa preta), observam as imagens dos recifes durante lançamento da câmera subaquática. Foto: Marizilda Cruppe

     

    Agora que você já conhece um pouco mais dos especialistas que nos acompanham e nos orientam, continue conosco nesta aventura para defender os recifes de corais da Amazônia!

    Assine a petição e compartilhe com seus amigos. Vamos fazer esse novo bioma famoso no mundo todo e evitar que empresas o destruam por querer explorar petróleo na região.

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