Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Todos contra a Shell!

    Postado por Thiago Almeida* - 1 - jul - 2015 às 8:00

    (Foto: Caio Paganotti)

     

    Conforme noticiamos ontem, a Shell está muito perto de finalmente poder explorar petróleo no Ártico. A plataforma Polar Pioneer se encontra muito próxima da área de perfuração como forma de pressionar o governo dos Estados Unidos a conceder as últimas licenças.

    Se essas permissões forem dadas à Shell, a exploração começará já nos próximos 15 dias. Este é um dos momentos mais delicados na história do Ártico, onde uma empresa com um péssimo histórico de operação na região pode começar a extrair petróleo do Oceano Ártico, colocando em risco o equilíbrio climático de todo o planeta.

    Leia mais sobre a chegada iminente da Shell no Ártico

    Contamos com o apoio de mais de 7 milhões de pessoas no mundo inteiro, mas ainda não é suficiente. Precisamos que cada um se mostre contra a Shell, mostre seu rosto e faça sua voz ser ouvida pela proteção do Ártico.

    Por isso chamamos toda a população brasileira para o movimento internacional People vs Shell (Pessoas vs Shell, em português), que acontecerá em mais de 40 países do mundo.

     

    É o seguinte: tire uma foto sua com um cartaz pedindo a proteção do Ártico. Você pode encontrar duas opções de cartazes para download aqui e aqui. Compartilhe em suas redes sociais com as hashtags #PeoplevsShell e #SalveoArtico e sua foto irá parar diretamente no Tumblr do movimento.

     

    A Shell está no Ártico e a exploração está prestes a começar. Precisamos agir. Vamos salvar o Ártico!

    Ainda não assinou a petição? Essa é a hora, clique aqui!

    * Thiago Almeida é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Dilma, é só correr para o abraço

    Postado por Márcio Astrini* - 30 - jun - 2015 às 8:00

    Os presidentes Dilma e Obama têm encontro marcado na Casa Branca hoje. Essa reunião deveria ter acontecido em 2013, mas foi cancelada depois das denúncias de que o governo americano estava usando grampos de telefone e de email para espionar o governo brasileiro. Sem essas ferramentas para se atualizar sobre o que acontece no Brasil, Obama deve estar desatualizado sobre o que se passa por aqui e Dilma terá, portanto, dois anos de notícias para pôr em dia. Mas o que será que ela vai falar para ele?

    Presidenta Dilma Rousseff e presidente norte-americano Barack Obama (©creative commons) Leia mais >

     

    Dilma vive atualmente sua pior crise política. A mais recente pesquisa de opinião pública revela que o governo brasileiro tem, hoje, a segunda pior avaliação de sua história entre os eleitores.  O cenário econômico também vai mal: cortes de orçamento em Saúde e Educação, inflação e preço dos alimentos aumentando, conta de luz nas alturas. Nem o futebol se salva, muito pelo contrário.

    Mas nem tudo está perdido. Há alguns assuntos nos quais Dilma pode esbanjar categoria e fazer um gol de placa. Quase todos dizem respeito ao que o Brasil pretende fazer com relação ao meio ambiente, especialmente para combater as mudanças climáticas. Para ajudar nossa presidenta, listamos algumas dicas que podem deixar Obama de queixo caído.

    Florestas

    Temos a maior floresta tropical do planeta, mas que perde uma área do tamanho de um campo de futebol por minuto para o desmatamento. Além disso, na Amazônia a retirada de madeira acontece de forma criminosa e descontrolada. No Cerrado, a coisa é ainda pior, mas Dilma pode dar a resposta. Basta anunciar que o Brasil adotará uma política nova: o desmatamento zero.

    Sem derrubar mais nenhuma árvore, o País poderia reduzir em mais de 30% suas emissões de gases de efeito estufa, além de proteger nossas fontes de água e biodiversidade. Não faltam evidências de que o Brasil pode continuar expandindo a produção de alimentos sem desmatar mais nada, e Dilma também poderia anunciar um pacote de investimentos em logística em tecnologia para fortalecer isso.

    Para lidar com o problema da madeira ilegal, Dilma também poderia anunciar a reformulação do sistema de controle desse setor na Amazônia e, o que agora opera quase que totalmente na ilegalidade, produziria de forma saudável e manejada, com respeito à floresta. Ao legalizar a produção, conseguiríamos aumentar a arrecadação de impostos, possibilitando a melhoria de programas sociais, além de gerar mais verbas para áreas como saúde e educação.

    Com isso, diria Dilma, os americanos poderiam comprar carne, couro e madeira do Brasil, pois além de preservar a floresta, esses produtos ajudariam no desenvolvimento do País e na distribuição de renda. Para mostrar que não está de brincadeira, a Presidenta também pode levar para Obama uma cópia do Diário Oficial com as demarcações de terras indígenas e unidades de conservação que estão há anos paradas nas gavetas dos gabinetes de Brasília. Para coroar, Dilma garantiria que projetos que prejudicam as florestas e seus povos, como a PEC 215, seriam vetadas.

    Energia

    Dilma poderia convidar Obama a investir em energia solar por aqui. Neste campo, aliás, Dilma poderia dar um show ambiental e econômico e brilhar muito. A lógica é mais ou menos essa:

    1. Estamos com um baita problema de geração de energia no país. As usinas hidrelétricas estão com reservatórios secos e, com o acionamento das usinas termoelétricas (mais caras), a conta de luz subiu mais de 60%.

    2. Energia solar é uma tecnologia em ascensão em todo o mundo: teve investimentos de quase 150 bilhões de dólares em 2014;

    3. O Brasil é um dos países onde essa fonte de energia ainda é pouco explorada, menos de 0,1% da energia do País é gerada por solar.

    4. O Brasil tem um dos maiores índice de irradiação solar. Só para comparar, a Alemanha, líder mundial de geração de energia solar, recebe 40% menos raios solares que o pior local do Brasil e mesmo assim já tem 8,5 milhões de pessoas aproveitando o potencial do Sol para gerar energia, contra cerca de 500 casas no Brasil.

    Dilma pode anunciar a energia solar como um caminho para, além de garantir luz na casa das pessoas, aliviar a conta no bolso do cidadão. De quebra, ainda desativaríamos as caras e poluidoras térmicas.

    Se todo o potencial teórico de energia solar nas residências brasileiras fosse aproveitado, produziríamos eletricidade suficiente para abastecer pouco mais de duas vezes o consumo residencial atual. Esse aproveitamento também significaria a possibilidade de geração de 6 milhões de novos postos de trabalho diretos e indiretos e, de quebra, uma economia potencial de mais de R$95 bilhões ao ano. Como cereja do bolo, a Presidenta também poderia garantir ao presidente americano que irá liberar o uso do FGTS para as pessoas financiarem as instalações. Dá-lhe, Dilma. 

    Para impressionar Barack Obama, Dilma ainda poderia anunciar que o Brasil chegará à 2030 com um teto limite de emissões de um bilhão de toneladas de gás carbônico por ano. Exemplo de ambição que irá cobrar dos seus pares na convenção da COP 21 de Paris no final do ano.

    A receita não é difícil de seguir. Tanto que, para facilitar ainda mais para a Presidenta, nesta sexta (26/06) um grupo de 37 ONGs que compõem o Observatório do Clima lançou estas propostas de forma bem explicada. Além de florestas e energia, há ainda receitas para melhorar o transporte nas grandes cidades, que rouba horas importantes da vida de todos nós e envenena o ar que respiramos, e dicas para agricultura, entre outros. É só acessar aqui.

    Assim, a Presidenta iria impressionar não apenas o Obama, mas certamente também receberia as bençãos do Papa Francisco, que recentemente pediu ações urgentes pelo clima e pelos mais pobres. Tudo isto está aí, no pacote que a Presidenta poderia anunciar ao Obama. Agora é só correr para o abraço, Dilma!

    *Márcio Astrini é coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil

  • Ocupando o símbolo de São Paulo

    Postado por Vitor Leal* - 29 - jun - 2015 às 12:15

    Avenida Paulista, ontem, dia 28 de junho de 2015 (© Leon Rodrigues / SECOM PMSP)

     

    Eu estava lá quando as pessoas tomaram a avenida símbolo da cidade de São Paulo com bicicletas, skates, patins, cachorros e crianças. Estava lá quando o barulho de buzinas e motores foi substituído pelo de risadas e sorrisos. E, se você também estava em São Paulo nesse frio e ensolarado domingo (28/6), espero que tenha pedalado ou caminhado numa Avenida Paulista aberta às pessoas.

    Foi na segunda volta pela Paulista que me encontrei com as lembranças na  ghost bike da Márcia Prado. Num susceder de imagens, vieram as memórias daquela triste noite de janeiro de 2009 quando, sob chuva forte, tomamos a rua para chorar mais uma vítima da violência imposta a quem decide não ser parte do problema e tornar-se solução. Mais uma vítima da disputa diária entre o carlor humano e o motor.  

    Junto ao uso da cidade, vem a diversidade: pessoas pedalando, famílias levando seus bebês para passear e amigos curtindo um dia de sol. Tudo isso numa das avenidas mais movimentadas do país (© Leon Rodrigues / SECOM PMSP)

     

    Lembrei-me vivamente do peso do guidão daquele 14 de janeiro enquanto empurrava sua ghost bike em frente ao parque Trianon, encharcado por uma mistura de lágrimas de nuvens e chuva do coração. Quando morrem ciclistas, o céu também chora. Apertou aqui dentro ao encontrar outras pessoas que, com olhos marejados, paravam em frente à ghost bike da Julie Dias para celebrar o amargor doce deste domingo.

    Se puxo essas memórias é para lembrar que o que conquistamos tem um custo, e às vezes perdemos gente especial nesse processo. É para recordar que as ciclovias da cidade podem ser obra da prefeitura, mas são o resultado de mais de duas décadas de luta diária de quem se coloca sem armadura na batalha por uma cidade melhor. Ontem foi um dia especial, porque não só inaugurou-se a ciclovia que começa a sacramentar a ideia de bicicleta na cabeça de cada morador e visitante desta cidade, mas por que a rua foi ocupada por uma miríade de pessoas, por risos e alegrias. Este domingo ficará pra sempre na memória de milhares de pessoas que retomaram aquele espaço e agora sonham uma outra São Paulo.

    Celebrando o fechamento da Av. Paulista para as pessoas #paulistaparapessoas

    Uma foto publicada por Vitor Leal (@vitorlp) em

     

    Infelizmente, a felicidade na capital paulista ainda tem hora marcada e, às 17h, polícia e CET, numa atitude exagerada, invadiram o espaço tornado humano com suas motos e caminhonetes, suas sirenes e buzinas e foram expulsando quem havia vivido um novo tipo de cidade para seus devidos cercados - calçadas e ciclovia - e sequestrando aquele espaço novamente para os carros.

    Ciclovias não são a única solução. Mas éramos invisíveis e precisávamos ser vistos. Ontem, na Paulista, uma vez mais, fomos vistos. E, desta vez, viemos para ficar. Porque mais nenhuma foto da Avenida Paulista será feita sem a linha que separa a São Paulo que foi da São Paulo que será.

    Como diz Enrique Peñalosa, ex-prefeito de Bogotá e um dos principais responsáveis pela sua transformação em cidade-modelo, a ciclovia serve para mostrar que um cidadão em uma bicicleta de cem dólares vale tanto quanto outro num automóvel de cem mil. Mas estamos longe do fim.

    Agora é preciso expandir o uso da bicicleta nas periferias (© CicloZN) Leia mais >

     

    Agora, mais urgente do que nunca, é preciso levar as ciclovias para a periferia, conectar o centro expandido ao seu entorno para garantir a mesma qualidade e segurança a quem atravessam as pontes para chegar ao coração da cidade. A luta não acabou, mas ontem foi um marco a ser celebrado e recordado. Continuaremos a tomar a cidade pelas bordas e pelo centro, para conectar a cidade que queremos. #vaiterciclovia #ciclovianaperiferia

    *Vitor Leal é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

  • Brasil para na década de 70

    Postado por Thiago Almeida* - 27 - jun - 2015 às 9:00

     

    Não são apenas hippies e amor livre que definem a década de 70 no Brasil. Há exatos 40 anos, o Brasil assinava um acordo com a Alemanha de cooperação para a construção de oito usinas nucleares. Também em 1975, foram adquiridos os reatores nucleares das usinas Angra 2 e Angra 3. De lá para cá, vimos acidentes nucleares como o de Chernobyl, na atual Ucrânia, e o de Fukushima, no Japão, e países como a própria Alemanha se comprometendo a desligar suas usinas nucleares e investindo em energias renováveis. Enquanto isso, o Brasil parece querer continuar na década de 70, parado no tempo, já que em declarações recentes, o ministro de Minas e Energia afirmou querer retomar os investimentos em energia nuclear no País. Justo o Brasil que tem Sol e vento para dar e vender.

    Tanto naquela época quanto hoje, o discurso da energia nuclear ancora-se em afirmar que esta é segura. Não é o que mostram os fatos. Entre 1952 e 2011, o mundo vivenciou 33 incidentes e acidentes nucleares considerados sérios. Entre os mais conhecidos, estão o de Three Mile Island, nos EUA, em 1979; Chernobyl, em 1986, tido como o pior acidente nuclear da história; e Fukushima, o mais recente, em 2011, resultado de um desastre natural, fenômeno que poderá ser cada vez mais frequente com as mudanças climáticas.

    Manejo e armazenamento de combustível nuclear, envelhecimento dos reatores e mudanças climáticas são alguns dos riscos que podem acabar em consequências catastróficas. De acordo com estudo publicado em abril, nos últimos 70 anos foram 174 acidentes no mundo sendo que há 50% de probabilidade de um novo acidente como o de Three Mile Island acontecer nos próximos 10 anos, um como o de Chernobyl nos próximos 27 anos e um como o de Fukushima nos próximos 50 anos.

    Outro forte argumento da indústria nuclear é que a energia nuclear é mais barata. No entanto, o cálculo que é feito não considera, por exemplo, o custo de descomissionamento – de ‘desligamento’ – da usina ao final do seu ciclo de vida, estimado em US$ 1 bilhão por usina. Tampouco calcula os custos de armazenagem do lixo nuclear produzido sendo que até hoje não existe, em todo o mundo, uma solução permanente para esses resíduos. 

    Mais recentemente há quem defenda a energia nuclear por esta ser uma fonte limpa e fundamental para combater as mudanças climáticas. Vale lembra que as fontes solar, eólica e de biomassa emitem menos gases de efeito estufa do que as usinas nucleares, além de serem implementadas mais rapidamente e estarem cada vez mais baratas. Energia eólica já é a segunda fonte mais barata no Brasil. 

    Angra 2 levou 26 anos para entrar em operação a um custo de R$ 11 bilhões. Angra 3, cuja construção começou em 1984, está prometida para 2018 a um custo de R$ 14,9 bilhões. São 40 anos e quase R$ 26 bilhões para termos uma capacidade instalada de menos de 3 GW. Com os mesmos recursos, seria possível instalar 5,5 GW de solar e 7 GW de eólica em apenas três anos. Não à toa, a participação dessa fonte na matriz mundial é cada vez menor. Em 2014, foi instalado quase 20 vezes mais de energias renováveis do que de energia nuclear.

    Fato é que a energia nuclear não faz sentido do ponto de vista econômico, ambiental e de segurança energética. Enquanto diversos países no mundo desligam suas usinas nucleares e investem em energias renováveis, o governo brasileiro volta a falar sobre retomar projetos nucleares. O Brasil precisa entrar no mercado de energia do século XXI, investindo em tecnologias como solar e eólica para aproveitar todo o Sol e vento com o qual foi abençoado.

    *Thiago Almeida é da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil Leia mais >

  • Metas brasileiras para o clima

    Postado por Marina Yamaoka - 24 - jun - 2015 às 11:27

    Veja como foi a apresentação:

     

    Nesta sexta-feira, a sociedade civil apresentará a meta de emissões de gases de efeito estufa - responsáveis pelas mudanças climáticas - para o Brasil. A menos de seis meses da próxima conferência internacional sobre o tema, a COP21, o governo brasileiro tem o compromisso de apresentar uma meta de quanto emitirá depois de 2020. Enquanto o governo não apresenta este número, o Observatório do Clima, rede de organizações que trabalham a questão das mudanças climáticas e da qual o Greenpeace é parte, fez o cálculo. 

    Alguns países como Estados Unidos, Canadá, México e Rússia, já apresentaram suas metas e a soma de todas as contribuições indicará se será possível manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2oC, limite considerado seguro pelos cientistas. O Brasil deve reduzir suas emissões se quer fazer sua parte no combate às mudanças climáticas.

    COP-19, INDC e COP-21

    Na COP-19, em 2013, em Varsóvia, os cerca de 200 países que participam da Conferência se comprometeram a enviar suas metas para corte de emissões de gases de efeito estufa visando a construção de um novo acordo global a ser assinado em 2015, em Paris, e que irá substituir o Protocolo de Kyoto e vigorar a partir de 2020. Estas metas são conhecidas como INDC, sigla em inglês para Contribuição Intencional Nacionalmente Determinada.

    Assista ao vivo o evento no qual os especialistas técnicos que construíram os números apresentarão e discutirão o papel que o Brasil deve ter na próxima conferência das mudanças climáticas.

    Confirme sua participação no evento do Facebook. Leia mais >

  • Cortar CO2 é ‘oportunidade do século’ em saúde

    Postado por do Observatório do Clima* - 23 - jun - 2015 às 11:56

    Em edição especial do periódico médico The Lancet, estudo sugere que profissionais de saúde liderem o enfrentamento das mudanças climáticas para resultados efetivos

    Facilidade no transporte ativo é uma solução proposta pelo The Lancet para lidar com a questão da saúde e das mudanças climáticas (©Otávio Almeida/Greenpeace)

     
    As consequências das mudanças climáticas sobre a saúde estão sendo subestimadas e os últimos 50 anos de avanços da medicina estão ameaçados. A conclusão é de um estudo publicado nesta terça-feira no periódico The Lancet, uma das principais revistas médicas do mundo. Isto porque, de acordo com os pesquisadores, com uma população de 9 bilhões em 2050, os problemas causados pelas alterações no clima podem ser drásticos, com grandes perdas econômicas e em saúde.

    “A mudança climática tem o potencial de reverter os ganhos em saúde a partir de desenvolvimento econômico nas últimas décadas – e não apenas pelos efeitos diretos sobre a saúde, mas por meios indiretos, como o aumento da migração e instabilidade social”, diz Anthony Costello, diretor do Instituto de Saúde Global da UCL (University College London) e membro da equipe de pesquisadores. “No entanto, nossa análise mostra claramente que, ao combater as mudanças climáticas, também é possível beneficiar a saúde”, afirma Costello.

    Os efeitos diretos incluem aumento das ondas de calor, inundações, secas e aumento frequência de tempestades intensas. Indiretamente, a saúde humana seria afetada por mudanças na qualidade do ar e da água, propagação de vetores de doenças, insegurança alimentar e subnutrição e até problemas de saúde mental.

    A maioria dos impactos do clima na saúde são processos complexos, que frequentemente se retroalimentam e cujo impacto é difícil de ser absorvido pela sociedade. Por exemplo, aumento de temperaturas e mudanças nos padrões de precipitação podem alterar a proliferação de vetores de doenças, como mosquitos transmissores da dengue ou da malária. Ondas extremas de calor podem afetar a produtividade e aumentar a procura por hospitais, além de agravar doenças cardiovasculares.

    Para os pesquisadores, combater as mudanças climáticas pode ser a maior oportunidade em saúde deste século. Eles sugerem que profissionais de saúde liderem a resposta às ameaças das mudanças climáticas. “Os profissionais de saúde têm trabalhado para proteger contra ameaças para a saúde, como o tabaco, o HIV e poliomielite, muitas vezes confrontando poderosos interesses”, diz o artigo.

    De acordo com os pesquisadores, a perspectiva de saúde pública tem o potencial de envolver toda a sociedade em uma causa. Além disso, justificam os autores do estudo, esses conceitos são muito mais tangíveis do que toneladas de CO2 na atmosfera, e são entendidos e priorizados em todas as populações, independentemente da cultura ou estado de desenvolvimento.

    Alguns dos benefícios apontados pela pesquisa em uma economia de baixo carbono são a redução da poluição do ar e doenças respiratórias. O chamado “transporte ativo” – como caminhadas e uso da bicicleta – também poderia diminuir o tráfego e o número de acidentes de trânsito, além da redução de taxas de obesidade, diabetes, doença cardíaca coronariana e acidente vascular cerebral.

    “A mudança climática é uma emergência médica”, afirma Hugh Montgomery, da UCL. “Portanto, exige uma resposta emergencial, utilizando as tecnologias disponíveis no momento. Sob tais circunstâncias, nenhum médico iria considerar uma série anual de discussões de casos e metas adequadas, mas é exatamente assim que ocorre a resposta global à mudança climática.”

    IPCC da saúde

    O grupo de pesquisadores aponta linhas gerais de atuação dos governos em todo o mundo para enfrentar as mudanças climáticas e propõe a formação de um novo órgão global sobre mudança climática e saúde para monitorar e relatar a cada dois anos impactos das mudanças climáticas na saúde, além do progresso nas políticas de mitigação e sua interação com a saúde.

    Entre as medidas sugeridas para os próximos cinco anos estão investimentos em pesquisa em saúde pública, monitoramento e vigilância para assegurar uma melhor compreensão das necessidades de adaptação e os benefícios à saúde na adoção de medidas de mitigação e adaptação; ampliação de financiamento aos países em desenvolvimento, inclusive nos sistemas de saúde; transição para energias renováveis, abrindo mão de fontes poluentes, como o carvão; incentivos para cidades que promovem estilos de vida saudáveis para a população e para o planeta, como políticas de eficiência energética, facilidade no transporte ativo e acesso a espaços verdes. O estudo defende que a adoção dessas políticas reduziria a pressão sobre os sistemas de saúde, permitindo mais investimentos no setor.

    No campo político e econômico, as sugestões são estabelecer um mecanismo internacional de precificação do carbono, expandir o acesso à energia renovável, facilitar a colaboração entre ministérios da Saúde para o desenvolvimento de estratégias em saúde e clima e, por fim, estabelecer um acordo internacional ambicioso. Leia mais >

    *O Observatório do Clima é uma rede que reúne entidades da sociedade civil com o objetivo de discutir a questão das mudanças climáticas no contexto brasileiro e da qual o Greenpeace é parte.
  • Minuto Verde: entenda a PEC 215

    Postado por Alan Azevedo - 19 - jun - 2015 às 12:21

    Em mais uma edição do podcast Minuto Verde, abordamos a PEC 215, um dos ataques legislativos mais ferrenhos aos direitos dos povos tradicionais; Ouça aqui, são 2 minutinhos

     

    A PEC 215 é uma Proposta de Emenda Constitucional de iniciativa da bancada ruralista e tem como objetivo dar o poder aos parlamentares de criar e também anular demarcações de terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação. Atualmente cabe ao Poder Executivo a tarefa demarcar Áreas Protegidas.

    Caso aprovada, a alteração na Constituição Federal de 1988 significaria, na prática, a paralisação de todos os processos de homologação de terra, uma vez que mais da metade de um total de 513 deputados defende os interesses do agronegócio.

    Por outro lado, 48 dos 81 senadores da República publicaram um manifesto contra a PEC 215. E como o Senado é encarregado de analisar os textos que vêm da Câmara, a proposta tem tudo para não passar.

    Chegou a vez dos deputados tomarem partido. Outro manifesto, agora assinado por mais de 70 organizações da sociedade civil, foi entregue a parlamentares que também rejeitam a proposta 215. Uma lista de assinatura de deputados em apoio ao manifesto está sendo elaborada.

    PEC 215: não passará!

    Ouça o podcast Minuto Verde: Leia mais >

  • Papa pelo clima

    Postado por Pedro Telles* - 16 - jun - 2015 às 15:11

    Na próxima quinta-feira (18), o Papa Francisco lançará sua primeira encíclica, um documento pontifício dirigido a todos os bispos e fiéis da Igreja Católica, e a dedicará ao maior desafio de nossos tempos: mudanças climáticas. A encíclica indicará importantes direcionamentos a serem seguidos por membros e seguidores da Igreja, e deve gerar grande impacto tanto na comunidade católica, quanto em governos de todo o mundo.

    A expectativa é de que a mensagem do Papa reafirme os aprendizados da ciência, que não deixa dúvidas de que a ação humana é responsável pelos crescentes desequilíbrios no clima hoje vistos em nosso planeta, e convoque todos a agir para evitar um aquecimento global que supere 2oC, limite considerado seguro pelos cientistas. O papa também deve discutir temas como a relação entre redução da pobreza e sustentabilidade, hábitos de consumo, e as responsabilidades de governantes e empresas.

    No final deste ano uma nova rodada de negociações da ONU sobre o tema das mudanças climáticas, a COP 21, deve gerar um acordo entre países sobre o qual há grande expectativa e que deve substitiur o Protocolo de Kyoto. A encíclica do Papa é mais uma entre diversas boas notícias que têm ajudado a construir um bom momento para levar a um acordo de fato relevante - unindo-se ao forte movimento de organizações que têm retirado seus investimentos em combustíveis fósseis ao redor do mundo e ao fato das emissões globais de gases de efeito estufa não terem crescido em 2014, por exemplo.

    A expectativa para a encíclica é alta, e o bem-humorado vídeo abaixo ajuda a preparar o terreno.

     

    *Pedro Telles é da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil

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  • O futuro das bacias hidrográficas

    Postado por Alan Azevedo - 13 - jun - 2015 às 14:00

     

    O nono e último vídeo sobre o seminário “ÁGUA & EDUCAÇÃO – Práticas e Reflexões", realizado em São Paulo em parceria com o Instituto 5 Elementos, Namu, Nace Pteca, OCA – Laboratório de Educação e Política Ambiental da Esalq e Sala Crisantempo, fala sobre o futuro das bacias hidrográficas. A região Sudeste sofre há mais de um ano com uma crise hídrica histórica, e as leis de proteção ambiental são importantes mecanismo que podem garantir o abastecimento de água.

    A convidada desse último bloco é a professora doutora Sueli Furlan, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Atualmente desenvolvendo pesquisas socioambientais em Conservação de Florestas tropicais, Furlan adentra na questão de Áreas de Proteção Permanente (APP) de morro.

    A questão é sensível porque são os topos dos morros que cercam as bacias hidrográficas que garantem grande parte da preservação dos mananciais, mas a lei é inadequada e permite a silvicultura, por exemplo.

    “Precisamos mudar a narrativa, colocar a natureza no centro da política. Se assim acontecer, talvez a gente tenha a terá organizada de outra forma”, talvez, segundo ela, poderíamos assim ter um mundo mais protagonizado pelos povos e pelas comunidades e não pelos poderes organizados.

    Relembre os outros episódios e se eduque sobre Água. Saiba tudo sobre a crise assistindo aos outros oito capítulos:

    Assista também os outros episódios:



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  • Futebol para defender as geleiras do Chile

    Postado por Alan Azevedo - 12 - jun - 2015 às 15:33

    Em cima, foto tirada em 1928 de uma geleira chilena (©Archivo Museo Salesiano/De Agostini). Abaixo, foto comparativa do mesmo local, tirada em 2004 (©Greenpeace/Daniel Beltrá).

     

    Com a apresentação da equipe ontem, a seleção de futebol da República Glaciar, país fundado pelo Greenpeace para proteger as geleiras de todo o Chile, está preparada para jogar os jogos de sua vida – literalmente.

    Após um dia da estreia da Copa América, disputada no Chile, a seleção glaciar apresentou seus jogares, que irão a campo todas as quartas-feiras, quando a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados do Chile se reúne para votar a Lei Glaciar. A votação pode aprovar uma de duas leis propostas: a primeira é do governo, que pretende proteger “algumas” geleiras, enquanto a outra, formulada pelo Greenpeace, estipula a proteção integral.

    Assista ao vídeo da seleção da República Glaciar:

     

    “Só um pode ganhar o duelo. Serão partidas difíceis”, diz Matías Asún, diretor do Greenpeace Chile. A seleção da República Glaciar formará o Conselho Sulamericano de Novas Federações (CSANF), representante aqui na América do Sul da Federação Internacional do Futebol (FIFA). “Vamos representar uma partida de futebol nessas ocasiões e convidar as pessoas para que torçam pela aprovação da lei indicada pelo Greenpeace”, explica Asún.

    O Greenpeace Chile fundou a República Glaciar em 5 de março de 2014. É um novo país sobre 23 mil km2 de geleiras na região dos Andes, criado a partir da falta de reconhecimento desse território pelo governo chileno.

    O famoso poeta chileno Nicanor Parra, a escritora Isabel Allende e diversas outras personalidades chilenas se juntaram à causa desse país. Uma grande vitória dessa seleção aconteceu em maio do ano passado, quando a presidente do Chile Michelle Bachelet se comprometeu com uma lei de proteção glaciar.

    Um ano depois, durante seu discurso presidencial, Bachellet disse: “já iniciamos a discussão sobre a moção parlamentar, tratando essa matéria [as geleiras] de maneira ampla com o mundo científico, social, econômico e político”. Com essas palavras, a presidente reafirmou seu compromisso de ter um projeto de lei sobre geleiras. Mas, para o Greenpeace, esta lei que o governo propõe não protege a região.

    “As geleiras do Chile representam 82% de todos os glaciares da América do Sul. Essas formações de gelo são as reservas de água natural mais importantes do país, e por isso devem permanecer intocadas”, observa Asún. “Por isso precisamos que as geleiras vençam, então convidamos os cidadãos a se tornarem fãs dessa seleção”.

    Torça pela seleção da República Glaciar. Estamos jogando as finais e precisamos do seu suporte. Clique aqui e apoie a proteção completa das geleiras. Leia mais >

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