Greenblog

Notas sobre o meio ambiente em tempo real.

  • Bloqueio de carga de ferro gusa

    Postado por Elcio Figueiredo - 26 - mai - 2012 às 6:26

    Após a falta avanços na conversar com a indústria e governo, não restou alternativa a não ser o protesto pacífico no porto de Itaqui em São Luis do Maranhão. Nossa atividade é contra a cadeia de produção do ferro gusa que deixa um rastro de destruição e ilegalidades na Amazônia.


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  • Pro Greenpeace é de graça

    Postado por Bernardo Camara - 24 - mai - 2012 às 21:44 5 comentários

    “Hoje não devemos mais pensar terrritorialmente: ‘meu país’. Meu país é o mundo, o país de todo cidadão é o Globo”. A recomendação, apropriada para os dias de hoje, chegou ao Rainbow Warrior de barco. Aníbal Vasconcelos, dono da embarcação contratada pelo Greenpeace para entregar mantimentos à tripulação, mostrou-se um exemplo de consciência ambiental.

    Quando soube que a encomenda seria entregue para o Greenpeace - que bloqueava um navio que seria carregado com ferro gusa manchado por desmatamento - Aníbal não pensou duas vezes: "Não vamos cobrar as viagens que o Greenpeace precisar". E assim foi feito. Das três viagens que fez de São Luis até o local onde o Rainbow Warrior está ancorado, a uns 20 quilômetros da costa, ele não cobrou um centavo. E deixou ensinamentos para trás.

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  • As promessas da Apple

    Postado por Marina Yamaoka - 24 - mai - 2012 às 16:00

    Ativistas protestam na loja da Apple em São Paulo para que a empresa abandone o uso de energias suas © Greenpeace / Alexandre Cappi

     

    A Apple fez uma afirmação ousada sobre abandonar o uso de energia suja em seus três datacenters. Também prometeu dobrar a quantidade de energia solar para alimentar seu datacenter na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Os clientes da Apple apreciam ousadia e vão adorar os novos planos ambiciosos da empresa.

    “Nossos três datacenters não dependerão de carvão, o que é um passo muito importante para uma empresa do nosso tamanho”, afirmou o CFO da Apple, Peter Oppenheimer.

    Este é um sinal claro de que a Apple ouviu seus 220 mil clientes que pediram para que a iCloud – tecnologia de informação da nuvem da Apple – fosse abastecida com energia limpa. Agora, a empresa precisa mostrar como ela vai transformar essa retórica em realidade.

    Os planos atuais da Apple preveem que os investimentos em energia solar e em células combustíveis podem fornecer até 60% da eletricidade necessária e o restante da energia viria de fornecedores de energia renovável na região. O problema é que a única empresa na área é a Duke Energy que utiliza carvão, o que dificulta os planos da Apple de utilizar energia limpa.

    Uma das possibilidades é que a Apple espere compensar o uso de energia suja comprando “créditos de energia renovável” na Carolina do Norte, método de compensação de carbono que permite que as empresas paguem por créditos que supostamente ajudam a financiar outros projetos de energia renovável, apesar de não utilizarem essas energias em suas instalações. No entanto, isso faria com que a Apple estivesse livre de carvão apenas na teoria.

    A Apple pode fazer mais do que isso. Pode comprar energia renovável diretamente dos fornecedores, basta assinar um contrato de longo prazo para construir novos projetos de energia limpa na Carolina do Norte, como o Google fez com parques eólicos. Como um dos maiores consumidores da Duke Energy, também pode usar seu poder de influência pedindo que a empresa forneça energia limpa.

    Ainda falta transparência da parte da Apple para explicar como ela pretende abastecer seu datacenter em Oregon com energias renováveis. A empresa alega ter acesso suficiente a essas energias para satisfazer as necessidades de suas instalações, mas ainda não está claro como isso acontecerá sem a utilização de créditos de energia renovável.

    O Greenpeace continuará a trabalhar até que a empresa tenha políticas que assegurem que os seus datacenter atuais e futuros vão usar energia limpa. Agora que a Apple tem mostrado que está começando a ouvir seus clientes, a questão é se a Microsoft ou a Amazon também tomarão um passo para além. Leia mais >

  • Dilma, 2 milhões já pediram: Veta tudo

    Postado por Nathália Clark - 24 - mai - 2012 às 15:11 1 comentário

    Na Praça dos Três Poderes, protesto exibia as mais de 2 milhões de assinaturas contra o Código ruralista, e simulava o veto total da presidente Dilma ao projeto.

     

    A ampulheta corre rápido no Palácio do Planalto. Estamos cada vez mais perto do prazo final que a presidente Dilma tem para se posicionar perante os brasileiros sobre o Código Florestal criado pelos – e para – os ruralistas. A grande maioria de seus eleitores já se posicionou: o povo quer o fim do desmatamento e a preservação das florestas, punição a quem desmatou e justiça para aqueles que respeitam a lei. Em poucas palavras, o veto total ao projeto.

    Foi convocada às pressas nesta quinta-feira pela manhã, véspera da data limite para o anúncio oficial da presidência, uma reunião entre o Comitê Brasil em Defesa das Florestas, que reúne entidades e organizações em defesa do meio ambiente e do qual o Greenpeace faz parte, e os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente).  

    O Comitê, que congrega as principais organizações que pedem o veto total, decidiu por não fazer parte da reunião, já que foram pedidas duas audiências com a presidente Dilma anteriormente e ela sequer respondeu aos pedidos. Ao contrário disso, o setor do agronegócio – mais especificamente a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) – foi recebido duas vezes.

    A Avaaz, com a parceria do Greenpeace e do WWF, conseguiu coletar mais de 2 milhões de assinaturas contra o Código. O diretor de campanhas da Avaaz, Pedro Abramovay, foi o único que compareceu ao encontro, para levar e protocolar as assinaturas. “Estamos mostrando que, do ponto de vista político, a presidente está numa situação de conforto para exercer seu poder de veto. São seus eleitores que estão pedindo”, afirmou.

     

    Na parte da tarde foi realizado um protesto representando o veto total da presidente. Ao lado de um painel com as mais de 2 milhões de assinaturas e das mensagens “Desliga essa motosserra” e “Veta Tudo Dilma”, um ator vestido como a presidente simulou a assinatura.

    Minutos depois, o vice-presidente da República, Michel Temer, adiantou que o veto da presidente não deverá ser total. “Serão vetos parciais”, limitou-se a dizer. Segundo a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, Dilma poderá sancionar o texto com vetos ainda no dia de hoje.

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  • Zerar desmatamento para zerar as emissões

    Postado por Marina Yamaoka - 24 - mai - 2012 às 12:56

    Área de desmatamento em Santarém, no Pará. A destruição da floresta continua sendo uma das principais causas de emissões de gases estufa no Brasil. (© Daniel Beltrá / Greenpeace)

     

    A Agência Internacional de Energia (AIE) divulgou ontem que as emissões globais de dióxido de carbono pela queima de combustível fóssil aumentaram 3,2% em relação a 2010. Em 2011, o recorde de 31,6 gigatoneladas emitidas foi atingido - cada gigatonelada equivale a 1 milhão de toneladas - sendo a queima de  carvão responsável por quase metade desse valor.

    O cenário previsto pela Agência estabelece que ainda há chances de limitar o aumento da temperatura média global a 2OC, limite relativamente seguro de aquecimento médio da Terra, em relação a temperatura registrada em 1750. Mas para que isso aconteça, o pico máximo de emissões deve ser de 32,6 gigatoneladas e precisa ser alcançado, no máximo, até 2017.

    Já estamos muito próximos desse limite. Esse é o momento de decidir como será o futuro das próximas gerações e o Brasil pode contribuir zerando o desmatamento na Amazônia até 2015. Dessa forma, a sexta maior economia mundial estará fazendo sua parte para diminuir o ritmo do aquecimento global e assegurar a biodiversidade e o uso responsável deste patrimônio para beneficiar a população local.

    Você também pode nos ajudar a parar as motosserras que derrubam nossas florestas assinando a petição pela lei do desmatamento zero no Brasil. Outra mudança necessária é a forma como a energia é produzida e consumida no Brasil. A exploração em petróleo e gás, que contribuem para emissões de gases estufa, exigirá R$686 bilhões em investimentos entre 2011 e 2020. Esse valor poderia ser direcionado para a exploração do enorme potencial de energia eólica, solar e por biomassa, energias renováveis que contribuem para um Brasil mais verde e limpo.

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  • O elo mais frágil da cadeia

    Postado por Leonardo Medeiros - 24 - mai - 2012 às 0:15

    Desde o dia 14 de maio, ativistas do Greenpeace a bordo do Rainbow Warrior fazem um protesto na baía de São Marcos, em São Luís do Maranhão, para evitar que o navio Clipper Hope chegue ao Porto de Itaquí. O cargueiro contratado pela empresa Viena Siderúrgica deveria fazer um carregamento de 31,5 mil toneladas de ferro gusa para os Estados Unidos.

    De acordo com o relatório Carvoaria Amazônia, publicado semana passada pelo Greenpeace, a cadeia de produção do ferro gusa, matéria-prima do aço, deixa um rastro de destruição e ilegalidades nos Estados do Pará e do Maranhão. Sua produção depende de carvão vegetal.

    O problema é que parte da madeira utilizada pelos carvoarias que abastecem as siderúrgicas provém do desmatamento ilegal de unidades de conservação e de territórios indígenas. Se já não bastasse, estas carvoarias ainda usam práticas de séculos passados, utilizando mão de obra em condições análogas à escravidão.

    Faça sua parte. Assine e compartilhe a petição pela lei do Desmatamento Zero.

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  • Siderúrgicas e governo contra a parede

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2012 às 21:11

    Carvoarias no estado do Pará. A cadeira do ferro gusa leva consigo um rastro de destruição da Amazônia, trabalho escravo e invasão de Terras Indígenas. (© Rodrigo Baléia / Greenpeace)

     

    Após a denúncia do Greenpeace sobre as irregularidades na cadeia de produção do ferro gusa, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados solicitou uma audiência pública, que acontece amanhã às 10h, para cobrar explicações do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério Público Federal e de outros órgãos do governo.

    Acompanhe aqui ao vivo a audiência:

     

    Presidente da Comissão, o deputado Sarney Filho (PV-MA) afirmou que pretende discutir os dados apresentados no relatório “Carvoaria Amazônia”, que comprovam que a produção de ferro gusa na Amazônia está deixando um rastro de desmatamento, trabalho escravo e desrespeito a povos indígenas.

    “Essas informações são muito preocupantes, tanto pela degradação ambiental das áreas protegidas da região, quanto pelas péssimas condições de trabalho da população envolvida na produção do carvão que abastece as siderúrgicas que utilizam essa matéria prima”, afirmou Sarney Filho.

    Para a audiência foram convocados representantes do Ibama, da Secretaria de Meio Ambiente e do MPF do Maranhão, além representantes da Funai, de siderúrgicas, do Imazon e do Greenpeace. O MPF do Maranhão já declarou, na semana passada, que vai abrir inquérito para investigar os dados.

    Apesar da derrota do Código Florestal no Congresso, os legisladores parecem não ter abandonado de vez a causa florestal. No último dia 30 de março, o Projeto de Lei N° 317 de 2011, que proíbe a utilização de carvão vegetal produzido com matéria-prima extraída de mata nativa, obteve parecer favorável do relator na Comissão de Meio Ambiente, deputado Bernardo Santana de Vasconcellos.

    Resta saber o que dirão as demais esferas do governo e as empresas do setor siderúrgico sobre o caso. A audiência acontece nesta quinta-feira, às 10h, no Plenário 08 do Anexo II. Enquanto isso, nós seguimos fazendo a nossa parte. Assine a petição que zela pela proteção das florestas do Brasil, e pede a lei do Desmatamento Zero.

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  • Floresta nas lixeiras dos fast foods

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2012 às 15:16

    Banner na sede da KFC, no Kentucky, Estados Unidos, pede que a rede de fast food pare de levar a destruição das florestas indonésias para dentro da casa dos consumidores.

     

    Os restaurantes fast food dominam o mercado mundo afora. Sem chegar a comentar aqui a qualidade da comida ou a sua procedência, falemos então do descarte do lixo e do modo de produção das embalagens. Além de acumular toneladas de lixo, os recipientes descartáveis usados pela KFC, uma das maiores redes de comida dos Estados Unidos, vendedora de toda sorte de receitas com frango frito, são feitos às custas da devastação das florestas tropicais da Indonésia.

    A KFC compra tais produtos da Asia Pulp & Paper (APP), gigante da indústria de papel e celulose, que vem constantemente destruindo o habitat de animais em extinção, como o famoso tigre de Sumatra. O Coronel Sanders, que fundou originalmente a rede de fast food não poderia ter imaginado que a empresa que ele fundou em 1930 estaria promovendo a destruição da floresta a meio mundo de distância de onde ela teve início,  no Kentucky, EUA 

    Um novo relatório do Greenpeace Internacional, “Como a KFC está descartando a floresta” mostra exatamente essa cadeia perversa. Pesquisas e testes legais revelaram como a KFC compra produtos de papel feitos com fibra de floresta tropical fornecida pela APP. Na semana passada, a empresa alegou que assumiu o que chamou de “novos compromissos” para proteger as florestas. Mas na realidade, ela irá continuar a contar com a destruição florestal.

    Hoje o Greenpeace está lançando uma campanha mundial para convencer a KFC e a empresa prima, Yum!, a limpar sua imagem cortando destruição da floresta de suas cadeias de suprimentos. Enquanto isso, ativistas escalaram a sede da KFC em Louisville, Kentucky, para mostrar aos próprios funcionários que chegavam para trabalhar nesta manhã que não se deve ignorar essa barbárie.

    Um banner gigante com a imagem de um tigre de Sumatra foi colocada sobre os pilares da frente da sede, de se podia ler “KFC, pare de trazer destruição para dentro da minha casa”. Se os animais em extinção como o tigre de Sumatra devem sobreviver na floresta, empresas como a KFC não podem continuar a fechar os olhos para o problema e continuar a transformar floresta em lixo descartável. Leia mais >

  • Argumento ruralista às avessas

    Postado por Nathália Clark - 23 - mai - 2012 às 13:26 1 comentário

    Imagem aérea de área desmatada para pastagem no entorno de Santarém, no Pará. (© Greenpeace / Daniel Beltrá)

     

    Cai por terra mais um dos mantras ruralistas entoados durante toda a discussão em torno do novo Código Florestal. Segundo especialistas consultados pela reportagem publicada hoje no jornal O Estado de SP, caso a presidente Dilma Rousseff – que tem até sexta-feira para se posicionar – vete o projeto aprovado na Câmara dos Deputados e retome o texto do Senado, a perda de produção agrícola será apenas 10% do que a bancada do agronegócio vem anunciando.  

    Com a recuperação do passivo ambiental – que, como o nome já diz, deve ser reavido – o déficit para a produção será de 3 milhões de hectares, bastante diferente dos 33 milhões defendidos pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO).

    O número foi obtido com base em análise de especialistas em cima de cálculo do Ministério do Meio Ambiente. Um estudo do Departamento de Florestas da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA considerou que, ao todo, seria necessário recuperar cerca de 31,5 milhões de hectares, sendo 18 milhões em área de Reserva Legal (RL) e cerca de 15 milhões em Áreas de Preservação Permanente (APP).

    Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a mudança ocorrerá de fato só nas APPs, pois o texto do Senado prevê a possibilidade de o déficit de Reserva Legal ser compensado em outra área no mesmo bioma.

    De acordo com estimativas ainda não publicadas do professor Gerd Sparovek, da Esalq/USP, o passivo em áreas protegidas em propriedades agrícolas é de cerca de 55 milhões de hectares só de APP. Desses, 45 milhões seriam ocupados por pecuária e apenas 10 milhões por agricultura.

    Seguindo essa projeção, 80% do uso irregular de APP seria para pecuária de baixa produtividade e só os 20% restantes seriam ocupados por agricultura. Essa proporção foi o que permitiu calcular, sobre os 15 milhões de hectares inicialmente previstos, que a perda de área para produção agrícola seria de cerca de 3 milhões de hectares, e não a outra projeção ruralista.

    Além disso, os cientistas reforçam que, como em geral no Brasil a produtividade dessas áreas é muito baixa, em torno de uma cabeça de gado por hectare, recuperar pastagem é um bom negócio para o próprio produtor. De acordo com a reportagem, investimentos podem dobrar a produtividade e ainda liberariam cerca de 70 milhões de hectares no país.

    A senadora Kátia Abreu rebate que o problema não é a tecnologia, mas a falta de dinheiro e mercado consumidor. Mas a estratégia ruralista não tem apoio nem mesmo de quem está no meio agrícola. “Foi um erro dizer que haverá impacto na produção. A discussão deveria ser reconhecer que APP é importante, que a recomposição é necessária, mas tem custos, e o setor agrícola deveria cobrar quem vai arcar com esses custos”, afirmou André Nassar, do Instituto Ícone.

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  • Bem-vindo ao século 19

    Postado por Cristina Amorim - 23 - mai - 2012 às 12:00

    fac-símile da lei áureaNo prefácio de "Casa Grande e Senzala", de 1933, Gilberto Freyre conta como, depois da saída dos jesuítas do Brasil, o senhor feudal tornou-se o mais poderoso no campo. "Dono das terras. Dono dos homens." A obra detalha com exatidão os tempos coloniais, incluindo a escravidão, para explicar a formação da sociedade brasileira.

    Pois vamos voltar ao presente. Ontem, a Câmara dos Deputados aprovou a PEC do Trabalho Escravo, que expropria terras onde a fiscalização detectar a existência de trabalho análogo à escravidão.

    A aprovação em segundo turno da PEC ocorreu oito anos (vamos repetir: oito anos) depois do primeiro turno, com 360 votos a favor, 29 contra e 25 abstenções. A proposta, que teve origem no Senado, foi modificada pelos deputados e terá de ser novamente analisada pelos senadores.

    Aí você pergunta: quem, em pleno século 21, é a favor do trabalho escravo?

    A cambada, ups, bancada ruralista, representantes dos senhores feudais descritos por Gilberto Freyre em sua análise sobre o Brasil colonial. São os mesmos senhores que mudaram o Código Florestal no Congresso, hoje à espera de uma posição da presidente Dilma.

    Há anos o Greenpeace, em atuação na Amazônia, fala de trabalho escravo e de como a falta de governança na região permite absurdos como esses. Neste exato momento, protestamos contra a indústria do ferro gusa no Maranhão e no Pará, repleto de casos de pessoas impedidas de sair das carvoarias, por causa de dívidas contraídas à revelia, às vezes com seus documentos cassados e vivendo em condições precárias.

    Freyre, se vivo estivesse, teria um posfácio nas mãos. Pois é incrível que, em pleno 2012, o Brasil precise reforçar uma lei aprovada há 124 anos.

    Aqui está o texto da Lei Áurea na íntegra, para ninguém duvidar de sua existência.

    Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888.

    Declara extinta a escravidão no Brasil.

    A princesa Imperial, Regente em Nome de Sua Majestade o Imperador o Senhor D. PedroII, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembléia Geral decretou e Ela sancionou a Lei seguinte:

    Art. 1º É declarada extinta desde a data desta Lei a escravidão no Brasil.

    Art. 2º Revogam-se as disposições em contrário.

    Manda, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

    O Secretário de Estado dos Negócios d'Agricultura, Comércio e Obras Públicas e Interino dos Negócios Estrangeiros, Bacharel Rodrigo Augusto da Silva, do Conselho de Sua Majestade o Imperador, o faça imprimir, publicar e correr.

    67º 2005 da Independência e do Império.

    a) Princesa Imperial Regente Leia mais >

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