Pela primeira vez, povos indígenas e comunidades locais das maiores florestas tropicais do mundo se reúnem para construir soluções conjuntas por justiça climática

Entre 26 e 30 de maio, a capital da República do Congo, Brazzaville, deu vida ao primeiro Congresso Global de Povos Indígenas e Comunidades Locais das Bacias de Florestas Tropicais, organizado pela Aliança Global de Comunidades Territoriais (AGTC), que representa 35 milhões de pessoas em 24 países, defensoras de mais de 958 milhões de hectares florestais.

Durante uma semana, populações da Amazônia e Mesoamérica (América Latina), do Congo (África), e de Borneo-Mekong, Indonésia e Papua (Ásia), se reuniram para fortalecer alianças, compartilhar experiências e exigir o reconhecimento de seus direitos como guardiões das áreas florestais mais importantes do planeta.

Desmatamento, queimadas, avanço do agronegócio, extração de óleo e gás e da mineração são riscos semelhantes enfrentados pelos povos indígenas e comunidades tradicionais em todo o mundo. Mas a força e as soluções que praticam em seus territórios também são elementos em comum que mantêm a floresta viva e contém as mudanças climáticas.

“Líderes globais e financiadores internacionais devem respeitar esses territórios e investir em suas soluções — e não em atividades predatórias que ameaçam e invadem suas terras, florestas e rios. Na Amazônia, os povos indígenas e comunidades tradicionais, como ribeirinhos e quilombolas, protegem milhões de hectares de floresta em seus territórios demarcados e não demarcados.”, disse Rômulo Batista, da Campanha de Soluções da Floresta do Greenpeace Brasil, que acompanhou o evento.

As populações que cuidam das florestas devem estar no centro das decisões e dos orçamentos para justiça climática. O congresso foi um marco de solidariedade, coragem e resistência entre o Sul Global frente ao que coloca em risco o futuro de toda a humanidade. 

O encontro culminou em uma declaração histórica com demandas políticas e apelos aos governos, à comunidade internacional e às autoridades para que:

  1. Reconheçam e protejam os direitos à terra, incluindo povos em isolamento voluntário.
  2. Acabem com a violência contra lideranças e ativistas.
  3. Respeitem o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), com inclusão de mulheres, jovens e comunitários nas decisões.
  4. Garantam financiamento direto, com recursos para o clima e a biodiversidade.
  5. Suspensão da extração de combustíveis fósseis, agronegócio em larga escala e mineração em terras indígenas.
The Amazon is proof that real solutions come from the peoples of the forest — it is urgent to finance them directly with climate resources, a central theme of COP30

There are many examples of local development that integrate social advances, conservation and even forest and biodiversity recovery: true forest solutions. However, there is a historical lack of investment in real solutions that are already being developed by the peoples of the forest. State programs, such as the National Policy for Indigenous Territorial Management, lack a larger budget and, in general, do not receive parliamentary amendments for their implementation.

To show one of the most successful examples of this local development, Greenpeace Brazil returns to the middle Juruá River region with the RESPECT THE AMAZON expedition, where we were 25 years ago to denounce illegal logging, and where our first partnership with indigenous peoples was born, in the self-demarcation of the Deni Indigenous Land, which today is an important mosaic of Amazonian biodiversity.

Do Congo à COP 30: financiamento direto já 

Entre os principais temas debatidos, esteve o novo Mecanismo Floresta Tropical para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que propõe financiar a conservação florestal com pagamentos diretos por hectare protegido.

O TFFF, uma iniciativa liderada pelo governo brasileiro, tem a previsão de ser lançado oficialmente durante a COP30, em Belém. Em maio, Greenpeace lançou uma nota informativa sobre TFFF, destacando a necessidade de destinar, pelo menos, 20% dos recursos para povos indígenas e comunidades tradicionais, com transparência e governança forte para impedir que o dinheiro seja utilizado em atividades que destruam o meio ambiente e violem os direitos humanos.

Ajude a cobrar mais dinheiro para os povos que protegem a floresta!

Compartilhe e assine a petição: “Respeitem a Amazônia”

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