Cheia na comunidade de São Carlos, distrito de Porto Velho (© Greenpeace/Lunaé Parracho)

 

Como já foi publicado aqui no blog, no final de fevereiro, o Greenpeace esteve em Porto Velho, Rondônia, para documentar a cheia do rio Madeira, que já afetou mais de duas mil famílias na região. O nível do rio continua subindo – nesse domingo atingiu a marca histórica de 19,1 metros por volta das 8h30 da manhã.

A equipe esteve nos bairros mais prejudicados, onde encontrou casas submersas e conversou com famílias que tentavam salvar seus pertences. Na comunidade de São Carlos, a cerca de 100 quilômetros de Porto Velho, os moradores acompanhavam com aflição o avanço da água, que subia dia após dia. Pouco depois da visita do Greenpeace, todas as 500 famílias da comunidade tiveram que deixar suas casas.

Os moradores atingidos afirmam que as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau têm contribuído para o agravamento da cheia, causada pelas fortes chuvas nas cabeceiras dos afluentes do rio Madeira na Bolívia – onde 60 pessoas já morreram – e no Peru.

Assista ao vídeo para conhecer a história das pessoas que estão tendo suas vidas mudadas pela cheia:

  

Para Ministério Público, hidrelétricas agravam a cheia

Entidades como o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Estado (MP/RO), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RO) e a Defensoria Pública da União estão processando as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau por terem ignorado o impacto das cheias.

As instituições entraram com uma ação civil pública para que a Justiça Federal obrigue as hidrelétricas a atender imediatamente as necessidades básicas da população. A ação pede também que a Justiça condene o Ibama a suspender as licenças das usinas até que novos estudos sobre os impactos das barragens sejam feitos, além de uma compensação por dano moral coletivo estimada em R$ 100 milhões de reais.

Antes da construção, uma consultoria contratada pelo Ministério Público de Rondônia, alertou que os impactos decorrentes das barragens poderiam ser maiores do que os que estavam sendo apontados por Furnas, que fez os estudos aceitos pelo Ibama. Mesmo assim, o processo de licenciamento prosseguiu.

“O que está acontecendo agora em Rondônia demonstra que as usinas de Santo Antônio e Jirau foram construídas sem planejamento para lidar com eventos extremos como esse que atinge não só o Brasil, mas também a Bolívia. Para viabilizar a construção desses mega-projetos, o governo está ignorando os impactos socioambientais que podem ser causados pelas hidrelétricas na Amazônia”, disse Danicley de Aguiar, da Campanha Amazônia do Greenpeace.