Nossos voluntários participaram do protesto realizado ontem no Rio de Janeiro contra a Vale, uma das empresas responsáveis por um dos maiores desastre ambientais da história do Brasil

Por Thomas Mendel

Voluntários do Greenpeace Brasil protestam em frente a sede da Vale, no Rio de Janeiro. (Foto: Greenpeace / Julia Rosa)

Nesta segunda-feira, 16 de novembro, acordei e vi que o tempo estava nublado. Chovia um pouco, mas logo parou. Lembrei o que teria que fazer durante o dia e a primeira imagem na minha cabeça foi o protesto que aconteceria mais tarde. Logo abri o computador para ver se amigos tinham publicado novas noticias sobre Mariana (MG) e os desdobramentos do rompimento das barragens, ocorrido 11 dias antes. Assisti novamente o momento em que o primeiro vazamento aconteceu e fotos dos estragos provocados pelo lamaçal rio a baixo.

Liguei a televisão e nada. O sentimento era de que não poderia ficar parado. Finalizamos o banner, enchemos quatro galões com lama. O que a gente podia carregar.
Indo em direção ao centro o tempo continuava nublado. Garoava. Pouco antes de chegar no protesto, às 17h, começamos a ouvir a batucada e o berro dos que já estavam lá. Foi tudo muito rápido e intenso. Começamos a espalhar todo aquele barro pelo chão e nas paredes. Não conseguia pensar em outra coisa além dos animais, das pessoas e das casas que foram varridas. Espontaneamente começamos a interagir com a ação de outros grupos.  Pessoas deitaram no chão, imundos de barro se davam as mãos. Olhava nos olhos deles enquanto continuava derramando a lama. Foi difícil pensar na função que eu estava assumindo sobre aqueles indivíduos, mas lembrei que não estava em Mariana e não era eu quem tinha provocado o acidente. Estávamos em frente a Vale, na rua Graça Aranha, centro do Rio de Janeiro. Junto com pelo menos 300 pessoas protestamos contra o maior crime ambiental da história de Minas Gerais, um dos maiores do Brasil. Devolvemos para eles 80 litros de lama, uma quantidade simbólica,  aproximadamente 700 milhões de vezes menor ao vazamento que provocaram.
    
Foi muito bonito ver crianças e pessoas de diferentes grupos mobilizadas por essa causa, espero que atos como este não parem e que o número de participante só aumente. Não vai ser amanhã, semana que vêm, nem daqui a um mês que o problema vai estar resolvido. Precisamos levantar e agir para que essa tragédia não caia no esquecimento. Cheguei em casa, me limpei e descansei um pouco. Imagino que quem passou por isso de verdade não está tendo tempo nem para respirar. Voltou a chover, sempre quando isso acontece me lembro de Mariana, minha solidariedade a todos e todas. Pensando em tudo o que está acontecendo me fiz algumas perguntas, entre elas: Quanto vale a vida? Não sei para eles, mas enquanto tiver lama, nós faremos questão de devolve-la para seus verdadeiros donos.