Fortaleza está inquieta. O motivo? A construção de dois viadutos no cruzamento das Avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Junior, no bairro Cocó. Até aí tudo mais ou menos bem, não fosse o fato de a obra envolver a derrubada de árvores de um dos maiores parques em área urbana da América do Sul, o Parque do Cocó.

Desde o início das obras, em julho, o local foi ocupado por manifestantes contrários ao projeto em execução, por vários motivos.

De fato, a obra é polêmica. Em primeiro lugar, por confiar na expansão do espaço viário como forma de solucionar o problema de congestionamento, o que significa insistir em uma falácia muito criticada pelos especialistas – os carros se comportam como gases, quanto mais espaço há, mais espaço ocuparão, pelo fato de que a melhora no tráfego estimula mais pessoas a utilizarem o carro, levando ao congestionamento novamente. Em segundo, mas não menos importante, por não ter contado com participação popular e ser uma obra que não considera um planejamento de médio e longo prazo da mobilidade da cidade, voltado para a priorização de outros meios de transporte – como a bicicleta, transporte coletivo e andar a pé – que não o carro.

Esse planejamento é um imperativo que deve ser cumprido pelos municípios até abril de 2015, como determina a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Mas é também muito mais do que isso: é um instrumento essencial para garantir que a população tenha a oportunidade de participar ativamente no momento de tomada das decisões referentes à forma como se darão os deslocamentos em suas cidades – questão intimamente relacionada à qualidade de vida e à cidade que todos nós queremos e sonhamos ter.

Resta saber quando os governantes de Fortaleza – e de outras cidades do Brasil que enfrentam o mesmo problema de obras sem planejamento da mobilidade – aprenderão essa lição e as colocarão em prática.