Hoje o dia começou como outro qualquer.

Meu filho acordou 5 horas da manhã, tomei meu café lá pelas 7 horas, caminhei até o metrô e depois de 40 minutos estava no escritório.

Mas este não era um dia qualquer.

Este é o dia em que a Procter & Gamble (P&G), a dona de marcas como Head & Shoulders, vai ter que parar de ignorar o pedido de mais de 185 mil pessoas pelo mundo que estão exigindo apenas óleo de palma livre de desmatamento nos produtos da empresa.

Como revelamos na semana passada, após um ano investigando a cadeia de fornecedores da companhia, a P&G precisa parar de fazer dos seus consumidores cúmplices deste escândalo ambiental que vêm destruindo as florestas tropicais da Indonésia.

Assim que abri meu computador comecei a perceber que a P&G estava deletando comentários aqui e ali, nas principais redes sociais, postadas por clientes e adeptos da campanhas em suas páginas. Vamos ser claros: a P&G costumava ignorar pedidos dos consumidores, mas agora tenta esconder essas demandas do mundo!

Foto da página de produto da P&G no Facebook com comentário e depois sem. Empresa está deletando as perguntas mais difíceis.

 

Depois desta primeira surpresa, fiquei curioso para saber o que eles fariam com o lançamento do vídeo que mostra toda a hipocrisia de uma empresa que se diz apoiadora das mães e de uma maternidade saudável enquanto faz órfãos. Órfãos orangotango. Entenda vendo este vídeo (clique no ícone captions, no canto inferior direito da tela, para legendas em português):

 

Se não fosse constrangedor o bastante, ao não se comprometer com uma política de não desmatamento a P&G está colocando em risco o futuro das próximas gerações, já que o desmatamento vem acelerando as mudanças climáticas.

E ainda que vídeos, blogs e outras mídias sociais sejam uma ótima maneira de comunicar nossas demandas para a empresa, precisamos garantir que elas cheguem aos grandes decisores, executivos com poder para mudar as políticas da P&G e assegurar que sua cadeia de fornecimento esteja livre de desmatamento. 

E é exatamente isto o que um grupo de ativistas está fazendo.

Enquanto escrevo, ativistas escaladores estendem dois banners com mensagens pelas florestas no escritório central da P&G em Cincinnati, nos Estados Unidos. Um deles vai além, e vestido de tigre-de-sumatra, voa numa tirolesa que liga as duas torres do edifício.

Agora vamos ver se eles conseguem apagar essas mensagens.

Escalador vestido de tigre estende banner de tiroleza que liga duas torres do edifício sede da P&G em Cincinnati. (© Greenpeace / Tim Aubry)

O resultado final disso tudo é simples. Ao invés de ignorar a demanda de milhares de pessoas e tentar esconder a situação, a P&G precisa enfrentar o problema de frente. E só vai fazer isso quando adotar e implementar uma política de combate ao desmatamento que vá além da certificação da Mesa Redonda pelo Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), insuficiente para garantir o óleo livre de desmatamento.

Se outras empresas como a Nestlé, Unilever, L’Oréal e Ferrero podem ir além da RSPO e se comprometer publicamente com políticas de não desmatamento, a P&G também pode.

Venha você também fazer parte deste movimento que já reuniu milhares de colaboradores pelo mundo. Envie sua mensagem e diga para a P&G que não aceita produtos que promovam destruição de floresta.

Assine a petição

* João Talocchi é da campanha de florestas do Greenpeace EUA.