1. Contaminação genética
Agricultores que queiram se dedicar ao cultivo convencional ou orgânico
já sabem: se tiver alguma plantação transgênica nas redondezas, a
contaminação é garantida e a missão, impossível. Tem sido assim nos
Estados Unidos, onde tudo começou, na Europa, Argentina e sul do
Brasil. Com a contaminação, agricultores têm prejuízos ao perderem o
direito de vender suas safras como convencionais e/ou orgânicas.
Confira aqui entrevistas
com agricultores espanhóis sobre alguns casos ocorridos em seu país.
O Greenpeace tem publicado anualmente um Registro sobre Contaminação
Transgênica sobre os muitos casos verificados em todo o mundo - confira
aqui a última edição.
2. Ameaça à biodiversidade
A contaminação genética pode ter também um efeito devastador na
biodiversidade do planeta. Ao liberar organismos geneticamente
modificados na natureza, colocamos em risco variedades nativas de
sementes que vêm sendo cultivadas há milênios pela humanidade. Além disso, os transgênicos podem afetar diretamente seres vivos que habitam o entorno das plantações, conforme indicam estudos científicos - como no caso das borboletas monarcas, que são insetos não-alvo da planta transgênica inseticida, mas são também atingidas.
3. Dependência dos agricultores
A empresa de biotecnologia Monsanto é hoje a maior produtora de
sementes do mundo, convencionais e transgênicas. Além disso, é também
uma das maiores fabricantes de herbicidas do planeta, com destaque para
o Roundup, muito usado em plantações de soja geneticamente modificada
no sul do Brasil. Com essa venda casada - semente transgênica mais o
herbicida ao qual a planta é resistente -, os agricultores ficam presos
num ciclo vicioso, totalmente dependentes de poucas empresas e das
políticas de preços adotadas por elas. Ver aqui.
Outro grande problema verificado nos países que têm adotados os
transgênicos - principalmente os Estados Unidos e Argentina -, é a
draconiana propriedade intelectual exercida pelas empresas sobre as
sementes transgênicas. O agricultor é proibido de guardar sementes de
um ano para o outro, podendo sofrer pesados processos caso faça isso, e
ainda corre o risco de ser processado de qualquer maneira caso a sua
plantação sofra contaminação genética de uma outra transgênica - e ele
não tiver como provar isso.
4. Baixa produtividade
Os argumentos de quem defende os transgênicos como solução para a crise alimentar que vivemos vêm caindo por terra dia após dia. Os transgênicos já se mostraram pouco competitivos economicamente e recentes estudos promovidos por universidades americanas comprovaram que
variedades transgênicas são até 15% menos produtivas do que as
convencionais. Confrontadas com os resultados das
pesquisas, empresas de biotecnologia admitiram que seus transgênicos
não foram criados para serem mais produtivos, mas sim para serem
resistentes aos agrotóxicos fabricados por essas mesmas empresas.
Num primeiro momento, os transgênicos podem até ser mais produtivos do
que os cultivos convencionais ou orgânicos/ecológicos, mas no médio e
longo prazos, o que se tem verificado é uma redução na produção e um
aumento significativo nos preços dos insumos como o glifosato,
principal herbicida usado em plantações transgênicas.
5. Desrespeito ao consumidor (rotulagem)
O Brasil tem uma lei de rotulagem em vigor desde 2004, que obriga os
fabricantes de alimentos a rotular as embalagens de todo produto que
usam 1% ou mais de matéria-prima transgênica. No entanto, apenas duas
empresas de óleo de soja rotulam algumas de suas marcas do produto - e
mesmo assim só depois de terem sido acionadas judicionalmente pelo
Ministério Público. Há milhares de produtos nas prateleiras dos
supermercados brasileiros que chegam à mesa das pessoas sem a devida
informação sobre o uso de substâncias geneticamente modificadas, numa
afronta direta à lei e num claro desrespeito ao consumidor.
O Greenpeace publica, desde 2002, o Guia do Consumidor com uma lista
verde de produtos que não usam transgênicos em sua fabricação e outra
lista, vermelha, com produtos que podem conter organismos geneticamente
modificados em sua composição.
6. Uso excessivo de herbicida
O caso da Argentina é emblemático: depois que os transgênicos começaram
a serem plantados em suas terras, o consumo de herbicida explodiu no
país, que passou a ser um dos que mais usam produtos químicos em
plantações no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A explicação é
simples: como os transgênicos são resistentes a um tipo específico de
herbicida, o agricultor usa cada vez mais dele para proteger sua
plantação de pragas. Com o tempo, no entanto, esse uso excessivo
provoca problemas no solo, nos trabalhadores e promove o surgimento de pragas resistentes ao herbicida (arquivo em pdf para baixar), exigindo mais e mais aplicações.
Não existem estudos científicos que comprovem a segurança dos
transgênicos para a saúde humana. Apesar de exigidos por governos de
todo o mundo, as empresas de biotecnologia nunca conseguiram apresentar
relatórios nesse sentido - e ainda assim, seus produtos são aprovados.
Por outro lado, alguns estudos independentes indicaram problemas
sérios, como alterações de órgãos internos (rins e fígado) de cobaias
alimentadas com milho transgênico MON863 da Monsanto.
E ainda há o risco do uso excessivo do glusofinato, componente ativo da
variedade transgênica Liberty Link, da Bayer, presente tanto no milho
como no arroz geneticamente modificado produzido pela empresa.
Problemas como esses levaram alguns países, como a Áustria, a proibírem
a importação e comercialização desses produtos.
No Brasil, infelizmente, não existe o mesmo cuidado. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), responsável pela aprovação de transgênicos no país, vem dando sinal verde para variedades que enfrentam grande resistência em outros países, como no caso do milho MON810, da Monsanto, proibido na Europa e liberado no Brasil.