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Ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, recebe abaixo-assinado em defesa das florestas e do clima das mãos de dois jovens representantes do Greenpeace.
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Transferir dinheiro das nações ricas para países em desenvolvimento através de um mecanismo global de financiamento para acabar com o desmatamento e, ao mesmo tempo, preservar a biodiversidade, respeitando os direitos de povos indígenas e comunidades locais. Esta é a proposta para proteger as florestas tropicais e o clima do planeta, que o Greenpeace detalhou nesta terça-feira na Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), que acontece até o próximo dia 30 de maio, em Bonn, na Alemanha.
A proposta do Greenpeace, batizada de Florestas pelo Clima, tem o potencial de arrecadar recursos que podem chegar a 14 bilhões de euros por ano destinados a reduzir rápida e drasticamente as emissões provenientes de desmatamento. As nações industrializadas – que historicamente têm sido os maiores poluidores do clima – serão chamadas a contribuir para um novo fundo global cujos recursos serão destinados a aumentar a governança em países e regiões em desenvolvimento com grandes áreas de floresta, como Brasil, Indonésia e África. Por sua vez, os países que decidirem participar desse mecanismo terão de apresentar reduções progressivas e permanentes da perda de cobertura florestal.
“A proposta do Greenpeace mostra que há uma solução viável para zerar o desmatamento das florestas tropicais em menos de 10 anos”, disse Roman Czebiniak, assessor político do Greenpeace Internacional, que está em Bonn. Segundo ele, a iniciativa Florestas pelo Clima deve ser incluída no próximo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, que começa em 2012.
A iniciativa ajudará a viabilizar a proposta, apresentada ao governo brasileiro em outubro de 2007 pelo Greenpeace e outras oito ONGs, de um pacto nacional para zerar o desmatamento da Amazônia até 2015. A incorporação da proposta do Desmatamento Zero às políticas públicas brasileiras foi sugerida na segunda-feira pelo novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante reunião em que o presidente Lula o confirmou no cargo.
O desmatamento das florestas tropicais é responsável por aproximadamente 20% das emissões de gases do efeito estufa na atmosfera – mais do que as emissões de todos os aviões, trens e carros do mundo inteiro. O Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases estufa.
“O combate ao aquecimento global passa pela preservação das florestas tropicais e a contribuição do Brasil para evitar as mudanças climáticas será zerar o desmatamento na Amazônia”, disse o coordenador da Campanha Amazônia, do Greenpeace, Paulo Adario.
A iniciativa Florestas pelo Clima foi apresentada num evento paralelo durante a recente conferência da Convenção do Clima em Bali, em dezembro de 2007. A proposta foi agora lançada na CDB, pois o Greenpeace acredita que as convenções da ONU nascidas na Rio-92 – de Clima e de Diversidade Biológica precisam acordar estratégias comuns para a viabilização dos recursos necessários para preservar a vida no planeta.
“Floresta não é só carbono. Além de manter o equilíbrio climático do planeta, as florestas abrigam uma enorme diversidade e são fundamentais para o modo de vida de milhares de comunidades tradicionais e povos indígenas”, disse Czebiniak. “É muito importante que, em algum momento, a CDB e a Convenção de Clima discutam como implementar a proposta de forma integrada”.
Enquanto a proposta não é implementada...
Cientistas, políticos e ONGs concordam que será preciso pelo menos 30 bilhões de euros por ano para salvar as florestas e implementar uma rede global de áreas protegidas terrestres e marinhas. O economista-chefe do governo inglês, Sir Richard Stern, estima que com 15 bilhões de euros/ano seria possível reduzir pela metade as emissões de gases estufa decorrentes do desmatamento tropical. O Pacto pelo Desmatamento Zero, das ONGs brasileiras, estima em R$ 1 bilhão/ ano o volume de recursos necessários para trazer governança à Amazônia, melhorar a vida das comunidades locais e pagar compensações por serviços ambientais prestados pelas florestas.
O mundo tem dinheiro para proteger a biodiversidade terrestre e os grandes recursos pesqueiros mundiais, para salvar florestas tropicais como a Amazônia da destruição que provoca mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, redirecionar o desenvolvimento para beneficiar os povos da floresta.
“O problema é que até agora os líderes dos países ricos preferem gastar muito mais em guerras e subsídios para atividades poluentes do que na preservação da vida e o futuro de nossos filhos e netos,” diz Adario, citando o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, que calculou que os Estados Unidos gastam entre US$ 15 e US$ 21 bilhões por mês na guerra do Iraque.
“O que falta no mundo – e no Brasil - é bom-senso e priorização adequada”, insiste Adario, lembrando que o presidente Lula prefere apostar cada vez mais no crescimento econômico puxado pelo agronegócio e por grandes obras que ameaçam a Amazônia e outros ecossistemas, em vez de optar por um modelo de desenvolvimento baseado no uso responsável de nossos recursos naturais.
O Greenpeace considera que, enquanto o mecanismo Florestas pelo Clima proposto pela organização à ONU não vem, é preciso adotar medidas de emergência para reduzir o desmatamento e a perda da diversidade biológica mundial.
“Não podemos esperar até 2012 para que a nossa proposta seja implementada. Por isso, estamos pedindo que os países ricos financiem um fundo global de emergência para a proteção da biodiversidade agora”, disse Christoph Thies, da campanha de Florestas do Greenpeace Internacional.
"A Alemanha tem liderado a discussão de questões ambientais. Como país-sede da CDB, o governo alemão tem a oportunidade histórica de provar que está levando a questão a sério, dando o exemplo com a contribuição de 2 bilhões de euros pelos próximos cinco anos, já a partir de 2009", afirmou.
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